Mostrar mensagens com a etiqueta emergência democrática. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta emergência democrática. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, outubro 18, 2010

Carpideiras


Quando há muita gente a dizer o mesmo, desconfio.
Já perguntei a um especialista se esta minha mania de assim reagir aos unanismos era defeito de fabrico ou tara. Não me respondeu e regressei a casa a desconfiar dele e de mim.

Este coro afinado, de Bruxelas a Cascais, a dizer que é preciso haver um Orçamento qualquer parece-me uma ladainha de carpideiras atrás de um caixão. Enterrem o morto que já fede.

O eleitor não elegeu os deputados para estes se absterem. Ou sim ou sopas, e isso bem explicadinho, seus ratos de capoeira.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Isto vai aquecer



Inauguração da sede do Partido do Norte

Intervenções políticas vão marcar a inauguração da sede nacional do
Movimento Partido do Norte. Será no próximo sábado, dia 18 pelas 18 horas na Rua de S. Brás, nº 256, Porto.

Pelo Norte, por Portugal

quarta-feira, setembro 08, 2010

Pertinho


A NASA anuncia que há dois asteróides que hoje vão passar bem pertinho do nosso planeta.
Isto do “bem pertinho” é uma maneira de dizer, pois calcula-se que seja a uma distância equivalente à da lua.
Será isto um sinal para acordar o nosso Presidente, que tem até amanhã prazo para demitir o Primeiro? Estaremos “pertinho”? Ou a olhar para a lua?

segunda-feira, agosto 30, 2010

Cigano é o outro



O « Expresso » do último fim-de-semana dá notícia de mais um caso de um investimento de dinheiros públicos (perto de um milhão de euros) numa empresa privada ( Construtora Leirislena) que viria a falir dois meses depois. Um remake do que há tempos se passou com uma outra empresa em Trofa.
Entretanto, o IAPMEI, instituto público que pilotou mais este desastre, encolhe os ombros e explica que a culpa foi da empresa que não teria cumprido aquilo a que se havia comprometido.

Ainda o mesmo “Expresso”, mas agora no seu suplemento “Economia”, demonstra como é que o Estado procede a manobras de desorçamentação manipulando a gestão do seu património imobiliário através da venda dos edfícios onde funcionam os seus serviços, para de imediato os tomar de aluguer. Deve ter-se inspirado naquela venda dos CTT em Coimbra.

Há dias tivémos a informação de que a despesa do Estado aumentou 6% desde Janeiro, apesar dos PECs, dos discuros e das mãos no peito a garantir rigor. Não sei se os 12 motoristas do gabinete do “engenheiro” ajudaram ou não para aquela derrapagem.

Tudo isto transporta consigo o odor fétido da degenerescência de um regime, mas parece que uma parte dos nossos concidadãos pôs uma mola no nariz ou se encharca em água-de-colónia pela manhã, para não se dar conta do descalabro nacional.

De cada vez que o Estado incha, à conta dos nossos impostos, há uma nova vaga de sanguessugas a chupá-lo e de regabofe em regabofe, nesta dança do incha-ali e rouba-acolá, é o respeito por nós próprios que se vai escoando na hemorragia.

Entretanto, vão-nos distraindo com rixas de ciganos. O truque é velho: cigano é o outro.

quinta-feira, julho 01, 2010

Comprar um balde novo

Muitos portugueses partirão de férias este ano sem se darem conta de que provavelmente será o último ano em que o farão nos moldes habituais.

Há um descalabro que os espera ao regresso: o Governo do "engenheiro" vem paulatinamente construindo esse descalabro político, económico, financeiro e social.

O estado de ruína ética e moral já é conhecido e dir-se-ia que integrado no nosso dia-a-dia, mas temo que uma parte importante dos nossos compatriotas ainda não se tenha verdadeiramente apercebido do lamaçal para que nos arrastaram estes partidos sem alma e sem outro projecto que não seja o da sua sobrevivência às costas da população.

A forma como uns e outros geriram o caso das Scuts, como repousaram à sombra das golden shares, como embarcaram em TGVs ruinosos, ou como querem fechar escolas, para apenas mencionar as experiências mais recentes, demonstra à saciedade não apenas a incompetência mas sobretudo a irresponsabilidade desta classe política.

Neste momento, nenhum banco português consegue financiamento no sistema inter-bancário europeu. O nosso sistema judicial desmoronou-se e os mais altos magistrados perderam toda a respeitabilidade. O ensino produz ou ignorantes ou incapazes, não obstante o esforço e dedicação de milhares de professores que estão cada vez mais desanimados. O futuro do sistema de saúde é negro e a desorganização dificilmente poderia ser maior.

Num tal cenário, pensar que temos alternativas políticas nas pessoas de Passos Coelho ou Paulo Portas, mais o grupo que os circunda, é alimentar a ilusão que ainda nos permite comprar umas novas hawaianas e um novo protector solar, mais o balde e a pá para o miúdo.

Em Setembro, há-de haver um Alegre a falar na pátria, enquanto outros esperarão que de Belém venha um sinal. E contudo, na gaveta onde vamos repor a toalha de praia estará apenas uma tanga para nos proteger do Inverno.

Aproveitemos esta réstea de sol e de mar o melhor que pudermos, mas preparemo-nos para o outro lado da colina, porque ou somos nós a tratar disto ou serão eles a tratar a nossa degenerescência.

terça-feira, maio 18, 2010

Um champô

Aquela mão de Junker, a esfregar em frente às câmaras de televisão os cabelos de Teixeira dos Santos na reunião dos Ministros das Finanças da UEuropeia, diz muito sobre o ponto a que chegámos e o respeito que já não merecemos.
O riso amarelo do Santos ainda é mais patético.
Cambada…

segunda-feira, maio 17, 2010

Tentar ver melhor

É possível que o seu oftalmologista lhe peça um dia para espreitar para o interior de uma caixa através de dois orifícios. "Feche o olho esquerdo: o que vê? – Vejo uma andorinha; Feche o olho direito: o que vê? – Vejo uma gaiola; Abra os dois olhos: o que vê? Vejo uma andorinha dentro de uma gaiola".

A sociedade civil exprime interesses, ideias e objectivos, muitas vezes contraditórios mas que se conjugam, se compensam ou se anulam entre si e dos quais resulta uma determinada dinâmica social. É a "expressão".

A democracia é uma forma ou um método para, através da arrumação da "expressão", encontrar a solução para o exercício do poder político, ou seja, o exercício de uma autoridade legitimada. É a "representação".

Podemos organizar petições, convocar manifestações, escrever, discursar, debater, fundar associações de solidariedade, de cultura, de formação. É a "expressão".

Mas para a verdadeira 'passagem ao acto', se queremos realmente transformar um poder político que se enredou no seu autismo e se divorciou da sociedade, então é na arena da "representação" que temos de entrar.

Não nos iludamos: pensarmos que a mera "expressão" leva a andorinha à gaiola é como o engano do teste do oftalmologista. E é deixar que lá dentro continuem os papagaios do costume.

sexta-feira, maio 14, 2010

O Norte não se rende

A paisagem política clarificou-se.
A crise ajudou a decantar os vinhos.
Hoje já não há nevoeiro, o ar está límpido e o horizonte está bem definido.
Essas agremiações que redigiam programas e levantavam estandartes arrumaram-se a um canto e deixam-nos um deserto.

O PC e o Bloco querem mais despesa já, mais Estado e mais disparate. Sempre que o « engenheiro » corre o risco de ficar isolado, eles acorrem, apoiam, pantominam.

O PSD socratizou-se de abstenção em abstenção, gesticula para abraçar, palreia para aceitar.
Colabora e pede desculpas…

Este leque partidário e este sistema eleitoral, clientelista, bonacheirão e centralista, já não esconde a sua esclerose acelerada e a sua impotência, a sua incapacidade. O regime finou-se, está morto, apesar de uns fantasmas que ainda esperneiam. Os vinhos eram zurrapas e as zurrapas viraram vinagre.

É necessária outra maneira, outra gente, outra energia. Não há deserto que dure. O Norte não se rende.
Mãos à obra !

quinta-feira, maio 06, 2010

Aqui d'el Rei?

Estaremos a assistir a um ataque ao euro?
Claro que há agentes financeiros a tirar partido da fragilidade das finanças públicas de vários países europeus. Claro que há "profiteurs" a quem interessa dramatizar a confusão e assim sacar margens no poker mentiroso deste toma-lá-dá-cá.

Mas resumir o que se passa a uma conspiração maldosa de uns especuladores sem rosto é uma mentira cobarde. Há um comboio que se pôs em marcha e que não parará aos gritos e lamentos dos responsáveis políticos que nos amarraram às traves da linha. Os verdadeiros aliados desse trem louco são os que teorizam sobre o tal "ataque", quando ao mesmo tempo se recusam a admitir a realidade, persistem em instalar-se na dívida e repetem a política do empréstimo sobre empréstimo.

O combustível do dito "ataque" são esses contratos faraónicos que o governo assina de cruz. O óleo atirado para a fogueira são essas atoardas de uma esquerda delirante que, na hora da verdade, vem dizer umas mentiras que diz serem condições para ajudar o "engenheiro". Como se fosse possível, no quadro legal vigente, condicionar a origem nacional de fornecimentos e de serviços que devem obviamente respeitar a regulamentação sobre os mercados públicos.

Mas há outros pirómanos nessas esquinas: os que querem matar o doente para lhe curar o mal. Não tem sentido cortar as pernas a Lázaro para a seguir lhe dar ordem de marcha. Lázaro, mesmo paraplégico, recusará naturalmente a amputação.

Ora é esse corredor estreito entre uns e outros que é preciso encontrar, essa passagem que existe entre os da banda de música do Titanic e os que nos receitam a eutanásia. E não é preciso um código secreto ou um "abre-te sésamo" para abrir esse caminho. Mas é fundamental que seja feito de bom-senso, de justiça, de equidade, de verdade e de coragem. O caso da imposição de portagens apenas nas Scuts do norte é exemplar do que não deve ser feito ou não pode ser feito dessa maneira. Veja, por exemplo, o que diz a Associação de Cidadãos do Porto (ACdP)

Que os portugueses ajudem Portugal e que os nortenhos se façam ouvir.

sexta-feira, abril 30, 2010

Romper os tabús e pôr tudo na mesa



Será que vale a pena?
Recapitulemos:
Quando na zona euro estavam plenamente em vigor as regras limitando os déficits a 3% e o governo Guterres deixara o Estado num estado calamitoso, a Europa apertou-nos o gasganete e obrigou o governo Durão a executar uma política depressionista que nos afundou ainda mais.
Quando pouco depois a França e a Alemanha furaram o tecto dos 3%, a Europa olhou para o lado, mudou as regras e deixou andar.
Quando a economia na Alemanha estagnava, o Banco Central europeu manteve os juros baixíssimos, incentivando o consumo e o desvario na periferia. Agora que a economia exportadora alemã parece revigorar-se (vejam-se o crescimento da Siemens ou da SAP), o Banco Central irá mais cedo ou mais tarde subir os juros para conter uma inflação que o reaquecimento da economia alemã trará no seu ventre.

Entre uma Europa do norte (Alemanha, Holanda, Bélgica), que beneficiará da recuperação do comércio global, e a Europa do sul, atascada no pântano orçamental, o Banco Central europeu seguirá a política monetária que beneficie o norte, ou seja, penalizará duramente os países como o nosso que já estão endividadíssimos, que se vão endividar ainda mais e que ainda por cima terão de aguentar essas futuras subidas de juros.

Os mecanismos europeus não estão pensados nem preparados para gerir ciclos económicos distintos no espaço da zona euro e enquanto assim for o Banco Central optará pelas políticas que importam à economia alemã, com total desprezo pelas consequências que essa escolha acarrete para os países em recessão.

Ora das duas uma: ou a Europa encontra soluções para aplicar ao mesmo tempo terapias diferenciadas em função das patologias de cada um, ou então a permanência de países como o nosso na zona euro poderá revelar-se um suicídio a prazo.

quinta-feira, abril 29, 2010

Afinal as bandeiras eram brancas


Uma desgraça nunca vem só.
Ontem assistimos ao definitivo requiem da Política em Portugal, naquela encenação deprimente em que o alegado dirigente da oposição foi dizer um ‘amén’ supostamente patriótico ao ‘engenheiro-zombie’.

O homem que ainda há semanas dizia querer substituir o Arquivador-Geral, que votaria contra o PEC e as medidas que se lhe seguissem, que falava em rigor e transparência e que rejeitava a “estabilidade” em direcção do abismo, despiu-se desses incómodos e pôs uma gravata escura para participar no seu próprio funeral.

No dia em que o Governo assina mais uma enorme despesa para a Mota-Engil espalhar alcatrão e o BES empochar uns juros, nos momentos em que a maltinha do Sr. Teixeira cozinha a entrega da Galp aos Santos e da ANA ainda não se sabe a quem, em que na Comissão parlamentar de inquérito se acumulam provas comprometedoras sobre a rapaziada do PS, o auto-proclamado chefe da oposição foi a S. Bento como se fosse um Egas, mas de guita no bolso. Que digo eu ? Desculpa-me Egas.

O país não tem governo nem governantes e agora ficou claro que não tem oposição nem Políticos. Há uns figurões que se assumem como figurantes de uma farsa pobre, e é tudo.

terça-feira, abril 27, 2010

"Quem, eu?"


Um dos métodos estalinistas de purgar os órgãos do Partido/Estado era inventar umas conspirações e encarregar o polícia Beria e o procurador Vyshinsky de "julgar", condenar e executar uns tantos parceiros.

Toda a gente sabia que os réus eram inocentes dos crimes de que eram acusados, mas aquilo era um espectáculo-ritual cujo desfecho estava de antemão decidido: o pelotão de fuzilamento e o degredo dos familiares.

No Portugal de 2010 revivem-se aquelas peças de teatro, mas desta feita os figurantes funcionam ao revés: toda a gente sabe que os Sócrates, Varas e outros Ruis mentiram, aldrabaram e conspiraram, mas os Vyshinkys de serviço ilibam-nos, arquivam-nos ou prescrevem-nos com pompa e circunstância.

Isto só pode acabar mal, muito mal.
E já agora, quem será o Krushchev do PS?

Não esperas pela demora

A partir do momento que o FMI declarou que o crescimento português será inferior ao anunciado pelo governo, torna-se evidente que o país não sairá da berlinda tão cedo.

É verdadeiramente patética a insistência de certos responsáveis políticos em afirmarem que não somos gregos, pois não percebem que quanto mais o disserem mais se desacreditam e mais gregos nos tornamos aos olhos dos mercados.

Em boa verdade, a Grécia é que nos tem comprado tempo, permitindo-nos esse argumento de puto reguila do fundo da sala que aponta para o do lado e diz: "Ó sôtora, o Nelo nem o caderno trouxe".

A situação é de uma gravidade invulgar a que se acrescenta a tragédia de um Ministro incapaz e de um governo totalmente irresponsável e poltrão. Felizmente temos uma oposição lúcida que se mobilizou com grande coragem e clarividência para propor na Assembleia Municipal de Lisboa que a área urbana do Parque das Nações passe a ser uma freguesia da capital.
Uns valentões.

terça-feira, março 16, 2010

Um desabafo

O nosso Ventanias desvaloriza num post ali em baixo a decisão do congresso do PSD em incluir nos estatutos do partido a regra da penalização dos militantes que nos 60 dias anteriores a uma eleição mijem fora do penico.

O nosso Ventanias tem razão quando ironiza sobre o escarcel que o PS e outros andam a fazer sobre o assunto. Dizer que se trata de uma medida estalinista só pode sair de uma careca como à do Vitalino, para já nem referir que tal disparate é um insulto às vítimas do facínora.

Dito isto, não posso acompanhar o Ventanias nesta matéria. A medida do PSD é estúpida, ineficaz e absurda. Mais, a medida do PSD pode não ser um ataque à liberdade de imprensa mas é um péssimo sinal para os que, como todos nós, defendemos a liberdade de expressão. Um partido não é um exército nem um coro de sacristia.

É absolutamente lamentável que partidos democráticos aceitem ou pactuem com estes tiques autoritários. É lamentável que militantes de partidos democráticos tenham receio de escrever em blogues para não irritarem o seu dirigente ou para não se exporem à livre crítica, embora aceitem escrever colunas em jornais de práticas duvidosas e onde a possibilidade de réplica é muita restrita. É vergonhoso que militantes de partidos democráticos se verguem a essas derrapagens e não se dêem conta que a invocação da unidade e da lealdade é na maior parte das vezes o álibi da mordaça e da castração mental.

E é por tudo isso que não concordo que se desvalorize o significado daquela votação no tal congresso. Sobretudo por se tratar do PSD, pois o que é a prática do PCP, do Bloco ou do PS, quais virgens ofendidas, não me surpreende. E tampouco acho pertinente para o caso que se diga que há órgãos próprios para se discordar. Claro que os há, mas a opinião não tem horas marcadas, nem prazos, nem sítios, e deve ser sempre livre e em qualquer fórum.

Pronto, tinha de desabafar.

segunda-feira, março 15, 2010

Partir a louça

Bem intencionadas pessoas consideram que é preciso ter uma atitude positiva e optimista face ao país. Estes voluntaristas de sorriso cândido dizem que devemos calar os profetas da desgraça, os bota-abaixo, os maledicentes e todos os azedos que andam por aí a levantar pedras e a espreitar por fechaduras.

Desaparecem os documentos sobre o licenciamento da casa do Primeiro-Ministro? Deve ser ainda a campanha de assassinato de carácter.

São uns atrás de outros os horrores que se vão descobrindo e é uma pestilência que nos sufoca. Face a tudo isto, começo a temer pela saúde mental colectiva. Esta esquizofrenia de pretender que o podre tem potencialidades belas não pode dar resultados sãos. O país é uma gangrena e ninguém tem coragem de lhe amputar as chagas.

Até o PSD anda ali aos trambolhões, meio grogue com tanto lixo. Castraram-no e 'domesticaram-no' e a verdade é que muitos dos seus barões estão afinal satisfeitos com os seus cargos em Conselhos de Supervisão ou mesas de Assembleia-Geral, e abanam o rabo desde que lhes atirem uma Fundação ou uma holding financeira para o colo. Desse situacionismo capado, parece sair uma voz diferente e um outro discurso. Digo bem, parece.

O certo é que se o Paulo Rangel for outra desilusão, então não haverá mais desculpas para que fiquemos em casa refastelados a ver o país morrer. Ou morremos ou partimos a louça

quarta-feira, março 10, 2010

E como se não bastasse, uns imbecis

Este PEC é a confissão da impotência e do descrédito do próprio Governo.
Lê-se, por exemplo, que vão antecipar o aumento da idade de reforma em 2012 ou em 2013.

E é neste OU que tudo se exprime: ainda não se sabe bem, ainda andam a fazer contas, talvez isto ou talvez aquilo, amanhã ou a seguir, e é um nevoeiro sobre os números, as datas, os calendários, as formas, as derrogações, enfim, tudo o que os analistas e avaliadores destas coisas detestam e de que desconfiam. Bom ou mau, o PEC teria de ser claro e definitivo. Já falhou. E vamos andar nesse fogo lento de carta para lá e carta para cá, e versão bis, mais versão tris, com os holofotes sobre a gente e o desastre a ganhar contornos. Uns imbecis, caramba.

Fora com eles.

terça-feira, março 09, 2010

O patrão


O jornal "Público" de ontem teve a coragem de publicar um dos trabalhos mais importantes que se tem feito nos últimos tempos em matéria de jornalismo de investigação: a viagem ao interior do império Espírito Santo.

Sou dos que consideram que as espertezas dos Penedos e das sucatas são um lixo desprezível comparadas com a água-de-colónia e a brilhantina elegante de uma organização opaca e obscura como o é a constelação de holdings, de empresas e de influências cujo rosto é o BES.

Em tempos chamei a atenção para o facto de que a discussão sobre as escutas, sobre o Arquivador-Geral, sobre as mentiras socratinas e toda essa parafrenália de valetes e de aldrabões nos não distraísse do que se passa no verdadeiro olho do ciclone: o poder económico na sua dimensão de promiscuidade com o Estado. O que se passou na Cimpor e o que se vai passar na forma como as anunciadas privatizações se vão desenrolar é que serão reveladoras do país que está a ser construído.

É por isso que para o poder, enquanto parceiro de cama desses interesses inconfessáveis, é importante amordaçar a imprensa e domesticar a liberdade de análise e de opinião. Um tal desiderato é uma mera actividade instrumental de um objectivo mais amplo: comprar o país e transformar-nos em novos servos da gleba.

O trabalho de Cristina Ferreira tem esse enorme mérito de revelar a evidência e de nos confrontar com a pergunta incómoda: onde está o verdadeiro polvo, do qual bifurcam outros moluscos secundários?

E será interessante igualmente perceber o porquê de ser publicado agora este trabalho. Arriscaria dizer que na iminência das novas grandes manobras que rodearão a partilha dos nacos a saldo nas privatizações anunciadas, Belmiro de Azevedo concluiu que é mais que tempo de dar um murro na mesa e mandar recado de que ou contam com ele ou há uma "guerra" bem azeda.

sexta-feira, março 05, 2010

As escutas do Nortadas ou a surpresa de saber que no PS há outras vozes


Intervenção do Prof. Doutor Pedro Baptista na reunião da Comissão Política Distrital do Porto do PS , em 22 de Fevereiro de 2010:
"O que tenho a dizer é simples. Não há liberdade dentro do Partido, porque não há espaços de liberdade. Os órgãos não funcionam. Falamos do Estado de direito mas dentro do partido não há estado de direito. Falamos de lei mas dentro do partido não se cumpre a lei.
Não é preciso esmiuçar muito. Basta ver que a Comissão nacional que tem de reunir todos os 4 meses, reuniu agora quase ao fim de um ano. A minha Secção que tem de reunir de 3 em 3 meses reúne de 4 em 4 anos. E esta CP que devia ter reunido há um mês atrás, porque tem de reunir ordinariamente de 3 em 3 meses, reúne agora quando perfaz 4 meses. A maior parte dos órgãos do partido , no topo, a meio ou na base, não funcionam devidamente, estão submetidos ao arbítrio dos que usurpam as funções directivas, arrancam os direitos aos militantes, impedem que eles possam discutir dentro do partido
Judicialização? Administratização? Não brinquem, os Estatutos estão para o partido como a Constituição para o país. Cumprir os estatutos é estar dentro da lei, não os cumprir é ser fora-da-lei. E muitos dos nossos organismos, nem todos felizmente, estão fora-da-lei. No partido não há estado de direito, mas arbitrariedade. Que fazem quando aparece uma candidatura adversária um dia depois do prazo? Ou meia dúzia de horas? Ou uma hora? Não vem logo a maçaneta do regulamento, da lei? Porque então já convém?
Sabeis que tudo isto é verdade. Sabeis vós, sabeis vós e sabem eles, porque já vem de cima para baixo. Mas como notou Alexis Tocquevile a propósito dos países, o problema não é só a liberdade de expressão ser coarctada, não é só um direito individual ser esbulhado, é ser todo o partido a não receber os contributos que poderia receber, é a direcção do partido e o governo não poderem receber as nossas contribuições e por isso fazerem asneiras que poderiam não ser feitas se nos ouvissem, se pudéssemos trabalhar nos órgãos, se a democracia funcionasse.
Recebemos uma maioria absoluta numa bandeja servida pelo pior primeiro-ministro de sempre, o Santana. Se nos ouvissem, a nós que trabalhamos, andamos nos transportes públicos e ouvimos as pessoas, talvez não a tivessem malbaratado.
Não há tempo para dizer nada. Nem sobre o assalto ao QREN a propósito do spill over! Nem sobre o vergonhoso PIDACC do Porto. Nem sobre a Linha Porto-Vigo. Como outrora nada se pôde dizer sobre os professores. A nossa liberdade de expressão no partido são 3 ou 4 minutos de 3 em 3 meses quando o presidente da Mesa não se esquece. E quanto se lembra é de relógio em punho. Vão-lhe chamar o metrónomo.Sabeis que não estou isolado. Sabeis bem que pensais como eu, que as minhas palavras coincidem com as vossas consciências. Mas compreendo que muitos de vós fiqueis apenas por aí. "
(a fotomontagem foi retirada do blogue "correio preto")

Bailar de outra maneira

Vêm aí um PEC.
Atrasado, mastigado, envergonhado, acagaçado, mas vai ter de aparecer à luz do dia, esse famigerado PEC, esse rol de promessas e de castigos que Bruxelas nos exige, pois está demonstrado à saciedade que nunca fazemos os trabalhos de casa e que julgamos que somos espertos por copiarmos nos exames.

Quem responde por este estado de coisas?
O regime, que é como quem diz, uma série de governos que se foram sucedendo no tempo. Desde os de Cavaco que desbarataram os fundos da União em fraudes e enganos, com o conluio das centrais sindicais, que também se molharam naquela sopa a inventar acções de formação para se encherem. O caso da UGT foi paradigmático.
O delírio dos governos de Guterres foi uma vergonha , senão um crime. Seguiu-se-lhe o episódio Durão-Santana, apoiado num Portas sorridente, e que se viria a revelar como o diz-que-faz para afinal nos deixar areia e vento. E foi assim que chegámos a este bando socratino, que não cai do céu aos trambolhões mas foi sendo cozinhado por aqueles João-Baptistas de trazer por casa. O polvo cresceu nesses miasmas de condescendência, de porreirismo e de desleixo.

Sobra-nos este PEC que ainda não chegou.
Sobra-nos este calvário, esta desilusão, esta enxaqueca com que termina uma bebedeira de vinho mau.
Que autoridade tem essa gente, estes sócrates instalados no regime, para nos virem exigir sacrifícios? Que sabem eles dos operários de 49 anos despedidos, das trabalhadoras dos têxteis, dos funcionários mal pagos, das professoras exaustas, dos polícias que se suicidam, dos comerciantes que desesperam, das mães que se agarram os cabelos ou dos jovens que se intoxicam de debilidades televisivas?

Venha daí esse sacana do PEC, queremos ver-lhe a cara, mas queremos respostas às nossas perguntas, queremos conhecer os responsáveis, um a um, pois estamos fartos de fantasmas e de pantomineiros. Mostrem-nos depressinha o dito PEC.
É que nós, os que o pagamos, os que o sofremos, os que o aguentamos, talvez tenhamos também um PEC nosso para vos apresentar. E este não espera pela demora.