terça-feira, novembro 18, 2014

Postiga vrs Nogueira

A propósito do jogo de hoje, por ter ouvido, na TSF, Bruno Nogueira lembrei-me que Nogueira está para o humor como Postiga para a bola.
 
São esforçados, respeitam os cadernos de encargos, mas não dá! Não vale a pena insistir. Nem se percebe o motivo.
 
Façam-nos um favor: nem para o banco!
 
Ainda assim, na verdade, talvez Postiga esteja um "furito" acima de Nogueira.
 

domingo, novembro 16, 2014

CREU

 
 
Vale a pena saber mais sobre o Centro Universitário Católico que tem marcado, positivamente, tantas pessoas.
 
Aqui podemos perceber melhor este, notável, trabalho dos Jesuítas no Porto.
 
Na festa de hoje, na Missa das sete em Cedofeita, D. António Francisco,  Bispo do Porto, a propósito da parábola dos talentos, elogiou e incentivou o Centro de Reflexão e Encontro Universitário que tanto tem feito por multiplicar os bons talentos.
 
Parabéns, pois, ao Creu pelos seus 25 anos!




Douro reina na Wine Spectator


http://2014.top100.winespectator.com/

quinta-feira, novembro 13, 2014

Por um país livre


Não me importo nada de subscrever o que hoje escreve Francisco Assis no Público: o comunicado do PCP sobre os 25 anos da queda do muro de Berlim é bem revelador da natureza fascizante, opressiva e revisionista da História que caracteriza aquela agremiação.
Para o PCP, o bloco soviético era o melhor dos mundos e o seu desmoronamento terá sido um desastre.


Mas há uma afirmação de Assis que não acompanho: a de que aqueles comunistas portugueses não andam a enganar ninguém. Não é verdade! No meu entender, o aspecto respeitável do Sr. Jerónimo de Sousa, as respostas prontas dos seus deputados e o discurso melífluo alegadamente em defesa dos trabalhadores engana muitos incautos que não se apercebem de que o poder nas mãos daquela gente transformaria o país num Estado policial cuja primeira vítima seria a liberdade. 

terça-feira, novembro 11, 2014

Os vampiros


Há no pacote de taxas Costa o mais sério aviso a quem candidamente admitiu a possibilidade de o ver um dia como Primeiro-Ministro. 
Como ponto prévio, apresentou o orçamento municipal escandalosamente fora de prazo e subiu impostos desnecessária e estupidamente. Incompetência e más decisões.
Quem viu com olhos de ver a sua traição a Seguro, a tropa de que se fez acompanhar no assalto ao PS e o despudor com que permite que os seus amanuenses enalteçam Sócrates e o seu glorioso passado, não estará propriamente surpreso. 
Podia racionalizar o funcionamento da Câmara de Lisboa, apinhada de amigos, compadres e camaradas. 
Podia acabar com os subsídios fora da lei, como o que deu sem vergonha à fundação do amigo Mário Soares. 
Podia, gerindo bem, começar a tapar os inúmeros buracos de todas as ruas da capital e resolver os problemas crónicos do lixo em Lisboa. Quanto às cheias, já decretou que não há solução...
Enfim, Costa confirma mais uma de entre as piores suspeitas no que toca  ao socialismo luso: Está a crescer? Taxa-se! Quando estiver finalmente a dar prejuízo, subsidia-se!
Os ricos de que Costa gosta, são os que de algum modo vivem na dependência do estado, seja pela empreitada, o fundo ou o subsidio. São cúmplices do amo e vampiros do povo contribuinte.
Quanto à criação de riqueza na economia real, daquela que ajuda o país a andar para a frente, que cria empregos sustentáveis; como deve menos ao Estado e a quem nele manda em cada momento, há que taxar, dissuadir, tolher!
Um dos males desta aristocracia jacobina que se imagina dona do país por direito natural é, como mais uma vez se comprova, uma infinita falta de pudor.
Que sirva ao menos para abrir os olhos ao povo.

segunda-feira, novembro 10, 2014

O nosso umbigo

Os Estados Unidos, a China, o mundo muçulmano e a Rússia, por diferentes motivos, com diferentes objectivos, já deixaram bem claro a consideração que têm pela Europa por pensamentos, palavras, actos e omissões. 
Na Europa, ofendemo-nos com o desinteresse americano, criticamos o protagonismo chinês, tentamos compreender as raízes profundas do ódio muçulmano e não levamos suficientemente a sério a permanente ambição imperialista da Rússia.
Em síntese, vivemos na persistência do erro que, por exemplo, no passado levou à queda da China imperial. O eurocentrismo do século XXI corresponde ao cinocentrismo do século XIX. O mundo não quer saber das ambições autoritárias de Merkel, do desnorte patético de Hollande ou do populismo irresponsável de Cameron. O mundo terá em conta uma Europa que fale a uma só voz com coesão interna, que detenha um sistema de defesa comum articulado e eficaz, que se assuma como um bloco estrategicamente uno, actuante, virado para o mundo. Tudo o resto, lembra em demasia os Imperadores do oriente oitocentista.


domingo, novembro 09, 2014

Café do molhe

                                 
                                                             Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

Que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

                                                    Manuel António Pina

sexta-feira, novembro 07, 2014

O Estado e o euromilhões


Se os meus cálculos não estão errados e as minhas informações estão correctas, o Estado recebeu 18 milhões de euros porque um português acertou num prémio do euromilhões. Ou seja, aquela lotaria não saiu apenas a um felizardo de Castelo Branco: o erário público arrecadou uma maquia sem nada ter apostado. Eu diria que se trata de um caso de dupla tributação, visto que já pagamos imposto no momento da aposta, mas seja.

O que eu gostava de saber é que destino vai o Estado dar a tal montante?
Vai cobrir as despesas do gabinete de um ministro? Vai pagar mais umas viagens ao Dr. Paulo Portas? Vai subsidiar os partidos? Confesso a minha ignorância, mas o que julgo saber é que nem um tostão vai apoiar a Cultura, seja a subvenção de uma orquesta, a contratação de professores para os Conservatórios, o enriquecimento de uma biblioteca ou o programa de aquisições artísticas de um museu nacional.

Em Inglaterra os proventos das lotarias revertem em 40% a favor da cultura (Arts and Heritage) e é graças a isso que os museus britânicos se podem orgulhar de renovarem regularmente as suas colecções e assim manterem um público interessado. Em Portugal exportamos Mirós porque o orçamento não tem um ou dois milhões para licitar um ou dois quadros. Ora parecer-me-ia mais que justo que quando o Estado é desta forma indirecta assim premiado fosse suficientemente transparente e lúcido para agarrar a oportunidade e valorizar, pelo menos numa parte do ganho, o património artístico da Nação.


E já agora, que o fizesse tendo em conta o país real, pois isso de concentrar na capital 10 museus nacionais, salpicando o resto do território com uns outros escassos e pobres seis é tique que merece uma acirrada crítica. Estarei a ver mal?

quinta-feira, novembro 06, 2014

PT... ou talvez não!

Sem querer julgar intenções, para o que não me sinto qualificado, queria apenas lembrar aos mais atentos, e alertar os mais distraídos, que esta ideia de que o Governo, ou as Autoridades, ou quem quiserem, se devem preocupar com o accionariado da PT é que trouxe a empresa aonde ela hoje se encontra.

A mim, pessoalmente, preocupa-me esta devoção que o Terreiro do Paço tem por manter "centros de decisão" e outros eufemismos semelhantes para preservar os empregos dos filhos... Sim, porque quanto ao resto estamos conversados. Se não vejamos.

A Sonae quiz comprar a PT. Tinha um projeto na área de negócio da empresa. Tem centro de decisão nacional e maioria de capitalistas nacionais. Pretendia eliminar o que via como impedimento ao seu próprio crescimento no setor, e assim desenvolvê-lo. Foi impedida com argumentos espúrios, para promoção de uma suposta concorrência. Felizmente, dessa inviesada decisão resultou a ZON que hoje está com a Optimus na NOS, e bem, aparentemente...

Já a PT, continuou subordinada ao Terreiro do Paço, nas mãos dos seus capitalistas e ao serviço da família que ensinava o padre nosso ao vigário... até ao descalabro. Com o nosso dinheiro. E a conivência distraída das nossas instituições de fiscalização, supervisão e outros "ão" que por aí adivinhamos.

A mim o que me preocupa na PT não é saber quem são os seus capitalistas. Prefiro que a empresa esteja em bolsa, porque acredito no capitalismo popular, mas se não for possível, enfim. Gostaria que Portugal tivesse capitalistas com capacidade para controlarem empresas da dimensão da PT, mas enfim...

O que me preocupa é saber se a função da PT, prestar serviços de comunicação, é desempenhada no RESPEITO DA LEI e do interesse nacional (respeito da concorrência, das regras de mercado, da qualidade de serviço, etc).

E já agora, que o Legislador nacional seja capaz de interpretar esse interesse nacional no sentido de proteger o centro de investigação e desenvolvimento da PT em Aveiro e a sua exemplar colaboração com a Universidade da mesma cidade. Quanto ao mais, apenas desejo que não sejam os trabalhadores portugueses da PT os que acabarão por pagar os desmandos de governantes e capitalistas preocupados com a preservação de centros de decisão e outros critérios anti-económicos e opacos de gestão de empresas!!!

quarta-feira, novembro 05, 2014

Irritação moderna




Hoje não me ocorre nada sobre felicidade feminina moderna, mas um montão de coisas sobre irritação, técnicas de venda agressivas e abuso. A fotografia acima reproduzida dá conta do número de chamadas que recebi ontem desde as 12.54 às 15. 39, isto sem fazer a conta a todas as outras que se seguiram ao longo da tarde. O número não está identificado mas pertence à Meo, como tive ocasião de constatar pela primeira chamada que tive o desprazer de atender. O vendedor, que usou aquela técnica de abordagem de que gosto particularmente dada a cacofonia que induz no meu aparelho auditivo, disse: D. Maria Faria podemos conversar? Ao que eu respondi, tá bem, mas depois arrependi-me. Queria vender-me uma pen de internet, que não me faz falta nenhuma. E o que esclareci cordatamente. Mas ele insistiu. Que me ia voltar a contactar. O que fez. Sobejamente ao que se vê. Confesso que não sei que utilidade pretende retirar um vendedor do uso de uma técnica tão agressiva. Nem vejo como o treino de pessoal pode dar resultados tão fracos. O que sei é que estou irritadíssima, e que nunca, mas nunca, em caso algum, vou comprar à Meo uma pen de internet!

Aleixo, o Rio das boas contas e a implusão camarária

O actual executivo liderado por Rui Moreira tem trazido a lume:

O desastre da politica cultural na cidade do Porto nos tempos de Rui Rio
O desastre que foi a entrega do Rivoli a La Feria
O desastre que foi a gestão do Teatro do Campo Alegre
O prejuízo e os valores envolvidos na realização das corridas de carros
O desastre financeiro em que se transformou a demolição do Bairro do Aleixo
As acções movidas contra o Município do Porto com indemnizações que colocam em risco as contas.

Dúvidas não há que Rui Moreira e o actual executivo de maioria socialista estão entretidos a trucidar Rui Rio e os seus.

Começaram por dar-lhes pelouros e funções menos importantes.

Depois colocarem em causa decisões politicas do anterior executivo

Seguiu-se a ameaça de retirada de pelouro a um dos vereadores

E, entretanto, as auditorias que colocam em causa a boa gestão de Rui Rio e dos seu executivo.

Rui Rio, finalmente, percebeu quem é, afinal de contas, o seu carrasco e pouco faltará para até ter saudades de LFM.

E, pergunto:

-onde andam os brilhantes estrategas do PSD de Rui Rio que entregaram a CMP ao PS?

- onde andam os brilhantes estrategas do CDS/PP Porto que de um executivo onde tinham o vice-presidente e dois vereadores apenas têm um vereador?

-como é que os Vereadores do actual executivo que estiveram com Rui Rio podem continuar?

-como é que o actual Presidente e a maioria socialista os podem aceitar como parte do executivo?

-como é que pode haver lealdade e confiança entre membros de um executivo quando parte desses membros assacam responsabilidades ao executivo anterior de que faziam parte membros do actual executivo?


...a bem da Nação

terça-feira, novembro 04, 2014

BACHAREIS

Anda o PS muito zangado com a Senhora Merkel, como respeitosamente a tratam - na verdade, não me lembro que algum outro líder europeu ou mundial seja tratado de "senhor" pela comunicação social e pelos políticos -, porque terá dito que Portugal tem licenciados a mais.
Claro que a minha emoção nacionalista anti teutônica me leva igualmente a reagir com agressividade contra esta atitude condescendente e superior face a uma nação com 800 anos de história.
No entanto, colocando de lado os aspectos de amor próprio nacional, a verdade eh que de um ponto de vista pragmático a chanceler tem razão, embora seja conhecida a aversão do PS pela realidade. Temos, pelo menos, mais licenciados do que aqueles que conseguimos empregar, a avaliar pelos dados estatísticos do desemprego. Eh certo que em muitos casos esta constatação se fica apenas a dever a dificuldades conjunturais da economia.
Todavia, todos sabemos que existem legiões de licenciados que nunca irão obter um emprego em que apliquem a sua formação pela razão simples de que os cursos que frequentaram não tem utilidade alguma, seja enquanto instrumento de formação e educação, seja do ponto de vista estritamente utilitário e pragmático. Talvez não existam licenciados a mais em Portugal, mas seguramente existem muitos licenciados a quem se entregou um diploma irrelevante.

As mulheres são mais felizes?

 
«... É diferente ser-se uma escritora ou um escritor. Não queria ir por aí, não vale a pena as mulheres brandirem essa bandeira. Mas um homem escreve e tem na sua família um exército de gente que ajuda à volta. A mulher tem um exército de gente que impede a escrita” (Lidia Jorge ao Sol)



O que diz a Lidia Jorge na sua entrevista ao Sol, percebe-se, e faz sentido. Quando as mulheres escrevem, fazem-no muitas vezes "apesar" dos outros, contra todas as resistências, as exigências de tempo e outras que lhes colocam, o que não é o caso dos homens que têm esses exercícios facilitados mesmo que partilhem tarefas como é desejável, e como muitos já vão fazendo.
 
Mas o que José António Saraiva depreende a este respeito, se faz sentido, e não há mulher que não o entenda no fim de um dia de trabalho, não é nada do que Lidia Jorge quis dizer.
 
A maravilha histórica de que ele fala, a realização feminina sem limites, incluía dependências várias, entre as quais a não menos importante a da sorte, casamentos arranjados pelos pais, celibatos eternos a servir sobrinhos, exílios em terras distantes de que nunca se tinha ouvido falar e de onde nunca se voltava, filhos ilegítimos dos maridos, e sabe Deus mais o quê. Talvez ele esteja a pensar na felicidade suprema da escrita, a que algumas dessas mulheres se dedicavam quando sabiam escrever, o que muitas não sabiam, sempre às irmãs ou á mãe, naquele tom de vaga beatitude de quem está infinitamente grato porque faz sol ou não faz sol, o caseiro trouxe cerejas, há mais um filho ou um gato, e pouco mais do que isso.
 
A este propósito, só uma história. Há quase duzentos anos, uma menina do Porto chamada Joana, filha de um comerciante de vinhos da nossa praça, casou por imposição paterna com um juiz de fora de Guimarães com mais quase vinte anos do que ela. Foi viver para a Póvoa de Lanhoso onde nunca tinha ido, onde não conhecia ninguém, e que na altura devia parecer um ermo a uma menina de dezoito anos vinda da cidade. Uns tempos depois, escreveu ao pai a queixar-se, que não aguentava a solidão, a falta da família, que queria voltar. A resposta chegou rápida: “minha filha, a vida de menina acabou. Obedeça ao seu marido como se fosse uma escritura”. A menina ficou e obedeceu. Teve oito filhos e a história não acabou mal, porque consta que o meu tetravô não era má pessoa. Foi feliz? A felicidade é um conceito moderno….

O Colar

Reservado a chefes de estado, foi ontem atribuído ao ex-PCE Barroso pelo PR cá do sítio.

Foi só esperar o fim-de-semana dos santos e dos defuntos e zás.

Cavaco, alto e bom som, entendeu aproveitar para declarar a toda a UE que seu ex-PCE teve, durante 10 anos, uma actuação parcial relativamente a Portugal.

Ao enfatizar esta actuação na negociação de fundos europeus, ainda passou um atestado de incompetência ao seu PM, também sorridente na cerimónia.

Durão agradeceu inchado declarando que ele era a prova da bondade do seu desastroso abandono do país em 2004???!!!...

Fazem lembrar os papas, que santificam outros na expectativa da sua retribuição pelos seguintes...

domingo, novembro 02, 2014

A cidade do Porto tem uma palavra a dizer sobre o Museu Soares dos Reis?


Portugal teve as suas épocas áureas em que o país se enriqueceu e se equipou do ponto de vista cultural e artístico com o que de melhor se produzia cá e no estrangeiro. Mas o país foi ciclicamente pilhado por gente de dentro e de fora, quando não destruído por catástrofes naturais como o terramoto de 1755.

Um dos climaxes da pilhagem foi a saída de Junot que, a coberto de uma vergonhosa convenção apadrinhada pelos ingleses, levou centenas de carroças apinhadas de mobílias, bibliotecas, quadros, pratas, porcelanas, etc. Posteriormente, o taticismo militar do Duque de Wellington aquando da terceira invasão francesa pelas tropas de Massena queimou metade do país. Uns e outros roubaram ou destruiram o que de valor havia nas terras por onde passavam.

O cerco do Porto e as lutas fraticidas que se seguiram durante o liberalismo prolongou a devastação do património artístico nacional, com especial destaque para a região norte, tantas vezes abandonada ao pior banditismo e já então ao suganço de um centralismo crescente que importava os salvados para os palácios da capital.

Fialho d’Almeida denunciava veementemente nos “Gatos” em finais do séc. XIX a indiferença política do Estado perante o objecto de arte, quando não era esse mesmo Estado, através da corte ou dos seus agentes, que participava alegremente na espoliação dos bens da nação desviando-os para salões particulares ou desbaratando-os juntos de intermediários de museus estrangeiros que funcionavam mais como larápios do que como amantes de arte.  A este propósito, ficou na memória o testamento vergonhoso de D. Fernando, viúvo de D. Maria II, a favor de uma ex-cantora de ópera, mais tarde condessa d’Edla, e no qual incluia ou pretendia incluir bens da coroa e da nação, tais como o Castelo da Pena e o seu recheio para além de tantos pertences do Palácio das Necessidades.

No período em que se encerravam conventos aos seis ou oito por ano, foi um ver-se-te-avias pelas portas do fundo, a esvaziar os edifícios com a conivência de colegiadas e abadessas, lá ficando apenas algum penico rachado ou tapete esburacado. Registe-se que entre os mais aplicados da matilha estavam os próprios membros das juntas inventariantes que não perdiam a oportunidade de se servirem antes de fazerem uma lista pobre. Um regabofe!

Conclusão: o país não tem um museu decente de artes decorativas a não ser o Museu das Janelas Verdes (Arte Antiga; Lisboa) e, no Porto, uma ou duas salas tristes no Soares dos Reis.

Voltaremos para ver mais de perto este Museu Soares dos Reis, que sendo nacional mas sediado no Porto, é a meu ver revelador de uma visão empobrecida, senão provinciana, de um centralismo cultural que não deixa de ser indigente. A cidade do Porto talvez tenha uma palavra a dizer sobre o assunto.