domingo, abril 27, 2014

Ufa já passou

Finalmente hoje terminou o fim-de-semana em que se comemorou os 40 anos do 25 de Abril. Digo finalmente não por poder/ter de ir trabalhar, mas por ter a leve esperança de que pelo menos por uns dias vou deixar de ler e ouvir os disparates de Mário Soares, Freitas do Amaral, Vasco Lourenço e Manuel Alegre que entre muitos outros acusam os actuais governantes de não terem feito melhor do que a merda que eles fizeram. É mais ou menos isso não é? Venha rápido o campeonato do mundo de futebol.

sábado, abril 26, 2014

O meu Pai

Não precisava seguramente de qualquer prova de amizade de todos os constituem este blog e de muitos outros que nos últimos dias me confortaram com as suas palavras. Mas precisava e preciso de todas as palavras de apoio. Muito obrigado a todos. Muito obrigado também em nome da minha Mãe de toda a família.



O meu Pai foi sempre uma pessoa muito marcante sem nunca se ter imposto ou imposto a sua forma de pensar ou seus princípios. Foi marcante pela sua coerência, pela sua calma, pelo seu bom senso e pela sua sensibilidade. Acreditou sempre na razão e pouco na força. Acreditou sempre na Liberdade e pouco na imposição. Foi um homem livre que pensou livremente e que construiu uma vida cheia. Foi um homem feliz porque à sua volta sempre promoveu a felicidade. Desde a nossa casa, passando pelos seus amigos, pela faculdade, pelas empresas por onde passou e pela sua acção política. Viveu sempre intensamente transmitindo uma solidez e serenidade absolutas. Foi e é uma referencia para mim e um "Porto Seguro" que continuarei a ter em memória. Pouco certamente para mim que tive muito nestes anos todos...



Deixo este filme de homenagem da Ordem dos Engenheiros da Região Norte ocorrida em Setembro do ano passado e que muito sensibilizou o meu Pai.



Um forte abraço a todos!





João Lopes Porto V

Quando dizem que na política não se faz amigos, é porque não sabem do grupo que acabou por formar o nortadas.

Embora hoje este seja um blogue com várias correntes tudo começou há muitos anos numa célebre concelhia do CDS Porto.

Desde esse tempo até agora muito se passou, de combates conjuntos até à luta em lados opostos. Hoje a política não faz parte das nossas vidas, mas uma coisa mantém-se inalterada: Uma amizade a toda a prova.

Conta connosco, João Maria.

João Lopes Porto IV

Cruzei-me poucas vezes com o Eng. João Porto, até porque quando estive mais envolvido na minha atividade política, ele já estava mais distanciado do dia-a-dia do CDS, o que não significava com isso ausente.

No entanto, do Eng. João Porto sempre ouvi falar bem, quer no campo pessoal como intelectual, e não me recordo de algum dia ter sequer ouvido qualquer comentário menos bom, o que, só por si, já tem um grande significado, quando falamos de uma personalidade política e académica de primeira linha – Ministro, Secretário de Estado, Deputado, Vereador da CM Porto, Director-Geral do Metro do Porto, Professor Universitário,... - com toda a exposição pública e mediática que isso implica.

Não posso também deixar de referir e partilhar que ao longo dos anos sempre tive nele como nos “manos” Anacoreta – Eugénio e Miguel - as minhas principais referencias do bom “velho” CDS, onde estas pessoas de bem e de elevado valor intelectual se distinguiram e fizeram a diferença, humanizando e valorizando a causa pública e a política.

Agora, e porque há muitos anos que tenho o privilégio de ser amigo do seu filho João Maria e de me orgulhar de já ter combatido do mesmo lado muitas “batalhas”, também me quero associar a esta, neste momento marcante e triste para o nosso amigo.

Forte Abraço Amigo João!


sexta-feira, abril 25, 2014

João Lopes Porto III

Quis o destino que o Eng. João Lopes Porto fosse a enterrar no dia 25 de Abril. Fundador do CDS foi sempre de grande dedicação e entrega à causa pública mas acima de tudo aos outros, fossem amigos, alunos, colaboradores, companheiros de partido ou tão simplesmente um ser humano com quem se cruzava. A simplicidade e discrição eram a sua maior grandeza e a sua maior marca que deixou como legado a quem com ele partilhou a vida e em especial aos seus filhos. Aqui no Nortadas estamos com o nosso amigo João, deixando-lhe um abraço amigo.

João Lopes Porto II

Todos nós temos memórias. Nas minhas memórias mais longínquas está o camarada Nortadas João Porto. Temos exatamente a mesma idade, resultado da circunstância de termos nascido no mesmo dia.

Os nossos pais já eram amigos, e nós crescemos juntos. Brincámos juntos, passámos férias juntos, e andámos na mesma turma anos a fio. A certa altura até fui viver para casa do João. Fui tratado sempre como um filho. São coisas que não se esquecem. 

Por tudo isto conheci bem o pai do João. Era muito inteligente, ponderado e sensato. Tinha ainda, marca relevante, um afinadíssimo sentido de humor. E como era um homem bom, não admira que tenha sido recrutado para o que de mais importante aconteceu, neste país e na cidade do Porto. Ajudou a fundar o CDS, foi membro do governo por 2 vezes e vereador na Câmara do Porto. Foi fundamental no lançamento do metro do Porto e em muitas outras coisas. E tudo isto com um envolvimento discreto e muito eficiente em várias obras ligadas à Igreja. 

Como é próprio das pessoas desta dimensão, achava que não fazia nada de especial. Encarava com naturalidade, dedicação e sobriedade tudo o que fazia. E teve, no entanto, enorme relevo académico, político, cultural e social.  

O camarada João Porto está triste, e nós aqui no Nortadas estamos com o João.



É outra vez Abril - II

Para além da festa lisboeta, Braga foi hoje ainda notícia. Infelizmente não festiva, mas sim pela queda de um muro que vitimou 7 estudantes, 3 dos quais mortalmente.

 Já há cerca de 2 anos um jornal denunciara que o dito muro, em área universitária, ameaçava ruina. A CMB também já admitiu que então recebera igual denúncia escrita.

Mais acrescentou a CMB que logo reagiu a tal denúncia formal com outra formal comunicação a uma administração de condomínio. Assim lavadas as mãos, a vida continuou até ao acidente agora.

 Todos vão pois chutando para canto na expectativa de que, se a pressão continuar, possam responsabilizar o funcionário que levantava o correio da tal administração de condomínio.

 Assim fora já com o semáforo que tempos atrás vitimou mortalmente um transeunte em Lisboa, que foi electrocutado ao premir o botão para peões. Município, CML e empresa de manutenção foram assobiando para o lado até que o tribunal lá desferiu uma qualquer condenação sobre o desgraçado do electricista subcontratado que encontrou no fim da linha.

 Assim fora já com o BPN, que o governador do BdP sempre considerou cumprir (formalmente) todos os requisitos. Só que aqui, ao invés do electricista, foi promovido ao BCE.

É outra vez Abril - I


Esta manhã houve festa em Lisboa. Na AR, no Carmo e na Antº Mª Cardoso.

Na AR, lapelas de cravo vermelho e lapelas descravados, debitaram as baboseiras do costume.

Do Carmo à Antº Mª Cardoso, D. Lourençote de Melena e Pá, o Fixe e o Patusco, idem.

Em ambas se viveu a emoção de celebrar outras emoções.

A festa foi ainda abrilhantada por um coral masculino alentejano que cantou a Grândola.

ARTP transmitiu o seu jornal de Grândola.

O resto do país aproveitou para gozar um fim-de-semana comprido.

João Lopes Porto




A Igreja do Santíssimo Sacramento, no Porto, foi pequena para acolher tantos quantos puderam prestar justa homenagem ao Senhor Eng.º João Lopes Porto.

O seu amor aos outros, as suas qualidades humanas, a sua liberdade, o seu testemunho, - um marco de exigência para a existência de todos nós!



terça-feira, abril 08, 2014

Os donos do país

Alexandra Lucas Coelho ganhou o prémio APE. Não conheço o livro que a fez ganhar este prémio, mas de certeza que é merecido. Ao contrário de muita gente neste país não acho que haja escritores de primeira e de segunda. Posso gostar ou não, mas isso é outra questão.

O problema é quando não se limitam a escrever e acham que têm coisas a dizer para as quais não têm o mínimo de saber.

A opinião da escritora que vem hoje no jornal Público é o exemplo perfeito da ignorância do conceito de democracia.


Não, este país não é deste presidente. Não, este país não é deste governo.
Também não é meu.
E também não é seguramente da Alexandra Lucas Coelho e de quem pensa como ela.

Este país é de todos. Também dos que votam neste presidente e neste governo.

quinta-feira, abril 03, 2014

Eleições europeias: a calvície política


O que significa um voto ou um não-voto na lista do governo para as eleições europeias?
Significa pura e simplesmente mandar para Bruxelas a Sra. Birrento, n° 8 da lista, ou deixá-la lá em Setúbal, entregue às burocracias da Segurança Social e sempre pronta a levantar o braço a favor do Sr. Portas nas raras reuniões da distrital do PP. Alguém conhece uma ideia que seja da Sra. Birrento sobre a Europa, a dívida, as sanções à Rússia, o Tribunal de Justiça, os golfinhos do Sado, o Metro de Coimbra, o ajustamento da Grécia, a União bancária, a rarefacção do carapau ou, para não sermos tão exagerados, se o Vitória fecha a secção de ping-pong?

O que significa um voto ou um não-voto na lista do Sr. Seguro para as eleições europeias?
Significa pura e simplesmente mandar para Bruxelas o Sr. Manuel dos Santos, que já por lá andou a fazer coisíssima nenhuma e actual desempregado político, ou, se calha, a Sra. Maria Amélia Antunes, n° 10 da lista, ex-autarca do Montijo cujos trabalhos teóricos e científicos sobre a integração europeia e as soluções para a saída do resgate são diariamente comentados nas universidades do Bangladesh e da Antártida.

Dispenso-me de comentar o que significaria um voto nas listas do PC ou do Bloco, pois deduzo que a experiência passada demonstra à saciedade que isso não aquece nem arrefece. Se dúvidas houvesse, verifique-se os extraordinários e históricos contributos que uns e outros têm dado para a animação parlamentar de Estrasburgo e para o aumento de ocupação dos aviões da TAP que ligam semanalmente Lisboa a Bruxelas. É a quanto monta.

Se falo em nomes é porque não há mais nada sobre que falar. Política? Mas qual política? Entre a coligação e os que se dizem socialistas não existe qualquer nuance que seja distintiva em relação à União Europeia. Dupont e Dupond! Ficam apenas as caras diferentes pois até os curriculos são parecidos: ex-ministros, autarcas cansados e os conselheiros do costume.

Se em vez de votação por listas tivéssemos a possibilidade de um voto preferencial ou circulos uninominais, ainda podia acontecer que no quintal onde voto aparecesse alguém de confiança que me conquistasse a ilusão e me convencesse na aposta. Mas estas fornadas de compadres que se escondem atrás das calças de um cabecilha são um engôdo e por isso me recuso a dar para uma freguesia para a qual já dei quanto baste. Já dei e viu-se o resultado.

Não, não me vou abster. Hei-de lá ir, mas para lhes deixar um recado escrito a anular o papel e a engrossar o desprezo que nos merecem. É que já não há shampoo que lhes recupere a careca.
 

quarta-feira, abril 02, 2014

A coerência da lixeira


Que o ainda presidente da Comissão Europeia venha tarde e a más horas lançar uma suspeita sobre o ex-governador do Banco de Portugal, o tal que deixou passar debaixo do seu nariz os casos BPN e BPP, afirmando a propósito de coisa nenhuma e passados cerca de dez anos que o chamou 3 vezes para discutir o assunto, é de uma coerência exemplar: a coerência do oportunismo e da hipocrisia passa-culpas que o caracteriza. Uma coerência, aliás, que já manifestara ao afirmar que também avisara o actual primeiro-ministro para não ultrapassar certos limites na austeridade ou aquela com que afirmou há tempos que “sempre” entendeu que a nacionalização do BPN era uma decisão errada. Quem não o conheça que o compre.

Que o dito ex-governador do Banco de Portugal responda dizendo não se lembrar bem dessas reuniões e balbucie umas banalidades tais como afirmar que nunca então se falou de casos concretos de irregularidades nem ninguém lhe mostrou provas irrefutáveis sobre as fraudes em curso, é igualmente de uma grande coerência: a coerência da prosápia e da incompetência refastelada, as mesmas que demonstrou ad abundantiam aquando das audições parlamentares sobre o tema.

Que meia dúzia de teodoras saiam hoje a terreiro a defender o seu menino, que não senhor, sua excelência é de uma probidade e valência raras e que isto de o atacarem é uma maldade contra alguém a quem o país tanto deve, é outra forma de coerência: a coerência de clube ou de vizinhos de condomìnio, a mesma que explica que o consócio que matou o porteiro é uma pessoa bem educada que levava flores quando ia jantar lá em casa e até pedia licença para fumar um cigarro.

São todos tão coerentes que até metem nojo.