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segunda-feira, março 08, 2010

Um geyser cá dentro


Imaginemos o seguinte cenário ou ficção:

O Banco Espírito Santo alarga os seus negócios através das suas agências em Miami e em países de leste e consegue atrair importantes capitais russos que assim pensam obter um estribo para outros voos no interior do mercado financeiro da União Europeia.
Mas a coisas correm mal, seja por excesso de risco, seja por interferência das autoridades que lhe descobrem branqueamentos de índole criminosa. O banco vai à falência e surgem os tais russos a exigirem o reembolso das suas entradas. O Estado russo paga do seu bolso aos seus nacionais mas exige que o Estado português o reembolse desse alegado adiantamento. O governo português aceita essa exigência de Putin e apresenta um plano segundo o qual cada português terá de pagar, num prazo de 8 anos, 40 mil euros ao Estado russo.
Um Presidente da República corajoso (ainda os há) decide convocar um referendo sobre o assunto e conclui-se que mais de 90% da população rejeita pagar aos russos por causa da falência do banco do Sr. Salgado.
Quid juris?

Esta ficção é uma realidade na Islândia.
Às vezes vale a pena mudar os nomes aos protagonistas para que os nossos raciocínios sejam mais prudentes e os nossos julgamentos sejam menos apressados.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

O geyser islandês


Os clientes do BPN e do BPP, que há mais de um ano vêm sendo embalados pelas respectivas administrações e pelas autoridades do sector, deviam acompanhar de perto o que se passa na Islândia, na sequência da bancarrota dos principais bancos islandeses.

Os depositantes estrangeiros, nomeadamente ingleses e holandeses, que lá meteram o seu dinheiro em busca de remunerações fantásticas (e arriscadíssimas) foram ressarcidos pelos seus governos respectivos, os quais entretanto exigem ao Estado islandês o reembolso desse adiantamento. Ou seja, o contribuinte islandês teria de pagar milhares de milhões aos depositantes estrangeiros por causa da falência de bancos que eram privados e foram geridos e supervisionados ao estilo do nosso Faro Fino do Banco de Portugal.

Um terço da população exige um referendo sobre o assunto e as sondagens apontam para uma vitória da recusa ao tal pagamento aos governos estrangeiros. A Comissão Europeia já ameaça com represálias, o FMI torce o nariz e todo o mundo financeiro internacional prepara medidas para fazer ajoelhar e esmifrar um desgraçado país de pouco mais de 300.000 habitantes.

A acompanhar.