segunda-feira, janeiro 06, 2014
Chuta-o com força
Há lapsos freudianos muito reveladores e se ainda
houvesse dúvidas estavam aí as declarações de Mário Soares sobre o Eusébio para
o confirmar.
Há quem pense que quando alguém fala de outro fala
de si. É provável que seja verdade, pelo menos em certos casos.Há quem tenha dito que com a idade nos tornamos no que realmente somos. É por isso que não partilho do ponto de vista de que a mera senilidade seja a explicação de certos auto-golos.
A mim o que me surpreende é que ainda haja tanta
gente a surpreender-se. O que me intriga é esse temor reverencial que finge ignorar
a evidência, os factos, o passado, o percurso cheio de buracos negros, os negócios
esquisitos, as cumplicidades estranhas, o mero verniz cultural, o arrivismo, a
arrogância autoritária e o egocentrismo doentio e exibicionista de uma personagem
de papelão que se colocou num pedestal de cera para gáudio de pacóvios e de oportunistas.
Falo obviamente de MS.
domingo, janeiro 05, 2014
Eusébio
Na ultima convocatória da sua vida na terra, o king foi chamado, com muita pena, no dia de reis. No entanto, para mim, esta foi a melhor distinção para um homem invulgarmente bom !
sexta-feira, janeiro 03, 2014
Calibrar
Sempre em intrigou este apetite
nacional pela calibragem.
É certo que os pneus se calibram,
mas as rodas, essas equilibram-se.
Ou balanceiam-se, como dizem os
nossos amigos brasileiros.
Já a maquineta com que se
equilibram as rodas se calibra.
Ou, pelo menos, é conveniente que
o seja para não desequilibrar as ditas.
Mas, por qualquer razão, a
maioria dos portugueses insiste em “calibrar” rodas.
Em tempos reparei num grande
cartaz numa casa de pneus algures no norte de Espanha que, em castelhano,
francês e português, assim anunciava serviço de equilíbrio de rodas:
Eqilibrio de
ruedas
Équlibrage de
roues
Calibragem de
rodas
Por certo que algum português lhe
terá explicado que assim era na nossa língua.
Mas tal é a vulgarização deste
“calibrar” que até já não me arranha muito os ouvidos.
Agora calibrar pensões é que,
francamente, nunca tinha ouvido, até ao anúncio de ontem de mais uma qualquer
contribuição extraordinária pelo porta voz do nosso conselho de ministros.
Será que, à semelhança das rodas,
ele também quereria dizer equilibrar pensões?
Se sim, como funcionará? Alguém
me explica? (mas por favor não peçam o esclarecimento ao ministro, pois que ele
é bem capaz de primeiro perguntar o que são pensões).
quarta-feira, janeiro 01, 2014
AO SERVIÇO DE PORTUGAL - Lista G !
Ao Serviço de Portugal é o nome da Moção que, irrevogavelmente, apoiarei no 25º Congresso do CDS-PP em Oliveira do Bairro, nos próximos dias 11 e 12 de Janeiro de 2014.
Vale a pena conhecer aqui
segunda-feira, dezembro 23, 2013
terça-feira, dezembro 17, 2013
Políticas de Futuro
A
A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas tem feito um notável trabalho.
Tem denunciado que sem verdadeiras políticas de natalidade não temos futuro.
sexta-feira, dezembro 13, 2013
Sem Palavras - O Ultimo Abraço que me dás
António Lobo Antunes
O último abraço que me dás
Visão Quinta, 12 Dez
Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele

Para Luís Costa
O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me
- Abrace-me porque é o último abraço que me dá
durante o abraço
- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento
e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.
Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:
- Estou aqui para lutar
e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.
A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido
- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento
porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.
O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:
- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.
Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.
Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos
O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me
- Abrace-me porque é o último abraço que me dá
durante o abraço
- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento
e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.
Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:
- Estou aqui para lutar
e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.
A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido
- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento
porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.
O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:
- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.
Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.
Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos
domingo, dezembro 08, 2013
Exijamos respeito pelo nosso dinheiro
Pela Resolução do Conselho de
Ministros n.º 81-C/2013 (DR I Série 232 de 29/11 suplemento) ficámos a saber
que foi agora autorizada a compra de 2 prédios urbanos pelo Estado Português ao
Município de Lisboa pelo simpático valor de 6 milhões de euros, dos quais 4
milhões a pagar ainda em 2013 e os restantes 2 milhões em 2014.
Tratam-se, diz a dita resolução,
de prédios onde, há cerca de 25 anos, foi construído parte do Centro Cultural
de Belém.
Na altura, diz-se na mesma, “a
transmissão da propriedade para o Estado Português não foi objecto de
formalização”...
E assim se transfere para os
bolsos dos contribuintes de todo país mais uma ajuda do Estado ao falido
Município de Lisboa.
Será que algum dia os nossos
políticos começarão a ter algum respeito pelo nosso dinheiro?
Pessoalmente não creio, salvo que
o começarmos a exigir.
Eleições CDS Porto II
Já está, é oficial:
Um em cada três militantes, incluindo Jotas, declarou nas eleições de ontem, no Porto, pensar como nós.
Não há unanimismos!
O CDS, partido de gente livre, no poder no governo, na cidade, no distrito, quer ser maior, exige de dar voz a todos! Para ser melhor!
Quanto ao congresso do CDS, a 11 e 12 de Janeiro de 2014, electivo, Filipe Anacoreta Correia, conta com 12 eleitos do Porto, em nome do movimento Alternativa e Responsabilidade.
As contrariedades, resistências, as divulgadas inverdades não foram bonitas. Mas por nós, que não somos politicos profissionais, já lá vão.
Há cada vez mais gente a pensar como nós.
Começamos com 10%, passamos a 19% e já vamos na casa dos 33% .
Sempre a subir este projecto político!
sexta-feira, dezembro 06, 2013
quarta-feira, dezembro 04, 2013
Já está a mudar
Há uns anos atrás, Pedro Burmester prometeu que não voltaria a tocar no Porto enquanto Rui Rio fosse Presidente da Câmara. Cumpriu a promessa. No domingo, pelas 18h, P Burmester voltará a tocar no Porto, na Casa da Música. Mal se soube, comprei logo 2 bilhetes. E na altura, há já umas semanas, só consegui a 2ª fila. A esta hora parece que a Casa está esgotada.
A Câmara Municipal também já normalizou as relações com o FC Porto. É o que é normal em qualquer parte do mundo.
Gosto mais assim, com a Câmara reconciliada com a cidade.
A Câmara Municipal também já normalizou as relações com o FC Porto. É o que é normal em qualquer parte do mundo.
Gosto mais assim, com a Câmara reconciliada com a cidade.
Palavras chave:
camara municipal do porto,
casa da música,
fcp,
jac,
rui rio
terça-feira, dezembro 03, 2013
Velhos são os trapos
-Tu que tens, que estás hoje irritadiço e
azedo ?
-São as
peúgas, que me fogem pelos sapatos adentro e tenho de as puxar para cima a cada
dez passos.-Tretas! Acordaste amuado por causa do desaire do FCP!
-Quero lá saber da bola! Ainda ontem eram 5 canais, todos a discutir se um Paulo não sei quê ia embora ou não. Que enjôo!
-É porque falhaste a notícia do dia, uma dita Sara manequim que posou nua em cima de um cavalo. És mesmo morcão.
-Se fosse o inverso é que era notícia; ontem fui ao barbeiro e nas revistas viam-se tipos a massagar as nádegas de umas fulanas naquele programa em que estão fechados numa casa. Sabes o que me contou o Amílcar? Que todos os clientes se queixam de queda de cabelo. Parece que a coisa é séria e já veio nos jornais.
-Oh, isso dá-me um treck! A ver se nos carecas como eu dá para lhes voltar a nascer qualquer coisa.
-É! Mas olha que passavas a gastar mais em pentes, shampôs e anti-caspas.
-Chiça, que tu hoje vês desgraça em tudo. Se comesses mais chocolate em vez de fumares essa porcaria vias as coisas com outra positividade.
-Pois: esperança, amor e caridade. E vê que até dei dois sacos de arroz no Domingo pr’ó Banco Alimentar.
-Ignorante! É fé, esperança e caridade, homem. Vamos à desforra? Até te deixo ganhar para melhorares o astral.
-Seja, mas eu continuo com as pretas, está bem?
-Como queiras. Mas põe os botões à frente que te como os dois num instante.
-Foi o sacana do Jesualdo que perdeu as peças, não foi?
segunda-feira, dezembro 02, 2013
CDS no Porto, eleições no próximo sábado
É verdade, sou, somos, candidato(s)!
aqui
Continuo a lutar, abdicando da zona de conforto, por uma democracia de homens livres.
Defendo um CDS de todos, aberto e plural, de convicções.
Somos mais!
Há, mesmo, cada vez mais gente a pensar como nós!
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