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quinta-feira, junho 07, 2012

Venham mas é para casa

Toda a gente que o deveria saber sabe que o poder no Afeganistão está entregue a um bando mafioso cujo chefe é o Chefe de Estado, Hamid Karzai (à direita na foto), e cuja espinha dorsal é toda a sua família. Ali, as fraudes eleitorais mais grosseiras, a corrupção mais descarada, o nepotismo mais desenvergonhado, o tráfico de pessoas, de droga e de armas transformado em indústria nacional, vão de par com a mis en scène mais hipócrita de uma “democracia” ocidentalizada.

Os nossos sucessivos ministros da Defesa acharam que lhes ficava bem oferecerem, no âmbito da Nato, uns tantos militares portugueses que por lá andam há anos, nem eles sabem bem a fazer o quê. Parece que este luxo nos custa 20 milhões/ano, mas desconfio que seja muito mais.

O último empossado, o hífen, ainda não sabe se aqueles 200 e tal militares portugueses ficarão depois de 2014. Está talvez à espera de umas conversas nos corredores da Nato ou de uma inspiração angélica, mas entretanto teve a iluminada ideia de lhes (ao poder Karzai) mandar um cheque de 1 milhão de euros pós-2014, pois acha que devemos  continuar a participar senão militarmente pelo menos financeiramente na pouca-vergonha, até porque somos “ricos”. Não valia mais abrir uma cantina popular na Pasteleira?

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Teatros de Operações ou Operações teatrais

O mal-estar que começa a espalhar-se em vários ramos das Forças Armadas não é estranho à forma como o Ministro da Defesa vem lidando com o sector. Do meu ponto de vista, não basta afirmar-se que as Forças Armadas “são insustentáveis”. É fundamental apontar com clareza objectivos intelegíveis, identificar os meios e os métodos e adoptar um calendário, enfim, definir uma política. Alguém consegue perceber que política segue este ministro?

Sem isso, a afirmação avulsa de que “não há dinheiro” e de que só as Chefias têm o seu ouvido não passa de uma fanfarronice contraproducente. Aliás, já se percebera pela forma hesitante e fugidia como veio arrastando a gestão do dossier “Estaleiros de Viana” que não havia liderança nem visão.

Se querem ser credíveis, coerentes e ganhar autoridade, mandem regressar imediatamente os militares que andam no Afeganistão, na Bósnia, no Kosovo, no Líbano e mais não sei donde a fingir que somos ricos. Se mais não fora, passa a poupar-se o envio de perús natalícios e, entre estes, o caqui engomado e os reporteres da RTPropaganda.