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quarta-feira, setembro 28, 2011

Pedro Lomba e a Palestina


Gosto de ler o Pedro Lomba.
No outro dia escreveu sobre o pedido palestiniano de adesão à ONU e exprimiu, fundamentando, a sua opinião de que se trata de uma mera manobra politiqueira de Abbas, a aproveitar uma fase de isolamento de Israel, e que o que é preciso é sentarem-se à mesa das negociações sem condições pré-definidas.

Se não me engano, a única condição que a Autoridade Palestiniana coloca para encetar negociações é o imediato congelamento de novas colónias israelitas nos territórios ocupados. As outras exigências ( fronteiras, Jerusalém leste, regresso dos palestinianos, etc.) são posições de partida e portanto objecto de negociação. É evidente que, por exemplo, o regresso de palestinianos é assunto que tem de ser matizado e que os próprios palestinianos terão cedo ou tarde de o moldar à realidade.

O anúncio feito poucas horas depois do discurso do primeiro-ministro israelita na ONU de que não só continuarão a criar novos colonatos nos territórios ocupados como também irão construir de imediato 1100 novos alojamentos para judeus em Gilo/Jerusalém-leste é uma bofetada nos que, como o Pedro Lomba, honestamente desconfiam da boa-fé palestiniana e ainda acreditam na bondade do actual governo israelita.

sexta-feira, setembro 23, 2011

A Palestina



Há alguém que tenha percebido qual é a posição oficial portuguesa face ao pedido dos palestinianos de serem admitidos como Estado-Membro das Nações Unidas?

Ouvi no outro dia o Ministro Portas dizer umas coisas a esse propósito, mas a única conclusão que tirei é a de que ele está à espera de saber o que é que os franceses, ingleses e alemães irão decidir, para depois ir atrás. A nossa política externa é assim: não temos (em boa verdade não temos nenhuma há muitos anos), até que outros digam qual é.

De nada vale ir a Bengazi dar umas palmadas nas costas de uns tipos se a seguir nos escondemos debaixo dos calções de outros.

Não sei se a Autoridade Palestiniana segue o melhor caminho ao apresentar aquele pedido, mas uma vez que decidiu apresentá-lo parece-me inacreditável que certas democracias ocidentais ainda hesitem em apoiá-lo.

quinta-feira, março 18, 2010

Na minha rua

Israel fica longe, mas parece que a Palestina ainda fica mais longe.
Na verdade, para a maioria dos portugueses, aqueles soldados a dispararem fumos e balas e aqueles rapazes a atirarem pedras são já de uma monotonia enjoativa pois achamos que é sempre o mesmo cenário, os mesmos excitados, os mesmos terroristas, os mesmos calhaus e os mesmos discursos.

E ficamos tolhidos por receio de que uma crítica seja vista como uma manifestação anti-semita. Talvez por isso concluamos que é melhor nem nos darmos ao trabalho de tentar perceber o que se passa, tanto mais porque isso interessa a pouca gente deste canto e o risco não vale o ganho. E assim compramos os 'prêt-à-penser' que nos propõem nos escaparates dos media.

Mas o que ali se passa é grave demais e, apesar de parecer que é lá longe, está connosco, está dentro de nós: é a eterna questão de saber se devemos encolher os ombros face à injustiça e à arbitrariedade.
A actuação do governo israelita, a ocupação manu-militari de Jerusalém-leste, a perseguição quotidiana ao dia-a-dia do palestiniano da rua, o assédio ao árabe israelita, a provocação e a arrogância das actuais autoridades de Telaviv são afinal os principais aliados dos extremistas islâmicos; são-no consciente e voluntariamente. E essa agenda política, essa estratégia aventureira, deve ser denunciada e repudiada. Por uma questão de bom-senso e por uma questão de justiça.