terça-feira, dezembro 17, 2013

Políticas de Futuro

A

 A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas tem feito um notável trabalho.


Tem denunciado que sem verdadeiras políticas de natalidade não temos futuro.


sexta-feira, dezembro 13, 2013

Sem Palavras - O Ultimo Abraço que me dás


António Lobo Antunes 

O último abraço que me dás

Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele

O último abraço que me dás
Para Luís Costa
O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me
- Abrace-me porque é o último abraço que me dá
durante o abraço
- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento
e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.
Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:
- Estou aqui para lutar
e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.
A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido
- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento
porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.
O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:
- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.
Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.
Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos

domingo, dezembro 08, 2013

Exijamos respeito pelo nosso dinheiro

Pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 81-C/2013 (DR I Série 232 de 29/11 suplemento) ficámos a saber que foi agora autorizada a compra de 2 prédios urbanos pelo Estado Português ao Município de Lisboa pelo simpático valor de 6 milhões de euros, dos quais 4 milhões a pagar ainda em 2013 e os restantes 2 milhões em 2014.

Tratam-se, diz a dita resolução, de prédios onde, há cerca de 25 anos, foi construído parte do Centro Cultural de Belém.

Na altura, diz-se na mesma, “a transmissão da propriedade para o Estado Português não foi objecto de formalização”...

E assim se transfere para os bolsos dos contribuintes de todo país mais uma ajuda do Estado ao falido Município de Lisboa.

Será que algum dia os nossos políticos começarão a ter algum respeito pelo nosso dinheiro?

Pessoalmente não creio, salvo que o começarmos a exigir.

Já agora, por que não?

Eleições CDS Porto II

Já está, é oficial:

Um em cada três militantes, incluindo Jotas, declarou nas eleições de ontem, no Porto, pensar como nós. 

Não há unanimismos! 

O CDS, partido de gente livre, no poder no governo, na cidade, no distrito, quer ser maior, exige de dar voz a todos! Para ser melhor!

Quanto ao congresso do CDS, a 11 e 12 de Janeiro de 2014, electivo, Filipe Anacoreta Correia, conta com 12 eleitos do Porto, em nome do movimento Alternativa e Responsabilidade.



As contrariedades, resistências, as divulgadas inverdades não foram bonitas. Mas por nós, que não somos politicos profissionais, já lá vão. 

Há cada vez mais gente a pensar como nós.

Começamos com 10%, passamos a 19% e já vamos na casa dos 33% . 

Sempre a subir este projecto político! 


quarta-feira, dezembro 04, 2013

Já está a mudar

Há uns anos atrás, Pedro Burmester prometeu que não voltaria a tocar no Porto enquanto Rui Rio fosse Presidente da Câmara. Cumpriu a promessa. No domingo, pelas 18h, P Burmester voltará a tocar no Porto, na Casa da Música. Mal se soube, comprei logo 2 bilhetes. E na altura, há já umas semanas, só consegui a 2ª fila. A esta hora parece que a Casa está esgotada.

A Câmara Municipal também já normalizou as relações com o FC Porto. É o que é normal em qualquer parte do mundo.

Gosto mais assim, com a Câmara reconciliada com a cidade.

terça-feira, dezembro 03, 2013

Velhos são os trapos


-Tu que tens, que estás hoje irritadiço e azedo ?
-São as peúgas, que me fogem pelos sapatos adentro e tenho de as puxar para cima a cada dez passos.
-Tretas! Acordaste amuado por causa do desaire do FCP!
-Quero lá saber da bola! Ainda ontem eram 5 canais, todos a discutir se um Paulo não sei quê ia embora ou não. Que enjôo!
-É porque falhaste a notícia do dia, uma dita Sara manequim que posou nua em cima de um cavalo. És mesmo morcão.
-Se fosse o inverso é que era notícia; ontem fui ao barbeiro e nas revistas viam-se tipos a massagar as nádegas de umas fulanas naquele programa em que estão fechados numa casa. Sabes o que me contou o Amílcar? Que todos os clientes se queixam de queda de cabelo. Parece que a coisa é séria e já veio nos jornais.
-Oh, isso dá-me um treck! A ver se nos carecas como eu dá para lhes voltar a nascer qualquer coisa.
-É! Mas olha que passavas a gastar mais em pentes, shampôs e anti-caspas.
-Chiça, que tu hoje vês desgraça em tudo. Se comesses mais chocolate em vez de fumares essa porcaria vias as coisas com outra positividade.
-Pois: esperança, amor e caridade. E vê que até dei dois sacos de arroz no Domingo pr’ó Banco Alimentar.
-Ignorante! É fé, esperança e caridade, homem. Vamos à desforra? Até te deixo ganhar para melhorares o astral.
-Seja, mas eu continuo com as pretas, está bem?
-Como queiras. Mas põe os botões à frente que te como os dois num instante.
-Foi o sacana do Jesualdo que perdeu as peças, não foi?

segunda-feira, dezembro 02, 2013

CDS no Porto, eleições no próximo sábado


 
 É verdade, sou, somos, candidato(s)!

aqui 


Continuo a lutar, abdicando da zona de conforto, por uma democracia de homens livres.


Defendo um CDS de todos, aberto e plural, de convicções.


Somos mais!


Há, mesmo, cada vez mais gente a pensar como nós!

sábado, novembro 30, 2013

Estaleiros navais de Viana

Vamos a ver se é mais ou menos isto:

1) os estaleiros não têm encomendas há 2 anos
2) os 634 trabalhadores há 2 anos que recebem salários mas não têm nada que fazer
3) Numa conta de merceeiro diria que durante 2 anos não houve faturação e como tal entrada de dinheiros, mas durante 2 anos houve despesas e saídas de dinheiro pois sempre receberam os salários
4) isto só é possível acontecer porque o accionista, o estado português, foi injectando dinheiro. Numa empresa privada também podia acontecer o accionista meter dinheiro para suportar a empresa.
5) só que no caso do privado o dinheiro era o dele. O dinheiro do estado é o nosso
6) agora há uma empresa privada que assume ficar com a empresa, mas não quer ficar com a responsabilidade e encargos de 634 funcionários visto que a expectativa de negócio a curto prazo não lhes garante tarefas
7) estes funcionários serão indemnizados acima do valor de lei e vão para o fundo de desemprego.
8) estes funcionários podem vir a ser contratados pela nova empresa mal esta comece a ter encomendas
9) estes despedimentos vão custar dinheiro ao estado português, ou seja a cada um de nós.
10) Agora o inerranável Arménio Carlos, quer que a empresa seja entregue aos funcionários. Mas alguém lhes perguntou se eles querem ficar com uma empresa que não tem encomendas e que deixaria de ter a "mama" do estado e como tal eles não iriam nem receber salários e quando ao fim do primeiro mês não houvesse dinheiro e a empresa fechasse nem indemnização teriam?

é mais ou menos isto correcto? No final desta equação diria que:

1) os funcionários acabam por ter uma saída airosa
2) a empresa que fica com os estaleiros pode ter feito um bom negócio se começar a dinamizar as encomendas
3) os portugueses pagam para se verem livres de mais um elefante branco que andamos a suportar à anos

Moral da história: o mexilhão é que se lixa.

sexta-feira, novembro 29, 2013

Rui Rio

O ex-presidente da câmara do Porto recusou o convite para presidir ao novo Banco de Fomento, que vai ficar sediado no Porto.

Eu sei... eu sei... só recusou porque não sei o quê, que está a pensar em... e rebéubéu pardais ao ninho...

Mas a verdade é que recusou um lugar que lhe daria uma reforma dourada. Não são todos iguais.

sexta-feira, novembro 22, 2013

"...e o Interior?"


Quando se fala em Norte, há quem reaja perguntando “...e o interior?”, pensando que assim neutraliza os defensores da Regionalização ao confrontá-los com uma situação de gritante desequilíbrio da coesão nacional.  A verdade, porém, é que não conheço nenhuma proposta concreta no plano da organização político-administrativa do Estado que se apresente como resposta cabal a essa evidência da desertificação, abandono e crescente empobrecimento do interior do país.

Um dos nossos problemas mais sérios vai para além de um mero centralismo, ou seja, de um sistema em que as decisões políticas são única e exclusivamente tomadas por um poder central, que concentra numa capital todas as competências e instrumentos do seu exercício.  O centralismo vigente é mais do que isso: é não só um centralismo político mas também um centralismo económico, social e cultural, com a agravante acrescida de, pela sua dinâmica, afunilar para essa capital o grosso dos recursos nacionais, materiais e humanos. Em Portugal há de facto duas regiões: a região da capital e a região do resto do país.

Essa matriz tende, aliás, a reforçar-se em consequência do calculismo partidário decorrente do facto de a concentração crescente de um eleitorado cada vez mais numeroso e influente na região de Lisboa incentivar a conquista desse voto pela adopção de medidas e a tomada de decisões que respondam aos desejos desse mercado político.

Por outras palavras, o centralismo não é apenas um sistema. O centralismo é também uma dinâmica, um movimento ou, se se quiser, uma energia que suga por necessidade e não necessariamente por uma má-vontade ou “maldade” qualquer. Para dizer curto, é igualmente uma centralização de interesses. Foi e é essa mesma energia que deslaçou o interior do país do seu litoral através da replicação desse mesmo modelo pelo país fora, como se constata se verificarmos, por exemplo, a tentação da capitalização do Porto como centro do Norte, ou a de Coimbra como centro do Centro, ou a de Faro como centro do Algarve. Estes desvios, que servem aliás para encher a boca dos que alertam para o risco da Regionalização reproduzir afinal o modelo, não são filhos de uma Regionalização que não existe, mas são sim os avatares, os miasmas do centralismo que vigora. Mas como é a cabeça que cresce sempre, até esses sub-centralismos irão ou iriam acabar, a manter-se o status quo, por ser desvitalizados pelo verdadeiro e poderoso centro central.

Se assim considerarmos que aquela energia perversa centralizante é afinal uma espécie de droga que mata aos poucos a nação, então talvez compreendamos melhor que a terapia adequada é substituir o próprio modelo e reorganizar de outra forma o exercício do poder político e o Estado. O combate aos desequilibrios entre o litoral e o interior passa por aí. O Norte só o será se ligar economica, social e culturalmente o território de Miranda do Corvo a Caminha e o de Melgaço a Cinfães. Ora, para tanto é preciso um outro tipo de poder, um outro tipo de filosofia, um outro músculo nesse território, um outro Estado. E provavelmente uma outra Constituição: que organize o país em Regiões políticas e que consagre critérios quantificados de desenvolvimento e de transferências intra e inter-regiões.

O que está não presta!
Seria bom que os que dizem defender o interior reflictam nisso.

 

 

 

quarta-feira, novembro 20, 2013

Não percam o Norte


Há um pólo que não tem norte apesar de estar lá o norte. O outro não tem sul, é o sul.

Nós estamos num norte, mas como é o nosso é o Norte. É Norte porque tem sul. Se não tivesse sul não era nem norte nem Norte.

Ambos fazem um país, sul e norte. Fazem-no porque falamos todos a mesma língua, conhecemos as mesmas anedotas, vibramos com os mesmos sucessos, protestamos contra o mesmo governo, partilhamos o mesmo mar e os mesmos antepassados, fizemos a mesma história, emigrámos do mesmo sítio e temos saudades dos mesmos cheiros e bebemos o mesmo vinho.

Sinto-me tão vizinho do pescador de Olhão como do farmacêutico de Vouzela ou do barbeiro do Foco onde aparo o cabelo. Ser vizinho não quer dizer ser amigo. Às vezes, é mesmo o contrário, sobretudo dos que estão mais perto, quando me perturbam o sono ou me complicam a vida. Mas é com os vizinhos que somos uma comunidade. E preciso deles, mesmo que eles pensem que não precisam de mim para nada.

Se o Norte precisa do sul, é igualmente verdade que os de lá de baixo precisam da gente, da terra e das capacidades do Norte. Alguns desses nossos vizinhos ainda não perceberam isso, mas o mal é deles, coitados, impampes na sua ignorância saloia e umbiguistas de vistas curtas. Mas uma coisa é tolerar-se a estupidez alheia, outra é deixar-se espezinhar, senão mesmo servir de mula para levar os ditos às costas a visitar as hortas. Isso não!

Vem tudo isto a propósito da forma como as próximas verbas dos fundos estruturais europeus irão ser geridas e aplicadas no país nos próximos anos. Se o governo da Répública, sediado em Lisboa, pensa que pode repetir os “spill-overs” e outros truques para contornar a coesão nacional e ludibriar o Norte, engana-se. Nós não estamos apenas a norte; nós somos o Norte. Tenham tino! ( se é que ainda querem ser o sul de alguma coisa).

terça-feira, novembro 19, 2013

Admirável

A selecção nacional teve, hoje, um desempenho admirável. Em especial Cristiano Ronaldo, um grande atleta, o melhor jogador do mundo na actualidade.

Agora, na preparação para o campeonato do Brasil, há que melhorar alguns aspectos menos conseguidos neste caminho para a qualificação que agora termina em ritmo de samba.


sexta-feira, novembro 15, 2013

Repugnante


Manoel de Oliveira, Herberto Helder, Manuel Gusmão, Pedro Tamen, Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, Manuela de Freitas, José Mário Branco, Alberto Seixas Santos, Pedro Costa, João Queiroz, Rui Chafes, João Fernandes, Vitor Silva Tavares, Margarida Gil, João Pedro Monteiro Gil, acham repugnante o ministro Poiares Maduro ler uma carta de João Cesar Monteiro numa efeméride sobre os 10 anos da morte do cineasta.

Acham repugnante que um político esteja nessa homenagem. Embora uma das oradoras seja a deputada Isabel Moreira.

Dizem eles que César Monteiro era anti-sistema (o que nunca o impediu de receber subsídios) por isso é repugnante que Poiares Maduro se associe a tal evento.


Triste país este em que as supostas elites culturais se portam desta forma.