
A actual Constituição desempenhou o seu papel.
Importa não esquecer que esta Constituição substituiu uma outra cuja qualidade democrática seria, numa escala de 1 a 10, zero. Por muitos defeitos ( e eram mesmo muitos) que a Constituição dos cravos tivesse à nascença, corporizou um enorme progresso político e social.
Entretanto foi sendo remendada e burilada num ou noutro capítulo, umas vezes para melhorar, outras para piorar, conforme o ponto de vista de cada um.
Ao longo das décadas que correram por debaixo das pontes e à medida que as crises políticas se foram sucedendo por cima ou por baixo de crises económicas, aquele texto foi acumulando rugas e banhas, a ponto de ser hoje legítimo perguntar se não é chegado o momento de o arrumar na prateleira e de o substituir por um texto moderno, simples, curto e democrático, expurgado dos equívocos, perversidades e vícios do anterior.
Lá em casa, chegava o momento em que se percebia que já não valia a pena cerzir o fato ou remendar as calças. Em termos histórico-constitucionais, nós não somos nem a Inglaterra nem os Estados Unidos. Convinha começarmos a pensar numa ida ao alfaiate, até porque nestas coisas não há pronto-a-vestir que nos convenha.
Tentarei em posts ulteriores expôr algumas ideias-mestras para um novo texto constitucional.
