segunda-feira, dezembro 31, 2007

2008 promete...

Eu quero continuar optimista. Por isso escolho ver esta apresentação de uma lista encabeçada por Miguel Cadilhe como um sinal de que continua a haver razões para ser optimista.

Primeiro, porque a resposta veio do Norte (é difícil organizá-las na capital, onde os lugares dependem muito do eixo Terreiro do Paço-Cascais...).

Segundo, porque a resposta veio por boas razões, sobretudo as que questionam a legitimidade dos vencimentos que o Estado continua a prodigalizar aos seus protegidos, neste caso os administradores do Banco de Portugal, e mais ainda as que desnudam as manobras desses senhores, para permitirem a tomada do controlo do maior banco privado nacional. Começa a haver razões para suspeitar de tudo o que se passou no BCP ao longo do último ano. Se é certo que as suas anteriores equipas de gestão não podem gritar que são inocentes, também é certo que já se sabe o suficiente para saber que tudo isto cheira muito mal...

Terceiro, porque a lista recupera o saber-fazer do BCP, o que deverá possibilitar uma actuação diferente da que se espera de um banco público como a CGD - e que era prometida pela primeira lista, para além da politização evidente.

Finalmente, porque veio provocar Berardo a denunciar mais das misérias que vão impedindo que o País se desenvolva equilibradamente e com justiça. Enquanto a nós nos vão pedindo que paguemos mais das nossas miseráveis reformas, que trabalhemos mais anos para receber menos, que arquemos com as consequências dos disparates criminosos que a classe política foi praticando ao longo dos últimos anos, enquanto tudo isto, a eles vão-lhes sendo atribuídas generosas reformas pelos inúmeros anos em que se sacrificaram pelo País (normalmente, parece que 3 já são considerados demais...); incluindo no próprio BCP, como agora se demonstra.

Assim sendo, creio que foi dado mais um passo no sentido de acelerar a nossa revolta. Fico optimista...

Bom ano para todos, pleno de sucessos pessoais e profissionais!!!

West Coast of África

Num país onde já ninguém tem vergonha e em que ninguém responde pelos seus actos, faço uma pequena pergunta:

Victor Constâncio quer ser lembrado como a Margarida Moreira (DREN) do Banco de Portugal?

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Benazir

Acerca da morte de Benazir Bhutto não é fácil de dizer o que quer que seja. Desde logo, não é possível saber bem quem a matou. Pode ter sido a Al-Qaeda, é o mais provável, mas não deixam de fazer parte do rol dos suspeitos os serviços de segurança paquistaneses, ou outros grupos de radicais e militantes extremistas apoiantes de Musharraf (a própria Benazir Butho temia que ele viesse a declarar o estado de emergência, ou a prendê-la como forma de evitar as eleições). Era extremamente corajosa e culta. Isso parece inegável. Mas, e de resto? Que valor tinham as suas promessas de terminar com o fundamentalismo e com o terrorismo no Paquistão quando é mais que sabido que durante o período de tempo em que foi primeiro ministro reconheceu o regime Taliban no Afeganistão, e foi objecto de várias acusações de corrupção e de suspeitas de ter mandado matar o seu próprio irmão? Mesmo a coragem que revelava não tinha qualquer coisa de fanático, até na forma como vinculava as suas posições e o curso da sua carreira política à memória do pai, Ali Bhutto, que chegou a declarar que o Paquistão preferia comer erva a prescindir do seu projecto nuclear? Que consequências poderá vir a ter o seu assassinato no meio do barril de pólvora que é o Paquistão e toda a zona onde se insere, sendo certo que já se pode ler em inúmeros blogs que para o mundo islâmico e para o tempo em que vivemos, ele pode ter o mesmo efeito que o assassinato do Arquiduque Fernando da Áustria em Sarajevo em 1914? Seja como for, não tenho dúvidas de que será sempre de lastimar o atentado em si, a perda da vida que traduz, o comprometimento da esperança de paz para aquela zona, e sobretudo o desgosto de três filhos.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

BCP, leia-se "bom comércio de poder"... ou "boa causa de promiscuidade"!

Já aqui postei a apoiar a decisão do PM Sócrates em acabar com o acordo tácito entre o PSD e o PS, na nomeação de dirigentes para o sector financeiro nacional. Apoio essa decisão porque prefiro uma alternância a uma partilha. A partilha origina compromissos promíscuos; a alternância pode originar confronto e debate, que são as condições para o progresso.

Porém, uma coisa são nomeações para entidades públicas, como o Banco de Portugal e a CGD, outra são interferências dirigistas, certamente pouco inocentes, junto de accionistas privados.

Já todos sabíamos que as autoridades de supervisão nacionais não exercem as suas competências, ou exercerm-nas deficientemente, sempre que estão em causa os pilares do poder económico em Portugal, em especial do poder financeiro. Compreende-se, atendendo à quantidade de lugares que esses "pilares" tem disponibilizado a políticos em fase de pré-reforma ou mesmo apenas na oposição.

O que não sabíamos, mas ficamos agora esclarecidos, é que esse não exercício, ou exercício benevolente, podia chegar ao ponto de procurar determinar as escolhas dos accionistas privados. Aliás, não só através da influência dos reguladores e supervisores, como igualmente pelo peso das participações do Estado em outras empresas, accionistas por sua vez das que estão em causa.

O que está mal nesta história do BCP, não é a nomeação de "políticos do PS"; o que está mal, são as escolhas políticas ou politicamente determinadas de equipas de gestão de bancos privados. E a menorização que isso acarreta de todos os accionistas dessas empresas, do sector privado em geral e do estádio de desenvolvimento económico do País...

Quanto a mim, a razão porque o presidente da CGD não serve para os interesses do BCP é exclusivamente o facto de ter sido proposto por entidades oficiais ou de nomeação do Estado (EDP). Já não sou, mas se ainda fosse accionista do BCP não aceitaria este tipo de nomeações. É a formalização da promiscuidade entre o poder político e o económico/financeiro. É de outro tempo, um tempo de que deveríamos estar todos a querer fugir...

É a credibilização dos piores aspectos do capitalismo, precisamente aqueles que tornam dependentes os poderes económicos e assim destróem a qualidade da democracia em que se vive. E não me venham com a história de que a EDP também é accionista do BCP! O que, aliás, é profundamente discutível numa perspectiva económica e seguramente tributário da tal subserviência do económico ao político que se deveria querer evitar. Não me chocaria a escolha do presidente de um Banco, especialmente se apoiada em bons resultados, para dirigir outro, nem muito menos que escolha a sua equipa; o que me choca é que esse dirigente tenha esse cargo por razões políticas e seja agora sugerido por razões políticas, já para não dizer que a CGD é um banco que pertence ao Estado precisamente porque se pretende que se governe por regras diferentes das de um banco exlcusivamente privado.

A ser verdade tudo quanto se lê nos jornais, fica clara a incompetência dos actuais accionistas do BCP para encontrarem soluções de criação de riqueza, para definirem um projecto para o seu banco que lhes permitisse encontrar a melhor equipa de gestão; infelizmente isso é em grande parte consequência da estratégia de Jardim Gonçalves, que apostou tudo em guardar o poder na administração e em impedir a afirmação de accionistas de referência.

Fica também clara a vontade do poder político em interferir na gestão económica do País, e ficam igualmente claras as razões porque o Governador do Banco de Portugal deveria indemnizar o País pelo salário obsceno que aufere (ou será que se pode considerar competente um supervisor que tem de ser pressionado por um accionista - Berardo -, por uma entidade externa - a SEC de NY - e por outras entidades estatais, como a PGR e o DIAP, para finalmente se decidir a fazer o trabalho que é principescamente pago para fazer???)

Começa mal, o ano de 2008. Resta-me uma consolação; como dizia a minha Avó, "cá se fazem, cá se pagam!" Ficamos a aguardar.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Votos antecipados

Bem sei que os desejos e votos se fazem apenas no final do ano. Mas este país está a tomar um rumo perigoso. Aos poucos temos vindo a perder a confiança em pessoas e instituições que nos mereciam toda a credibilidade.

O compadrio é às descaradas. Os frequentadores do bloco central de interesses não têm complexos de se exibirem. E o povo português assiste impávido ao insulto diário.

Bem sei que hoje é dia de Natal. Mas exactamente por ser um dia de paz e amor, de solidariedade e amizade, é que o meu desalento é maior.

Andamos a pregar paz e amor, quando alguns se riem nas nossas costas, fazem os negócios que querem, como querem e quando querem. E nós que fazemos? Nada.

Cristamente damos a outra face e continuamos a nossa vida.

Só que isto um dia acaba mal.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Natal solidário

O Rodrigo Cabrita no Corta Fitas lançou um pedido de ajuda. É esse o espirito de Natal.
Claro que casos como o que o Rodrigo Cabrita refere todos nós conhecemos e infelizmente não conseguimos acudir a todos. Mas sempre podemos ajudar um pouco a cada um. Fica aqui o apelo e a promessa de contributo.

Feliz Natal


Um Feliz e Santo Natal para todos são os votos sinceros e amigos da Paula

Não brinquem com coisas sérias

A crise no BCP já era grande demais para agora se meter ao barulho Menezes e Vitalino. Espero que o bom senso impere e os accionistas demonstrem que são eles que mandam no banco e não fiquem à espera de que o governo venha resolver a situaçáo que eles criaram. E muito menos que se deixem influenciar por certos politicos.

domingo, dezembro 23, 2007

Pai Natal ou menino Jesus?

Aí vai uma confissão: sempre embirrei com o Pai Natal. Não consigo ter simpatia por um velhote obeso que trabalha apenas uma noite por ano, anda por aí vestido de vermelho e gosta de sentar crianças no colo. E o que dizer da duvidosa relação dele com as renas, sobretudo com Rudolfo?
Eu sei que esta opinião não é muito original, mas pronto, é o que acho do raio do velho. Não gosto do Pai Natal nem gosto de palhaços, daqueles de nariz vermelho, sapatões e cara pintada. Deve ser trauma de infância.
Depois de uma consulta rápida à Grande Enciclopédia das Coisas Perfeitamente Inúteis apurei que o Pai Natal começou por ser St. Nicholas, um bispo da Ásia Menor do século VI, referenciado por salvar marinheiros, defender crianças e oferecer generosas prendas. Como é que St. Nicholas se transformou no velhaco Santa Claus é coisa que não consegui apurar, mas graças ao Google estou em condições de confirmar que o Papa Paulo VI também não era grande apreciador do personagem, ao ponto de ter ordenado, em 1969, que a festa de St. Nicholas fosse retirada do calendário oficial Católico Romano.
Seja como for, o Pai Natal (Santa Claus, Pére Noel, Papai Noel, ou simplesmente "O Bom Velhinho) chegou ao século XXI vivinho da silva. Aparece na televisão em anúncios de jogos de computador, viagens, refrigerante, chocolates, e por aí fora, incentivando miúdos e graúdos ao consumo mais desenfreado. E vem sempre acompanhado por aquela música lamechas de Natal que dá vontade de puxar do revóver. E as renas, não esqueçam as renas.
Infelizmente, a popularidade do Pai Natal é tão grande que há muito atirou para segundo plano o Menino Jesus, figura mais amável até para um half jew como eu. O Menino era fixe e em tempos mais felizes enchia o sapatinho das crianças portuguesas com chocolates, livros dos Cinco, e camisolas de lã com cotoveleiras de cabedal e estampadas com losangos.
Esse, ao menos, era um dos nossos. Trabalhava com o pai adoptivo, só saíu de casa dos pais aos 30 anos, julgava que a mãe era virgem e esta acreditava piamente que ele era Deus. Mas, pensando bem, esta descrição roubada descaradamente à Bíblia do Humor Judaico serve para quase todos os portugueses, Super Dragões incluídos.
No tempo em que os animais falavam , o então genial Herman apresentou na RTP um sketch notável que vale a pena recuperar. Considerem-no o meu presente de Natal (ou prenda de Natal, para o pessoal do Norte).

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Sapatinho

Da minha última presença na Assembleia Municipal do Porto trouxe que teremos mais obras nas habitações sociais do concelho, mais cuidados com a via pública e, se possível, com a poupança obtida abatimento à dívida municipal.
A formiga não faz como a cigarra.Cuida do futuro. E mais faria não fora o Governo não permitir recurso a apoio para mais reabilitação urbana sem que essa despesa conte, ao contrário do que a Lei prevê, para o índice do endividamento.
Curioso...

Assim se assegura que não há margem para outro investimento.

Dito isto, está explicado o panorama, mas fica o problema. As dificuldades continuam e a cidade da Europa com mais elevado índice per capita de população a viver em habitações sociais está em crise. Grande parte da população está viciada em apoios sociais, não há crescimento do sector produtivo e estamos a recuar preocupantemente. E se é verdade que esta política de rigor nas finanças municipais aliada ao apoio aos bairros camarários é uma opção prometida e correcta que recolhe apoio das pessoas e que previne insegurança, devem ser reforçadas políticas de apoio ao dinamismo económico, de educação, de inclusão, às saídas profissionais e ao reforço da segurança.

Políticas humanistas e personalistas. Um Porto Feliz!

Será, por certo, o segundo passo assente em pleno para o qual se exige uma grande convergência com base numa política cuja definição e concretização a todos deve comprometer.

Nessa altura já não existirão empates na votação. O povo vai exercer o seu voto de qualidade e vai premiar o esforço e a opção!

A época é de reflexão, de esperança, mas acima de tudo de alegria. A propósito, a árvore de Natal dos Aliados é um sucesso! Os anjinhos, a lembrar que este tempo não é só profano, antes pelo contrário, ficam muito bem nesse ponto mais alto!

Santo Natal e Feliz Novo Ano!
Broas Festas!

Confusões

Terrorismo, noite branca, claques, armas, dinheiro, droga.

Policia sem dinheiro, sem armas, sem dinheiro, sem apoios.

Este final de ano está confuso.

NATAL e MAINADA

Caros visitantes, amigos, inimigos, companheiros de nortadas. Acreditem que pensei em lhes oferecer um presente. Do que eu mais gosto é comprar um presente, torrar o cartão de crédito. Só que odeio fazê-lo cheio de gente (nunca compro em saldos) e o cartão de crédito já está torrado.

Por isso aqui deixo a manifestação de vontade e o alerta que vou gozar estes 5 dias como mereço. Por isso pouco poderei andar por aqui.

Um Santo Natal a todos.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

O referendo do Tratado de Lisboa, uma faca de dois gumes

Apesar do que ficou dito no meu post anterior, sobre o Tratado, justifica-se um referendo ao Tratado de Lisboa?

Sim. Desde logo porque a classe política portuguesa o prometeu, ainda por cima com o argumento de que a opção europeia nacional necessitava dessa legitimação. Mais ainda porque este Tratado de Lisboa retoma, no essencial, as novidades que o projecto de Constituição introduzira, por muito que muitos o queiram menosprezar e apesar de todas as salvaguardas que alguns conseguiram introduzir. Principalmente porque há várias e importantes novas áreas em que Portugal, e os outros Estados Membros, abdicaram do seu direito de veto, assim aceitando uma nova afirmação da supranacionalidade - oxalá no futuro sejam coerentes com essa opção de agora.

Mas acima de tudo, justifica-se um referendo porque a Europa não pode nem deve ser construída contra a vontade dos seus cidadãos - por muito que o receio de poluição do debate com as questões internas, amedronte os líderes dos Estados Membros.

Porém, um referendo sobre matérias europeias sofre de um risco que convinha eliminar de qualquer referendo nacional: o da sensação de impunidade. Na verdade, os referendos europeus tem sido, nos casos que conheço, uma excelente oportunidade para uma cambada de oportunistas, nacionalistas, alternativistas, saudosistas de esquerda e de direita e outros tantos desesperados, promoverem o não, sem sequer terem de se preocupar em propor uma qualquer alternativa, sem muito menos terem de explicar que solução propõem, e sob a falácia de que não há consequências para quem vote não.

O problema é que há consequências. A principal e mais inaceitável de todas, é que por essa via se impõe a vontade de um povo à vontade das restantes 27 nações europeias. No actual estádio de integração europeia, esta consequência parece-me não só inaceitável como indesejável. Tanto que o próprio Tratado prevê que, no futuro, passe a ser de outra maneira.

Na verdade, quem, em boa consciência, pode garantir que os franceses, ou qualquer outro povo europeu, votariam contra a constituição se acaso lhes tivesse sido perguntado se aceitavam a evolução dessa constituição ou preferiam abandonar o projecto? É que ser contra sem pagar, não oferece risco; ser contra e pagar é muito mais sério, responsabiliza. E, por outro lado, não seriam os líderes políticos igualmente responsabilizados e obrigados a defenderem as suas verdadeiras opções, se a consequência de um não fosse o abandono, ou a despromoção (por exemplo para o espaço económico europeu, onde paira a Noruega) para um estádio anterior da integração?

Por conseguinte, defendo o referendo, mas um referendo responsável, que implique consequências para as opções defendidas e escolhidas (por exemplo com uma pergunta do tipo: "aceita que Portugal continue a participar no aprofundamento do processo de integração europeia, nos termos propostos pelo Tratado de Lisboa?"

Por estas mesmas razões, gostaria de ver o CDS defender um referendo que implicasse o abandono do processo de integração europeia, caso as pessoas preferissem não aceitar a evolução proposta pelo Tratado de Lisboa.

E que, do mesmo passo, eliminasse do discurso de alguns comentadeiros nacionais a hipócrisia de pretender que Portugal poderia impor sozinho uma solução diferente aos restantes 26 Estados europeus - votando não e obrigando-os a aceitar o actual estádio de integração. Por muito boas que sejam as soluções de cada um, quando se aceita negociar soluções comuns tem de se aceitar que a solução final nunca será somente a desejada quer por uns, quer por outros; há-de ser sempre um compromisso possível. Foi assim que a Europa se fez, há-de ser assim que a Europa se há-de continuar a fazer.

É possível uma Europa melhor. Basta querer!

Surfing in Belém

A minha Princesa tem oito anos e o espírito livre de uma artista, tudo o que faz, faz à sua maneira. Com a sua particular visão do mundo, pinta-o com as cores mais fantásticas e irreverentes que se pode supor. Tenho, como todos os pais babados, centenas de desenhos que para mim valem mais que qualquer Van Gogh.

Há uns anos, comprei na feira de Vila Nova de Cerveira, um Presépio. Mais propriamente o menino Jesus, Maria, José e a vaca com o seu inseparável burro.
São umas grandes figuras em cerâmica aí com uns 20 cm, rudes, sem grandes acabamentos, provavelmente feitas por um artista local.

Durante anos estiveram esquecidos num armário, atrás de qualquer porcaria que não interessa para nada, sem qualquer utilidade que não fosse lembrar-me todos os anos por esta altura, que estava a ser muito pouco Católico para a Sagrada Família.

Resolvi arrumar o presépio que normalmente embeleza a minha morada nesta quadra natalícia, e desembrulhar as enormes figuras cor de telha.
Os olhos da minha pequena Viera da Silva reluziram como os de Picasso diante de uma tela branca.

Não passou muito tempo para a artista da casa estar de pincéis na mão retocando aquela Família que sofreu por nós.

S. José recebeu um enorme manto bordeaux, não me perguntem como, mas que está lá, está. Nossa Senhora, um bonito manto azul, e a cobrir-lhe a cabeça, um lenço branco. A vaca não tem que saber, é castanha como todas as outras que não são leiteiras. Já o burro, foge um bocado ao tradicional, sendo preto retinto, mais parecendo um puro-sangue árabe que um jumento.
No menino Jesus vê-se que a mão da artista não estava tão firme, provavelmente com a responsabilidade acrescida de Ele não ficar contente e retaliar nos presentes.

Mas no meio de todo este “trabalho” há um pormenor que é mais revolucionário que o Concílio Vaticano II, é o cabelo de S. José. Loiro.
Mais loiro que o mais loiro dos nossos pescadores da Póvoa. Mais parece um nórdico, um vinking de férias na Terra Santa.
Com os seus belos cabelos e barba loiros descendo pelo manto bordeaux, é um autêntico surfista do Médio Oriente.
Ainda sugeri algumas alterações na tonalidade capilar, mas a artista foi impenetrável.

E assim, no meio do meu Presépio, lá está uma cabeleira loira de fazer inveja a qualquer rapazola amante das ondas da Ericeira.

Um bom Natal para todos.

O Tratado de Lisboa, os dois gumes da faca...

Já aqui defendi que sou a favor deste Tratado de Lisboa, por necessidade, e do referendo por princípio. Mas entendo que se justifica explanar um pouco melhor o que quero significar com isso, especialmente no dia em que o CDS se vai pronunciar sobre o assunto.


Os Tratados internacionais são resultado de processos negociais complexos e, normalmente, pouco transparentes. Por isso mesmo, os seus textos são, regra geral, de difícil compreensão mesmo para entendidos. No caso do Tratado de Lisboa, toda a complexidade e falta de transparência foi elevada a níveis de requinte de malvadez. Porventura por boas razões, seguramente também por más razões. O essencial, no entanto, é saber que o resultado é o compromisso possível entre 27+1,5 (a Comissão e o Parlamento Europeu) vontades diferentes, sobre o conjunto de matérias considerado essencial pelos Governos Nacionais representados nos fóruns negociais. Nunca é demais sublinhar que o Tratado resulta de uma negociação entre os Estados, cada um dotado de poder de veto sobre cada uma das matérias, e não de um processo legitimador e legitimado democraticamente de uma organização supranacional.


Muito do que os representantes dos Estados consideram essencial é frequentemente apenas ridículo (a questão do deputado italiano serve de exemplo esclarecedor), as mais das vezes por razões de política interna e raramente por causa da sua visão do interesse europeu. Muitas outras soluções são apenas a resposta possível, em face dos diferentes entendimentos nacionais, aos desafios identificados. Quanto a estas, o importante é que se tenha encontrado respostas e que essas respostas permitam maior flexibilidade na evolução futura da União Europeia.


Creio que o Tratado de Lisboa, de que não conheço ainda todas as disposições, responde satisfatoriamente a estes dois requisitos. É sem dúvida um compromisso entre vontades diferentes - o que tem um valor específico não menosprezável num processo como o da integração europeia - e, nas circunstâncas actuais, até me parece ser um razoável compromisso, justamente na medida em que não se afasta decisivamente do anterior Tratado Constitucional. Além disso cria condições de flexibilidade e de progresso, sobretudo nos procedimentos decisórios, que irão certamente agilizar a actuação da União; isso, num processo evolutivo como este, tem um valor que deve ser suficientemente relevado.


Não acredito, por outro lado, que a Europa passe a falar a uma só voz (nem sei se a Europa estará preparada para isso). Mas acredito que será mais fácil tomar decisões (obviamente com o apoio prévio de pelo menos 3 ou 4 grandes) e muito mais difícil bloquear decisões; em princípio, estas são as condições necessárias para se tomar melhores decisões, num processo decisório do tipo do europeu, tanto mais que me parece assegurarem o mínimo de diversidade de interesses capaz de garantir soluções razoáveis.


Outro problema, muito mais complexo, é o de saber se as matérias que passam a ser objecto de intervenção da União, o deveriam ser. Infelizmente, esse debate, na maioria dos países europeus - à excepção da Inglaterra, e esta por más razões -, esse debate, dizia, é práticamente inexistente... sobretudo nas matérias da chamada JAI (justiça e administração interna).


Em Portugal, por exemplo, estou convencido que se perguntassem às pessoas se queriam mais intervenção europeia em qualquer área que fosse, a grande maioria responderia sim, que mais não fosse pela desconfiança que nutre em relação ao nosso sistema político-partidário.

Esse debate, porém, também não é originado nem alimentado por uma campanha referendária; além de que a nossa experiência referendária, revela um nível baixissimo de empenho das populações - em grande parte por culpa da falta de liderança das elites, mas nada nos leva a crer que desta vez seria diferente...

Tudo somado, parece-me que se justifica um sim ao Tratado e ainda que esse sim é claramente no interesse de Portugal - que, a longo prazo, não tenho dúvidas, assenta na necessidade de assegurar a irreversibilidade do processo de integração europeia, quer para garantir um quadro estável e claro, não exclusivamente bilateral, de gestão da relação com Espanha, quer ainda para garantir o mercado suficiente à afirmação do progresso económico dos cidadãos e das empresas nacionais.

Falta responder à questão do referendo. Segue dentro de momentos...

terça-feira, dezembro 18, 2007

5.000

Na Assembleia da República PS e PSD querem legislar de modo que as eleições lhes corram de favor, eliminando os partidos médios.

O Tribunal Constitucional quer dar uma ajuda a esta Mexicanização, obrigando os partidos a provarem que têm 5.000 militantes.

Gostava era de saber se estes 5.000 militantes que o TC pede têm que ter mais algum requesito, estilo 40% a norte, 40% a sul e 20% nas ilhas. Ou não podem viver mais do que 5 na mesma casa (ups partidos grandes, vejam lá no que se metem).

Claramente esta notificação do Tribunal Constitucional é um atentado à liberdade de participação cívica.

Mas é assim que a coisa vai neste pais de brandos costumes.

Teria piada se não fosse trágica

a cena passada em Angola em que zelosos policias mataram 2 actores que filmavam uma cena de assalto. Erro de análise foi a justificação que apresentou o porta voz policial. Sem dúvida acreditamos nós.

Pergunta inocente

O Eurodeputado José Ribeiro e Castro foi ouvido no ciclo de audições que o CDS promoveu a propósito do Tratado Reformador?

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Na ordem II

Não costumo passar integralmente post´s de outros, mas como se trata de uma pessoa que normalmente gosto de ler, aqui fica:

“A recente operação da PJ no Porto foi chefiada por um procurador de Lisboa (um «mouro», do «sul»), à semelhança do que havia sucedido já com o caso «Apito Dourado».

Muitas vozes se levantam contra a ingerência da Polícia Judiciária da capital; algumas insinuam, como habitualmente, uma perseguição injusta a honrados cidadãos do burgo ou ao futebol local.

Uma outra hipótese, no entanto, passa por admitir que, por detrás da habitual histeria bairrista que envolve o Porto e diversos habitantes da cidade, esconde-se, afinal, uma rede de compadrios e corrupção (de muito mau gosto, acrescente-se), perante a qual poucos habitantes reagem. Assim sendo, e porque nenhum cidadão ou cidade estão acima da lei, restava dar o exemplo. Ou, em bom vernáculo, pô-los na ordem.”

E assim se prova que a demagogia ataca onde menos se espera.
Ou então o Jacinto Bettencourt ainda está de ressaca do fim-de-semana.

A noite das crianças

A reportagem da Única desta semana sobre a noite das crianças chocou-me. Desde logo, pelo relato em si (“…Passam jarros de sangria, vinho branco e cervejas, as bebidas habituais nestes jantares de anos. Ementa: qualquer coisa, desde que regada a álcool. Sobremesa: shots nas Janelas Verdes (…) “são claramente as caras mais novas que podem ser vistas no interior de uma discoteca, com idades que andarão pelos 12, 13, 14 anos...” (…) ”jovens com caras e alturas que dificilmente passariam no controle dos 16 anos fazem charro atrás de charro”), pelo efeito que tudo isto tem que ter no desenvolvimento de uma criança, e pela banalização de sentimentos e de escolhas que traz consigo (“aliás, hoje já quase não bebo shots. Prefiro whisky e cerveja. E de whisky também já estou um bocado farta” (…) “As filhas contam-lhe com naturalidade, que as amigas apanham bebedeiras de caixão à cova e se ganzam logo de manhã”(…) “Tenho imensos amigos que se lembram de ter curtido com alguém na discoteca, mas não se lembram do nome ou da cara. É normal.”), pela atitude dos pais (“Chego à hora que quero”, conta. Isto significa 6-7 da manhã, segundo a mãe. “Sei que a Carolina fuma. E bebe. Tudo, inclusive bebidas que eu nunca provei. Não é que eu encare com normalidade, mas pouco posso fazer além de lhe dizer que faz mal…”, “Sei que ela fuma haxixe regularmente”) e pela atitude do Estado que não nos deixa a nós, adultos, consumir uma alheira, ou uma bola de Berlim com creme, mas que permite a crianças o consumo de álcool em doses maciças e a baixo preço. Onde está a polícia e a ASAE para selar estes bares, para impedir a venda de shots a 1 euro (“preço do shot: 1 euro. Ao lado, a imperial custa 1 euro; ao lado ainda, um cartão de 8 shots custa 9,5 euros), como é possível que se saiba de antemão dentro dos bares que vai haver uma rusga ao local a tempo de garantir a evacuação dos menores que lá se encontram? É fácil dizer que a culpa é dos pais – e será de alguns, seguramente – mas não é dever principal do Estado obrigar a cumprir a lei, aliviando também a pressão que existe sobre tantos pais razoáveis que se esforçam por educar devidamente os seus filhos, e que se confrontam todos os fins de semana com o pedido insistente para sair porque os outros saem, e que assim ficam sem amigos, e blá, blá, blá, na conversa que deve existir desde que há crianças e adultos no mundo?

Dentista esperto ou a técnica do Sócrates?

Omertá?

O José, na GLQL, recorda-nos Palermo e toda a sua história recente. A história das Mafias, das mortes, dos ajustes de contas e do silêncio, omertá. José encontra alguns paralelismos entre Palermo dos anos 80 e seguintes e o Porto em 2007, com as devidas proporções.

Já aqui escrevi que queria acreditar que a Policia não estava a "zero" no crescimentos destes grupos mafiosos.

Quero acreditar que o paralelismo de José não passa de um exercício de escrita e de pura coincidência momentânea.

Quero acreditar que o estado de direito em que vivo e para o qual contribuo diariamente, impede o crescimento deste sub-mundo.

Quero acreditar que a acção de ontem da PJ fez verdadeira mossa nestes movimentos e que não foi fruto de uma disfunção entre a PJ e a PGR.

Quero acreditar, mas preciso de ver para crer.

domingo, dezembro 16, 2007

Na mouche

No Alto Hama, Orlando Castro acerta na mouche. Alberto João Jardim acusa Sócrates de provoca a independência da Madeira pela atitude de hostilidade perante a Madeira. Orlando Castro escreve que a acontecer tal processo de independência, isso teria começado pelo Norte, o Alentejo também já era uma nação independente e o estou em crer que até o Kosovo já era independente. (acrescento meu).

sexta-feira, dezembro 14, 2007

A violência no Porto

O que se tem passado na cidade do Porto obriga a uma reflexão atenta e cuidada. Já passamos do patamar em que a noite era perigosa para o patamar em que a noite é assassina. Acabaram as lutas provocadas por uns copos a mais e passamos para mortes encomendadas.

O que choca em todas estas mortes é a aparente incapacidade da policia em controlar estes bandos. Não o impedir as mortes frias e assassinas que têm acontecido. Mas o deixar que estes bandos crescessem, se fortificassem, criassem ramificações ao lado mais obscuro da sociedade.

A crer nas multiplas reportagens na imprensa os bandos têm nome, alguns dos seus membros são conhecidos, as suas ligações a outros negócios não são segredo para ninguém.

Claro que muitas das vezes as policias estão a actuar na sombra, não em busca de peixe pequeno mas do gordo e grande.

Queira Deus que assim seja. Mas entretanto é melhor ter cuidado e ver os caminhos que se cruzam.

O Futuro é já Hoje


Este é o novo lema do meu Boavista. Espero bem que sim. Para isso é preciso a colaboração de todos, que passa obrigatoriamente por idas ao estádio. Domingo a hora é excelente. A velha 16 horas (que bom a SportTV já não querer filmar os nossos jogos-que pena pensará a direcção).

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O Tratado e a namorada do Shrek


Mas quem foi a alminha que se lembrou de convidar a namorada do Shrek para cantar na cerimónia de assinatura do Tratado Reformador da União Europeia? Estão os 27 da UE (ou 26, porque Gordon Brown chegou atrasado) a celebrar a assinatura e zás...salta para o palco a Dulce Pontes, uma mistura de princesa Fiona versão ogre com uma camponesa minhota verruguenta de buço por aparar. Dizem-me fontes seguras que um dos ecrãs de plasma espalhados pelos Jerónimos se estilhaçou quando ela soltou um dó de peito a meio da canção do Mar. Mesmo sendo muuuuito chatos, os eurocratas não mereciam este castigo desproporcionado e desumano.
E anda o Governo a gastar três milhões para mudar a imagem do país...

Tratado de Lisboa

Vai ser hoje assinado o Tratado de Lisboa.

Apesar de ninguém ainda me ter pedido opinião, vou avançar com a minha reflexão.

O Tratado é um documento importante para Portugal, para a Europa, e para o papel da Europa no Mundo.

Sou favorável ao novo Tratado Europeu, apesar de tudo. E o “apesar de tudo” é principalmente a diminuição da nossa importância relativa resultante do alargamento, e a criação de “hierarquias” entre estados membros.

Mas a Europa precisava de se adaptar e de se tornar mais ágil. É bom haver mais decisões por maioria, e menos por unanimidade. É bom, também, haver a Carta dos Direitos Fundamentais. Sou, pois, favorável ao Tratado.

O Tratado sucede à fracassada constituição europeia. É um documento diferente, mas igualmente complexo. E talvez por ser denso, e tecnicamente complexo, rapidamente a discussão se concentrou no tema acessório da forma de ratificação: ou no Parlamento ou através de referendo. É mais fácil, e dá menos trabalho.

A única forma que vejo de o Tratado ser discutido é termos um referendo. Se se optar pela ratificação parlamentar, nunca mais se discute o Tratado.

E não é só o Tratado. É que a própria opção europeia nunca foi verdadeiramente legitimada. E é uma opção que necessita de legitimação.

Bem sei que quer o Tratado de Mastricht quer o de Nice (porventura bem mais relevantes) não foram referendados. Mas isso não confere, por si, legitimidade à opção europeia. É que pode bem acontecer (se é que não está já a acontecer) que um dia isto comece a correr mal, e para as medidas necessárias vem a desculpa anunciada: “é que Bruxelas não deixa”. Mas quem é que deixou Bruxelas não deixar?

O problema da legitimidade é central, não para agora mas para um dia de crise no futuro. A Europa, mais que um projecto político ou económico, é um projecto de Paz. E quero que Portugal esteja inequivocamente nesse projecto, recheado de legitimidade popular.

Há ainda uma outra razão para haver referendo: é que o PS, o PSD e o CDS inscreveram nos seus programas eleitorais o compromisso de realização de referendo. Ou seja, os seus deputados foram eleitos com base nesses compromissos, e até para exercer esse mandato popular. Ora, não me parece bem que estes partidos desbaratem desta forma a confiança que neles depositaram os seus respectivos eleitores.

Em resumo: sim ao Tratado, e sim ao referendo.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A nossa democracia

Estas são apenas algumas notícias sobre o debate de ontem na Assembleia da República, não tenho tempo para pesquisar mais:

Debate mensal na Assembleia da República
Sócrates garante ao CDS que Portugal tem o maior activo policial "da década" “

Público

“Da crítica genérica a todos os partidos da Oposição, embora no debate só Portas e Louçã se tenham referido ao tema, Sócrates partiu para o ataque preferencial ao deputado democrata-cristão…”
Jornal de Notícias

“AR: Sócrates encerra debate com ataque cerrado a Paulo Portas”
Lusa / Diário Digital

O tema agendado para o último debate mensal do ano era a educação, mas a segurança foi a questão que aqueceu os ânimos no Parlamento. O protagonista? Paulo Portas. Que não se cansou de perguntar ao primeiro-ministro: “Pode informar os portugueses de quantos agentes entram e se reformam até 2010?” Não obteve resposta. Santana Lopes optou por não se “dispersar “ do tema escolhido por José Sócrates.Correio da Manhã


Não interessa quem ganhou, mas creio que é inquestionável que houve um “confronto” Sócrates/Portas.
Não é uma leitura parcial nem clubista, trata-se de analisar o que escrevem os jornalistas de todos os órgãos de comunicação.
Todos, não… a RTP não viu o debate.
Sim não pode ter visto, porque depois de mais uma evidente vitória do FC Porto, assisti ao noticiário da RTP que pura e simplesmente decidiu que o CDS não era notícia.
José Alberto Carvalho relatou que o Exmº.Sr. Primeiro-Ministro escolheu o tema da educação para o debate, de seguida passou Santana Lopes, réplica de Sócrates.
Francisco Louça, réplica de Sócrates.
Jerónimo de Sousa, réplica de Sócrates.
O gajo dos verdes, réplica de Sócrates.
Acaba a reportagem dizendo que o CDS não quis falar de educação.

Comentários para quê?
Só me chateia que o CDS não esteja na linha da frente no combate para acabar com a televisão governamental.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

O eterno mas...

Tenho lido nos sítios do costume que a irritação europeia em relação a Mugabe tem a ver com o tratamento que o ditador deu à população branca do Zimbabwe.

É engraçado como de repente aparecem argumentos destes, deixando nas entrelinhas que tal população branca é britânica e que explorava colonialmente os recursos desse maravilhoso país.

Só por total desconhecimento da história se pode argumentar desta forma, esquecendo que mais de 90% dos brancos do Zimbabwe não têm passaporte de outro país, e que grande parte dos agricultores expulsos nunca pôs um pé na Europa.

Eu sei que é difícil admitir, mas aqui do que se trata é de puro racismo.
Nem vale a pena descrever o ignóbil tratamento que os agricultores brancos sofreram.
Nem vale a pena tentar justificar a irracional distribuição de terras, pois hoje sabemos para quem ficaram as fazendas dos brancos, e como isso transformou o celeiro de África num país moribundo.

Certos blogistas, tentando de todas as formas e feitios colocar os europeus com culpas no cartório, a única coisa que conseguem é passar por incultos.

Cavaco vencido, mas não convencido

O nosso Presidente Cavaco, apesar de contrariado, lá promulgou a lei da responsabilidade civil extracontratual do Estado.
Sinceramente, custa-me que seja usado como argumento que esta nova lei vai ser demasiado onerosa para o Estado, ou que os Tribunais não estão preparados. Ambas as razões podem ser válidas, mas para reformar a administração pública e a administração judiciária.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Tiro no pé

Esta jogada de pôr o Cravinho a defender a Ota foi brilhante.
Não há dúvida que os defensores de Alcochete e da Portela + 1 não brincam em serviço.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Acordo ortográfico

O acordo ortográfico que vai entrar em vigor em Janeiro de 2008 parece uma coisa extraordinária sob vários pontos de vista. Começa por se dizer que: “com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país" (é caso para dizer que quando se é capaz de uma tal consideração final já está tudo perdido, mas não devemos ser fatalistas).“O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros”. Está-se a ver que a ineficiência ortográfica tem atrapalhado enormemente o inglês, o francês e o espanhol, e tem obrigado os países que falam a língua mãe a profundas e radicais alterações linguísticas. Mas uma vez mais, adiante. Devemos é ficar satisfeitos com a possibilidade que nos é dada de conservar o nosso sotaque e conformados com o grau de zelo e dinamismo que o nosso país (que não tem outros problemas com que se preocupar) coloca na manutenção da coerência universal da sua língua. Vejamos agora só um ou dois pontos do acordo, aqueles que nos dizem mais directamente respeito. Em Portugal, desaparecem da língua escrita o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como em "acção", "acto", "adopção" e "baptismo". O certo passará a ser ação, ato, adoção e batismo; Também em Portugal elimina-se o "h" inicial de algumas palavras, como em "húmido", que passará a ser escrito como no Brasil: "úmido ". Só isto já arrepia qualquer velhote com mais de trinta anos. Mas o mais surpreendente de tudo, quanto a mim, é a eliminação da acentuação da palavra “pára” que passa a ser escrita como “para”. Devo dizer que considero esta equiparação fabulosa. Imaginem só um exemplo prático retirado do conto infantil dos três porquinhos mas com aplicação a qualquer história de polícias e ladrões, relato jornalístico de perseguição, ou legendagem de filme de cowboys. A certa altura, o lobo mau diz, segundo as novas regras ortográficas, para o porquinho do meio, depois de derrubar a sua casa de madeira: “para aí, seu porquinho descarado”! Vejam só. O porquinho vai ficar confuso, e o leitor também. Será que o lobo mau queria dizer para o porquinho seguir para um sítio determinado? E se era “para” seguir para algum lado, para onde? Ou quereria antes dizer ao porquinho para parar? Nesse caso não deveria ter preferido um “estaca aí” seu porquinho rechonchudo, ou talvez “imobiliza-te”, detém-te” imediatamente, “alto”?! A indecisão gerada pelo uso uniformizado da palavra “para” pode-se tornar fatal ao porquinho que entretanto vai ter que parar para pensar. Ora isto não se pode admitir :-)

Mais forte que nunca...

Chavez começou por reconhecer que tinha perdido o referendo para a reforma constitucional que lhe permitia ser presidente até aos 95 anos como pretendia. O que impressionou pela positiva, embora já no domingo se pudesse indagar se o teria feito por puro respeito pela democracia ou pelo temor das consequências de desobedecer a uma vontade popular da ordem dos 50% (porventura a memória do golpe de Estado de 2002). Quando ontem veio declarar sem eufemismos, e sem necessidade de uniformizações ortográficas para se perceber o sentido das suas palavras, que tinha sofrido uma "derrota de coragem", que a vitória no referendo tinha sido uma “vitória de merda”, e que ia voltar a sujeitar o seu projecto de alteração constitucional a referendo, parece ter tornado bem claro o grau de sinceridade do seu discurso pós eleitoral e a forma como pretende usar a democracia e os seus mecanismos as vezes necessárias para legitimar e reforçar o seu poder.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Os milhões do Costa

Costa queria 500 milhões. Menezes queria dar-lhe 143. Parece que ficaram nos 400.

O que espanta aqui é:

- Costa vai pedir dinheiro emprestado para pagar as dividas, o que acontece nas empresas só que estas têm que dar avales monumentais e é quando conseguem. A CML claro que terá a cobertura de todos nós.

- Paula Teixeira da Cunha há de sair tanto do lugar como eu de sócio do Boavista. E ela tudo fará para tramar o Menezes

- O PSD de Menezes e Ribau (sim porque o Ribau está em todas) não tem muita propriedade para criticar por criticar as politicas do Costa.


Mas que esta decisão de pagar aos fornecedores é importante para a sobrevivência das muitas pequenas empresas que colaboram com a CML (e com todas as outras ao longo do país) não tenho dúvidas nenhumas. O que deveria era nunca ter chegado ao ponto a que chegou. Isso sim é escandaloso em Lisboa e noutro lado qualquer.

Pois não é que foram

Um dos problemas que Camacho enfrenta no benfica é a comunicação. Parece que procura que todos o ouçam, que estejam atentos ao que ele diz e não ao que sobre eles dizem os jornais. Só que Camacho descobriu a pólvora:

frases curtas e com exemplos e onde os seus jogadores possam ler.

Por isso isto aqui em baixo




a prova de que funcionou foi terem ganho na Ucrania.

O homem assim vai-se safar.

A decisão

Jardim Gonçalves tem a sua vida recheada de decisões. Umas mais dificeis do que outras, umas com mais sucesso do que outras. É o normal na vida de uma pessoa que tome iniciativas, que seja empreendedor, que tenha o espirito de vencer e chegar mais longe. E a história da banca em Portugal terá que forçosamente conter o seu nome. No entanto, por acasos que a vida é fértil, a sua mais dificil e dolorosa decisão tomou-a no final da sua carreira. A decisão de colocar um ponto final na sua ligação ao banco que criou. Deve custar muito ser obrigado a tomar esta decisão. Jardim Gonçalves estava habituado a enfrentar oposições, mas sabia que ele era o ponto de união na solução. Hoje chegou à conclusão que ele e só ele era a solução para uma luta sem quartel que o banco vivia mas que desta feita ele não fazia parte dessa solução. Está fechado o primeiro capítulo da história do BCP.

terça-feira, dezembro 04, 2007

A nossa democracia




Aprovação aqui.

Eu imPORTO-me

Faz hoje 11 anos que o Porto foi elevado à categoria de Património Mundial. Ok, foi só a zona histórica e daí, certamente, a decisão da Camara de nada fazer para evocar a data. RR não quer previligiar uns em detrimento dos restantes.

Vai daí alguns portuenses resolveram organizar uma festa para todos. É hoje mesmo e o toque a reunir é às 18h30 em vários pontos da cidade Património Mundial.

Aqui vão os locais:
- Piolho
- Terreiro da Sé
- Miragaia
- Rua da Atafona
- Praça da Ribeira
- Praça Sandeman em Gaia

Toca a ir.

Mas esta iniciativa tem outro aspecto que merece destaque. É o facto da sociedade civil se mexer perante a apatia do poder seja ele autárquico ou central. Deveria ser a regra e não a excepção. Que seja o eternamente adiado pontapé de saída.

Venezuela

Chavez é o portador do imaginário esquerdista de luta contra o grande Satã (USA), e usa todos os clichés da escola mais que derrotada pela história de nacionalização dos recursos, ensino controlado, imprensa direccionada etc…
O Coronel Tapioca, opss…desculpem… o Coronel Chavez é por isso um ícone para a esquerda mundial. Mas essa mesma esquerda estava a ficar incomodada e sem argumentos para o defender.
Pois bem, com a derrota no referendo de Domingo, a esquerda já pode voltar a defender a sua imitação barata de Castro, proclamando aos quatro ventos que a Venezuela é o espelho da democracia, o farol que nos guiará para um futuro radioso.

Chavez fez bem ao reconhecer o resultado do referendo, surpreendeu pela positiva, espero que seja o princípio de uma governação com os pés no Século XXI.

Tomar partido

Parabéns ao Jorge Ferreira pelos quatro anos do Tomar partido.

Já agora também fumava uma dessas cigarrilhas...

4 de Dezembro!

domingo, dezembro 02, 2007

1.º de Dezembro

Um dos suplementos do "JN" de ontem trazia dez páginas de anúncios de vendas de imóveis e direitos sobre imóveis.1o páginas completas com uma primeira página da direcção geral de impostos, direcção de finanças do Porto, sim do Porto, a capear.
Um Primeiro de Dezembro (data que por sinal estranhamente não tem sido devidamente assinalada) destes - dá que pensar!

sábado, dezembro 01, 2007

vitórias

Do acto eleitoral que ontem decorreu na ordem dos advogados surgiram resultados que, para alguns, foram surpreendentes.Venceram, entre outros, Marinho Pinto, José A. Barreiros e Guilherme Figueiredo.
Mas terão sido na verdade reais surpresas?

Creio que não! Para quem vai ouvindo e sentindo o que verdadeiramente nos rodeia não deixam de ser vitórias anunciadas.

Com as necessárias adaptações não terá sucedido o mesmo com Menezes?
Será que estas "afinal não surpresas" nos podem levar a alguma conclusão?
É que tendem a repetir-se e a alastrar...