“É na complementaridade do masculino e do feminino que nos
afirmamos socialmente” - Filipe Anacoreta Correia esteve bem na AR
segunda-feira, novembro 23, 2015
quarta-feira, novembro 04, 2015
Obrigado Costa
Acreditando que seremos governados em gestão e por duodécimos a partir de Janeiro com novas eleições em Junho, pergunto se os portugueses sabem realmente o que significa governar com duodécimos?
Um orçamento em duodécimos não permite adaptar o orçamento às necessidades do país. O governo pode governar, embora com menos liberdade de acção e no limite terá de gerir o país com o orçamento que foi autorizado a gastar em 2015. Portanto governar com duodécimos pode facilmente significar caminhar a passos largos para a falência.
O Governo também não poderá contrair mais empréstimos e, não poderá mexer nos impostos. Isto significa que o défice orçamental não poderá aumentar e que, se a economia, a receita fiscal e os preços crescerem, será forçado a contrair-se.
Todos sabemos que sem investir não se pode colher, e num cenário de governo de gestão, a nossa economia ficará certamente estagnada.
Dado o aproximar da época natalícia pede-se ao pai natal que reúna com estas personagens de esquerda, tão ideologicamente próximas, e lhes explique que nem sempre é possível termos o brinquedo que queremos, mas sim o brinquedo que é possível e do qual formos merecedores.
Costa, queres mesmo arruinar o País só para sobreviveres politicamente?
Adelaide João da Costa
Obs: Escrita sem acordo ortográfico.Objecção de consciência.
Um orçamento em duodécimos não permite adaptar o orçamento às necessidades do país. O governo pode governar, embora com menos liberdade de acção e no limite terá de gerir o país com o orçamento que foi autorizado a gastar em 2015. Portanto governar com duodécimos pode facilmente significar caminhar a passos largos para a falência.
O Governo também não poderá contrair mais empréstimos e, não poderá mexer nos impostos. Isto significa que o défice orçamental não poderá aumentar e que, se a economia, a receita fiscal e os preços crescerem, será forçado a contrair-se.
Todos sabemos que sem investir não se pode colher, e num cenário de governo de gestão, a nossa economia ficará certamente estagnada.
Dado o aproximar da época natalícia pede-se ao pai natal que reúna com estas personagens de esquerda, tão ideologicamente próximas, e lhes explique que nem sempre é possível termos o brinquedo que queremos, mas sim o brinquedo que é possível e do qual formos merecedores.
Costa, queres mesmo arruinar o País só para sobreviveres politicamente?
Adelaide João da Costa
Obs: Escrita sem acordo ortográfico.Objecção de consciência.
NOTA DA REDACÇÃO: Enquanto afinamos a máquina o que nos salva são os nossos leitores. E assim aqui publicamos mais uma opinião.
terça-feira, novembro 03, 2015
O acordo
Há muita gente a querer ver o suposto acordo entre Costa e a extrema-esquerda.
Entendamo-nos, Costa assina o que tiver de assinar para se salvar. O acordo só lhe interessa no plano da sua sobrevivência pessoal; no plano do conteúdo e das suas repercussões para o país é-lhe completa e absolutamente indiferente. Primeiro, porque não é homem de valorizar acordos, e muito menos de os cumprir. Segundo, porque se tivesse um resquício de consciência e de respeito pelo interesse nacional, não levaria em frente o golpe que urdiu.
Para já, todas os caprichos de Catarina serão considerados, todas as exigências de Jerónimo bem acolhidas.
Se o golpe resultar, o acordo valerá o que vale um acordo para um homem sem palavra. Governará como um refém debaixo dos ultimatos permanentes do Bloco e do PC, que farão respeitar as suas imposições com o à vontade de quem detém a chave do interruptor da bomba que pulverizará Costa para todo o sempre.
sexta-feira, outubro 30, 2015
all hallows eve
Aqui fica, a propósito do momento, em post artigo em http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=127620 de Aura Miguel
Halloween
30 Out, 2013
Os motores da poderosa máquina comercial aí estão, de vento em popa! Quem quiser, ainda vai a tempo de se mascarar.
De olhos postos nesta sexta-feira, é vê-los a pedir aos pais os objectos mais incríveis, para se vestirem de bruxas, vampiros, monstros e seres medonhos, de preferência com sangue e marcas de crimes. O que está a dar mesmo é exaltar o medo, o terror, as almas penadas e todo o universo de criaturas tenebrosas. Mas esta opção pelos símbolos do mal e da morte não atinge apenas os mais novos. Veja-se a quantidade de jovens e adultos que se pintam e transformam em zombies – ou lá o que é – para, supostamente, se divertiram na “noite das bruxas”. Qual noite?
Segundo a lenda pagã dos celtas, é a noite do Jack O’Lantern, que ofereceu a alma ao diabo e cuja alma penada fica reduzida à famosa abóbora vazia iluminada por dentro. Mas é também – desde sempre e ainda hoje - uma noite importante para rituais satânicos, encontros esotéricos e sessões com druidas e magos.
Os primeiros cristãos substituíram-na pelo culto de todos os santos – como, aliás, sugere a tradução original da palavra “Halloween” (all hallows eve – véspera de todos os santos). Originariamente, esta solenidade celebrava-se a 13 de Maio, mas o Papa Gregório IV, no ano 834, deslocou a festa de todos os santos para 1 de Novembro (com vésperas litúrgicas dia 31 de Outubro), exactamente para erradicar superstições e ocultismos pagãos ligados a esta data.
A tradição cristã convida pois os seus fiéis a celebrar os santos e aponta-os como modelos de vida. É que os santos recusaram as trevas e optaram pela luz e pela verdade; são homens e mulheres de todas as idades e origens que não se deixam reduzir a abóboras vazias nem a cabos de vassoura.
Segundo a lenda pagã dos celtas, é a noite do Jack O’Lantern, que ofereceu a alma ao diabo e cuja alma penada fica reduzida à famosa abóbora vazia iluminada por dentro. Mas é também – desde sempre e ainda hoje - uma noite importante para rituais satânicos, encontros esotéricos e sessões com druidas e magos.
Os primeiros cristãos substituíram-na pelo culto de todos os santos – como, aliás, sugere a tradução original da palavra “Halloween” (all hallows eve – véspera de todos os santos). Originariamente, esta solenidade celebrava-se a 13 de Maio, mas o Papa Gregório IV, no ano 834, deslocou a festa de todos os santos para 1 de Novembro (com vésperas litúrgicas dia 31 de Outubro), exactamente para erradicar superstições e ocultismos pagãos ligados a esta data.
A tradição cristã convida pois os seus fiéis a celebrar os santos e aponta-os como modelos de vida. É que os santos recusaram as trevas e optaram pela luz e pela verdade; são homens e mulheres de todas as idades e origens que não se deixam reduzir a abóboras vazias nem a cabos de vassoura.
segunda-feira, outubro 26, 2015
Arrivistas, Fantoches & Travestis
Ontem, na televisão, assisti a esta coisa extraordinária: perguntaram a Ferro Rodrigues se preferia ser presidente da Assembleia da República ou ministro da coligação de esquerda que António Costa estava a preparar. Um político com alguma qualidade - leia-se, capaz de mentir mantendo um ar imperturbável - teria respondido à pergunta do jornalista com qualquer coisa como "num ou noutro desses dois lugares irei servir o meu país o melhor que souber e puder". Era a resposta politicamente correcta. Mas Ferro Rodrigues, sem surpresa, respondeu de outra forma! Disse ele "fico naturalmente dividido mas em qualquer das situações irei ficar na História". Em boa verdade, ele já tinha entrado na História. Mas quer mais História. A ele, a todos eles, é exactamente, exclusivamente, isto que os move: "ficar na História". Seja a que preço for. Mas há mais, percebe-se nas entrelinhas: está em idade de começar a tratar de assegurar o futuro. E, presidente da Assembleia da República ou ministro, que importa?! O que verdadeiramente o preocupa não é servir o país, como deixou bem claro na resposta. Esta sua "entrada para a História", é a garantia de um lugar de administração num qualquer banco e, depois, uma reforma milionária. É preciso "entrar na História" para chegar a esse patamar. E, isso sim, é o que verdadeiramente lhe interessa. Quanto ao mais, como brincava um velho amigo meu sobre a postura dos políticos ,"o povo que pague a crise! são muitos mais e já estão habituados"!
Tal como o seu nº 2, "entrar na História" é, já todos tínhamos percebido, a ambição desmedida do Costa. E, em "bom" político, foi preparando cuidadosamente o seu plano para lá chegar. Incapaz de um rasgo de génio, copiou a papel químico Jorge Sampaio e candidatou-se à Câmara de Lisboa para se dar a conhecer ao país. Farto de Lisboa - onde nem sequer vive porque não quer e não gosta - e não sendo, aliás, uma missão que o entusiasmasse mas apenas um meio para atingir um fim, quando achou que chegara o momento certo, rasteirou pelas costas o colega Seguro e, da forma lamentável a que todos assistimos, chegou a líder do PS. Quando a abstenção - o "partido" que venceu com maioria absoluta - demonstra estar cansado da baixa politiquice e não reconhece a menor credibilidade aos profissionais da política, António Costa - que agora surge como o grande analista e intérprete da vontade dos portugueses nas eleições - fez na campanha a triste e deplorável figura do político no seu pior: mentindo a torto e a direito, não hesitando sequer em recorrer ao supremo descaramento e desonestidade intelectual de responsabilizar Passos Coelho pela vinda da Troika no debate com que todos vimos na televisão. Vale tudo!!! Quando todos os analistas de serviço lhe deram a vitória no debate, comentei para mim mesmo "perdeu aqui as eleições!" . Não me enganei! Perdeu, de facto, em toda a linha: pediu aos eleitores uma maioria absoluta e teve o desastroso resultado que se viu. Apesar de quatro anos de medidas duras e impopulares mas, não tenho dúvida, absolutamente necessárias, Passos Coelho e Paulo Portas ganharam-lhe, ainda assim, as eleições - que Costa dava como favas contadas porque dificilmente entende que um povo sério saiba que era inevitável ao devedor respeitar as exigências do credor e à coligação não restava alternativa senão gerir a tenebrosa herança que recebeu de Sócrates. E por isso mesmo lhe deu novamente a maioria do seu voto. Qualquer outro político teria apresentado imediatamente a demissão perante o descalabro desta derrota do partido que lidera. Mas Costa não apresentou, também sem surpresa e também sem vergonha nem dignidade. Para "salvar a honra do convento", houve vozes discordantes no PS que revelaram uma dignidade que faltou ao líder e deram disso público testemunho. Mas Costa assobiou para ao lado e tal como o seu número 2, também ele quer "ficar na História", seja a que preço for. Ainda o veremos um deste dias a telefonar à mãe: "Mamã, sou primeiro-ministro!"
Vai conseguir, aparentemente, "ficar na História". Pelos piores motivos, direi eu. De facto, corremos todos sérios riscos de o ver chegar a primeiro-ministro. Se isso acontecer, para a História ficará como o político que, depois das nossas lutas na rua para evitar que os comunistas tomassem o poder, faz-nos agora regressar aos lamentáveis e de triste memória tempos do PREC, do alucinado Vasco Gonçalves e dos seus amigos comunistas, sentados no governo a nacionalizar tudo a eito e a destruir a economia com o exclusivo objectivo de provocar pobreza e, com isso, ganhar votos entre os empobrecidos. Onde estava o Costa quando nós, democratas, estávamos na Alameda ?... Muito provavelmente do outro lado da barricada, ao lado do pai, um comunista irredutível, como bem recordou o irmão Ricardo Costa outro dia.
É esta a figura que se perfila como possível futuro primeiro-ministro de Portugal. Se for esse o nosso triste destino, deixo já aqui o desafio: no dia da eleição do novo presidente da república, seja ele quem for, vamos todos manifestar-nos na rua! "Eleições já!" é a palavra de ordem que sugiro. Antes que ele e os novos (ou nem por isso?...) amigos comunistas - que só sobrevivem eleitoralmente com os votos dos mais pobres, incultos e desfavorecidos - tenham tempo de nos afundar outra vez e tenhamos o Costa (a copiar Sócrates como copiou Sampaio) pedindo, com aquele sorriso patibular que todos lhe conhecemos, o regresso da troika e um novo resgate e, com ele, mais quatro anos de austeridade, como lucidamente previu ontem António Barreto na sua intervenção na televisão.
"Ficar na História!!!...". É o que temos: os arrivistas desesperados pela única oportunidade que terão na vida para andarem de Mercedes com motorista "próprio" e garantir, para o futuro, uma reforma dourada que nunca teriam se prosseguissem no cinzentismo e na mediocridade das suas vidas pessoais e profissionais.
Em 1974, Portugal era um país do terceiro mundo. (Para dourar a pílula, chamava-se a isto, país em vias de desenvolvimento). Absurdo que possa parecer às gerações actuais, em pleno final do século XX, uma das primeiras medidas do Conselho da Revolução que nos governou a seguir ao 25 de Abril - já ninguém se lembra disto! - foi mandar a tropa para a província ensinar o povo a ler e a escrever! Imaginam os magalas, esmagadoramente vindos das berças, a dar aulas de português aos analfabetos? Mas foi exactamente assim, honra lhes seja feita, coitados!. Não conseguiram, obviamente, ensinar o povo a ler e a escrever que, por isso mesmo, continuou tão analfabeto e inculto como era antes, por mais uns bons pares de anos. Graças à Democracia, os filhos deles já foram à escola, aprenderam a ler e a escrever e vários deles até chegaram a ministros. Mas se não ensinaram o povo a ler e a escrever, ensinaram-no seguramente a assinar o nome. E por esta via, ficou facilitado o recenseamento eleitoral. Não surpreende, por isto, a importância que nessa época o partido comunista conseguiu alcançar. Os comunistas, bem o sabemos, inexistentes nos países civilizados e avançados, só sobrevivem em países de terceiro-mundo e a falta de cultura e a pobreza do povo é, para eles, a única garantia de sustento e sobrevivência. "Quanto pior, melhor", como bem pensaram e bem executaram enquanto puderam.
Quando, em 1989, caiu o muro de Berlim e começou a escancarar-se o absoluto horror catastrófico do comunismo que governou a Europa de Leste depois da II Guerra, todos os partidos comunistas europeus se apressaram a mudar de nome para tentar passar entre os pingos da chuva e assegurar a sobrevivência futura (e o tacho dos subsídios estatais que os mantem à tona). Na Europa, despareceram em todo o lado. Menos em Portugal. Álvaro Cunhal, sempre irredutível - à insistência no erro chamam os seus devotos "coerência"! - e tão incapaz de entender o futuro como Salazar (de tão igual a ele em tantas coisas, parece tê-lo tido por mestre nas artes de manipular o povo!), insistia que Gorbatchov era um traidor, que a Perestroika era uma catástrofe para o "povo unido" e Marx e Lenine continuariam, até à morte, a ser, para ele, os seus deuses na terra. Contrariar a opinião do "grande ditador do proletariado" era garantia absoluta de despedimento do partido com justa causa e poucos foram os que ousaram fazê-lo. No leito de morte, os que lhe sucederam devem ter-lhe jurado fidelidade até ao fim e continuam talvez por isso, quais "robertos", fantoches em teatros de rua, a reproduzir a mesma cassette que ele deixou escrita para ser lida e repetida "ad eternum" e "ad nauseam". A União Europeia é, para eles, a razão de todos os males do mundo e advogam, para a alegria e bem-estar do povo que os sustenta, a saída da Europa, do Euro, da NATO e, deduzo eu (porque nunca explicaram que apoios têm fora destas duas organizações...), proponham uma união com a Coreia de Norte que tanto devem apreciar. De facto, não vejo outros países - talvez a Venezuela dos nosso dias, não sei... - que defendam os mesmos princípios e objectivos nem lhes sobre muito mais na escolha de parceiros, graças a Deus. A China, agora convertida ao capitalismo mais feroz, foi sempre para eles um ódio de estimação, não porque fosse substancialmente diferente no conteúdo e na forma mas simplesmente porque lhes roubava a clientela. E nesta altura, até já nem com Cuba podem contar, agora que o irmão do Fidel se rendeu aos encantos dos Estados Unidos e do mundo ocidental e anunciou até, pasme-se!, a sua possível conversão ao catolicismo! A velhice, a senilidade, - o homem está com 84 anos! - tem coisas destas quando o fim se aproxima... "Yo no creo en Dios pero que hay Dios, hay..." dirá o velho ditador para os botões da sua farda de general.
Tão ferozes contra a União Europeia (cuja única virtude parece assentar nos ordenados milionários que pagam aos deputados em Estrasburgo e sempre lhes ajudam a aliviar a falta de receitas pela quebra de militantes...), contra o euro e contra a NATO são os outros comunistas, estes mais envergonhados de o serem e que, por isso mesmo, se apresentam travestidos de "bloquistas", o que quer que isto signifique. Mas são, dizem eles, um "bloco", o que, segundo reza o dicionário, é um "conjunto cujos componentes dependem uns dos outros: doutrinas que formam um bloco inteiriço". No português do Brasil, mais pragmático e menos coloquial, bloco significa "grupo de carnavalescos", segundo o mesmo dicionário. Nada me parece mais apropriado para este grupo folclórico que, como os mascarados nos desfiles da Sapucaí, tentam a custo travestir-se de democratas e esconder a sua verdadeira identidade e ideologia. Uns e outros ainda vão conseguindo enganar os que, na famosa campanha de alfabetização de 74/75 não conseguiram aprender a ler e a escrever e, também por isso, continuam pobres e a comprar as fantasias e ilusões que lhes impingem. Mas, admito, já só mesmos esses e mais meia-dúzia de tontos ditos "independentes de esquerda" (ou "independentes de direita", que também os há e votam no bloco!). E, finalmente, admito, alguma juventude desempregada, desiludida e radicalizada, que por lá vai militando enquanto aguarda o visto e o bilhete de avião para a Turquia. E se hoje me atrevo a dar testemunho do que me vai na alma - vão chamar-me "anti-comunista primário", já prevejo, é afinal o único "contraditório" a que recorrem perante a falta de argumentos inteligentes!!!! - pretendo apenas aproveitar eles não terem ainda chegado ao poder. A partir desse dia, serei obrigado a emigrar ou a calar-me: a liberdade de expressão é o primeiro dos direitos que eles tentarão abater, como determinam aliás as cartilhas dos regimes que ambos, PC e Bloco, defendem. E a que o PS, para "ficar na História" e não perder a maioria parlamentar, não deixará de ceder quando o momento chegar. A isto como a tantas outras coisas que eles já estão a preparar... (Veja-se o ar de mal disfarçada alegria vitoriosa da Catarina Bloquista na entrevista a Maria Flor Pedroso. Vale a pena! Ficamos a saber que Costa disse a tudo que sim!...). Isto de "ficar na História" tem alguns custos, pensará o Costa para sio mesmo...
Não me surpreenderia, agora que alegadamente detêm a maioria absoluta no Parlamento, os dois partidos comunistas proponham - leia-se, imponham ao Costa - mudar o nome do país: em vez de Portugal, um nome que vem do "antigamente", logo, perigosamente de direita, se não mesmo fascista e, como contributo decisivo, venha a terreno a lucidez e a superior sabedoria do bloquista e historiador Fernando Rosas, explicar que o nome "Portugal não foi democraticamente escolhido pelos seus nacionais e deverá por isso ser mesmo alterado e eliminado dos dicionários", passando a chamar-se daqui em diante "Teoria". Neste novo país, a vida é um regalo, explicarão eles, com o ar convicto de quem, como é invariavelmente o dos grandes educadores do povo que detém a verdade suprema, tudo corre às mil maravilhas e "o Sol brilhará para todos nós" como todos eles insistentemente cantam, prometem e asseguram a quem (ainda) os queira ouvir e acredite numa palavra do que eles dizem!
Acabo já este desabafo: depois das lutas pela defesa e consolidação da Democracia que tantos como eu travámos, ver este grupo de arrivistas, fantoches e travestis - les beux esprits se rencontrent... - como nossos governantes; depois de tantos como eu termos dado o nosso voto à coligação que venceu de facto as eleições e que a "maioria de esquerda", em verdadeiro "golpe de estado" de inspiração estalinista - "filho de peixe sabe nadar"... - se propõe impedir que governe; depois de, pela mão de outro socialista que já assegurou a sua entrada "na História" por tantos e tão diversos motivos, José Sócrates de triste memória, termos passado pelo vexame de ser obrigados a chamar outra vez uma troika estrangeira para, uma vez mais, tentar ensinar os nossos políticos a governar um país, a sombria perspectiva de ver em pleno século XXI no governo do meu país dois partidos comunistas (que, como todos bem sabemos, por imperativo da sua própria doutrina, a primeira medida que tomam quando assumem o poder é abolir a existência de partidos políticos, leia-se, mandar a democracia às urtigas e decretar o regime de partido único como agora pretendem fazer um ensaio no parlamento, transformando os vencedores em vencidos e os vencidos em vencedores) é o atestado que nos faltava para sermos colocados na Europa ao lado da Grécia - que tanto trabalho nos deu a tentarmos afastar-nos - como o pior do "terceiro-mundismo", ambos irredutíveis na sua irremediável e óbvia incapacidade se auto-governarem. É "África no seu melhor!", como se comenta à boca pequena na Europa civilizada a que a maioria dos portugueses quer pertencer.
Tudo isto, com o único objectivo de conseguir a qualquer preço "entrar para a História", ficaremos a dever a António Costa. Deus lhe perdoe! Eu não.
Tal como o seu nº 2, "entrar na História" é, já todos tínhamos percebido, a ambição desmedida do Costa. E, em "bom" político, foi preparando cuidadosamente o seu plano para lá chegar. Incapaz de um rasgo de génio, copiou a papel químico Jorge Sampaio e candidatou-se à Câmara de Lisboa para se dar a conhecer ao país. Farto de Lisboa - onde nem sequer vive porque não quer e não gosta - e não sendo, aliás, uma missão que o entusiasmasse mas apenas um meio para atingir um fim, quando achou que chegara o momento certo, rasteirou pelas costas o colega Seguro e, da forma lamentável a que todos assistimos, chegou a líder do PS. Quando a abstenção - o "partido" que venceu com maioria absoluta - demonstra estar cansado da baixa politiquice e não reconhece a menor credibilidade aos profissionais da política, António Costa - que agora surge como o grande analista e intérprete da vontade dos portugueses nas eleições - fez na campanha a triste e deplorável figura do político no seu pior: mentindo a torto e a direito, não hesitando sequer em recorrer ao supremo descaramento e desonestidade intelectual de responsabilizar Passos Coelho pela vinda da Troika no debate com que todos vimos na televisão. Vale tudo!!! Quando todos os analistas de serviço lhe deram a vitória no debate, comentei para mim mesmo "perdeu aqui as eleições!" . Não me enganei! Perdeu, de facto, em toda a linha: pediu aos eleitores uma maioria absoluta e teve o desastroso resultado que se viu. Apesar de quatro anos de medidas duras e impopulares mas, não tenho dúvida, absolutamente necessárias, Passos Coelho e Paulo Portas ganharam-lhe, ainda assim, as eleições - que Costa dava como favas contadas porque dificilmente entende que um povo sério saiba que era inevitável ao devedor respeitar as exigências do credor e à coligação não restava alternativa senão gerir a tenebrosa herança que recebeu de Sócrates. E por isso mesmo lhe deu novamente a maioria do seu voto. Qualquer outro político teria apresentado imediatamente a demissão perante o descalabro desta derrota do partido que lidera. Mas Costa não apresentou, também sem surpresa e também sem vergonha nem dignidade. Para "salvar a honra do convento", houve vozes discordantes no PS que revelaram uma dignidade que faltou ao líder e deram disso público testemunho. Mas Costa assobiou para ao lado e tal como o seu número 2, também ele quer "ficar na História", seja a que preço for. Ainda o veremos um deste dias a telefonar à mãe: "Mamã, sou primeiro-ministro!"
Vai conseguir, aparentemente, "ficar na História". Pelos piores motivos, direi eu. De facto, corremos todos sérios riscos de o ver chegar a primeiro-ministro. Se isso acontecer, para a História ficará como o político que, depois das nossas lutas na rua para evitar que os comunistas tomassem o poder, faz-nos agora regressar aos lamentáveis e de triste memória tempos do PREC, do alucinado Vasco Gonçalves e dos seus amigos comunistas, sentados no governo a nacionalizar tudo a eito e a destruir a economia com o exclusivo objectivo de provocar pobreza e, com isso, ganhar votos entre os empobrecidos. Onde estava o Costa quando nós, democratas, estávamos na Alameda ?... Muito provavelmente do outro lado da barricada, ao lado do pai, um comunista irredutível, como bem recordou o irmão Ricardo Costa outro dia.
É esta a figura que se perfila como possível futuro primeiro-ministro de Portugal. Se for esse o nosso triste destino, deixo já aqui o desafio: no dia da eleição do novo presidente da república, seja ele quem for, vamos todos manifestar-nos na rua! "Eleições já!" é a palavra de ordem que sugiro. Antes que ele e os novos (ou nem por isso?...) amigos comunistas - que só sobrevivem eleitoralmente com os votos dos mais pobres, incultos e desfavorecidos - tenham tempo de nos afundar outra vez e tenhamos o Costa (a copiar Sócrates como copiou Sampaio) pedindo, com aquele sorriso patibular que todos lhe conhecemos, o regresso da troika e um novo resgate e, com ele, mais quatro anos de austeridade, como lucidamente previu ontem António Barreto na sua intervenção na televisão.
"Ficar na História!!!...". É o que temos: os arrivistas desesperados pela única oportunidade que terão na vida para andarem de Mercedes com motorista "próprio" e garantir, para o futuro, uma reforma dourada que nunca teriam se prosseguissem no cinzentismo e na mediocridade das suas vidas pessoais e profissionais.
Em 1974, Portugal era um país do terceiro mundo. (Para dourar a pílula, chamava-se a isto, país em vias de desenvolvimento). Absurdo que possa parecer às gerações actuais, em pleno final do século XX, uma das primeiras medidas do Conselho da Revolução que nos governou a seguir ao 25 de Abril - já ninguém se lembra disto! - foi mandar a tropa para a província ensinar o povo a ler e a escrever! Imaginam os magalas, esmagadoramente vindos das berças, a dar aulas de português aos analfabetos? Mas foi exactamente assim, honra lhes seja feita, coitados!. Não conseguiram, obviamente, ensinar o povo a ler e a escrever que, por isso mesmo, continuou tão analfabeto e inculto como era antes, por mais uns bons pares de anos. Graças à Democracia, os filhos deles já foram à escola, aprenderam a ler e a escrever e vários deles até chegaram a ministros. Mas se não ensinaram o povo a ler e a escrever, ensinaram-no seguramente a assinar o nome. E por esta via, ficou facilitado o recenseamento eleitoral. Não surpreende, por isto, a importância que nessa época o partido comunista conseguiu alcançar. Os comunistas, bem o sabemos, inexistentes nos países civilizados e avançados, só sobrevivem em países de terceiro-mundo e a falta de cultura e a pobreza do povo é, para eles, a única garantia de sustento e sobrevivência. "Quanto pior, melhor", como bem pensaram e bem executaram enquanto puderam.
Quando, em 1989, caiu o muro de Berlim e começou a escancarar-se o absoluto horror catastrófico do comunismo que governou a Europa de Leste depois da II Guerra, todos os partidos comunistas europeus se apressaram a mudar de nome para tentar passar entre os pingos da chuva e assegurar a sobrevivência futura (e o tacho dos subsídios estatais que os mantem à tona). Na Europa, despareceram em todo o lado. Menos em Portugal. Álvaro Cunhal, sempre irredutível - à insistência no erro chamam os seus devotos "coerência"! - e tão incapaz de entender o futuro como Salazar (de tão igual a ele em tantas coisas, parece tê-lo tido por mestre nas artes de manipular o povo!), insistia que Gorbatchov era um traidor, que a Perestroika era uma catástrofe para o "povo unido" e Marx e Lenine continuariam, até à morte, a ser, para ele, os seus deuses na terra. Contrariar a opinião do "grande ditador do proletariado" era garantia absoluta de despedimento do partido com justa causa e poucos foram os que ousaram fazê-lo. No leito de morte, os que lhe sucederam devem ter-lhe jurado fidelidade até ao fim e continuam talvez por isso, quais "robertos", fantoches em teatros de rua, a reproduzir a mesma cassette que ele deixou escrita para ser lida e repetida "ad eternum" e "ad nauseam". A União Europeia é, para eles, a razão de todos os males do mundo e advogam, para a alegria e bem-estar do povo que os sustenta, a saída da Europa, do Euro, da NATO e, deduzo eu (porque nunca explicaram que apoios têm fora destas duas organizações...), proponham uma união com a Coreia de Norte que tanto devem apreciar. De facto, não vejo outros países - talvez a Venezuela dos nosso dias, não sei... - que defendam os mesmos princípios e objectivos nem lhes sobre muito mais na escolha de parceiros, graças a Deus. A China, agora convertida ao capitalismo mais feroz, foi sempre para eles um ódio de estimação, não porque fosse substancialmente diferente no conteúdo e na forma mas simplesmente porque lhes roubava a clientela. E nesta altura, até já nem com Cuba podem contar, agora que o irmão do Fidel se rendeu aos encantos dos Estados Unidos e do mundo ocidental e anunciou até, pasme-se!, a sua possível conversão ao catolicismo! A velhice, a senilidade, - o homem está com 84 anos! - tem coisas destas quando o fim se aproxima... "Yo no creo en Dios pero que hay Dios, hay..." dirá o velho ditador para os botões da sua farda de general.
Tão ferozes contra a União Europeia (cuja única virtude parece assentar nos ordenados milionários que pagam aos deputados em Estrasburgo e sempre lhes ajudam a aliviar a falta de receitas pela quebra de militantes...), contra o euro e contra a NATO são os outros comunistas, estes mais envergonhados de o serem e que, por isso mesmo, se apresentam travestidos de "bloquistas", o que quer que isto signifique. Mas são, dizem eles, um "bloco", o que, segundo reza o dicionário, é um "conjunto cujos componentes dependem uns dos outros: doutrinas que formam um bloco inteiriço". No português do Brasil, mais pragmático e menos coloquial, bloco significa "grupo de carnavalescos", segundo o mesmo dicionário. Nada me parece mais apropriado para este grupo folclórico que, como os mascarados nos desfiles da Sapucaí, tentam a custo travestir-se de democratas e esconder a sua verdadeira identidade e ideologia. Uns e outros ainda vão conseguindo enganar os que, na famosa campanha de alfabetização de 74/75 não conseguiram aprender a ler e a escrever e, também por isso, continuam pobres e a comprar as fantasias e ilusões que lhes impingem. Mas, admito, já só mesmos esses e mais meia-dúzia de tontos ditos "independentes de esquerda" (ou "independentes de direita", que também os há e votam no bloco!). E, finalmente, admito, alguma juventude desempregada, desiludida e radicalizada, que por lá vai militando enquanto aguarda o visto e o bilhete de avião para a Turquia. E se hoje me atrevo a dar testemunho do que me vai na alma - vão chamar-me "anti-comunista primário", já prevejo, é afinal o único "contraditório" a que recorrem perante a falta de argumentos inteligentes!!!! - pretendo apenas aproveitar eles não terem ainda chegado ao poder. A partir desse dia, serei obrigado a emigrar ou a calar-me: a liberdade de expressão é o primeiro dos direitos que eles tentarão abater, como determinam aliás as cartilhas dos regimes que ambos, PC e Bloco, defendem. E a que o PS, para "ficar na História" e não perder a maioria parlamentar, não deixará de ceder quando o momento chegar. A isto como a tantas outras coisas que eles já estão a preparar... (Veja-se o ar de mal disfarçada alegria vitoriosa da Catarina Bloquista na entrevista a Maria Flor Pedroso. Vale a pena! Ficamos a saber que Costa disse a tudo que sim!...). Isto de "ficar na História" tem alguns custos, pensará o Costa para sio mesmo...
Não me surpreenderia, agora que alegadamente detêm a maioria absoluta no Parlamento, os dois partidos comunistas proponham - leia-se, imponham ao Costa - mudar o nome do país: em vez de Portugal, um nome que vem do "antigamente", logo, perigosamente de direita, se não mesmo fascista e, como contributo decisivo, venha a terreno a lucidez e a superior sabedoria do bloquista e historiador Fernando Rosas, explicar que o nome "Portugal não foi democraticamente escolhido pelos seus nacionais e deverá por isso ser mesmo alterado e eliminado dos dicionários", passando a chamar-se daqui em diante "Teoria". Neste novo país, a vida é um regalo, explicarão eles, com o ar convicto de quem, como é invariavelmente o dos grandes educadores do povo que detém a verdade suprema, tudo corre às mil maravilhas e "o Sol brilhará para todos nós" como todos eles insistentemente cantam, prometem e asseguram a quem (ainda) os queira ouvir e acredite numa palavra do que eles dizem!
Acabo já este desabafo: depois das lutas pela defesa e consolidação da Democracia que tantos como eu travámos, ver este grupo de arrivistas, fantoches e travestis - les beux esprits se rencontrent... - como nossos governantes; depois de tantos como eu termos dado o nosso voto à coligação que venceu de facto as eleições e que a "maioria de esquerda", em verdadeiro "golpe de estado" de inspiração estalinista - "filho de peixe sabe nadar"... - se propõe impedir que governe; depois de, pela mão de outro socialista que já assegurou a sua entrada "na História" por tantos e tão diversos motivos, José Sócrates de triste memória, termos passado pelo vexame de ser obrigados a chamar outra vez uma troika estrangeira para, uma vez mais, tentar ensinar os nossos políticos a governar um país, a sombria perspectiva de ver em pleno século XXI no governo do meu país dois partidos comunistas (que, como todos bem sabemos, por imperativo da sua própria doutrina, a primeira medida que tomam quando assumem o poder é abolir a existência de partidos políticos, leia-se, mandar a democracia às urtigas e decretar o regime de partido único como agora pretendem fazer um ensaio no parlamento, transformando os vencedores em vencidos e os vencidos em vencedores) é o atestado que nos faltava para sermos colocados na Europa ao lado da Grécia - que tanto trabalho nos deu a tentarmos afastar-nos - como o pior do "terceiro-mundismo", ambos irredutíveis na sua irremediável e óbvia incapacidade se auto-governarem. É "África no seu melhor!", como se comenta à boca pequena na Europa civilizada a que a maioria dos portugueses quer pertencer.
Tudo isto, com o único objectivo de conseguir a qualquer preço "entrar para a História", ficaremos a dever a António Costa. Deus lhe perdoe! Eu não.
Larama
Nota: o texto foi enviado por pessoa amiga em momento de grande revolta pela situação política em que nos vemos envolvidos. Achei que merecia a pena a sua publicação. Tardou uns dias mas mantêm-se atual. Mas sei que
sexta-feira, outubro 16, 2015
Reflexões sobre alguns resultados eleitorais e o futuro de Portugal
Várias considerações me suscitaram dúvidas perante os resultados eleitorais. A primeira foi tentar perceber quais foram as profundas escolhas do eleitorado. Para o entender melhor, elaborei o seguinte quadro, com base nas informações do excelente www.legislativas2015.pt:
A primeira conclusão que me parece evidente é que o PS não foi o principal beneficiário do castigo que os eleitores deram ao Governo e aos partidos que o apoiam, como foi sublinhado por todos os observadores; mas... (há sempre um mas), mais importante parece-me ser a seguinte conclusão, também apoiada nos mesmos resultados: se atribuirmos ao CDS um resultado proporcionalmente semelhante ao que obteve em 2011 (cerca de 23,24% do total da coligação), verificamos que o PS e o PSD ficariam em empate técnico, com cerca de 1,7 milhões de votos cada (e ligeira vantagem para o PS).
Ou seja: se por um lado a estratégia de concorrer coligado permitiu uma vitória (de Pirro?) aos dois partidos que apoiam o Governo, por outro lado se os partidos tivessem concorrido todos separadamente (e os resultados da coligação se tivessem mantido em proporção, o que não é liquido pois não seria surpreendente que o PSD tivesse sido menos penalizado que o CDS), seria de facto António Costa o vencedor, ainda que com um resultado fraco; ou possivelmente Pedro Passos Coelho, mas sem a possibilidade de formar governo só com o CDS...
O que me leva à segunda conclusão que também deveria ser evidente: o que os portugueses verdadeiramente quiseram foi um governo do Centrão, que aliás perdeu menos votos do que o Governo (10,26% a menos, comparado com a perda de 25,86% da PaF). A minha intuição diz-me que o queriam com PPC como primeiro-ministro, mas isso nunca saberemos...
Naturalmente, esta possibilidade de um governo do Centrão ficou prejudicada pela sageza do CDS (ou de Paulo Portas), quando impôs a coligação, garantindo que faria parte do futuro governo, mesmo que fosse liderado pelo PS... Ou assim parecia!, pois António Costa parece ter trocado as voltas a muita gente. Apesar de se poder também argumentar que o atual CDS também pertence ao Centrão, e portanto que esta opção seria mesmo a mais legítima (pois até aumenta a votação em 2,74%)!
Terceira conclusão: o crescimento da Esquerda extrema (aquela que tem assento parlamentar e não endossa o consenso que reune o centrão ou o arco da governação: UE, Euro, Nato, etc.), não foi assim tão espetacular comparado com o do PS (embora em percentagem tenham crescido 36,4% e o PS apenas 11,45%, em votos, cresceram pouco mais do que o PS: 266.047 votos contra 179.517).
Ou seja, mesmo que isto permita sustentar a grande vitória (em termos de crescimento) do Bloco e do PCP (marginalmente), a verdade é que é difícil disputar a liderança à esquerda de António Costa.
Finalmente, registo ainda que apesar da diminuição dos votos brancos ou nulos (11,38%), o grande beneficiário foram os pequenos partidos (os que não tinham representação parlamentar) que além de terem elegido 1 deputado pelo PAN, cresceram 62,86% (quando a Esquerda extrema "apenas" cresceu 19,38%).
Ou seja, parece-me que ainda estamos muito longe da "podemização" ou "syrização" do eleitorado português...
E esta última conclusão TEM de ser importante para quem, à esquerda, pretenda formar/apoiar a formação de um governo alternativo... pois implica que pode, e talvez deva, haver alteração de políticas, mas implica igualmente que NÃO pode haver ruptura de políticas!!!
Note-se que PS e PSD mantém 61,84 do total de votantes (contra 66,7 em 2011). O que confirma a legitimidade dos líderes dos dois partidos para formarem governo, com os apoios que encontrarem no Parlamento, mesmo que não se queiram entender os dois como parece ter sido a vontade do eleitorado (por causa do CDS estar umbilicalmente ligado à coligação?!?).
Numa palavra: não me parece que esteja em curso um golpe constitucional, ou de estado, ou seja o que for que se lhe quiser chamar... António Costa está apenas a fazer uma leitura utilitarista dos resultados eleitorais - e perfeitamente normal em países habituados a governos de coligação.
O que não impede que o PS, através de António Costa e da eventual coligação/acordo à esquerda), possa estar a preparar uma inversão da política nacional, com a proposta ruptura com as políticas do Governo ainda em funções. Essa sim, creio, é a grande questão para o futuro de Portugal.
A primeira conclusão que me parece evidente é que o PS não foi o principal beneficiário do castigo que os eleitores deram ao Governo e aos partidos que o apoiam, como foi sublinhado por todos os observadores; mas... (há sempre um mas), mais importante parece-me ser a seguinte conclusão, também apoiada nos mesmos resultados: se atribuirmos ao CDS um resultado proporcionalmente semelhante ao que obteve em 2011 (cerca de 23,24% do total da coligação), verificamos que o PS e o PSD ficariam em empate técnico, com cerca de 1,7 milhões de votos cada (e ligeira vantagem para o PS).
Ou seja: se por um lado a estratégia de concorrer coligado permitiu uma vitória (de Pirro?) aos dois partidos que apoiam o Governo, por outro lado se os partidos tivessem concorrido todos separadamente (e os resultados da coligação se tivessem mantido em proporção, o que não é liquido pois não seria surpreendente que o PSD tivesse sido menos penalizado que o CDS), seria de facto António Costa o vencedor, ainda que com um resultado fraco; ou possivelmente Pedro Passos Coelho, mas sem a possibilidade de formar governo só com o CDS...
O que me leva à segunda conclusão que também deveria ser evidente: o que os portugueses verdadeiramente quiseram foi um governo do Centrão, que aliás perdeu menos votos do que o Governo (10,26% a menos, comparado com a perda de 25,86% da PaF). A minha intuição diz-me que o queriam com PPC como primeiro-ministro, mas isso nunca saberemos...
Naturalmente, esta possibilidade de um governo do Centrão ficou prejudicada pela sageza do CDS (ou de Paulo Portas), quando impôs a coligação, garantindo que faria parte do futuro governo, mesmo que fosse liderado pelo PS... Ou assim parecia!, pois António Costa parece ter trocado as voltas a muita gente. Apesar de se poder também argumentar que o atual CDS também pertence ao Centrão, e portanto que esta opção seria mesmo a mais legítima (pois até aumenta a votação em 2,74%)!
Terceira conclusão: o crescimento da Esquerda extrema (aquela que tem assento parlamentar e não endossa o consenso que reune o centrão ou o arco da governação: UE, Euro, Nato, etc.), não foi assim tão espetacular comparado com o do PS (embora em percentagem tenham crescido 36,4% e o PS apenas 11,45%, em votos, cresceram pouco mais do que o PS: 266.047 votos contra 179.517).
Ou seja, mesmo que isto permita sustentar a grande vitória (em termos de crescimento) do Bloco e do PCP (marginalmente), a verdade é que é difícil disputar a liderança à esquerda de António Costa.
Finalmente, registo ainda que apesar da diminuição dos votos brancos ou nulos (11,38%), o grande beneficiário foram os pequenos partidos (os que não tinham representação parlamentar) que além de terem elegido 1 deputado pelo PAN, cresceram 62,86% (quando a Esquerda extrema "apenas" cresceu 19,38%).
Ou seja, parece-me que ainda estamos muito longe da "podemização" ou "syrização" do eleitorado português...
E esta última conclusão TEM de ser importante para quem, à esquerda, pretenda formar/apoiar a formação de um governo alternativo... pois implica que pode, e talvez deva, haver alteração de políticas, mas implica igualmente que NÃO pode haver ruptura de políticas!!!
Note-se que PS e PSD mantém 61,84 do total de votantes (contra 66,7 em 2011). O que confirma a legitimidade dos líderes dos dois partidos para formarem governo, com os apoios que encontrarem no Parlamento, mesmo que não se queiram entender os dois como parece ter sido a vontade do eleitorado (por causa do CDS estar umbilicalmente ligado à coligação?!?).
Numa palavra: não me parece que esteja em curso um golpe constitucional, ou de estado, ou seja o que for que se lhe quiser chamar... António Costa está apenas a fazer uma leitura utilitarista dos resultados eleitorais - e perfeitamente normal em países habituados a governos de coligação.
O que não impede que o PS, através de António Costa e da eventual coligação/acordo à esquerda), possa estar a preparar uma inversão da política nacional, com a proposta ruptura com as políticas do Governo ainda em funções. Essa sim, creio, é a grande questão para o futuro de Portugal.
terça-feira, setembro 15, 2015
A Europa e o triste exemplo americano
A recente escolha do Sr. Corbyn para líder da oposição inglesa trouxe-me as seguintes reflexões, em muito influenciadas pelas reacções de alguns países, e seus povos, à crise das migrações.
Verifico, com desencanto, que na Europa vão triunfando os populismos, de esquerda e direita. Se isso se pode ficar a dever a uma reacção institiva ao período de maiores incertezas que vivemos, aumentado pelo descontentamento das classes médias com o aumento da chamada desigualdade ou disparidade social, não deixa de revelar uma evolução preocupante das nossas sociedades.
Sou daqueles que, contrariamente a vozes bem pensantes, pensa que a Democracia não é o mal menor, muito pelo contrário, é de longe o sistema mais avançado para a resolução dos problemas políticos de uma sociedade, pese embora as suas materializações, como todas as realizações humanas, possam, e devam, ser aperfeiçoadas, quer com base na experiência quer com inspiração nas soluções experimentadas por outros, quer ainda criando soluções novas para os desafios que os tempos vão trazendo.
Porém, um dos riscos maiores da Democracia nestes tempos de inundação de informação e desinformação, é precisamente o advento e triunfo de soluções populistas que prometem qualquer coisa para captar eleitorados, sem que ninguém pareça preocupar-se com a exequibilidade das propostas apresentadas...
Pior ainda quando as soluções apresentadas recorrem a balofas promessas ignotas das experiências passadas e dos péssimos resultados que trouxeram. É, em minha opinião o caso do Sr. Corbyn. Como foi do Sr. Tsipras. E é o caso dos líderes de direita na Hungria ou outros em países de Leste e Sul.
Contudo, escrevo aqui apenas para alertar uma consequência destas evoluções. Quem acompanhe minimamente a política americana certamente que se apercebeu da profunda divisão em que vive aquele povo, com consequências paralizantes na política e radicalizantes na sociedade. O pior exemplo será a audiência que está a merecer o Sr. Trump.
Ora, parece-me que este fenómeno da escolha de líderes bem falantes mas sem substância, ou, pior, como o Sr. Corbyn a propor soluções que já falharam no passado, levará inevitavelmente a uma reprodução do fenómeno americano na Europa. Se lhe acrescentarmos a postura e as motivações do Sr. Putin, estaremos muito próximos de cenários que, no passado, nos trouxeram gravissímas consequências.
Oxalá os Povos tenham aprendido. E os seus líderes moderados estejam atentos. Que há esperança, não restam dúvidas, basta atentar no que se passou nas últimas semanas com a crise das migrações. Mas também há motivos para receios, como o demonstra a incapacidade dos líderes europeus de se entenderem sobre a solução...
Verifico, com desencanto, que na Europa vão triunfando os populismos, de esquerda e direita. Se isso se pode ficar a dever a uma reacção institiva ao período de maiores incertezas que vivemos, aumentado pelo descontentamento das classes médias com o aumento da chamada desigualdade ou disparidade social, não deixa de revelar uma evolução preocupante das nossas sociedades.
Sou daqueles que, contrariamente a vozes bem pensantes, pensa que a Democracia não é o mal menor, muito pelo contrário, é de longe o sistema mais avançado para a resolução dos problemas políticos de uma sociedade, pese embora as suas materializações, como todas as realizações humanas, possam, e devam, ser aperfeiçoadas, quer com base na experiência quer com inspiração nas soluções experimentadas por outros, quer ainda criando soluções novas para os desafios que os tempos vão trazendo.
Porém, um dos riscos maiores da Democracia nestes tempos de inundação de informação e desinformação, é precisamente o advento e triunfo de soluções populistas que prometem qualquer coisa para captar eleitorados, sem que ninguém pareça preocupar-se com a exequibilidade das propostas apresentadas...
Pior ainda quando as soluções apresentadas recorrem a balofas promessas ignotas das experiências passadas e dos péssimos resultados que trouxeram. É, em minha opinião o caso do Sr. Corbyn. Como foi do Sr. Tsipras. E é o caso dos líderes de direita na Hungria ou outros em países de Leste e Sul.
Contudo, escrevo aqui apenas para alertar uma consequência destas evoluções. Quem acompanhe minimamente a política americana certamente que se apercebeu da profunda divisão em que vive aquele povo, com consequências paralizantes na política e radicalizantes na sociedade. O pior exemplo será a audiência que está a merecer o Sr. Trump.
Ora, parece-me que este fenómeno da escolha de líderes bem falantes mas sem substância, ou, pior, como o Sr. Corbyn a propor soluções que já falharam no passado, levará inevitavelmente a uma reprodução do fenómeno americano na Europa. Se lhe acrescentarmos a postura e as motivações do Sr. Putin, estaremos muito próximos de cenários que, no passado, nos trouxeram gravissímas consequências.
Oxalá os Povos tenham aprendido. E os seus líderes moderados estejam atentos. Que há esperança, não restam dúvidas, basta atentar no que se passou nas últimas semanas com a crise das migrações. Mas também há motivos para receios, como o demonstra a incapacidade dos líderes europeus de se entenderem sobre a solução...
quinta-feira, setembro 10, 2015
Pires Veloso
O antigo comandante da Região Militar do Norte, tão importante para aquilo que não ficou a ser o nosso País, vai merecer, finalmente, uma nova homenagem da Cidade do Porto. É já na próxima semana.
quarta-feira, setembro 09, 2015
A Europa, os líderes e os povos
A propósito desta chamada "crise dos migrantes", apetece-me partilhar algumas reflexões. Fiquei surpreendido, mas agradecido, pela liderança assumida pela Chanceler Merkel nesta matéria. Surpreendido porque não contava que ela assumisse uma posição tão clara e tão corajosa, numa matéria onde não era evidente que teria o apoio da maioria das populações.
Fiquei ainda surpreendido porque não esperava a reação de solidariedade que se lhe seguiu, um pouco por toda a Europa.
E agradecido, porque não tenho dúvidas de ser este o único caminho para um cristão. É evidente que as causas que estão na origem deste fenómeno devem ser estudadas e compreendidas, para poderem ser combatidas e, oxalá, um dia eliminadas.
Mas a sua existência e a eventual cumplicidade do Ocidente não invalida o fenómeno interpessoal que provoca: milhares de pessoas vêem-se obrigadas a abandonar casas, posses e familiares para tentar uma vida melhor, por vezes apenas uma vida decente.
Não há como não responder presente e apoiar na medida do possível a acolher essas pessoas.
Por outro lado, espanta-me e desagrada-me o que se passa na Hungria. Certamente haverá muitas razões locais para o explicar, mas há uma que me interessa destacar: a posição dos líderes hungaros, pelo contraste com a da Chanceler Merkel. E o que provoca, ou liberta, de desumanidade entre os cidadãos.
Entre as duas posições não creio que possa haver sequer escolha, para um cristão, pese embora os riscos que lhes estão associados. Certamente que a integração destes milhares de pessoas colocará desafios que terão de ser inteligentemente ultrapassados, para evitar que se materializem em desintegrados, excluídos e revoltados, com todas as consequências que isso poderá trazer.
Mas convém não esquecer que a desumanização do outro por interesses egoístas sempre conduziu à materialização de riscos muito maiores e de piores consequências, na pior das hipóteses, a guerra...
Além disso, há um princípio que me rege na vida e que espero nunca esquecer: perante imperativos morais, não se pode hesitar, sejam quais forem os custos. E neste aspeto particular, agradeço à Chanceler Merkel o exemplo, a clareza, a visão e a força.
Fiquei ainda surpreendido porque não esperava a reação de solidariedade que se lhe seguiu, um pouco por toda a Europa.
E agradecido, porque não tenho dúvidas de ser este o único caminho para um cristão. É evidente que as causas que estão na origem deste fenómeno devem ser estudadas e compreendidas, para poderem ser combatidas e, oxalá, um dia eliminadas.
Mas a sua existência e a eventual cumplicidade do Ocidente não invalida o fenómeno interpessoal que provoca: milhares de pessoas vêem-se obrigadas a abandonar casas, posses e familiares para tentar uma vida melhor, por vezes apenas uma vida decente.
Não há como não responder presente e apoiar na medida do possível a acolher essas pessoas.
Por outro lado, espanta-me e desagrada-me o que se passa na Hungria. Certamente haverá muitas razões locais para o explicar, mas há uma que me interessa destacar: a posição dos líderes hungaros, pelo contraste com a da Chanceler Merkel. E o que provoca, ou liberta, de desumanidade entre os cidadãos.
Entre as duas posições não creio que possa haver sequer escolha, para um cristão, pese embora os riscos que lhes estão associados. Certamente que a integração destes milhares de pessoas colocará desafios que terão de ser inteligentemente ultrapassados, para evitar que se materializem em desintegrados, excluídos e revoltados, com todas as consequências que isso poderá trazer.
Mas convém não esquecer que a desumanização do outro por interesses egoístas sempre conduziu à materialização de riscos muito maiores e de piores consequências, na pior das hipóteses, a guerra...
Além disso, há um princípio que me rege na vida e que espero nunca esquecer: perante imperativos morais, não se pode hesitar, sejam quais forem os custos. E neste aspeto particular, agradeço à Chanceler Merkel o exemplo, a clareza, a visão e a força.
segunda-feira, setembro 07, 2015
Segurança Social
Certos partidos políticos e as suas campanhas eleitorais, o caso Marquês, a bola, não têm sido amigos dos temas verdadeiramente importantes para o momento político actual.
A segurança social merece análise, discussão e propostas concretas.
É para todos, ou vai acabar por ser só para alguns?
Aqui fica um artigo interessante sobre o assunto, como ponto de partida e desafio no Nortadas.
segunda-feira, agosto 31, 2015
Morreu o antigo diretor do "Jornal de Notícias" Frederico Martins Mendes
Frederico Martins Mendes foi um exemplo como Homem e Jornalista!
Guardo na memória o projecto de um grupo de rapazes da zona do Porto para realizar, no final dos anos oitenta, campeonatos amadores de futebol. Criou-se o CGR. Juntámos forças, conseguimos apoios e lá fomos.
Alemanha, passaportes, campos relvados, grandes organizações e diversões.
O "nosso" JN ao saber do tema, desde 25.6.1988, nunca mais deixou de relatar a nossa aventura. Que se repetiu, ano após ano, noutros torneios, até ao pendurar das chuteiras dos estudantes.
Uns rapazes do Porto que só queriam fazer desporto e conhecer outras paragens!
Ao tempo não era fácil.
O JN, por iniciativa do Sr. Eng.º, director adjunto do jornal, deu alento à nossa ambição e divulgou a nossa "arte" e espírito de aventura.
Obrigado e até sempre Senhor Eng.º Frederico Martins Mendes!
sexta-feira, julho 31, 2015
A Coligação: depois do programa, as listas
A coligação apresentou o seu programa: http://www.portugalafrente.pt/linhasprogramaticas.html .
Existem muitas medidas importantes e interessantes, bem como propostas mais ou menos mediáticas como aqui .
A verdade é que a campanha vai ser interessante, mais a mais num período de melhorias e depois do dia em que os candidatos estão escolhidos como podemos ler aqui .
Quem dizia que para o PS eram favas contadas, para mim, enganou-se.
Existem muitas medidas importantes e interessantes, bem como propostas mais ou menos mediáticas como aqui .
A verdade é que a campanha vai ser interessante, mais a mais num período de melhorias e depois do dia em que os candidatos estão escolhidos como podemos ler aqui .
Quem dizia que para o PS eram favas contadas, para mim, enganou-se.
terça-feira, junho 30, 2015
Só para lembrar
O Parlamento em reunião
plenária na próxima sexta-feira, 3 de Julho, vai apreciar a Iniciativa Legislativa de
Cidadãs/ãos denominada Lei de apoio à maternidade e paternidade, do
direito a nascer, e promovida pela Plataforma pelo Direito a Nascer.
O eleitorado vai estar ainda mais atento.
Mais a mais considerando a forma, lamentável, como o processo foi conduzido como relatado aqui.
segunda-feira, junho 29, 2015
Ainda a natalidade e os seus efeitos
...."A população portuguesa acompanha esta
evolução demográfica. A taxa de natalidade reduziu substancialmente de 24,1 %
em 1960 para 7,9 % em 2013, enquanto a esperança de vida aos 65 anos apresentou
uma evolução superior à média europeia, passando de
12,4 anos em 1960 (77,4 anos), para 18,97 anos em 2013 (83,97 anos). Estas alterações
levaram a que o índice de envelhecimento em Portugal tenha aumentado
significativamente, evoluindo de apenas 27 pessoas, em 1960, com 65 ou mais
anos por cada 100 habitantes com menos de 14 anos, para 133,5, em 2013.
Este
peso de pessoas com mais de 65 anos irá recair sobre a atual geração que terá
de suportar, com os seus descontos, um maior número de pensões, pagas durante
mais tempo"....
Quem o diz é o:
Decreto-Lei n.º 119/2015, de 29 de junho, que aprova o novo Regulamento da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores.
quinta-feira, junho 25, 2015
Porto, S. João e não só
As imagens da última semana com milhares de pessoas a encher a "Avenida dos Aliados" são, sem sombra de dúvidas, impressionantes.
Impressionantes não só pelo número de pessoas presentes mas pela alegria que transbordavam. Outros tempos ali vivi com tanta ou mais gente como esta, mas os sons que então se faziam ouvir não eram gargalhas nem música, mas sim slogans políticos e estados de alma fervorosos em favor da liberdade.
Mas é também de liberdade que se pode falar ao sentir o que hoje se passa na cidade do Porto.
Tal como uma árvore não faz uma floresta, também um presidente de câmara não molda uma cidade. E, como tal, o Porto de hoje é assim fruto de um acumular de riquezas, de obras bem feitas, de obras mal feitas e de obras por fazer.
O Porto é hoje, sem sombra de dúvida, uma cidade que recuperou a sua alegria de viver e de nela viver. Que recuperou o seu orgulho próprio, que grita a pulmões desabridos a sua liberdade e a sua diferença positiva.
Não iria puxar o filme muito atrás, até porque mais vale falar do que "vivenciei" e de certa forma participei do que ir falar do que ouvi dizer.
Fico-me portanto pelos mandatos de Fernando Gomes, Rui Rio e claro agora de Rui Moreira. Todos eles personalidades com maneiras de ser diferentes, todos eles enquadrados em realidades e momentos especiais. E todos nós somos frutos dos momentos e das suas circunstâncias.
Os mandatos de Fernando Gomes ficam positivamente marcados pelo parque da cidade, pelo lançamento do metro, pelo lançamento da capital europeia da cultura. E pela defesa reivindicativa do porto enquanto pólo agregador de uma região. Ao seu lado negativo, e que na altura me encarreguei de politicamente o criticar, muito há a apontar e desde logo um excesso de cumplicidades. E como o Porto lhe serviu para outros voos, que de resto vieram a demonstrar serem errados, acabou por pagar bem caro esta "arrogância" com a sua derrota eleitoral.
Os mandatos de Rui Rio ficam inegavelmente marcados pela eficiência na reorganização dos serviços da câmara, pelas contas em dia ou "à moda do porto" fundamental para o futuro desta cidade. Pela solução de vários problemas nos bairros sociais, Aleixo infelizmente ficou a meio. E também pela melhoria da mobilidade na cidade com avanços fundamentais com o metro. Mas ficam igualmente positivamente marcados pela separação dos poderes autárquicos e futebolísticos. Com o que de bom isso representou mas também com o lado negativo que originou, pois ao criar um corte com um dos principais símbolos da cidade, o FCP, essa sua postura "contagiou" para o relacionamento com outras forças vivas da cidade. Nomeadamente a cultura e animação.
Mas o resultado é francamente positivo, sendo hoje Rui Rio um potencial candidato a PM ou a Presidente da República. E tal só está ao alcance de quem tenha granjeado respeito e reconhecimento de obra bem feita.
E chegamos a Rui Moreira e ao que eu baptizaria como o mandato da "reconciliação".
O porto de hoje é uma cidade una, fruto de várias partes. Aqui respiram os portuenses que aqui vivem, os que para aqui vêm trabalhar e os turistas que a visitam e que são cada vez mais.
Os portuenses, esses, pessoas ou instituições, "libertaram-se" de umas supostas "amarras". Há um sentimento de pertença a um movimento maior do que a cidade. De uma felicidade extrema.
Os teatros estão cheios, os restaurantes idem, abrem hostels como quem come sardinhas no s.joão, a economia sente-se mais vibrante.
É apenas o turismo e animação clamam logo as vozes do restelo. Mas não é só. Graças a um trabalho de todos (autarquias e governo) e de cada um de nós no seu papel, sentimos que temos feito um caminho duro mas reconfortante para sair da crise, seja ela económica ou de valores.
Gritamos pelas vitórias do Mourinho, do Miguel Oliveira, do Tiago Monteiro, da Telma Monteiro, dos surfistas que foram vice-campeões do mundo.....
Afinal não somos tão maus como pensávamos.....
E as gentes do Porto estavam a precisar de sentir essa "reconciliação" com o orgulho de ser tripeiro. E os portugueses já agora também. (saudades das bandeiras nas janelas).
O porto gosta de ver um presidente que joga matraquilhos, que dança na rua, que faz parte da sua cidade. Faz tudo bem? Quem o faz? E decidir é também propício a errar. E só erra quem decide.
O porto fica cansado com tanta actividade do seu vereador da cultura. Prémio merecido o atribuído pela sociedade portuguesa de autores e que o premiou como o melhor vereador da cultura.
Há também as formiguinhas que fazem o seu trabalho, é certo. No futebol chamam-se os carregadores de piano e que assim permitem que os artistas brilhem. E estes têm brilhado.
Para quem sempre defendeu e amou a sua cidade, e por ela se tem sempre batido, é bom sentir essa "reconciliação".
Haverá erros, mas como eu costumo dizer aos que comigo trabalham:
"vamos seguramente errar, mas pelo menos que sejam erros novos".
Era isto em rescaldo de s.joão.
Impressionantes não só pelo número de pessoas presentes mas pela alegria que transbordavam. Outros tempos ali vivi com tanta ou mais gente como esta, mas os sons que então se faziam ouvir não eram gargalhas nem música, mas sim slogans políticos e estados de alma fervorosos em favor da liberdade.Mas é também de liberdade que se pode falar ao sentir o que hoje se passa na cidade do Porto.
Tal como uma árvore não faz uma floresta, também um presidente de câmara não molda uma cidade. E, como tal, o Porto de hoje é assim fruto de um acumular de riquezas, de obras bem feitas, de obras mal feitas e de obras por fazer.
O Porto é hoje, sem sombra de dúvida, uma cidade que recuperou a sua alegria de viver e de nela viver. Que recuperou o seu orgulho próprio, que grita a pulmões desabridos a sua liberdade e a sua diferença positiva.
Não iria puxar o filme muito atrás, até porque mais vale falar do que "vivenciei" e de certa forma participei do que ir falar do que ouvi dizer.
Fico-me portanto pelos mandatos de Fernando Gomes, Rui Rio e claro agora de Rui Moreira. Todos eles personalidades com maneiras de ser diferentes, todos eles enquadrados em realidades e momentos especiais. E todos nós somos frutos dos momentos e das suas circunstâncias.
Os mandatos de Fernando Gomes ficam positivamente marcados pelo parque da cidade, pelo lançamento do metro, pelo lançamento da capital europeia da cultura. E pela defesa reivindicativa do porto enquanto pólo agregador de uma região. Ao seu lado negativo, e que na altura me encarreguei de politicamente o criticar, muito há a apontar e desde logo um excesso de cumplicidades. E como o Porto lhe serviu para outros voos, que de resto vieram a demonstrar serem errados, acabou por pagar bem caro esta "arrogância" com a sua derrota eleitoral.
Os mandatos de Rui Rio ficam inegavelmente marcados pela eficiência na reorganização dos serviços da câmara, pelas contas em dia ou "à moda do porto" fundamental para o futuro desta cidade. Pela solução de vários problemas nos bairros sociais, Aleixo infelizmente ficou a meio. E também pela melhoria da mobilidade na cidade com avanços fundamentais com o metro. Mas ficam igualmente positivamente marcados pela separação dos poderes autárquicos e futebolísticos. Com o que de bom isso representou mas também com o lado negativo que originou, pois ao criar um corte com um dos principais símbolos da cidade, o FCP, essa sua postura "contagiou" para o relacionamento com outras forças vivas da cidade. Nomeadamente a cultura e animação.
Mas o resultado é francamente positivo, sendo hoje Rui Rio um potencial candidato a PM ou a Presidente da República. E tal só está ao alcance de quem tenha granjeado respeito e reconhecimento de obra bem feita.
E chegamos a Rui Moreira e ao que eu baptizaria como o mandato da "reconciliação".
O porto de hoje é uma cidade una, fruto de várias partes. Aqui respiram os portuenses que aqui vivem, os que para aqui vêm trabalhar e os turistas que a visitam e que são cada vez mais.
Os portuenses, esses, pessoas ou instituições, "libertaram-se" de umas supostas "amarras". Há um sentimento de pertença a um movimento maior do que a cidade. De uma felicidade extrema.
Os teatros estão cheios, os restaurantes idem, abrem hostels como quem come sardinhas no s.joão, a economia sente-se mais vibrante.
É apenas o turismo e animação clamam logo as vozes do restelo. Mas não é só. Graças a um trabalho de todos (autarquias e governo) e de cada um de nós no seu papel, sentimos que temos feito um caminho duro mas reconfortante para sair da crise, seja ela económica ou de valores.
Gritamos pelas vitórias do Mourinho, do Miguel Oliveira, do Tiago Monteiro, da Telma Monteiro, dos surfistas que foram vice-campeões do mundo.....
Afinal não somos tão maus como pensávamos.....
E as gentes do Porto estavam a precisar de sentir essa "reconciliação" com o orgulho de ser tripeiro. E os portugueses já agora também. (saudades das bandeiras nas janelas).
O porto gosta de ver um presidente que joga matraquilhos, que dança na rua, que faz parte da sua cidade. Faz tudo bem? Quem o faz? E decidir é também propício a errar. E só erra quem decide.
O porto fica cansado com tanta actividade do seu vereador da cultura. Prémio merecido o atribuído pela sociedade portuguesa de autores e que o premiou como o melhor vereador da cultura.
Há também as formiguinhas que fazem o seu trabalho, é certo. No futebol chamam-se os carregadores de piano e que assim permitem que os artistas brilhem. E estes têm brilhado.
Para quem sempre defendeu e amou a sua cidade, e por ela se tem sempre batido, é bom sentir essa "reconciliação".
Haverá erros, mas como eu costumo dizer aos que comigo trabalham:
"vamos seguramente errar, mas pelo menos que sejam erros novos".
Era isto em rescaldo de s.joão.
quinta-feira, junho 18, 2015
sexta-feira, junho 12, 2015
Manuela Moura Guedes abandonou o programa da RTP “Barca do Inferno”, na noite de segunda-feira
Não vi o programa, mas depois fui ver e ouvir o que se passou.
O Serviço público de Televisão não pode ser isto. Como telespectador, não gosto do que vi e ouvi.
A taxa para o audiovisual não pode ser assim empregue.
Quem escolheu o programa, as convidadas, o moderador deve assumir as suas responsabilidades.
Deve ser substituído!
A RTP deve pedir desculpa aos contribuintes e garantir que tudo fará para que idêntica situação não se repita.
Começando por retirar o programa da grelha.
É o mínimo!
segunda-feira, junho 08, 2015
quarta-feira, junho 03, 2015
Über alles
Imaginemo-nos em 1488, data em que foi impresso o primeiro
livro em Portugal em português. Tratava-se do “Sacramental” da autoria de
Clemente Sánchez de Verdial . Imaginemos que os copistas lusitanos que nessa
época reescreviam à mão os livros então disponíveis se organizavam para
contestarem a oferta ao público de livros impressos alegando que se trataria de
concorrência desleal e de uma prática perigosa por permitir uma divulgação
incontrolada de textos sabe-se lá escritos por quem. Imaginemos ainda que o rei
D. João II alinhava com os copistas e decidia proibir a venda de livros
impressos e ordenava mesmo a destruição das impressoras que existissem no
reino.
Felizmente não consta que nada disso tenha acontecido.
O frenesim que por aí vai contra o serviço de transporte
Uber parece-me uma indignação de copistas contra a letra impressa. Posso
compreender que os taxistas das nossas praças se incomodem com a novidade que
lhes perturba o remanso ou que os burocratas de pacotilha lamentem a eventual perda
de taxas, de alvarás e de licenças. Há dias esses mesmos falavam em criar uma
nova taxa de 20 euros a pagar pelos clientes dos táxis dos aeroportos. Se os
portuenses soubessem o que se passa e como se organiza o escalonamentos dos
táxis no aeroporto Sá Carneiro haveriam de corar de vergonha pois a coisa não é
muito diferente dos arranjos que vigoram no aeroporto de Luanda ou de outro
país do terceiro mundo. Mas o que parece extraordinário é que os poderes
públicos vigentes façam o que o D. João II não fez e alinhem nesta fantochada
de tapar o sol com uma peneira.
Sim, é verdade que não consta que um fornecedor da Uber
tenha espancado uma rapariga no centro do Porto ou enganado um turista
desembarcado em Campanhã ou em Pedras Rubras; sim, é verdade que um fornecedor
da Uber é classificado pelo utente após cada serviço; sim, é verdade que o
sistema Uber permite conhecer em tempo real o percurso do automóvel que foi
pedido e o tempo que vai demorar a chegar; sim, é verdade que o serviço Uber
não envolve troca de dinheiro vivo pois o pagamento é debitado directamente na
conta do titular do cartão de crédito; sim, é verdade que o serviço Uber tem
vantagens de preço e de custos ambientais muito interessantes. Enfim, tudo
inconvenientes gravíssimos e de alto risco!!!
Entretanto, bloqueiam à chinesa os sites da Uber, notificam
as operadoras telefónicas para cortarem as comunicações (operadoras que
sovieticamente se vergam à ordem) e até o Banco de Portugal estuda a maneira de
congelar os pagamentos. Estamos-nos a transformar num país de treta, essa é que é essa. Podem
vender a TAP, os comboios, a Efacec, os bancos, a PT, a Galp, a Cimpor, as
águas, o Metro e a STCP, os hospitais e as escolas, mas os táxistas hão-de ser
nossos!!! Olarilolé!
Pensando bem, devíamos
era acabar com os computadores e voltar à lousa e ao lápis de carvão. Isso é
que seria patriótico. E já agora, juntem-lhe um manjerico com uma quadra catita.
Palavras chave:
douro,
o progresso é perigoso,
táxis,
Uber
Projecto de programa eleitoral do PS - 2015
O projecto de
programa eleitoral do PS 2015 custa a ler, mas tem logo algo a destacar na página 6:
• A garantia de proteção e defesa do titular de cargos políticos ou públicos contra a utilização abusiva de meios judiciais e de mecanismos de responsabilização como forma de pressão ou condicionamento;
• A delimitação rigorosa e objetiva das situações em que deva existir responsabilização financeira dos titulares de cargos políticos e públicos, reduzindo situações de discricionariedade ou incerteza e identificando precisamente quando se verificam comportamentos negligentes.
E na página 11:
- Rever o conceito de prisão por dias livres e a aplicação de penas curtas de prisão em casos de baixo risco;
- Introduzir o conceito de pena contínua de prisão na habitação com vigilância eletrónica com possibilidade de saída para trabalhar.
Não me está a agradar!
Subscrever:
Mensagens (Atom)




