À falta de melhor, puz-me a ouvir a parte
final dos comentários de Domingo do Marcelo RS, em que ele opinava sobre o caso
“palhaço” que vem entretendo tanta gente. Não vou perder um grama de energia e
de tempo a entrar nessa polémica de galinhas até porque acho que, uma vez mais,
o João Miguel Tavares estoura com o assunto na última página do Público de
hoje. Se ele me deixasse, acrescentava ali a minha rubrica.
O Marcelo citou “en passant” o Pulido Valente,
dando a entender que este partilhava a opinião que a Presidência tinha
necessariamente de reagir à ‘boutade’ do filho da Sofia. O Prof., que é como
gosta de ser chamado, ou não sabe ler ou é um manipulador, pois o VPV escreveu
preto no branco nesse mesmo jornal exactamente o contrário. A alternativa entre
analfabeto ou mentiroso parece fácil de deslindar, mas se dúvidas ainda
houvesse a esse respeito bastava escutar a amálgama que fez de seguida entre “gatunos”
e “palhaços” para se poder concluir em definitivo que estes malabaristas dos
factos não passam de entertainers que cobram cachet.
Ouvi-o até ao fim, à espera que o lente de
Direito informasse os telespectadores que a jurisprudência consolidada dos
tribunais portugueses definiu que, no combate político, apelidar o adversário de ‘palhaço’
não constitui injúria, mas sem surpresa verifiquei que essas coisas não
interessam ao jurista que ele diz ser. Assim, concluo que nas nossas
auto-proclamadas elites há personagens de verniz estaladiço, que ao primeiro
arranhão revelam o “chavismo” sul-americano que os estrutura. Aliás, não foi no
outro dia o actual MNE depôr respeitosamente uma coroa de flores na campa do “eterno”
em Caracas? Carago!

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