Tive o privilégio - imerecido - de poder participar no primeiro evento para utilizadores de "social media" organizado pelo Parlamento Europeu. A faceta de blogger - ando por aqui há dez anos quando comecei com o "Glosas" - ou de utilizador de redes sociais virtuais, parecem estar a ser uma aposta na estratégia comunicacional das instituições europeias. O que, de alguma maneira, é uma pista para aferir a maturidade destes meios comunicacionais tidos por menores.
Sem dúvida existe uma sensação de déficit democrático não só ao nível político interno e estadual, mas, de forma mais perceptível, no que concerne tudo o que diz respeito às instituições da UE. Ora o papel voluntarioso dos utilizadores, em geral, dos media virtuais, poderá ser uma das múltiplas formas de colmatar este déficit. Não só por serem um espaço de liberdade ímpar (veja-se o seu papel na Primavera Árabe - que depressa invernizou...) mas por permitirem uma interacção tangível entre a comunidade em geral e os protagonistas, eleitoralmente mandatados, junto das instituições democráticas representativas, a nível local, nacional e europeu.
Saúda-se, pois, um evento com estas características que, de alguma forma, demonstra uma abertura ao debate. A discussão está, pois, em aberto...
#EuropeIn
quarta-feira, fevereiro 26, 2014
terça-feira, fevereiro 25, 2014
In Memoriam
Faleceu hoje a mãe do nosso
Douro.
A D. Camila pertencia ao que eu
costumo chamar as mães da minha geração, pois que todas elas tinham um não sei
quê de comum com a nossa própria mãe. No modo como nos tratavam, nos recebiam e
nos faziam sentir na nossa própria casa.
Em geral, tinham muitos filhos. A
D. Camila teve nove. Mas tinham também aquele jeito especial de gerir toda esta
tropa, que alimentavam de amor, ensinavam crescer em liberdade e a reger-se pelos sólidos
princípios morais em que acreditavam.
Tudo assim faziam com uma total
dedicação, nada querendo para si, tudo querendo para nós. Para quem sempre
tinham tempo. E se nós estávamos bem, bem uns com os outros e bem connosco
próprios, elas estavam felizes!
Interessavam-se pelos amigos dos
filhos, vibrando com as nossas alegrias ou ajudando a aliviar as nossas
tristezas. Tínhamos por todas elas um enorme respeito e até quando nos
criticavam sentíamos amor.
A D. Camila contava 99,5 anos de
idade. O seu funeral será amanhã de tarde na Basílica da Estrela, com missa de
corpo presente.
Irei, mas com a alegria de quem
vai para uma missa de acção de graças!
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
Ò prima, olha que até foi engraçado
É difícil saber o que é mais deprimente :
se o estado zombie do PS ou o o descaramento zombeteiro do PSD. Deixemos por
agora o PS entregue à sua deriva escuteira e digamos duas palavras sobre aquela
reunião sinistra dos Marcos Antónios da nossa praça.
Um tipo ouve um Morais Sarmento dizer que está
disponível para cumprir serviço e as entranhas começam a protestar: não foi sua
excelência que, depois de se fazer eleger deputado, rapidamente decidiu abandonar
o assento e regressar ao seu escritório para representar o espião assalariado
da Ongoing?
Um tipo ouve um ex-presidente de Gaia e
pergunta-se como é que a bi-polaridade mental conseguiu chegar, ainda que por
meses, a patrão da trupe.
Um tipo ouve um eurodeputado de dedo em riste e
narinas zangadas avisar a plebe que vai vencer em Maio e pergunta-se em que
parte da sua catilinária falou da Europa ou exprimiu uma única ideia que fosse sobre
o futuro da UE ou do papel de Portugal na UE.
Um tipo aguenta estoico o discurso de um
eterno candidato a Belém, não de dedo em riste mas de dedo a apontar para ele
próprio, que fez e que aconteceu, e fica na dúvida se se trata da mesma pessoa
que debita piadas ao fim-de-semana na tv.
Enfim, um tipo vai assistindo àquele beija-mão
indecoroso das ‘personalidades’ ao chefe, vários filhos pródigos que ali se juntaram, a ver se não são esquecidos nas próximas distribuições de pelouros e
sinecuras. E eis, em maré de falsas surpresas, o bombom que faltava, o regresso
do sebastianete da 25° hora, o Relvas, o amigo, o companheiro, o eterno, o de
sempre.
Foi divertido sim senhor. A quermesse podia
ter sido uma chatice. Conseguiu afinal ser um escândalo. Estamos feitos! (para
não dizer outros ‘f’s)
terça-feira, fevereiro 18, 2014
A politica do mete medo
O presidente da Comissão Europeia decidiu abotoar
o casaco e meter medo aos suíços: suspende-se o programa Erasmus!
O mesmo presidente fez no Domingo declarações
sobre o próximo referendo escocês prevenindo-os de que será praticamente impossível
que a Escócia adira à União Europeia caso o voto independentista ganhe esse
referendo. Há tempos declarára algo de semelhante para assustar os catalães.
Esta política do “mete medo” esconde afinal
uma fragilidade patética. Esta Europa do bullying político desacredita-se e afunda-se.
Não é por acaso, para além da sua diplomática grosseria, que uma embaixadora americana confidencia
“Fuck the EU”. Por muito que o Berlaymont esbraceje, os ingleses encolhem os ombros
e decidem o que lhes dá na gana quanto ao acesso dos emigrantes à segurança social.
Os auxílios de Estado à indústria e aos bancos alemães prosperam sem que ‘Bruxelas’
mexa uma palha e os milhos geneticamente manipulados instalam-se com o faz de conta
de uma Comissão ajoelhada.
Neste deserto de projecto e de propósitos, a Comissão
usa o farisaico sermão da pretensa luta contra os egoísmos e aponta o dedo aos Estados-membros,
duma forma abstracta, para sacudir o pó dos sapatos e entreter os media. Esta Europa
está morta!
Alguns vão aplicar-lhe em Maio, nas eleições para
o Parlamento Europeu, um boca-a-boca para ver se o coração volta a pulsar, só que
já lá não está um corpo mas um daqueles bonecos de plástico com que os bombeiros
treinam os noviços. E quanto mais alinharmos nesta mascarada, maior margem concedemos
a uma extrema-direita que sabe que a natureza tem horror do vácuo e que quem se
perde no mar, perde o lugar.
Que legado, Sr. Barroso!
sábado, fevereiro 08, 2014
Um país de traidores
Segundo aquela anedota que se afirma vice-presidente
do PSD e que se vangloria de ser ou ter sido até há dois anos e picos, além de vice
em Gaia, o cônsul da Bielorússia no Porto, “há uns políticos que esbracejam no Norte”
enquanto “nós (eles – o PSD) fazemos” (ver aqui).
Este falar grosso aconteceu hoje na Maia, numa
espécie de lanche sobre o Poder Local com que o governo tenta lavar a cara no
dossier dos fundos comunitários, seguindo a estafada técnica do ladrão que
corre gritando “agarra que é ladrão”. A ‘gritaria’ vai ser encerrada pelo Sr. primeiro-ministro,
maneira de dar à coisa a dignidade de capoeira que, por muito que se estique, nem
isso aquele cônsul consegue.
O delírio, aliás, não se ficou por aqui. Quem
não apoiar o governo é antipatriota, disse ainda a eminência parda. Ficamos entendidos.
Eu pensava que por muito desconchavada e ridícula que seja a Oposição parlamentar,
não deixava de ser isso: a Oposição. Mas não: a partir de agora os críticos do governo
são uns traidores, pois lutam contra os interesses da Pátria. A nova teoria é assim:
se não me dás a mão, és espanhol.
Na verdade, esta teoria nem é tão nova como isso.
Tem mais barbas que o ‘nosso’ vice. Aplica-a sem hesitações o Sr. Alexander Lukashenko
(na foto), o patrão e patrono bielorusso do vice. Não há dúvida: aqui há plágio!
sexta-feira, fevereiro 07, 2014
É jovem? Tem uma ideia? Venha daí!
Não
sei se por ter feito carreira nos jotinhas, mas o chefinho tem levado para o
governo (& C.ª) bastante juventude. O que, em si, nada tem de mal.
O
problema é que os vamos vendo chegar com uma ideia apenas, normalmente
importada, mas que mesmo assim não conseguem implementar, seja por que não a
assimilaram, seja por que esbarram no muro das finanças. E, falhada esta,
esgotam o saco e ficam vazios das ditas.
O
primeiro a assim chegar foi Mota Soares que lá transportou, fazendo até jus ao
nome, para governo a ideia antiga do cds de estabelecer um tecto máximo para o valor das pensões
públicas (plafonamento, assim lhe chamou) e que tinha como contrapartida
limitar proporcionalmente o montante das contribuições dos activos.
Logo
o vizinho das finanças chamou o rapaz à pedra, explicando-lhe que não estavam
em maré de prescindir de contribuições, e ele lá se calou.
Sobre
segurança social nenhuma outra ideia lhe é conhecida. Mas por lá vai ficando a
assistir às podas que a tesoura das finanças lhe vai fazendo, limitando-se a
vir de seguida ao tv explicar como ainda conseguiu dourar a pílula em prol dos
mais pobrezinhos.
Mais
tarde chegou Maduro. Trazia na bagagem duas palavras que repetiu até à exaustão
– diálogo e consenso – coisa que, dizia, tinha aprendido (mas pelos vistos não
apreendido) na sua experiência europeia.
Nada
tendo acontecido, lá se calou também. Ou pior ainda. Quando Rui Moreira lhe
manifestou o interesse num consenso em matéria de fundos comunitários, no que
ao Porto respeitava, antes da proposta ser entregue em Bruxelas, logo Maduro
declarou que em Lisboa é que sabiam o que ao Porto convinha, recusando-lhe
qualquer diálogo. E, mesmo sem o ouvir, ainda foi ao microfone declarar que Rui
Moreira não tinha razão ?!...
Veio
depois o Lomba com a ideia importada dos states dumas conferências de imprensa
diárias para explicar ao pessoal o que o governo fazia (briefings, assim lhe
chamou).
Ainda
fez duas ou três. Foi um desastre e lá se calou (ou o calaram) também. Nunca
mais ouvi nada dele, mas penso que ainda anda pelo governo.
Mas pior que os meninos é o jovem papá. Passos Coelho
também lá chegou com uma ideia – cortar na despesa pública.
Mas acabou por se contentar com a receita do costume
(+impostos –pensões).
Enfim, a nossa pobreza não é só económica, mas de
governantes e de ideias.
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
Como matar a RTP Porto
Discutir o futuro da RTP é sempre um bom tema para animar um serão. Já tivemos um bom número de comissões, um bom número de definições de serviço público, um sem número de acusações de ingerência governativa, um sem número de milhões de euros gastos sem que no fundo se perceba o que afinal vai acontecer à RTP. Ou seja, privatizar, concessionar, fechar ou nada fazer são as opções possíveis.
Mas agora ia olhar apenas para o futuro do centro de produção do Porto (CPP), vulgo Monte da Virgem que afinal é em Gaia.
Olhado sempre como um centro regional, o CPP tem vindo aos poucos a sofrer na pele o centralismo, disfarçado mas continuado, que as administrações mais recentes levam a cabo.
Foi muito badalado mas já passou à história a mudança da Praça da Alegria do CCP para Lisboa. Um programa que era aqui feito com óptimas audiências e que ocupava uma longa lista de profissionais foi "roubada" para Lisboa com o argumento de que iria ser mais barato. Pelas informações que tenho isso não é verdade além de que na versão CCP tinha uma maior abrangência territorial de convidados do que agora em Lisboa que por norma é muito mais "eucalipto".
Mas não foi só a Praça da Alegria que rumou a Lisboa. Foi também o Portugal no Coração. E uma vez mais os mesmos argumentos que se constatam ser falaciosos.
Estes dois apontamentos seriam já de si motivo de preocupação e de alerta para a "morte lenta" que querem aplicar ao CCP. Só que há ainda um novo "veneno" e esse ainda mais perigoso e que tem "embalado" alguns responsáveis políticos do Norte. É a promessa de que a RTP 2 será toda produzida no CCP. Veja-se a entrevista de Alberto da Ponte à revista Notícias TV e está tudo lá. E nas entre-linhas o encerramento.
Há um ano a RTP mudou para Lisboa dois programas estruturais da sua grelha: a Praça da Alegria e o Portugal no Coração, que já tinha vindo uns meses antes. O Centro de Produção do Porto não era competente para produzir os dois programas ou foi uma questão de custos?
Era, mas foi uma questão de redução de custos. Produzir em Lisboa tem outra escala e baixa os custos. Mas temos progressivamente canalizado o Porto para o núcleo da RTP2.
Sim, na altura, prometeu que a RTP2 passaria a ser totalmente feita no Porto. Passado um ano, há apenas o Sociedade Civil.
Mas olhe que a taxa de ocupação aumentou
..........
Há três anos, a RTP2 era vista por 5% dos espectadores, uma media de 75 mil portugueses por dia. Hoje são 1,9%, cerca de metade. Quando diz que quer uma RTP2 que regresse "aos bons velhos tempos", como acha que isso pode ser alcançado?
A RTP2 sofreu uma concorrência muito mais direta do cabo. Programas infantis, documentários, séries de ficção, etc. Faz parte do relançamento da RTP2 dizer às pessoas que já têm ali, em sinal aberto, conteúdos pelos quais já pagam 2,65 euros por lar, conteúdos de altíssima qualidade. Não sei se voltaremos a chegar aos 5%, talvez não, mas a RTP2 não se esgota só nas audiências. Tem de atender às minorias, ao desporto amador, ao conhecimento científico e à cultura.
......
Ou seja, alguém acredita que nichos de mercado, vulgo as minorias, vão dar audiências? E que os 1,9% de hoje não se vão transformar em 0,9% e com isso fácil de explicar que não há rentabilidade no CCP e que como tal mais não resta do que fechar?
Se dúvidas tiverem falem com os profissionais da RTP do Porto e eles facilmente lhes dão nota disto mesmo. Mas pior cego do que o que não vê é aquele que não quer ver.
Voltarei a este tema, mas o alerta aqui fica.
Mas agora ia olhar apenas para o futuro do centro de produção do Porto (CPP), vulgo Monte da Virgem que afinal é em Gaia.
Olhado sempre como um centro regional, o CPP tem vindo aos poucos a sofrer na pele o centralismo, disfarçado mas continuado, que as administrações mais recentes levam a cabo.
Foi muito badalado mas já passou à história a mudança da Praça da Alegria do CCP para Lisboa. Um programa que era aqui feito com óptimas audiências e que ocupava uma longa lista de profissionais foi "roubada" para Lisboa com o argumento de que iria ser mais barato. Pelas informações que tenho isso não é verdade além de que na versão CCP tinha uma maior abrangência territorial de convidados do que agora em Lisboa que por norma é muito mais "eucalipto".
Mas não foi só a Praça da Alegria que rumou a Lisboa. Foi também o Portugal no Coração. E uma vez mais os mesmos argumentos que se constatam ser falaciosos.
Estes dois apontamentos seriam já de si motivo de preocupação e de alerta para a "morte lenta" que querem aplicar ao CCP. Só que há ainda um novo "veneno" e esse ainda mais perigoso e que tem "embalado" alguns responsáveis políticos do Norte. É a promessa de que a RTP 2 será toda produzida no CCP. Veja-se a entrevista de Alberto da Ponte à revista Notícias TV e está tudo lá. E nas entre-linhas o encerramento.
Há um ano a RTP mudou para Lisboa dois programas estruturais da sua grelha: a Praça da Alegria e o Portugal no Coração, que já tinha vindo uns meses antes. O Centro de Produção do Porto não era competente para produzir os dois programas ou foi uma questão de custos?
Era, mas foi uma questão de redução de custos. Produzir em Lisboa tem outra escala e baixa os custos. Mas temos progressivamente canalizado o Porto para o núcleo da RTP2.
Sim, na altura, prometeu que a RTP2 passaria a ser totalmente feita no Porto. Passado um ano, há apenas o Sociedade Civil.
Mas olhe que a taxa de ocupação aumentou
..........
Há três anos, a RTP2 era vista por 5% dos espectadores, uma media de 75 mil portugueses por dia. Hoje são 1,9%, cerca de metade. Quando diz que quer uma RTP2 que regresse "aos bons velhos tempos", como acha que isso pode ser alcançado?
A RTP2 sofreu uma concorrência muito mais direta do cabo. Programas infantis, documentários, séries de ficção, etc. Faz parte do relançamento da RTP2 dizer às pessoas que já têm ali, em sinal aberto, conteúdos pelos quais já pagam 2,65 euros por lar, conteúdos de altíssima qualidade. Não sei se voltaremos a chegar aos 5%, talvez não, mas a RTP2 não se esgota só nas audiências. Tem de atender às minorias, ao desporto amador, ao conhecimento científico e à cultura.
......
Ou seja, alguém acredita que nichos de mercado, vulgo as minorias, vão dar audiências? E que os 1,9% de hoje não se vão transformar em 0,9% e com isso fácil de explicar que não há rentabilidade no CCP e que como tal mais não resta do que fechar?
Se dúvidas tiverem falem com os profissionais da RTP do Porto e eles facilmente lhes dão nota disto mesmo. Mas pior cego do que o que não vê é aquele que não quer ver.
Voltarei a este tema, mas o alerta aqui fica.
domingo, fevereiro 02, 2014
sábado, fevereiro 01, 2014
Lucho González, os líderes e o seu exemplo
O argentino Lucho González foi até há dias o capitão do FC Porto.
Foi um líder, um bom jogador e um foco de união entre a equipa. Foi um campeão.
Na hora da saída deixou a sua boa marca desportiva.
Há uma que também fica, na minha opinião, mas não pelas melhores razões. As tatuagens.
Elas sempre existiram, mas hoje são um sinal difícil de aceitar.
Gostos e liberdades à parte, o tatuado é um bom exemplo?
O tatuado tem consciência das implicações, consequências e possível irreversibilidade da sua opção?
Mais cedo ou mais tarde a sua saúde não vai sofrer com isso e todos pagaremos a despesa aqui?
Teremos visão para falar deste tema, agora que se tornou moda em certas figuras públicas, a tempo de ser conhecido pelas gerações mais novas?
Não será de tomar medidas?
Não é este um assunto de saúde pública?
domingo, janeiro 26, 2014
A questão da ADSE II
O modelo mutualista da ADSE é interessante porque os mais ricos contribuem mais e os mais pobres menos, é um sistem que não tem limite de idade e o mesmo desconto não limita o número de filhos. Também não nega medicamentos inovadores, está presente numa ampla gama de locais com convenção direta e permite que o doente escolha o profissional de saúde convencionado (ou não).
É um modelo cujo conceito é um contraponto ao nosso SNS que é centralizador, burocrata e caro (o custo de tratamento per capita da ADSE é menor do que no SNS).
Há um outro aspeto a considerar. A oferta de serviços (e o seu custo e risco inerentes) é feita por privados pelo que o Estado funciona apenas como regulador e financiador. Evitam-se os inúmeros casos conhecidos (por todo o SNS) em que a oferta pública de serviços é de duvidosa utilidade ou redundante.
Na minha perspetiva, um não substitui o outro (o modelo organizativo do SNS, a meu ver, deve ser preservado) mas é importante refletir neste modelo mutualista que é o modelo existente na maioria dos países do norte da Europa em que o Estado confere a possibilidade aos cidadãos terem seguros de saúde prestados por entidades que não têm que ser obrigatoriamente públicas.
O financiamento da saúde é, portanto, uma questão central, certamente fraturante na sociedade portuguesa mas que deve ser debatida sem preconceitos.
A questão da ADSE I
A ADSE é um seguro mutualista que até 2014 era financiado pelos seus beneficiários e pelo Estado (contribuintes). O agravamento da contribuição de cada beneficiário (3.75%) torna o sistema (para já) autónomo pelo que as acusações dos radicais da pseudodireita e da pseudoesquerda deixam de fazer sentido.
Não querendo ser provocador convém refletir na seguinte questão:
Um doente com um seguro de saúde comercial (exº: Multicare, Médis, Advancecare, ...) quando vai a uma consulta ou faz um tratamento no SNS, quem suporta o custo é o orçamento geral do Estado (contribuinte).
Não querendo ser provocador convém refletir na seguinte questão:
Um doente com um seguro de saúde comercial (exº: Multicare, Médis, Advancecare, ...) quando vai a uma consulta ou faz um tratamento no SNS, quem suporta o custo é o orçamento geral do Estado (contribuinte).
Quando um doente com ADSE, SAD-PSP, SADGNR, ADM, IASFA, etc... usufrui de um serviço do SNS, quem paga é o próprio subsistema de saúde (beneficiário) isentando o orçamento geral do Estado (contribuinte).
Este é um dos argumentos utilizados pelos defensores da ADSE que convém considerar e uma razão para que uma parte do custo da ADSE devesse ser suportada pelo orçamento geral do Estado.
Este é um dos argumentos utilizados pelos defensores da ADSE que convém considerar e uma razão para que uma parte do custo da ADSE devesse ser suportada pelo orçamento geral do Estado.
sábado, janeiro 25, 2014
Co-adopção
"Nenhum homem pode ser mãe, nem nenhuma mulher pode ser pai e cada criança precisa tanto de uma mãe como de um pai ".
É esta a ideia chave de um excelente artigo, publicado hoje, no iaqui
É esta a ideia chave de um excelente artigo, publicado hoje, no iaqui
sexta-feira, janeiro 24, 2014
Verde e madura
O ministro Maduro foi ontem a Montalegre comer
uns enchidos onde, entre um chouriço e um salpicão, falou para as Câmaras de televisão
afirmando que os autarcas que se inquietam com a distribuição das verbas do novo
Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020 não conhecem a realidade.
Em primeiro lugar, conviria que o ministro mostrasse
algum respeito institucional pela Câmara Municipal do Porto, visto que, em vez
de “alguns autarcas”, o que já está em cima da mesa é uma resolução aprovada pela
vereação da Câmara do Porto, que teve, aliás, o voto favorável de certos eleitos
pelo partido do Sr. Maduro. Com aquela sua displicência e desenvoltura, o que o
Sr. ministro demonstrou é que politicamente está um pouco verde.
Em segundo lugar, não ouvi o ministro negar que
uma versão do Acordo de Parceria teria sido rejeitada por Bruxelas por não acautelar
os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de
convergência, nomeadamente da Região Norte.
Em terceiro lugar, o ministro Maduro se pensa
sinceramente que não há razões para inquietações a Norte deveria imediatamente disponibilizar
todos os documentos sobre a matéria e sobre o processo e envolver todos os interessados
na preparação da proposta. Ora, como se sabe, tanto o ministro como o seu ajudante
Castro Almeida insistem em manter a opacidade das negociações e em se esconderem
atrás de subterfúgios formais para cozinharem nos seus gabinetes o que as suas iluminadas
inteligências consideram adequado.
Contrariamente ao que afirma o ministro em tirocínio
para outros postos internacionais, as gentes do Norte conhecem muito bem a realidade
dos centralistas e respectivos sequazes. Fez muito bem a Câmara do Porto em assinalar
que não está ali para ser mais um figurante desses figurões. Saiba o Sr. ministro
que não apreciamos fruta verde mas que também sabemos que a fruta fica pôdre depois de madura.
terça-feira, janeiro 21, 2014
Desculpem lá, mas...
Um político que pretende constituir-se como uma alternativa de Governo não pode sentir-se no direito de afirmar que "as listas de espera no público são carteiras de clientes para o privado". É, no mínimo, ofensivo porque insinua que há intenção quer do governo, quer dos profissionais de saúde em desviar doentes para o privado.
O Sr Seguro há pouco tempo, acusado de falta de credibilidade e de ausência de coragem em propor medidas impopulares, respondeu dizendo que defendia a sepração do trabalho público/privado na saúde (coisa tão populista, não é?) ainda que o único estudo sério que se debruçou sobre essa matéria (Carlos Gante) não tenha concluido que o pluriemprego médico seja prejudicial.
No fundo, o que é triste é sentir que a ignorância e o preconceito aliados ao populismo e à necessidade de se afirmar dá nisto. O PS tem alternativas melhores.
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