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sábado, março 07, 2015

Uma coisa não é outra coisa

Ouviram-se recentemente algumas declarações sobre a necessidade de descentralização das competências do Estado: o Governo acenou com alguma delegação de competências para os municípios e o PS comprometeu-se a fazer eleger os directores das CCDRs pelos autarcas das regiões.
Há tempos ouviramos um eurodeputado do PSD “afirmar-se” como defensor da regionalização ao defender que os tais directores das CCDRs deveriam ter o estatuto de Secretários de Estado.

O centrão é isto que tem para nos oferecer: uma amálgama de conceitos e uma confusão de ideias que normalmente se reduz a um regateio de cheques ou à concessão de uns penachos protocolares.
Obviamente nada disto tem a ver com a Regionalização e em boa verdade, sendo apenas os seus travestis, são contra ela.

Uma coisa é a necessidade evidente de os municípios se coordenarem sempre que nisso haja ganhos mútuos de eficiência e de capacidade, outra coisa é pensar estrategicamente sobre a gestão e o desenvolvimento de um espaço que, indo muito para além de uns tantos concelhos, tem uma dinâmica social e económica própria e comum.

O presidente da Câmara do Porto faz muito bem em promover uma frente atlântica com Gaia e Matosinhos, assim como deve ser encorajado na sua ideia de uma Liga de Cidades que juntem esforços para objectivos determinados. Mas se todas essas formas de inter-municipalismo são proveitosas e bem vindas, tal não significa que sejam passos a caminho da Regionalização, sob pena de afinal serem apenas distracções ou, no pior dos casos, enganos.

Defender a ampliação do Porto de Leixões ou uma estratégia para o aeroporto Sá Carneiro, isso sim são assuntos ligados aos respectivos hinterlands e portanto de interesse regional. Seria ilusório pensar que uma agremiação de municípios teria vocação ou capacidade política para interpretar e defender esse tipo de interesses. De qualquer forma não foram eleitos para tanto nem mencionaram isso nos seus programas eleitorais.

Não pretendo entrar nessa conversa de porteiras sobre se as acrescidas competências que o governo se dispõe a conceder às autarquias são delegações ou transferências e se vêm acompanhadas com os devidos envelopes ou se afinal, como tudo parece indicar, são “presentes” envenenados a castrar as finanças locais. Tampouco me parece valer a pena desmontar aquelas originalidades de submeter os presidentes das CCDRs a votação de colégios eleitorais restritos ou a colocá-los ao nível de um Maçãs ou de um Adolfo. Pensar que truques desses constituem um progresso e seriam manifestações de legitimação democrática é tão meritório como acreditar que o Sol ronda a Terra.


Dito isto, e acreditando que o país precisa urgentemente de um nível intermédio político entre o município e o Governo, acho oportuno apelar ao Presidente da Câmara do Porto que clarifique a sua posição sobre esta matéria e que, se partilha desta ideia, a assuma coerentemente, chamando o nome aos bois, porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Faço-me entender?

sábado, dezembro 31, 2011

Regionalização

A propósito da extinção das freguesias lembrei-me de uma anedota do Samora:

Um dia, no final do Conselho de Ministros em Maputo, Samora Machel foi à conferência de imprensa dizer: Moçambique tem de alinhar pelos países mais evoluídos do Mundo, como os Estados Unidos, a Alemanha, a França ou Portugal. Por isso, decidimos que até ao final deste ano todos os carros passarão a circular pela direita. E esperamos até ao final do próximo ano adoptar a mesma medida para os camiões...

Já agora, não se esqueçam de clicar aqui ao lado no Bússola, e ler os fantásticos textos do Jorge Fiel (um abraço)

quinta-feira, março 24, 2011

...

Lembrei-me de ir ver o Manifesto Eleitoral da AD - Aliança Democrática, de 1980.

Está lá, naturalmente, a Regionalização.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

“Regionalização & Revisão Constitucional: que Perspectivas?”

No próximo dia 21 de Fevereiro, segunda-feira, no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, o Seminário
Regionalização & Revisão Constitucional: que Perspectivas?”,
organizado pela CCDR-N
www.ccdr-n.pt/seminario

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Metro

Afinal, sempre vai haver expansão da rede de metro. Só que é do Metro de Lisboa...

segunda-feira, setembro 13, 2010

Isto vai aquecer



Inauguração da sede do Partido do Norte

Intervenções políticas vão marcar a inauguração da sede nacional do
Movimento Partido do Norte. Será no próximo sábado, dia 18 pelas 18 horas na Rua de S. Brás, nº 256, Porto.

Pelo Norte, por Portugal

quarta-feira, setembro 01, 2010

Jogar para o lado ou chutar à baliza?


A Região Norte é mais uma vez espoliada de verbas da União Europeia que lhe seriam em princípio destinadas. Três quartos dos 178 milhões de euros que a União envia para o país ficarão em Lisboa sob a alçada de um chamado SAMA (Sistema de Apoios à Modernização Administrativa) e a pretexto de que o benefício do investimento na capital se difunde por artes mágicas pelo resto do país.

O centralismo doentio deste Estado caquético mas voraz já não se cura a aspirinas.
De nada valem as declarações enfáticas dos responsáveis políticos que papagueiam descentralização para afinal serem cúmplices condescendentes desta mascarada cínica.

O crime tem autores confessos: os governos PS e PSD/CDS que a seu tempo congeminaram essa fraude do “spill-over”, bem como a Comissão Europeia que assume o seu papel de Pilatos ao mesmo tempo que nos vende discursos sobre a coesão e a não discriminação.

A Regionalização do país estragaria estes arranjos. É por isso que ela é mais urgente que nunca. Para salvar o país e escorraçar os vendilhões.

quarta-feira, julho 21, 2010

quarta-feira, junho 23, 2010

O pânico dos centralistas

Quer ler um chorrilho de disparates a propósito da Regionalização ?
Consegue digerir uma resma de preconceitos embrulhados em arrogância e presporrência ?
Aguenta saltos de lógica, passes de mágica e argumentos de feirante ?
Eu aviso : tome primeiro um Alka-Selzer e só depois espreite ali

http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/3770325.html#cutid1

quinta-feira, junho 03, 2010

terça-feira, junho 01, 2010

Uma formiga no dorso

Foi lançado um Movimento para a criação de um novo partido.
Temos assistido nos últimos anos ao nascimento de partidos assim e assado.
Normalmente ficam assados, em parte por falta de consistência própria e em parte pelo cerco legislativo, mediático e político que os trata como intrusos ou arrivistas.

Essa desconfiança é natural. A classe política, se é que se pode falar de uma tal coisa, tem-nos deixado estes reflexos defensivos: encostamo-nos de imediato a uma parede sólida e mão na carteira.

Mas parece-me haver uma novidade: fala-se num partido regional, num partido do Norte, que todavia quer ter uma política para o país. Pode ser um bluff. Mas se for exequível?
Ora é este "se" que faz cócegas ou que inquieta. A mim entusiasma-me, e mesmo que esse "se" fosse do tamanho de uma formiga no dorso de um elefante, é quanto me basta para não mais o perder de vista e para o acarinhar e lhe dar alento.

É que além do mais, fora isso, não há mais nada, absolutamente mais nada, a não ser um deserto e um desânimo de funeral, engendrado por um centralismo doente que castra o país.

segunda-feira, maio 31, 2010

Quanto custa a Regionalização?


1. Em primeiro lugar, eu diria que é desejável e possível alcançar um Portugal Regionalizado a custo financeiro zero. Um tal resultado será ademais facilitado através da reorganização administrativa que deve decorrer em paralelo, reexaminando-se o mapa autárquico e reavaliando-se os modelos de gestão municipal que têm levado à multiplicação de empresas municipais, muitas das quais de duvidoso valor acrescentado.

A Região irá necessariamente, a prazo, substituir ou suceder (o que significa libertar e racionalizar) a maior parte da actual rede de dezenas de estruturas paralelas que funcionam como delegações periféricas do Governo da República. A Região contribuirá fortemente para pôr fim à sobreposição de serviços, missões, 'task-forces', comissões, observatórios, conselhos, fundações públicas, e toda a catrefa de delegações, balcões, antenas que pululam por esse país fora, quase se diria numa competição inter-ministerial para ver qual o departamento central que produz mais prolongamentos.

Está por fazer o cálculo da poupança em instalações, em encomendas de serviços e fornecimentos, em viaturas, em alugueres etc. etc., que uma transferência de competências para a Região pode trazer.Se considerarmos que apenas os membros da Junta Regional (5 pessoas?) serão remunerados e que os membros da Assembleia Regional apenas receberiam senhas de presença, admito que essa particular despesa seja mesmo inferior àquilo que já hoje se gasta com os vários Governadores Civis e os membros da CCR, estruturas obviamente a extinguir ou a transferir.

Além disso, a existência da Região criará, como o demonstra a prática e a experiência nos países europeus regionalizados, uma nova dinâmica nas relações inter-municipais enquanto facilitadora de acções e estratégias que hoje se duplicam e anulam por rivalidades tantas vezes acicatadas pelos partidos centralistas.

2. Em segundo lugar, penso ser hoje pertinente recolocar a questão ao contrário, ou seja, perguntar qual será o custo financeiro para o país da Não-Regionalização.
A experiência demonstra que a gestão centralizada dos recursos e dos investimentos, para já nem falar do modelo centralista de desenvolvimento económico, é um cesto a transportar água. A não-regionalização seria do ponto de vista de eficácia económica menos vantajosa para o próprio orçamento da República, pois além de refreadora de desenvolvimento, provou ser desadequada para a compreensão dos problemas, para a mobilização das energias e talentos locais, e ser corruptora e corrompida.
A Região, porque mais perto e mais controlada pelos cidadãos, é necessariamente mais transparente e mais eficaz.

3. Em último lugar, acrescentaria o óbvio: a Regionalização é uma questão política e, hoje mais do que nunca, uma questão de verdade democrática. Da mesma forma que se paga um preço ao garantir, por exemplo, que a União Europeia funcione a 20 línguas, da mesma forma que há um custo em assegurar regularmente eleições para as assembleias deliberativas e outros órgãos do poder, a instituição de Regiões, tanto mais quanto mais sentidas e queridas pelas populações, é um direito dos povos que não se regateia numa qualquer mercearia de bairro.

Ora, é precisamente por estarmos em período de grave crise orçamental e económica que a Regionalização é urgente. Desde logo, porque é a boa resposta à atrofia económica, mas é também a garantia de que há equilíbrio territorial nos esforços e sacrifícios a repartir.

4. Uma observação final:
É evidente que esta questão do custo da Regionalização exige estudo e trabalho de cálculos, exige pôr muita coisa na mesa, e que a própria reorganização administrativa pressupõe investigação e auscultação das populações. Mas a primeira medida a tomar é pôr de imediato cobro ao esbanjamento e ao nepotismo que medra à sombra de um modelo centralista ultrapassado.
De qualquer forma, se no fim do dia se chegasse à conclusão de que a Região traria um acréscimo transitório de custos (cenário em que não acredito), pois então eu arriscaria a dizer que isso é matéria para ser decidida pelos cidadãos da Região e estou convencido que os do Norte estariam dispostos a chamar a si esse encargo se tal fosse o preço para pôr fim à asfixia que os subjuga.

O rio cresce (2)

'Regionalizar Portugal'
de Carlos Abreu Amorim
(aqui)