domingo, julho 13, 2014
Final: Coreia do Norte / Portugal
A imaginação do regime norte-coreano não tem limites.
Desconfio que vamos perder esta final da Copa do Mundo.
quinta-feira, junho 26, 2014
Lisboa, um certo olhar ou um olhar certo
Lembram-se de vos
falar nos « City Books » ?
Este sobre Lisboa
inclui um conto (a meu ver, uma pérola) de Sus Van Elzen e fotos (um olhar
muito especial) de Maria Fialho.
O conto está
disponível em várias línguas e as fotos em língua universal. Tudo ali
terça-feira, junho 24, 2014
Por que a economia não cresce? IX - A César o que é de César...
Porquê
então? O que a impede?
Será
a globalização? Será o euro? Será o custo energético? Será a dívida e o crónico
défice? Será a UE ou a Sr.ª Merkel? Será, na palavra da moda, a crise? Será
tudo junto e algo mais?
Cuido
que, embora circunstâncias destas possam sempre afectar mercados, logo a
economia, mais não são que problemas ou situações conjunturais. A economia é um
processo dinâmico. Uma economia saudável sempre reage e se adapta às evoluções
conjunturais, encontrando o caminho da continuidade, do progresso tecnológico e
do crescimento.
O
problema é que a nossa economia não é saudável. Nem nunca o será enquanto não
se conseguir libertar das garras das elites partidárias que lhe sugam o sangue.
É,
pois, condição base que estas elites deixem de concentrar o poder político,
permitindo a sua real descentralização e que deixem de interferir abusiva e directamente
na economia, permitindo o seu normal desenvolvimento. Ao Estado o que é do
Estado e à Economia o que é da Economia. Que as instituições económicas passem
a estar ao serviço da economia e não dos interesses das mesmas elites. Que o
estado cumpra a sua missão de a regular e de lhe prestar serviços de qualidade.
Em resumo, que a democracia seja efectivamente transportada do papel para a
vida e os partidos postos apenas ao seu serviço, garantindo-lhe o imprescindível
pluralismo.
Como
tal poderá acontecer é pois a questão central. Há quem argumente que apenas por
via duma revisão constitucional. Ou tão só pela revisão do sistema eleitoral.
Ou ainda por mais limitações de mandatos. Ou mesmo por uma maior regulação de
interesses conflituantes.
Tenho
para mim que nestas coisas não há respostas, mas tão só percursos. A democracia
também é um processo dinâmico e em permanente evolução. Uma democracia evoluída
é a que consegue criar e consolidar formas de contrariar e de limitar os abusos
do poder. Alguns remendos legislativos poderão ajudar, mas tudo terá de porvir
em primeiro lugar da pressão social sobre as elites políticas.
Neste
particular, sentem-se positivos indícios no ar. Desde logo o pessoal já começou
a tomar consciência que a presente crise tem origem nos desmandos das elites
políticas que nos têm desgovernado e a perceber que a factura da “obra feita”, com
que lhe compravam os votinhos, a final lhe foi cair nos bolsos. Voltando a
sentir que o voto já poderá alterar algo, vai saltando da abstenção para branco/nulo
ou para pequenos partidos de protesto.
Mas
a crise trouxe ainda a vantagem de estreitar os percursos possíveis, assim limitando
as guloseimas às mesmas elites partidárias. Um claro sintoma disto é-nos dado pelos
chamados barões, baronesas ou baronetes das elites partidárias, que
publicamente vemos hoje de mãos dadas a vociferar contra tudo o que lhes faz
recear pela não recuperação das benesses e influências do passado. Quem há 3
anos poderia imaginar Marques Mendes e João Semedo, Soares e Jerónimo de Sousa,
Bagão Félix e António Seguro, Ferreira Leite e Sócrates, Marcelo e Louçã, António
Costa e Pacheco Pereira, todos em uníssono contra a actual governação?
Outro
sintoma está ainda patente na presente luta de galos no PS em que as suas velhas
elites, percebendo que o bolo está a ficar reduzido, tentam desesperadamente
garantir fatias para si, aliciando para tanto as suas bases de apoio com a perigosa
ilusão que, com eles, a distribuição de benesses do estado poderá ser continuada
e o inerente endividamento poderá ser facilitado, tanto pela renegociação como
pela europeização da dívida.
O
mesmo faz P. Portas quando anuncia a saída da troika como o novo 1º de Dezembro.
Claro que, num país em que mais de metade da população come à mesa do orçamento
do estado, tudo isto é ainda um risco. Mas, como esta crise também afecta o
euro, igualmente este risco, para além dos limites das reformas internas já
produzidas, começa ainda a ficar balizado pelas recentes reformas europeias, tanto
no controlo do sistema financeiro como o tratado orçamental.
O
caminho a percorrer será duro e lento, pois mesmo que a democracia evolua, a
economia tem ainda de ultrapassar os desmandos do passado, nomeadamente o peso
das dívidas que as elites partidárias sobre ela fizeram recair e a sua pequena
dimensão, resultante do empobrecimento a que a foram sistematicamente condenando.
Mas
se a política assim o permitir, a economia acontecerá!
sexta-feira, junho 20, 2014
Alexandra Teté, CDS Distrital do Porto
Será que é desta que o Distrito do Porto vai ter uma Presidente da CPD do CDS?
Alexandra Teté
deu pontapé de saída, aqui
Alexandra Teté
deu pontapé de saída, aqui
quinta-feira, junho 19, 2014
Por que a economia não cresce? VIII - Troikas e baldroikas
Para
as elites partidárias manterem os proveitos da concentração do poder, a
distribuição de benesses do estado às suas bases de apoio e a abusiva
ingerência na economia, limitando-lhe o crescimento a ponto de dela já não
poderem retirar muito mais, na governação recorriam ao endividamento do estado.
Quando as outras economias fechavam a torneira, o país via-se na bancarrota.
Uma vez que corrigir os problemas estruturais poria em causa todas as benesses
que retiravam do poder, lá iam de mão estendida bater à porta do FMI que lhes emprestava
mais uns dinheiritos a troco dumas conjunturais políticas monetárias, cuja factura
era de novo endossada à economia. Passado o sufoco a vida continuava igual.
Como
a adesão ao euro deixou de permitir resolver a coisa com meras políticas
monetárias, além de que os excessivos défices e endividamento do estado já
afectavam a própria moeda, da última vez o FMI viu a ajuda repartida com os,
nestas andanças inexperientes, BCE e CE, que a troco de ajuda própria, e em
defesa do euro, lá esboçaram um plano conjunto capaz de corrigir alguns dos
graves problemas estruturais de que o estado e a economia padeciam.
Este
plano, a implementar em três anos, previa medidas na regulação e supervisão do
sector financeiro (que ainda beneficiava de uma almofada de capital), na
estrutura fiscal, no mercado de trabalho e educação, no mercado de bens e
serviços, no mercado habitacional, na justiça e na concorrência, que
efectivamente têm vindo a ser adoptadas, posto que a implementação prática de
várias delas ainda deixe muito a desejar, como é o caso da justiça, da energia,
das PPP’s, dos transportes ou das administrações públicas.
Para
além destas importantes medidas estruturais, o plano incluía ainda alguns
conjunturais deve/haver para correcção em simultâneo do crónico défice público,
o que deveria ser feito em apenas 1/3 por via da receita fiscal, sendo os
restantes 2/3 por cortes na despesa.
Como
o grosso destes cortes incidiam nas facturas públicas mais pesadas (salários e
pensões) e eram visíveis no recibo do final do mês, coisa que antes não sucedia
com as políticas monetárias, o pessoal começou a berrar, o que o partido que
solicitara a ajuda e subscrevera o plano, mas agora na oposição, aproveitou
para dar forte eco. Encontrando firmeza na governação mas fraqueza na
presidência, que subscrevia as medidas ao mesmo tempo que dizia ter dúvidas
constitucionais, optou por clamar pela intervenção do TC que logo decidiu: nos
nossos bolsos não se mexe, siga pois a receita do costume (+ impostos, - pensões).
Incentivado por esta decisão, ficou criada a estranha moda de lhe submeter as
demais medidas orçamentais extraordinárias (feitiço que mais tarde se virará
contra o feiticeiro).
Em
resultado, a pobre e endividada economia viu-se afogada em mais impostos, cujo
peso já vai em 1/3 da riqueza que ainda consegue gerar, tendo como reverso a
persistência de um elevado desemprego.
Assim
continuando a ser o que a política quer ou lhe permite ser!
segunda-feira, junho 16, 2014
'Des Gens Très Bien'
Em Janeiro de
2011 a editora francesa Grasset publicou um livro de Alexandre Jardin
intitulado “Des gens très bien”.
Nesse livro o
autor revelou o passado colaboracionista da sua família com o regime de Vichy e
meteu a nú a hipocrisia das ‘elites’ politico-financeiras francesas, Miterrand
incluido, que saltitaram alegremente das ‘raffles’ contra os judeus e negócios
obscuros com o ocupante nazi para a IV República onde continuariam a prosperar,
uma vez escondido o lixo sórdido debaixo dos tapetes Aubusson dos salões de
Matignon e do palácio do Eliseu.
Por alguma razão
lembrei-me desse livro ao ler o último Expresso na parte em que relata a turbulência
que atinge o grupo Espírito Santo, os respectivos bancos e holdings, os seus
negócios angolanos e os seus ramos familiares. Nem sei o que mais me espanta:
se o aspecto patético do sacudir de culpas para o contabilista (ou da D.Inércia?), se a dimensão
dos montantes ‘desaparecidos’, se a displicência dos responsáveis, se a
relativa desvalorização que as autoridades competentes parecem emprestar ao
caso. Dir-se-ia, afinal, que tudo não passaria de um infeliz erro técnico a que
se juntaria uma desatenção distraída.
Num país a sério,
aquela trupe já estaria toda detida para averiguações e impedida de comunicar
entre si. Mas nós vivemos num país em que o Governador do Banco de Portugal,
instituição que ajudou a prescrever uma coima de milhões, foi há dias dizer a
uma instância que ele não estava a par da totalidade das off-shores que o
Millennium BCP, de que era na altura Director, havia constituido por esse mundo
fora. Nós vivemos num país em que há sempre um Júdice ao lado de um Rendeiro,
um Proença a representar um Sócrates e um Cavaco a abraçar um Loureiro.
Que uma parte da
família Espírito Santo ache piada em ir de vez em quando brincar aos
pobrezinhos para os lados da Comporta é assunto que pouco me interessa, mas que
essa gente se besunte o cabelo de brilhantina enquanto se prepara, em conivência
com um governo de incompetentes e de corruptos, para nos passar a todos a
factura da sua alegada respeitabilidade, isso sim já me incomoda. Essa
impunidade e essa arrogância são um insulto e uma vergonha que nos mancha a
todos, não apenas pela injustiça que assim se revela mas sobretudo pelo amargo
travo de impotência que nos deixa.
Triste país este ‘des gens très bien’!
sábado, junho 14, 2014
Por que a economia não cresce? VII - As novas elites no poder (know-how vs know-who)
Apesar
de tudo, melhor ou pior, mais remendo menos remendo, o país lá acabou por ver desenhado
um regime dito democrático no papel. Um estado central, que garantiria
segurança, justiça, direitos de propriedade, educação e cuidados de saúde, mas com
o poder descentralizado.
Como
os políticos haviam sido formados no anterior regime ditatorial, não tinham experiência
democrática e o poder é coisa tentadora, logo as novas elites que dominavam os
partidos de tudo se apoderaram, concentrando em benefício próprio o poder que a
nova constituição dizia descentralizar e, como sempre, à custa da economia.
Mal
se sentaram nas cadeiras do novo parlamento de imediato trataram de definir
especiais ganhos, regalias e benesses para si mesmos. Para tudo manterem, como
o círculo eleitoral da capital não tinha espaço elegível para todos,
distribuíam-se por outros, assim desvirtuando a representatividade que o
democrático papelinho dizia garantir às populações locais.
Das
cadeiras parlamentares lá iam saltando para os cadeirões da governação Às elites
dos partidos mais pequenos eram ainda deixadas as cadeirinhas do chamado poder
local, mesmo assim em competição com as dos maiores. À medida que ocupavam
cadeirinhas, cadeiras e cadeirões iam enchendo os respectivos gabinetes e
serviços de familiares, amigos e correligionários de apoio, cuja factura também
era remetida à economia.
Após
os cadeirões da governação travestiam-se de empresários ou de banqueiros, com
lugar de assentado nas poltronas dos luxuosos gabinetes das empresas e bancos que
antes haviam confiscado à economia, algumas daquelas entretanto transformadas
em monopólios estatais.
Para
que a coisa desse para todos era-lhes ainda necessária uma frequente alternância
na governação, o que não se coadunava com mandatos de 4 anos como previsto no
democrático papel que antes haviam aprovado. Mal um deles era eleito, logo o
outro gritava que ele já não tinha suporte na vontade do pessoal, pouco antes expressa
em voto, clamando ao presidente por novas eleições, que de volta e meia lá lhas
ia dando, quando não optava por um governo de sua iniciativa que logo caía por
total ausência de apoio parlamentar, o que tudo gerava uma instabilidade que
nada facilitava o crescimento económico, antes o prejudicava ainda mais.
Estas
novas elites no poder, indiferentes a quaisquer interesses conflituantes,
passaram a dominar, em proveito próprio, não só as instituições políticas e
económicas, como ainda as próprias empresas confiscadas, agora ditas públicas,
intervindo assim forte e directamente na economia, distorcendo mercados e
limitando a concorrência. A promiscuidade era de tal modo abrangente que muitas
empresas da economia, para sobreviverem, tinham de se encostar aos favores do
poder, se necessário contratando os que delas neste abriam portas.
O
know-how dava assim lugar ao know-who!
As
ditaduras do Estado Novo e do PREC eram substituídas pela das novas elites
partidárias (a que Pacheco Pereira prefere apelidar prosaicamente de
partidocracia), que assim faziam jus à velha observação de K. Marx que a
história se repete. Primeiro por tragédia, depois por farsa!
A
economia mantinha-se dependente do que a política queria ou lhe permitia ser!
segunda-feira, junho 09, 2014
Por que a economia não cresce? VI - A aventura europeia
O
país dispunha de 3 grandes portas de entrada de divisas: exportações, turismo e
remessas de emigrantes. O que tudo já não chegava para as novas necessidades
que alguma abertura ao exterior tornavam demasiado apetitosas. No horizonte
europeu havia uma coisa chamada CEE que tinha fundos próprios e fama de ser
generosa na sua distribuição aos sócios. Urgia pois tentar abrir esta 4ª porta
por onde fartas divisas poderiam começar a entrar.
O
novo poder cedo lhe estendeu a mão, mas a CEE logo informou: Oh meus amigos, agradecemos
a preferência mas isto é um clube de sócios cujos estatutos têm regras. Uma
delas é que só aceitamos membros que tenham a democracia inscrita nos seus
estatutos internos e disponham de instituições políticas e económicas
democráticas. O que não vemos em vossa casa nem lemos nos vossos estatutos. Mas
claro que se isto alterarem teremos muito gosto em reavaliar a vossa ficha de
inscrição.
Uns
apressados remendos na constituição, expurgando-a dumas anacrónicas irreversibilidades
ideológicas, uns retoques nalgumas instituições, mais alguns truz truz no
guichet da CEE até que esta, lendo os revistos estatutos, lá acabou por nos
dizer: Bem vindos!
Fez-se
então festiva a abertura desta 4ª porta e as divisas começaram a jorrar aos
milhões. Mas tanto milhão era também demasiado tentador para a nova classe
politica, ou até para uma certa economia totalmente descapitalizada. Todos
queriam aproveitar-se deles e obter o mais possível para si, para usar no que o
pessoal por cá mais gosta: consumo e obras de fachada.
Cavaco,
à imagem e semelhança de D. Manuel I, cedo deu o mote, mandando erigir o CCB
mesmo ao lado dos Jerónimos, não já à custa das especiarias dum oriente perdido
mas das divisas desviadas dos novos fundos ditos estruturais. Na inauguração a
classe política aplaudiu o reviver daquela sensação de grandeza balofa do
passado. O sector da construção também.
Em
que mãos o dinheiro andava ou por que artes de magia lhes chegava não interessava.
Importante era que passasse a tal 4ª portinha e por cá fosse circulando. Até os
sindicatos, com ênfase para a descarada UGT, encontraram aqui uma mama que os
compensava largamente da perda de clientes que vinham registando. Para
satisfazer a CEE, que insistia que os seus fundos não se destinavam a consumo
mas sim a investimento, ainda se fizeram várias obras estruturais, que o país
tanto carecia, posto que algumas de utilidade ou eficiência duvidosas.
Mas
a adesão abria também à pobre economia uma oportunidade ímpar de crescimento,
pois que, de um dia para o outro, via um mercado de 10 milhões de pobres ser
transformado num mercado único de 300 milhões de ricos, sendo que para as
economias europeias o acréscimo de 10 milhões de pobres era coisa marginal.
Estranhamente, porém, sucedeu exactamente o inverso, tendo sido as economias
europeias quem aproveitou para crescer um pouquito mais, inclusivamente por
aquisição de empresas na nossa economia.
Com
tudo isto economia lá começou a medir crescimentos vários, posto que
principalmente pela ilusão do consumo, o que a classe política logo aproveitou
para distribuir benesses várias aos seus apoiantes, tanto no estado como nas
empresas confiscadas à economia e que agora dominava, na expectativa da sua
retribuição em votinhos. Ilusão que, em finais dos anos 90, pôs termo a
qualquer outro crescimento económico… até aos dias de hoje.
Ou
seja, economia continuava a ser que a política queria ou permitia ser!
sábado, junho 07, 2014
Há cada vez mais gente a pensar como nós!
Disse Pedro Pestana Bastos, no rescaldo das eleições para a concelhia do CDS Lisboa, que há um caminho de mudança no CDS que está a ser percorrido.
É verdade! E também é verdade que há cada vez mais gente a pensar como nós!
Como aqui afirmado, juntos, todos juntos, vamos dar a volta .
sexta-feira, junho 06, 2014
O momento político
Com o PS em guerra, com o congelar da entrega das acordadas verbas por parte da Troika, com o tema do TC a ferver, o momento não está fácil.
Devemos, todos, pensar ainda mais para além.
A propósito, esteve bem FAC ao propor antecipação das legislativas-aqui
quinta-feira, junho 05, 2014
Por que a economia não cresce? V - Um exemplo social (educação)
A educação
é um suporte vital ao desenvolvimento tecnológico e ao crescimento da economia.
No tempo da outra senhora, o nível de analfabetismo era demasiado elevado, a escolaridade
obrigatória limitava-se a 4 anos de instrução primária, o liceu já só era acessível
a alguns e as universidades a muito poucos. Em alternativa ao liceu havia ainda
escolas técnicas que preparavam profissionais para determinadas operações, mas cuja
base teórica era fraca o que dificultava a posterior evolução das competências
que o progresso da tecnologia exigiam.
O
novo poder saído da revolta militar tudo logo quis mudar. Mas ao invés de
incentivar um forte crescimento gradual no acesso ao ensino e de melhorar o
ensino profissional, adaptando-o às necessidades duma economia moderna e aos
anseios de muitos jovens, acabou simplesmente com este por complexos
classicistas e decretou que só o liceu era igualitário e que este assim passava
a ser obrigatório e à borla para todos. E, uma vez mais, JÁ!
O
que tudo foi fácil riscar num papel. Só quando no dia seguinte os pais
começaram a perguntar como e onde é que repararam que não havia escolas, nem
materiais e, muito menos, professores para tanta gente que de repente ficava
abrangida por tão dilatada obrigatoriedade.
À
boa maneira portuguesa tudo se resolveu em meia bola e força. Arranjaram-se
barracões e contentores, alguns materiais básicos e contrataram-se
desempregados, ou com emprego modesto na economia, que nisto viam a oportunidade
de um emprego seguro no estado, para fazerem de professores.
Em
resultado desta repentina massificação do ensino secundário, que de um dia para
o outro passava do 8 para o 80 e perdia a opção do ensino profissional, o nível
de qualidade do liceu baixou assustadoramente. Como o liceu ficou assim
impossibilitado de cumprir a missão de preparar alunos universitários, as
universidades tiveram de descer vários degraus para poder acolher os que,
vindos dele, lhe batiam à porta, além de ter sido forçada a limitar-lhes o
acesso por falta dimensão capaz. O que tudo provocou igualmente uma enorme
baixa no nível de qualidade do sequente ensino universitário.
Tudo
isto conduziu ainda a uma parola convicção de que o papelinho de curso dava
agora aos novos diplomados um estatuto social incompatível com o emprego que a pobre
economia então dispunha, ao mesmo tempo que esta se queixava da sua falta de
qualificação para apoiar o seu desenvolvimento e crescimento.
Como
quase todos tinham filhos, quase todos alegavam saber da poda. Todos os anos
havia acalorada discussão e todos os anos eram introduzidos remendos, muito
também ao sabor dos políticos em cada ano no poder, o que gerava ainda mais
confusão no sistema e em nada ajudava a pobre economia. Felizmente que a coisa
tem vindo a melhorar em termos de saber, posto que no tocante a saber-fazer
ainda deixe muito a desejar.
Também
aqui o suporte à economia foi apenas o que a política quis ou permitiu ser!
terça-feira, junho 03, 2014
D.Juan Carlos I
A ignorância é um dos males dos nossos dias, e afecta também e sobremaneira a classe jornalística. Por isso se tem lido e ouvido tanta estupidez a propósito da abdicação de D.Juan Carlos.
Convém não esquecer a história, pois factos são factos e não é por a realidade não se ajustar aos nossos ideais que ela muda.
Percebo que seja mais popular descrever as trapalhadas infelizes dos últimos anos de reinado, mas dedicar mais que uma linha a isso é um exercício de pura futilidade.
D.Juan Carlos I deixa um legado que ninguém imaginaria há umas décadas atrás. A verdade é que foi sempre mais inteligente do que o tempo, soube sempre antecipar-se aos acontecimentos.
Percebeu cedo que o pai nunca seria Rei. Não tinha perfil para compromissos. A partir de certa altura correu em pista própria e sem apoio familiar, sempre cercado (carlistas, legitimistas, etc...) pôs a sua cabeça no cepo por uma ideia de Espanha.
Recusou o poder que franco lhe deixou. Fez legislar para que fosse "somente" o garante da estabilidade.
Rodeou-se dos melhores para construir a democracia, e quando essa democracia esteve em perigo foi ele que a salvou.
Estranhos tempos estes em que os poucos Homens verdadeiramente superiores são tratados como curiosidades.
Convém não esquecer a história, pois factos são factos e não é por a realidade não se ajustar aos nossos ideais que ela muda.
Percebo que seja mais popular descrever as trapalhadas infelizes dos últimos anos de reinado, mas dedicar mais que uma linha a isso é um exercício de pura futilidade.
D.Juan Carlos I deixa um legado que ninguém imaginaria há umas décadas atrás. A verdade é que foi sempre mais inteligente do que o tempo, soube sempre antecipar-se aos acontecimentos.
Percebeu cedo que o pai nunca seria Rei. Não tinha perfil para compromissos. A partir de certa altura correu em pista própria e sem apoio familiar, sempre cercado (carlistas, legitimistas, etc...) pôs a sua cabeça no cepo por uma ideia de Espanha.
Recusou o poder que franco lhe deixou. Fez legislar para que fosse "somente" o garante da estabilidade.
Rodeou-se dos melhores para construir a democracia, e quando essa democracia esteve em perigo foi ele que a salvou.
Estranhos tempos estes em que os poucos Homens verdadeiramente superiores são tratados como curiosidades.
segunda-feira, junho 02, 2014
Por que a economia não cresce? IV - Um exemplo no mercado (arrendamento)
Todas
as ditaduras procuram sempre ter alguma base de apoio popular, a quem por vezes
vão dando algumas benesses que sobram dos seus fartos pratos. Uma que assim foi
dada a boa parte da população citadina de Lisboa e do Porto foi a dum
congelamento de rendas que as protegesse de uma certa inflação. Mas ao fazê-lo,
o poder político intervinha directa e abusivamente no mercado de arrendamento, naturalmente
deturpando-o.
Após
a queda do regime, o novo poder político que se instalou, e cujos atropelos
logo fizeram disparar a inflação, ao invés de corrigir esta anomalia decretou a
sua extensão a todo o país. Com esta grosseria matava por completo o mercado de
arrendamento e confiscava também para si todos os prédios então existentes no
mercado (além de matar muitos complementos de reforma, na altura magra, dos que
nesse mercado haviam investido a poupança de uma vida de trabalho, e não só).
Mas
este confisco, comparado com o feito a empresas, banca e seguros, tinha algo de
mais perverso. É que era subtilmente encapotado, pois que deixava aos
confiscados o título de propriedade, título este que depois o poder usava para
lhes enviar umas facturas de obras, assustadoramente empoladas por efeitos da
super inflação (que em 1984 atingiu 29,5%).
Muitos
dos beneficiários deste confisco, não satisfeitos com tamanha benesse, ainda
aproveitaram para a dilatar, seja comprando ao preço da chuva o título de
propriedade da casa confiscada para depois o revender num mercado imobiliário
entretanto em alta, seja cobrando caro ao confiscado a libertação do confisco
que o beneficiava.
O
resultado da destruição deste mercado pelo poder político foi a todos os níveis
desastroso. Os prédios eram deixados ao abandono, a confiança para investir em
novos arrendamentos perdeu-se e encontrar casa para arrendar passou a ser
mais difícil que agulha em palheiro.
Para
satisfazer as necessidades de habitação, uma vez mais ao invés de corrigir os
erros e de repor o funcionamento normal do mercado, o poder passou então a usar
em seu favor os bancos também confiscados para vender ao pessoal hipotecas com
juros à roda dos 25%. Ao corrigir erros com novo erro fez ainda com que a
economia se endividasse desmedida e desnecessariamente, tanto internamente as famílias
e as empresas, como externamente os seus próprios bancos. Com a gradual reversão
da inflação pós 1984 a compra de casa própria ainda foi mais incentivada e, com
a chegada do euro e do juro barato, foi um ver se te avias.
Foi
necessário aguardar anos e anos até que chegasse uma troika e nos gritasse:
Parem com essa loucura e reponham o mercado de arrendamento a funcionar!
Também
aqui a economia foi apenas o que a política quis ou permitiu ser!
Ordem dos Advogados
A Bastomarinha dos advogados
lá conseguiu juntar 300 deles e ter 1 000 votos para subscrever o seu
protesto contra o novo mapa judiciário.
Neste incluiu uma
surrealista queixa-crime contra todos os membros do Governo por atentado ao
Estado de Direito!
Será o próximo passo desta
lamentável instrumentalização política da OA, com que vai tapando a nudez da
sua inacção, uma queixa-crime contra os membros do TC, desta feita por atentado
do Direito ao Estado?
Por este andar ainda
ultrapassa Marinho E Pinto em corrida para Belém!
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