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quarta-feira, maio 30, 2012

O sistema boomerang


Embora o Banco Central Europeu não divulgue os números, consta que terá acumulado entre 35 a 55 mil milhões de euros em bonds da dívida grega. A esmagadora maioria desses bonds foram comprados nos últimos dois anos com grande desconto, dado o risco envolvido.

Mas o BCE cobra todos os meses os juros que lhe são devidos pelos bonds gregos que vão a vencimento. Ou seja, calcula-se que o BCE esteja neste momento a receber um juro global de cerca de 10% sobre aquele valor, tendo em conta o preço de desconto com que comprou aqueles títulos. Nada mau.

É interessante perceber quem paga esses juros. É claro que é o Estado grego. Mas como? Com o dinheiro que a Troika, ou seja UE+FMI+BCE, lhe envia. A coisa funciona assim: a Troika deposita periodicamente os montantes parcelares da “ajuda” numa ‘escrow account’ de um banco grego (um tipo de conta vinculada, género fideicomisso), onde ficam uns 3 a 4 dias para logo voltarem para trás a título de juros. Cerca de 2/3 dos cerca de 141 mil milhões que desde Maio 2010 foram ‘ajudar’ a Grécia apenas lá fizeram uma curta escala técnica pois rapidamente voltaram para os titulares dos bonds gregos de que ¾ estão hoje nas mãos da própria Troika. Como diria o Pessa, e esta hem?

Já agora, talvez não fosse despiciendo que os que no Terreiro do Paço falam muito em transparência nos contassem os números e os caminhos da “ajuda” da Troika a Portugal. Já agora...apenas para saber se é um Frog ou um Dubee.
Ai não? Não pode ser? Pronto, pronto não se fala mais nisso

segunda-feira, abril 04, 2011

Os novos reis magos



Tudo indica que na próxima Quinta-feira o Banco Central Europeu irá subir a taxa de juro de 1 para 1,25, sob o pretexto que a inflação em Março foi de 2,6% na zona euro, depois de ter sido de 2,4% em Fevereiro. Consta que em Julho o BCE voltará a aumentar a principal taxa directora e que até ao fim do ano novos aumentos ocorrerão.

Se esta medida pode confortar a economia alemã, onde a recuperação tende a criar moderadas tensões inflaccionistas, constitui todavia uma machadada mortal para as economias de outros Estados-membros que, como a portuguesa, enfrentam recessões dolorosas e prolongadas.

Não se trata apenas de encarecer dramaticamente o crédito, com as terríveis consequências que tal implica para as empresas e as famílias, para já nem falar no agravamento suplementar da dívida soberana. Esta medida do BCE provocará igualmente uma subida do euro face ao dólar (esta manhã o euro valia 1,4269 $), diminuindo assim a competitividade das nossas exportações.

Esta esquizofrenia em que se movimenta o sistema monetário europeu é assassina para os países periféricos. De nada vale tentar curar os doentes se ao mesmo tempo lhes retiram o soro. Os entusiastas do Tratado de Lisboa, que entregaram sem dar contas a ninguém os interesses nacionais aos aparatchiks de Bruxelas e de Frankfurt, podem vir agora carpir lágrimas de crocodilo mas não se livrarão da irresponsabilidade de nos terem conduzido a este penhasco. E um "grande obrigadinho" aos figurões da foto, em especial ao há tempos incensado por "tão bem" defender as cores lusas.

É urgente reequacionar o caminho que andamos a trilhar, sob pena de não mais nos levantarmos da fossa.

sexta-feira, abril 30, 2010

Romper os tabús e pôr tudo na mesa



Será que vale a pena?
Recapitulemos:
Quando na zona euro estavam plenamente em vigor as regras limitando os déficits a 3% e o governo Guterres deixara o Estado num estado calamitoso, a Europa apertou-nos o gasganete e obrigou o governo Durão a executar uma política depressionista que nos afundou ainda mais.
Quando pouco depois a França e a Alemanha furaram o tecto dos 3%, a Europa olhou para o lado, mudou as regras e deixou andar.
Quando a economia na Alemanha estagnava, o Banco Central europeu manteve os juros baixíssimos, incentivando o consumo e o desvario na periferia. Agora que a economia exportadora alemã parece revigorar-se (vejam-se o crescimento da Siemens ou da SAP), o Banco Central irá mais cedo ou mais tarde subir os juros para conter uma inflação que o reaquecimento da economia alemã trará no seu ventre.

Entre uma Europa do norte (Alemanha, Holanda, Bélgica), que beneficiará da recuperação do comércio global, e a Europa do sul, atascada no pântano orçamental, o Banco Central europeu seguirá a política monetária que beneficie o norte, ou seja, penalizará duramente os países como o nosso que já estão endividadíssimos, que se vão endividar ainda mais e que ainda por cima terão de aguentar essas futuras subidas de juros.

Os mecanismos europeus não estão pensados nem preparados para gerir ciclos económicos distintos no espaço da zona euro e enquanto assim for o Banco Central optará pelas políticas que importam à economia alemã, com total desprezo pelas consequências que essa escolha acarrete para os países em recessão.

Ora das duas uma: ou a Europa encontra soluções para aplicar ao mesmo tempo terapias diferenciadas em função das patologias de cada um, ou então a permanência de países como o nosso na zona euro poderá revelar-se um suicídio a prazo.

sábado, janeiro 23, 2010

Tripas à moda de là

A propòsito da candidatura do Sr. Vitor Constâncio à vice-presidência do Banco Central Europeu, repete-se à nàusea que se trata de alguém com uma competência técnica imbatìvel, não sò em Portugal mas também a nìvel europeu.

Quem sou eu para contestar uma tal competência? Mas como simples cidadão sinto-me plenamente legitimado a duvidar da dita ou pelo menos a questionar a sua servidão, à luz do desempenho de Sua Exa. à frente da entidade supervisora do sistema bancàrio nacional. E não me refiro apenas à sua total incapacidade para prevenir situações como as que se verificaram no BCP, no BPN e no BPP. Englobo ainda o grave e inexplicàvel arrastamento destes dois ùltimos casos, para grande prejuìzo dos respectivos clientes e do contribuinte. Se tomarmos como critério determinante as provas dadas no concreto e no terreno, o actual Governador do Banco de Portugal merece um chumbo redondo.

De qualquer modo, quem venha acompanhando as discussões sobre a escolha do novo vice-presidente do BCE apercebe-se de que os critérios que irão determinar a decisão final têm pouco a ver com o mérito intrìnseco de cada candidato, mas pautam-se sobretudo pelo equilìbrio polìtico-geogràfico de mùltiplos intervenientes cuja repartição nacional se pretende acautelar.

Ora, como os alemães entendem que vai chegar a sua vez de chefiarem o BCE e como jà hà um luxemburguês a presidir ao Conselho Euro, é natural que o Sr. Constâncio alimente a esperança de aproveitar essa boleia e assim ultrapassar os colegas do Benelux, invocando a sua antiguidade. È por essa porta baixa que o “nosso” Governador espera entrar e, como se trata de alguém sempre pronto a adequar a sua altura ao tamanho da entrada, é mesmo possìvel que lhe digam “avance”.

Nada disto tem a ver com comparação de competências ( para sua felicidade, à luz do seu fiasco nacional) e ainda menos com escolas desenvolvimentistas ou escolas anti-inflacionistas. Serà apenas prosaicamente mais um dos cozinhados rasteiros em que a União se especializou. Ponto final.

Eu prefiro as tripas à moda de cà.