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segunda-feira, fevereiro 21, 2011

A régua e esquadro





Está na ordem do dia a revisão do mapa autárquico.

Se é certo que um tal exercício deve ter em conta a necessidade de redução de despesa e a oportunidade de racionalizar recursos, seria desastroso que a única orientação e o único móbil dessa reflexão fosse a de poupar euros a qualquer custo. Trata-se de uma matéria extremamente sensível que deve ser consensualizada tanto quanto possível com as próprias populações e que não pode de maneira nenhuma ser entregue aos centralistas da capital que de régua e esquadro se divertiriam a redesenhar, no conforto tecnocrático dos seus gabinetes, o país que não conhecem nem querem conhecer.

A primeira condição sine qua non para que um tal exercício decorra com normalidade e eficácia democrática é a constituição de verdadeiras Regiões Político-Administrativas a quem deve ser dada a competência para, em prazo previamente determinado e seguindo um processo de auscultação e de debates públicos, discutirem e aprovarem o ordenamento municipal do seu território. É aliás o que já acontece nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Outro erro crasso seria pensar que podemos ao mesmo tempo e em cima do joelho redistribuir as freguesias. O papel das freguesias no quadro de uma reforma administrativa da organização territorial precisa de ser repensado e reavaliado nos seus fundamentos e não se compadece com a ideia leviana e simplista de que basta fundir umas tantas.

Mas se o objectivo é entreter a opinião, aumentar a confusão, distrair do essencial, dividir para reinar e fingir que se apresenta serviço, então sim, avancem em Lisboa com a régua e com o esquadro, liguem a registadora, abram o livro de merceeiro e escaqueirem o que ainda resta do país profundo que afinal desprezam. E no fim (se lá chegarem), digam com a vossa alarvice habitual: “bela cagada!”.

domingo, janeiro 02, 2011

Tudo em nome da coesão


Não há ministro ou mesmo « engenheiro »-ministro que não se arrogue defensor do interior, paladino da coesão, combatente contra a desertificação. Palavras e discursos para engana-tolos, entre sorrisos condescendentes nalguma tenda para mais algum power-point.

À socapa, em fins-de-semana ou vésperas de feriados, a Refer sucateira e a CP das aplicações financeiras espertalhonas fecham linhas e suprimem serviços no interior. Desta feita, são mais de 144 Kms que se abandonam e mais de 350 kms que deixam de ter serviços de ligação regional. Dizem que assim poupam uns cobres que podem ser mais úteis para trazer os madrilenos às praias do Estoril.

Quanto aos portugueses da Torre das Vargens, de Coruche, Vendas Novas, Mirandela, Livração, da Funcheira ou de Vila Real, que comprem bicicletas e dêem ao pedal, já que querem persistir na teimosia de não emigrarem para o litoral.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Linha VE Porto-Vigo

De acordo com o JN a União Europeia não tem dúvidas da importância de uma linha de Velocidade Elevada entre Porto e Vigo e proibiu o Governo português de fazer desvio das verbas comunitárias do projecto de alta velocidade lusogalaico para a linha Lisboa-Madrid.

Ainda bem que há alguém que olha pelos nossos problemas.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Depois da saladinha de frutas


O Sr. Luís, patrão da entidade pública Turismo de Portugal, reage às declarações de Rui Moreira em que este pedia que aquele organismo esclarecesse o seu papel na ida da Red Bull para Lisboa.
E que diz o Sr. Luís?
Diz que o Rui Moreira não mostrou interesse pelo assunto em anos anteriores e que devia resistir à tentação populista.
Ontem já tomáramos conhecimento de declarações idênticas de um quid qualquer que acusava os nortenhos de regionalismo primário e provincianismo bacoco por se revoltarem contra o rapto alfacinha das avionetes malabaristas.
Do meu ponto de vista, estes tiques sobranceiros dos centralistas da capital é que são de um parolismo insuportável. O Rui Moreira e a ACP podiam convidá-los a virem jantar ao norte e à sobremesa, logo a seguir à saladinha de frutas, abríamos uma janela e "lá vai um Miguel".
Eu ajudo.

domingo, novembro 29, 2009

Portugal é Lisboa

Joaquim Fidalgo escreve sobre um tema que me é caro: os jornalistas, e não só, darem de barato que existe apenas Lisboa e que o resto é insignificante. E dá os exemplos do Coliseu, ou da Avenida da Liberdade que nunca sofrem enquadramentos de local pois na cabeça de quem escreve apenas existem em Lisboa. Ou então o exemplo, este é meu, de Belmiro de Azevedo que é sempre apontado como o empresário do Norte. A visão redutora das cabecinhas é preocupante e é isso que faz com que Portugal não se desenvolva.

quarta-feira, março 14, 2007

Parece brincadeira

Este link/noticia circula por email e há quem como título escreva "parece brincadeira". Mas infelizmente o que parece é. E basta atentar no final da noticia "La AECT permitiría además, según fuentes de la Xunta, consolidar la relación con el Norte de Portugal cuando se acaben los fondos europeos de cooperación al salvar definitivamente las dificultades derivadas de la naturaleza centralizada del Estado portugués."

Basta estar atento e ver o que este governo tem feito. Metro, Fundos.....