quarta-feira, maio 30, 2007

A questão política da Ota

Foi brilhante a forma como Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo, explicou a relevância política da questão da construção de um novo aeroporto internacional na Ota. Repare-se que se trata de duas questões diferentes, especialmente no plano político: primeiro, se o País precisa de um novo aeroporto internacional; segunda, se a solução da Ota é a melhor. Já aqui abordei estes assuntos e já me pronunciei sobre as duas questões. Duvido que o País precise de um novo aeroporto internacional e ainda ninguém me provou o contrário. Sei que a Ota não é a melhor solução, quer pelos custos quer pelo que vai implicar no ordenamento territorial do País, ainda que admita que, a fazer-se, faz algum sentido fazê-lo no centro - o problema é a lógica que está por trás dessa decisão.

Portanto, o que queria acrescentar aqui é isto:

Não acredito na viabilidade de um País que vai avançando à custa de obra megalómana atrás de obra megalómana. É giro, ocupa uns milhares de pessoas, durante algum tempo, absorve alguns fundos europeus, dá negócio a uma série de construtoras que depois dão negócio a uma série de partidos e cargos a uma série de ex-políticos.

Posteriormente, ficamos com o resultado das obras, após as derrapagens habituais e os atrasos inevitáveis.
Pior de tudo, depois verificamos que as consequências principais foram, uma vez mais, a destruição da coesão geográfica, humana e económica do País.

Não acredito que o futuro seja bondoso para um País que não se consegue equilibrar territorialmente, nem construir a vitalidade da sua sociedade e da sua economia através do desenvolvimento das cidades médias.

Mas sobretudo entristece-me viver num País que desbarata recursos caros - e a chegar ao fim, como os europeus - a apostar em obras faraónicas que agravam o macrocefalismo do Terreiro do Paço.

Entretanto ficam por fazer as obras urgentes e atrasadas que poderiam permitir ao país recuperar a sua competitividade: por exemplo, na modernização de todas as linhas férreas e na sua adaptação às necessidades do presente, em particular para o transporte de mercadorias. Basta analisar as diferenças de custos entre a adaptação das linhas para a Alta Velocidade, tipo alfa pendular, e a velocidade muito elevada, tipo TGV, para perceber o equívoco deste tipo de opção por obras grandiosas. Com o dinheiro da Ota poderiam modernizar-se diversos aeroportos nacionais, modernizar-se centenas de quilómetros de linhas férreas e desenvolver-se uma verdadeira política de transportes integrada que tirasse partido da especial posição geográfica do País: a de região da Europa mais próxima da África ocidental e de toda a América Latina, para não ir mais longe.

4 comentários:

  1. Luis Moreira1:41 da manhã

    Com esta ajuda do PP já arrumei as ideias.

    Tecnicamente a OTA é o mais pobre.

    Financeiramente é o mais caro!

    Ambientalmente anda ela por ela ( falta-me saber como se defende o aquífero )

    Espero que me expliquem em termos de Ordenamento do Território o que está em jogo!

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  2. O PSD em devido tempo fez os estudos imprescindíveis para que a Ota fosse a opção certa, o risco mais aconselhável, o critério de racionalidade económica mais saudável, o de impacto ambiental menos gravoso. A oposição (com elevado sentido de Estado... honra lhe seja feita) deu continuidade ao projecto. Só lhe fica bem esta postura digna e coerente. Poderá até ser acusada de se ter "colado" ao ambicioso projecto do PSD...

    Agora, o PSD (na oposição), usa o caso como patética arma de arremesso político-partidário lançando uivos lancinantes que ecoam urbi et orbi:

    Que de despesismo, que de monstruosidade, que de barbaridade megalómana, que de interesseirismos
    medonhos!!!... Elefante branco, obra faraónica e tutti quanti...

    Ridículo, profundamente ridículo. O Sr presidente da república, faz o seu papel: é preciso estudos para se saber ao certo a situação do binómio custo/benefício.
    Bem fala Frei Tomás. Ele, que no Centro Cultural de Belém fez orelhas moucas ao mesmo tipo de críticas que agora produz, bem podia estar silencioso. Perdeu uma boa oportunidade.

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  3. Em 1972 já havia estudos sobre a hipotese de mais tarde ter de se construir um novo aeroporto.

    Uma pesquisa revelou-nos que, afinal, houve estudos, baseados em projecções, feitas atempadamente.
    O Decreto nº 48 902 de 8 de Março de 1969 criou o Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa agregado ao Ministério das Comunicações.

    Infere-se que o lema “governar bem é prever” foi cumprido pelos governantes de então. Quarenta anos antes da polémica sobre o novo aeroporto da OTA já aqueles governantes começaram os estudos sobre a localização.

    O Decreto referido criava o Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa, reunindo os técnicos mais competentes, com liberdade para contratarem especialistas.

    O escopo do decreto era a apresentação de um relatório final, conciso, indicando o melhor local para um novo aeroporto.

    O relatório final – Estudo da Localização do Novo Aeroporto de Lisboa - foi impresso e publicado pela Imprensa Nacional em 1972. Foram escolhidos 6 locais (Fonte da Telha, Montijo, Alcochete, Porto Alto, Rio Frio e Portela de Sacavém).

    Consulte:

    1 - http://psitasideo.blogspot.com/2007/07/gabinete-do-novo-aeroporto-de-lisboa.html
    2 - http://psitasideo.blogspot.com/2007/07/ii-para-que-serve-investigao.html
    3 - http://psitasideo.blogspot.com/2007/06/para-que-serve-investigao-operacional.html

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