segunda-feira, março 14, 2011
Uma questão de ponto de vista
a) foi um cobarde
b) foi uma atitude de grande responsabilidade pois assumiu responsabilidades politicas
Barroso demitiu-se:
a) foi um sacana
b) foi uma atitude de grande responsabilidade pois o lugar era importante para Portugal
Sócrates não se demite:
a) é um agarrado ao poder
b) é uma atitude de grande responsabilidade pois demonstra ter estofo para aguentar a situação do país
é o chamado preso por ter ou não ter cão.
domingo, março 13, 2011
Força!

Várias circunstâncias impediram-me de vir aqui expressar préviamente a minha compreensão e apoio ao grito de revolta da auto-denominada “geração à rasca”. Vir agora acrescentar o que quer que seja a esse grito das centenas de milhar que saíram à rua poderá ser visto como mais um adesivo oportunista e tardio, mas corro o risco sem embaraço.
Considero extremamente positivo que tenha finalmente havido uma movimentação de massas para dizer o seu mal-estar e frustração face a um regime que lhes não merece nem respeito nem confiança. Haverá agendas escondidas de alguns, ter-se-ão ouvido aqui ou ali palavras de ordem equívocas e lia-se um ou outro cartaz talvez despropositado, mas o essencial a meu ver foi e é esse sentimento que se espalha de que esta classe política que nos governa é, no geral, um bando de videirinhos, entre os quais se misturam aldrabões encartados que merecem ser escorraçados sem apelo nem agravo.
Uma certa intelectualidade pedante, de esquerda e de direita, balbuciou nas vésperas do dia 12 umas análises muito sábias a menosprezarem uns meninos mimados que quereriam o conforto dos pais e a segurança de outros tempos. Foi confrangedor ler essas diatribes do Sousa Tavares, de uma D. Isabel, de um Pacheco Pereira, do ex-presidente Soares, etc. etc. Tudo gente bem instalada na vida e no regime, com acesso às televisões e aos jornais, e cujas descendências, se as têm ou se as tivessem, não sabem nem saberiam o que é a precaridade e sobretudo a falta de prespectivas para o futuro.
Não faço ideia de como esta energia que desaguou nas praças portuguesas vai evoluir e amadurecer, mas é em si um dado novo que traz uma esperança inédita: a de que a nossa gente está a acordar e quer reagir. Força!
sábado, março 12, 2011
As manifs de hoje
Uma das grandes questões com que os jovens de hoje se debatem é claramente a falta de empregos e acima de tudo de emprego para a vida. Essa certeza fez parte de uma geração que não a minha mas ainda assim acabamos por ser contemplados com um mercado de trabalho mais vasto do que hoje existe. Mas quanto a emprego para a vida é mais uma questão de mentalidade pessoal e de comodismo das pessoas, mentalidade que não é fruto de uma geração mas de uma sociedade europeia claramente resistente à mudança.
A vida faz-se com estabilidades e mudanças, mas para isso é preciso capacidade de sofrimento e de luta. Saibamos todos nós adaptarmos aos tempos que vivemos.
terça-feira, novembro 03, 2009
Tratar o cancro com aspirinas
Julgava que tinhamos batido no fundo aquando das audições do caso BPN.
Afinal, não há fundo e, mais grave ainda, a queda é já antiga, contínua e parece endémica.
Esta história do sucateiro vai muito para além do ferro-velho e permite-nos duvidar de como são geridos todos os departamentos de compras das empresas participadas pelo Estado.
Fica-nos um amargo de boca insuportável, um desconforto pegajoso e um enorme sentimento de revolta. Olha-se para o sistema judicial e é a impotência que vem de volta em mais uma demão dessa tinta pôdre que cobre o caso da Casa Pia, que safou os vivaços da UGT, que arrasta o processo disciplinar do Lopes da Mota, que atravanca o Freeport e a Cova da Beira, que iliba a Felgueiras e larga os valentins e quejandos, que deixa em banho-maria a operação furacão, etc, etc.
Para gato escaldado, a pergunta que se põe é esta: este caso Godinho serve para nos distrair de que outros casos ainda mais sinistros? Destapem tudo de uma vez, caramba, e revelem-nos a face oculta do regime. Já chega de tratar o cancro com aspirinas.