O problema do país é o PS e os que nele votam.
Sócrates não é chefe daquilo por mero acaso: e, se como se demonstrou no congresso da malta, “o PS está comigo”, então o Sócrates é o chefe adequado da turba, é o espelho dela, ou seja, uma carneirada de socratinhos, chamem-se eles vitorinos, medeiros ou outras pomposidades.
Parece que ainda há pessoas na auto-proclamada direita que admitem deitar-se com a seita. Cada um é livre de procurar couves e avenças como melhor entender, mas é bom que saiba que é tão ladrão o que vai à horta como o que fica à porta. Afinal, verifica-se que os “nim” estão onde menos se espera. Cuidado, não vá estatelarem-se nessa “terceira” via.
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terça-feira, maio 24, 2011
quarta-feira, maio 11, 2011
A candeia de Diógenes

Obviamente já estamos em campanha eleitoral.
Seria muito importante que os partidos explicassem que a primeirissima prioridade é a de expulsar o PS do poder. Os que não se demarcarem claramente dessa agremiação nociva e semi-mafiosa tornam-se coniventes do crime continuado em que se traduziu a governação socialista. Não se trata de afunilar a critica ao rosto do chefe de bando: Sócrates existe porque há todos os outros, os que estão com ele, lhe pagam quotas e calam, excepção do tal Rómulo que não bebe o leite da loba. O Partido Socialista merece o destino do PS italiano de Craxi: a dissolução e a responsabilização penal dos seus dirigentes.
A outra prioridade seria a de falar verdade aos portugueses. Infelizmente, e apesar das lamentações piegas dos encartados do bom-senso, a verdade é coisa demasiado indigesta para os restantes figurões. Veja-se a pressa com que decidiram que não se faria nenhuma auditoria independente às contas do Estado. ‘Votem calados e ignaros, mas preparem-se para sofrer’ – é o mote.
A direita assinou o memorando da troika porque tinha uma pistola apontada à cabeça. A esquerda esbraceja umas vulgaridades sobre as viúvas mas é absolutamente incapaz de apontar uma alternativa que não seja um mero retorno aos slogans do Prec.
Ora o que está escrito a letra invisível no memorando da troika é a reestruturação da dívida, com perdão de 40%, e a saída do euro. Ou isso ou a entrega do país aos bávaros, sob capa de uma dita federalização da governação europeia.
A tragédia não é apenas o desastre a que a governação socialista nos conduziu. A verdadeira tragédia é este teatro de sombras em que uns tantos fingem que serão os melhores a aplicar uma receita que vai matar o doente, com aquela ‘compaixão’ sinistra com que o médico esconde ao moribundo que o fim é inelutável.
Ora eu, que não gosto de carne de avestruz, só entregarei o meu voto aos "loucos" que sejam capazes de falar verdade. Entretanto, acendi a candeia...
domingo, abril 17, 2011
Bola preta

O PSD re-apresenta o hífen dos 3% como cabeça de lista pelo Porto.
Trata-se seguramente de uma evolução na continuidade, até porque o Sr. Aguiar afirma-se um convicto regionalista às Terças e Quintas e o Sr. Branco um arauto do situacionismo nos outros dias da semana. Em nobreza, o Porto não podia ficar atrás.
sábado, abril 16, 2011
As novas diuturnidades
Consta que o D. Basílio vai encabeçar a lista do « engenheiro » por um círculo qualquer.
O CDS tem sido ao longo dos anos um fornecedor incansável de personagens (não digo personalidades) para uma agremiação que dá pelo nome de Partido Socialista e que nos vem afundando alegremente.
Será então verdade o tal dito francês “qui se ressemble, s’assemble” ?
Os ingleses diriam “birds of a feather flock together”.
Nós cá poderiamos dizer “os submarinos são como o azeite”
quinta-feira, abril 14, 2011
Em 1° classe

Ficamos a saber que o Sr. Nobre não quer ser deputado, mas sim Presidente da Assembleia.
Se tal não for possível, o cabeça de lista por Lisboa resigna e volta para casa.
Não será o primeiro nem o último a fazer isso. O Sr. Deus Pinheiro fez o mesmo nos dias seguintes a ter sido eleito como cabeça de lista por Braga: não voltou para casa, voltou para os tacos de golf. E o PS é igualmente exímio nestas lides: lembram-se das venerandas Elisa Ferreira e Ana Gomes? : ou a presidência ou nada. Porto e Sintra deram-lhes o troco merecido.
Bom, aquele ‘nada’ era qualquer coisa, era Bruxelas/Estrasburgo, naquele parlamento que recentemente rejeitou a proposta de pôr os euro-deputados a viajar em económica. “Queremos voar em 1° classe!”, olarilolé, acrescento eu.
Mas estou a desviar-me do assunto.
As barrigas de aluguer envolvem duas partes: a parte que abre as pernas e o(a) que por elas aproveita o colo, se preciso for renegando o que antes disse ou fez.
Algo me diz que vamos assistir a mais fenómenos destes na formação das listas partidárias. “É a vida”, dirão alguns. É o fim, digo eu.
quarta-feira, abril 13, 2011
E agora?
O que nos vai trazer o 5 de Junho ?
Se nos trouxer o despedimento definitivo do senhor “engenheiro”, já é algo de considerável na coluna do “haver”, mas o seu governo e o seu partido escavacaram o país de tal maneira que os salvados estão bons para a sucata do Godinho.
Ora se o que resta são resíduos e detritos, então mais vale reconstruir as instituições e o país a partir da estaca zero, revendo tudo, sem tabús nem complexos. Para haver futuro tem de haver um recomeço. Há um país que quer viver.
quinta-feira, março 31, 2011
Um país sem saída
O título é roubado ao artigo de Nuno Garoupa no Jornal de Negócios. Nele o autor dá exemplos de como outros países resolveram situações de impasse politico em comparação com o nosso. O melhor dos exemplos é o canadiano. E dessa forma percebemos como nunca chegaremos a lado nenhum. Ao dar nota desta comparação o meu interlocutor foi rápido na análise: "é para dar tempo a tirar uns boys e a nomear os outros". Pois deve ser mesmo assim.
Aqui fica um excerto:
"Saída à canadense: o governo minoritário do Canadá caiu depois da aprovação de uma moção de censura na mesma semana que o primeiro-ministro português se demitiu. O Canadá não está no abismo económico em que está Portugal, mas terá eleições a 2 de Maio. Portugal um mês mais tarde. São umas regras constitucionais absurdas, feitas por quem não entende o custo económico e social da incerteza política ao longo de 55 dias, que apenas servem os interesses políticos instalados e que ninguém quer mudar de uma vez por todas."
Aqui fica um excerto:
"Saída à canadense: o governo minoritário do Canadá caiu depois da aprovação de uma moção de censura na mesma semana que o primeiro-ministro português se demitiu. O Canadá não está no abismo económico em que está Portugal, mas terá eleições a 2 de Maio. Portugal um mês mais tarde. São umas regras constitucionais absurdas, feitas por quem não entende o custo económico e social da incerteza política ao longo de 55 dias, que apenas servem os interesses políticos instalados e que ninguém quer mudar de uma vez por todas."
segunda-feira, setembro 28, 2009
"Eu fico"
Atenção: ainda soam estas palavras de Paulo Portas ditas no dia 25, dois dias antes das eleições.
domingo, setembro 27, 2009
27 (3)
Se Rebelo de Sousa, o António, apoiante do PS, substituir o irmão na RTP, ficava uma conversa em família. Se substituisse o Vitorino, ficava uma familia em conversa.
sexta-feira, setembro 25, 2009
Estar pronto
Dentro de menos de 48h já haverá uma ideia de quem nos governará nos próximos tempos.
Segunda-feira será para uns um dia de esperança e para outros um dia de ressaca. É óbvio que espero ser dos que se vão levantar a assobiar e desejarão "bom-dia" a cada um com um sorriso novo e um brilhinho nos olhos.
Mas se essa maioria for a dos que nos traz mais do mesmo, então aceitarei sem falso pudor estar do lado da ressaca, na certeza porém de que mais cedo ou mais tarde o país reencontrará um melhor caminho e que é preciso estar pronto.
Segunda-feira será para uns um dia de esperança e para outros um dia de ressaca. É óbvio que espero ser dos que se vão levantar a assobiar e desejarão "bom-dia" a cada um com um sorriso novo e um brilhinho nos olhos.
Mas se essa maioria for a dos que nos traz mais do mesmo, então aceitarei sem falso pudor estar do lado da ressaca, na certeza porém de que mais cedo ou mais tarde o país reencontrará um melhor caminho e que é preciso estar pronto.
Antecipando o dia de reflexão, ainda com alguma esperança
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
quarta-feira, setembro 23, 2009
Roubas? Corto-te a mão
O MMS, Movimento Mérito e Solidariedade, propõe no seu programa a castração química para os crimes de violação e pedofilia.
A questão que se me põe é a seguinte: para o que aqui nos interessa, qual será a diferença entre a castração química e a não química? E só encontro uma resposta: é que propor a castração tout court, mesmo se por intervenção cirúrgica e com assistência de um anestesista, revelaria muito mais rapidamente a barbaridade da proposta e daí a preocupação de esclarecer que é por métodos químicos, umas pastilhas ou umas gotas num copo de água, coisa de acalmar o bruto, mas nada de doloroso ou ensanguentado.
A castração química pode parecer uma coisa moderna mas não deixa de ser uma castração.
Para mim, uma proposta destas equivale às leis da Sharia do fundamentalismo islâmico: roubas, corto-te a mão. Difamas, corto-te a língua, etc.
Para mim, isto seria um atraso civilizacional e não lhe reconheço mérito nenhum.
A questão que se me põe é a seguinte: para o que aqui nos interessa, qual será a diferença entre a castração química e a não química? E só encontro uma resposta: é que propor a castração tout court, mesmo se por intervenção cirúrgica e com assistência de um anestesista, revelaria muito mais rapidamente a barbaridade da proposta e daí a preocupação de esclarecer que é por métodos químicos, umas pastilhas ou umas gotas num copo de água, coisa de acalmar o bruto, mas nada de doloroso ou ensanguentado.
A castração química pode parecer uma coisa moderna mas não deixa de ser uma castração.
Para mim, uma proposta destas equivale às leis da Sharia do fundamentalismo islâmico: roubas, corto-te a mão. Difamas, corto-te a língua, etc.
Para mim, isto seria um atraso civilizacional e não lhe reconheço mérito nenhum.
terça-feira, setembro 22, 2009
Nada na manga
Investi algum tempo a ler e a tentar conhecer melhor o que é e o que pretende o Movimento Esperança Portugal (MEP).
Há ali qualquer coisa de novo, de fresco, de sério. Encontrei nas suas listas gente credível, esforçada, honesta e competente.
A ideia de que se pode fazer política pela positiva é seguramente uma ideia interessante, desde que não derrape para uma bondadezinha sorridente, jardim com baloiço e música de elevador. Talvez seja essa falta de músculo, de afirmação contundente, que falte ao MEP para ser uma força de combate, mas o MEP dá os primeiros passos e talvez o tempo e a experiência lhe endureçam o discurso e lhes ensinem que é também necessário ser agressivo na convicção e intolerante com a trapaça e a asneira.
O MEP tem pelo menos o mérito de ser uma resposta possível e de reunir gente sã que se levantou da poltrona e saiu à rua para o que der e vier.
Bravo!
Há ali qualquer coisa de novo, de fresco, de sério. Encontrei nas suas listas gente credível, esforçada, honesta e competente.
A ideia de que se pode fazer política pela positiva é seguramente uma ideia interessante, desde que não derrape para uma bondadezinha sorridente, jardim com baloiço e música de elevador. Talvez seja essa falta de músculo, de afirmação contundente, que falte ao MEP para ser uma força de combate, mas o MEP dá os primeiros passos e talvez o tempo e a experiência lhe endureçam o discurso e lhes ensinem que é também necessário ser agressivo na convicção e intolerante com a trapaça e a asneira.
O MEP tem pelo menos o mérito de ser uma resposta possível e de reunir gente sã que se levantou da poltrona e saiu à rua para o que der e vier.
Bravo!
domingo, setembro 20, 2009
Rataria
O país está infestado de ratos.
Julgávamos que se acasalavam nos esgotos, que chafurdavam em monturos, que repousavam em bueiros fétidos ou que se amontoavam nas cloacas da cidade. Isso já foi.
Hoje usam (ou não) gravata, escrevem em jornais, dirigem partidos e governos, administram bancos e empresas públicas, manobram, manipulam, conspiram, aldrabam e peroram.
O cidadão lê-lhes os tìtulos aterrado, ouve-os desconsolado e teme-os num sussurro quase clandestino, esperando e desesperando em distinguir um compatriota de um mangusto e em reconhecer um igual no meio dos leivões. E há os ratos-cegos, essas toupeiras que sapam por baixo e ligam por túneis os musaranhos, os ratos-musgo e os murganhos. As arganaças ganharam voz, os leirões conhecem a síntaxe e os ratos-do-monte e os dos pomares salpicam-se de perfume para que não lhes topemos o odor da esturqueira.
Escutam-se, espiam-se e vigiam-se, aliam-se e concertam-se, zangam-se e reconciliam-se. Negoceiam. Vendem e trocam. Vendem-nos e trocam-nos. Na verdade, vendam-nos para que não vejamos e ensurdecem-nos com promessas para que não ouçamos.
Há uma ratoeira que os pode caçar: a 27, o nosso voto pode recambiá-los para o seu mundo imundo de trapaceiros. Ou isso ou seremos nós os caçados.
Julgávamos que se acasalavam nos esgotos, que chafurdavam em monturos, que repousavam em bueiros fétidos ou que se amontoavam nas cloacas da cidade. Isso já foi.
Hoje usam (ou não) gravata, escrevem em jornais, dirigem partidos e governos, administram bancos e empresas públicas, manobram, manipulam, conspiram, aldrabam e peroram.
O cidadão lê-lhes os tìtulos aterrado, ouve-os desconsolado e teme-os num sussurro quase clandestino, esperando e desesperando em distinguir um compatriota de um mangusto e em reconhecer um igual no meio dos leivões. E há os ratos-cegos, essas toupeiras que sapam por baixo e ligam por túneis os musaranhos, os ratos-musgo e os murganhos. As arganaças ganharam voz, os leirões conhecem a síntaxe e os ratos-do-monte e os dos pomares salpicam-se de perfume para que não lhes topemos o odor da esturqueira.
Escutam-se, espiam-se e vigiam-se, aliam-se e concertam-se, zangam-se e reconciliam-se. Negoceiam. Vendem e trocam. Vendem-nos e trocam-nos. Na verdade, vendam-nos para que não vejamos e ensurdecem-nos com promessas para que não ouçamos.
Há uma ratoeira que os pode caçar: a 27, o nosso voto pode recambiá-los para o seu mundo imundo de trapaceiros. Ou isso ou seremos nós os caçados.
sexta-feira, setembro 18, 2009
Alto aì e pàra o baile!

Meus caros amigos
Tinha imaginado um cenàrio 3 a postar no fim-de-semana. Não acontecerà.
Face às ùltimas notìcias do que se passa nos bastidores polìticos do paìs, considero que a situação é excessivamente grave e que não se compadece com o engraçadismo eleitoral para o qual terei modesta mas alarvemente contribuido. Estava na minha torre sem perceber o que se aproximava.
È preciso humor, é certo, ou pelo menos tentar algum humor que nos ajude a suportar este sufoco, mas a choldra de manobristas està a transformar a polìtica nacional numa tal espelunca de percevejos, num tal bacanal de rameiras, que jà não hà piada que nos salve.
A coisa agora é séria e fia mais fino.
Até jà
(perdoem-me estes acentos fugidios: o teclado não conhece a lìngua de Camões)
Tinha imaginado um cenàrio 3 a postar no fim-de-semana. Não acontecerà.
Face às ùltimas notìcias do que se passa nos bastidores polìticos do paìs, considero que a situação é excessivamente grave e que não se compadece com o engraçadismo eleitoral para o qual terei modesta mas alarvemente contribuido. Estava na minha torre sem perceber o que se aproximava.
È preciso humor, é certo, ou pelo menos tentar algum humor que nos ajude a suportar este sufoco, mas a choldra de manobristas està a transformar a polìtica nacional numa tal espelunca de percevejos, num tal bacanal de rameiras, que jà não hà piada que nos salve.
A coisa agora é séria e fia mais fino.
Até jà
(perdoem-me estes acentos fugidios: o teclado não conhece a lìngua de Camões)
Noite de 27 - antecipação (cenário 2)
Às 20h, a RTP declarou-se incapaz de dar uma previsão de vencedor, alegando que o empate técnico não lhe autorizava qualquer especulação. Mas havia novidades: o Bloco andaria perto dos 11%, a CDU rondaria os 10% e o PP ou teria 4 ou 9 ou 12, dependia(??). O MEP elegia por Lisboa.
E andaram nisto cerca de hora e meia, com aqueles fulanos das sondagens a explicar sabiamente as razões por que não tinham nada a dizer, sendo que os que se auto-intitulavam politólogos admitiam que a culpa era do eleitor, ignara personagem que atrapalhava os cálculos por causa da sua indecisão, hesitação, indefinição, enfim, um irresponsável.
Comecei a sentir uma dor no braço esquerdo cerca das 10 e picos, já a Zulmira deixara de "Vem deitar-te, homem, que amanhã tens de abrir a porta ao picheleiro". Quando a seguir veio um betinho anafado, na sede do PS, garantir que a fraca abstenção fora uma vitória da democracia e que os portugueses estavam de parabéns, deu-me um ataque de azia e um mal-estar geral a que não dei importância e que atribui ao prato de lulas da Carmelinda, a minha cunhada, que julga que lá por trabalhar na cantina da escola B-57 de Freamunde percebe alguma coisa de panelas.
Passei pelas brasas ao ouvir o Aguiar Branco dizer "consubstancia…", e nessa sonolência retemperadora ainda dei conta do Jerónimo "não sei quê…os poderosos…". Ferrei verdadeiramente o galho quando voltaram ao estúdio para outra seca de segundas linhas a explicarem…coisas.
Acordei de repente, sem saber a que horas, com um Louçã estridente a espumar de um púlpito uma ladainha cheia de erres. As notas de rodapé fugiam da direita para a esquerda a grande velocidade e aquilo era uma confusão de terras, concelhos e números. Tentei baixar o som mas eu próprio estava pêrro. Chamei pela Zulmira e saiu-me um urro esquisito. Quis pôr-me de pé e caí no chão em cima do comando. Ainda percebi pela repentina gritaria que começou a sair do caixote que o Sócrates se demitira e que a Manuela….zzzzzzzzzzzzzzzzzz
Foi a patroa que abriu a porta ao Zeferino, cerca das 7h. Parece que já vai para três dias que estou aqui no S. João. A primeira coisa que balbuciei ao acordar, encharcado de tubos, foi que estava a ver muito bem e que, por favor, não me levassem ao oftalmologista do hospital. A Zulmira disse-me que o nosso glorioso perdeu e que o Zeferino acha que é preciso comprar um autoclismo novo. Que se foda!
E andaram nisto cerca de hora e meia, com aqueles fulanos das sondagens a explicar sabiamente as razões por que não tinham nada a dizer, sendo que os que se auto-intitulavam politólogos admitiam que a culpa era do eleitor, ignara personagem que atrapalhava os cálculos por causa da sua indecisão, hesitação, indefinição, enfim, um irresponsável.
Comecei a sentir uma dor no braço esquerdo cerca das 10 e picos, já a Zulmira deixara de "Vem deitar-te, homem, que amanhã tens de abrir a porta ao picheleiro". Quando a seguir veio um betinho anafado, na sede do PS, garantir que a fraca abstenção fora uma vitória da democracia e que os portugueses estavam de parabéns, deu-me um ataque de azia e um mal-estar geral a que não dei importância e que atribui ao prato de lulas da Carmelinda, a minha cunhada, que julga que lá por trabalhar na cantina da escola B-57 de Freamunde percebe alguma coisa de panelas.
Passei pelas brasas ao ouvir o Aguiar Branco dizer "consubstancia…", e nessa sonolência retemperadora ainda dei conta do Jerónimo "não sei quê…os poderosos…". Ferrei verdadeiramente o galho quando voltaram ao estúdio para outra seca de segundas linhas a explicarem…coisas.
Acordei de repente, sem saber a que horas, com um Louçã estridente a espumar de um púlpito uma ladainha cheia de erres. As notas de rodapé fugiam da direita para a esquerda a grande velocidade e aquilo era uma confusão de terras, concelhos e números. Tentei baixar o som mas eu próprio estava pêrro. Chamei pela Zulmira e saiu-me um urro esquisito. Quis pôr-me de pé e caí no chão em cima do comando. Ainda percebi pela repentina gritaria que começou a sair do caixote que o Sócrates se demitira e que a Manuela….zzzzzzzzzzzzzzzzzz
Foi a patroa que abriu a porta ao Zeferino, cerca das 7h. Parece que já vai para três dias que estou aqui no S. João. A primeira coisa que balbuciei ao acordar, encharcado de tubos, foi que estava a ver muito bem e que, por favor, não me levassem ao oftalmologista do hospital. A Zulmira disse-me que o nosso glorioso perdeu e que o Zeferino acha que é preciso comprar um autoclismo novo. Que se foda!
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