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sexta-feira, agosto 14, 2009

O centenário da República

Acho muito bem que se discuta a razão de ser da comemoração dos 100 anos da República. Pelo meu lado, não vejo nenhuma razão para essa comemoração ao longo de um ano inteiro.

A República, em si mesma, não trouxe nada de novo. Nestes 100 anos tivemos a desenvolvimento mas também a recessão; tivemos a paz mas também a guerra; tivemos a democracia mas também a ditadura.

Aceito a comemoração do centenário da República mas apenas no dia 5 de Outubro de 2010, entre as 15h e as 15h30m, e sem grande alarido. Mais do que isto é um claro exagero.

sexta-feira, maio 11, 2007

A importância da república

Fui, por curiosidade, ler o relatório da Comissão de Projectos para a Comemoração do Centenário da República.

Acho bem que as datas de acontecimentos históricos sejam devidamente assinaladas, e os “marcos” (as décadas, os séculos…) sejam objecto de uma atenção especial. Aliás, este é um critério que se aplica não só aos acontecimentos históricos, mas também às datas de nascimento ou de morte de pessoas que se destacaram.

Neste sentido, acho bem que se comemore o centenário da implantação da República.
Parece-me contudo que o relatório da Comissão exagera nas considerações que tece quanto à importância da República.

Ao longo destes quase cem anos, o modelo republicano proporcionou de tudo: momentos de atraso e recessão, momentos de desenvolvimento; períodos de paz, de períodos de guerra; épocas de ditadura e épocas de democracia; de democracia estável e de profunda instabilidade; momentos de “orgulhosamente sós” e também de bem sucedida integração europeia; de governos à direita, à esquerda e ao centro; de desafogo orçamental e de intervenção do FMI.

O modelo republicano contrapõe-se, com argumentos racionais, ao modelo monárquico, permitindo que qualquer pessoa, independentemente da origem, possa ser chefe de estado. E pouco mais é possível extrair da república.

A Comissão vai bastante mais além nas pretensões que atribui à república. Como se inclusivamente a própria democracia fosse uma decorrência, uma emanação directa e necessária, da república.

Ora, o desenvolvimento económico e o progresso social são muito mais consequência directa e necessária da democracia, que da república.

Há outros pontos objecto do meu reparo, sendo o mais impressionante a confusão entre o relevo histórico da maçonaria na implantação da república e a sua importância actual. Espero, com franqueza, que a importância do GOL se limite à contribuição para o museu da república (se é que tem sentido um museu da república...)
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