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sexta-feira, setembro 03, 2010

Spill over

Segundo o Público de hoje, citando a Lusa, os deputados do PSD/Porto questionaram o governo sobre o desvio para Lisboa de verbas "comunitárias"* destinadas ao Norte. Já é alguma coisa, apesar do recato com que se questiona. Questionar parece protestar, embora não se assuma o protesto...

Que se saiba, dos outros partidos e dos outros distritos até agora ainda nada...

quarta-feira, setembro 01, 2010

Spill over

Perante este escândalo, a situação cala-se. Da esquerda à direita ouve-se um silêncio cumplice, prova de que - lá em cima - está tudo de acordo.

Claro que o spill over, a existir, funciona também ao contrário: aplique-se o dinheiro no Norte para se sentir o efeito difusor em Lisboa.

A modernização está à vista: encerramento de tribunais, de escolas, de urgências. Encerramento da esperança pelas novas gerações, e aposta firme na migração. Fuga do interior para o litoral, e, uma vez no litoral, rumo a Lisboa.

Com a complacência geral, assistimos - serenos, venerandos e obrigados - à total ausência de uma política de território, e à implementação efectiva das práticas de despovoamento.

A população vai consentindo. É o regime que somos. Um regime apático, tolerante e subserviente.

Encolhemos os ombros e pensamos "o que será o almoço?"

domingo, fevereiro 21, 2010

Notìcias do meu paìs

Òleo de Manuel Amado "Janela com cortinas" - 1987


O "engenheiro" morreu politicamente.
Os membros do Politburo deste Andropov de pacotilha rodeiam o cadàver, a esconder o féretro mas tolhidos de medo. Hesitam em deposità-lo na cova com receio de nela caìrem também, mas não se dão conta de que a putrefacção polìtica que assim alimentam os infecta e os condena. A prova é que alguns jà deliram.
Na outra banda, hà uns tipos que olham aquele ajuntamento sem perceberem bem o que se passa. Alguns desconfiam que hà um morto a enterrar mas, na sua cobardia poltrona, afivelam um ar de senador e esperam que o coveiro faça o trabalho por eles e lhes poupe o incòmodo da tarefa.
Outros não entendem mesmo nada e ainda acreditam que aqueles restos não são um mero boneco de cera e que, portanto, pode mordê-los.
O coveiro està de férias ou està de baixa, não se sabe ao certo, e desligou o telefone porque pensa que assim consegue iludir a realidade, que para ele é uma maçada e uma inconveniência.
E estamos nisto: o ar cada vez mais irrespiràvel e a àgua cada vez mais contaminada.
À espera não se sabe bem de quê, talvez de uma vala comum que os engula a todos e nos liberte a nòs. Que pôrra de regime!