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sexta-feira, abril 27, 2007

Novas oportunidades

Embirro com a campanha que agita o hipotético, putativo, e mais que eventual percurso profissional falhado do Pedro Abrunhosa e da Judite de Sousa como argumento principal para continuar a estudar. Primeiro, é inestético. O Pedro Abrunhosa não fica bem de colete às riscas vermelhas e pretas à frente de uma fila de cadeiras vazias e a Judite de Sousa está perfeitamente infeliz de cor de rosa pendurada no balcão de uma tabacaria. Claro que a imagem que se quer passar é a de uma eventualidade “muuuito”, mas “muuuito” infeliz ("se" eles não tivessem estudado eram assim tristes...), mas isso também tem muito que se lhe diga. Não me parece justo, nem correcto, diminuir de forma tão acentuada determinadas tarefas e profissões. Como não me parece acertado construir ou desenvolver qualquer argumentação que seja em torno de um “se”. O “se” é uma indefinição, tem sempre mais de inércia que de esforço, e é mais depressa sinónimo de “fado” e de “fortuna” do que de estudo, necessidade, e dedicação a um objectivo, que é o que supostamente se quer promover e divulgar entre as camadas mais jovens. A não ser que o “se” fosse usado de forma mais directa: “Se não querem estudar, seus malandros, vão mas é cavar batatas”! :)