sábado, novembro 30, 2013

Estaleiros navais de Viana

Vamos a ver se é mais ou menos isto:

1) os estaleiros não têm encomendas há 2 anos
2) os 634 trabalhadores há 2 anos que recebem salários mas não têm nada que fazer
3) Numa conta de merceeiro diria que durante 2 anos não houve faturação e como tal entrada de dinheiros, mas durante 2 anos houve despesas e saídas de dinheiro pois sempre receberam os salários
4) isto só é possível acontecer porque o accionista, o estado português, foi injectando dinheiro. Numa empresa privada também podia acontecer o accionista meter dinheiro para suportar a empresa.
5) só que no caso do privado o dinheiro era o dele. O dinheiro do estado é o nosso
6) agora há uma empresa privada que assume ficar com a empresa, mas não quer ficar com a responsabilidade e encargos de 634 funcionários visto que a expectativa de negócio a curto prazo não lhes garante tarefas
7) estes funcionários serão indemnizados acima do valor de lei e vão para o fundo de desemprego.
8) estes funcionários podem vir a ser contratados pela nova empresa mal esta comece a ter encomendas
9) estes despedimentos vão custar dinheiro ao estado português, ou seja a cada um de nós.
10) Agora o inerranável Arménio Carlos, quer que a empresa seja entregue aos funcionários. Mas alguém lhes perguntou se eles querem ficar com uma empresa que não tem encomendas e que deixaria de ter a "mama" do estado e como tal eles não iriam nem receber salários e quando ao fim do primeiro mês não houvesse dinheiro e a empresa fechasse nem indemnização teriam?

é mais ou menos isto correcto? No final desta equação diria que:

1) os funcionários acabam por ter uma saída airosa
2) a empresa que fica com os estaleiros pode ter feito um bom negócio se começar a dinamizar as encomendas
3) os portugueses pagam para se verem livres de mais um elefante branco que andamos a suportar à anos

Moral da história: o mexilhão é que se lixa.

sexta-feira, novembro 29, 2013

Rui Rio

O ex-presidente da câmara do Porto recusou o convite para presidir ao novo Banco de Fomento, que vai ficar sediado no Porto.

Eu sei... eu sei... só recusou porque não sei o quê, que está a pensar em... e rebéubéu pardais ao ninho...

Mas a verdade é que recusou um lugar que lhe daria uma reforma dourada. Não são todos iguais.

sexta-feira, novembro 22, 2013

"...e o Interior?"


Quando se fala em Norte, há quem reaja perguntando “...e o interior?”, pensando que assim neutraliza os defensores da Regionalização ao confrontá-los com uma situação de gritante desequilíbrio da coesão nacional.  A verdade, porém, é que não conheço nenhuma proposta concreta no plano da organização político-administrativa do Estado que se apresente como resposta cabal a essa evidência da desertificação, abandono e crescente empobrecimento do interior do país.

Um dos nossos problemas mais sérios vai para além de um mero centralismo, ou seja, de um sistema em que as decisões políticas são única e exclusivamente tomadas por um poder central, que concentra numa capital todas as competências e instrumentos do seu exercício.  O centralismo vigente é mais do que isso: é não só um centralismo político mas também um centralismo económico, social e cultural, com a agravante acrescida de, pela sua dinâmica, afunilar para essa capital o grosso dos recursos nacionais, materiais e humanos. Em Portugal há de facto duas regiões: a região da capital e a região do resto do país.

Essa matriz tende, aliás, a reforçar-se em consequência do calculismo partidário decorrente do facto de a concentração crescente de um eleitorado cada vez mais numeroso e influente na região de Lisboa incentivar a conquista desse voto pela adopção de medidas e a tomada de decisões que respondam aos desejos desse mercado político.

Por outras palavras, o centralismo não é apenas um sistema. O centralismo é também uma dinâmica, um movimento ou, se se quiser, uma energia que suga por necessidade e não necessariamente por uma má-vontade ou “maldade” qualquer. Para dizer curto, é igualmente uma centralização de interesses. Foi e é essa mesma energia que deslaçou o interior do país do seu litoral através da replicação desse mesmo modelo pelo país fora, como se constata se verificarmos, por exemplo, a tentação da capitalização do Porto como centro do Norte, ou a de Coimbra como centro do Centro, ou a de Faro como centro do Algarve. Estes desvios, que servem aliás para encher a boca dos que alertam para o risco da Regionalização reproduzir afinal o modelo, não são filhos de uma Regionalização que não existe, mas são sim os avatares, os miasmas do centralismo que vigora. Mas como é a cabeça que cresce sempre, até esses sub-centralismos irão ou iriam acabar, a manter-se o status quo, por ser desvitalizados pelo verdadeiro e poderoso centro central.

Se assim considerarmos que aquela energia perversa centralizante é afinal uma espécie de droga que mata aos poucos a nação, então talvez compreendamos melhor que a terapia adequada é substituir o próprio modelo e reorganizar de outra forma o exercício do poder político e o Estado. O combate aos desequilibrios entre o litoral e o interior passa por aí. O Norte só o será se ligar economica, social e culturalmente o território de Miranda do Corvo a Caminha e o de Melgaço a Cinfães. Ora, para tanto é preciso um outro tipo de poder, um outro tipo de filosofia, um outro músculo nesse território, um outro Estado. E provavelmente uma outra Constituição: que organize o país em Regiões políticas e que consagre critérios quantificados de desenvolvimento e de transferências intra e inter-regiões.

O que está não presta!
Seria bom que os que dizem defender o interior reflictam nisso.

 

 

 

quarta-feira, novembro 20, 2013

Não percam o Norte


Há um pólo que não tem norte apesar de estar lá o norte. O outro não tem sul, é o sul.

Nós estamos num norte, mas como é o nosso é o Norte. É Norte porque tem sul. Se não tivesse sul não era nem norte nem Norte.

Ambos fazem um país, sul e norte. Fazem-no porque falamos todos a mesma língua, conhecemos as mesmas anedotas, vibramos com os mesmos sucessos, protestamos contra o mesmo governo, partilhamos o mesmo mar e os mesmos antepassados, fizemos a mesma história, emigrámos do mesmo sítio e temos saudades dos mesmos cheiros e bebemos o mesmo vinho.

Sinto-me tão vizinho do pescador de Olhão como do farmacêutico de Vouzela ou do barbeiro do Foco onde aparo o cabelo. Ser vizinho não quer dizer ser amigo. Às vezes, é mesmo o contrário, sobretudo dos que estão mais perto, quando me perturbam o sono ou me complicam a vida. Mas é com os vizinhos que somos uma comunidade. E preciso deles, mesmo que eles pensem que não precisam de mim para nada.

Se o Norte precisa do sul, é igualmente verdade que os de lá de baixo precisam da gente, da terra e das capacidades do Norte. Alguns desses nossos vizinhos ainda não perceberam isso, mas o mal é deles, coitados, impampes na sua ignorância saloia e umbiguistas de vistas curtas. Mas uma coisa é tolerar-se a estupidez alheia, outra é deixar-se espezinhar, senão mesmo servir de mula para levar os ditos às costas a visitar as hortas. Isso não!

Vem tudo isto a propósito da forma como as próximas verbas dos fundos estruturais europeus irão ser geridas e aplicadas no país nos próximos anos. Se o governo da Répública, sediado em Lisboa, pensa que pode repetir os “spill-overs” e outros truques para contornar a coesão nacional e ludibriar o Norte, engana-se. Nós não estamos apenas a norte; nós somos o Norte. Tenham tino! ( se é que ainda querem ser o sul de alguma coisa).

terça-feira, novembro 19, 2013

Admirável

A selecção nacional teve, hoje, um desempenho admirável. Em especial Cristiano Ronaldo, um grande atleta, o melhor jogador do mundo na actualidade.

Agora, na preparação para o campeonato do Brasil, há que melhorar alguns aspectos menos conseguidos neste caminho para a qualificação que agora termina em ritmo de samba.


sexta-feira, novembro 15, 2013

Repugnante


Manoel de Oliveira, Herberto Helder, Manuel Gusmão, Pedro Tamen, Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, Manuela de Freitas, José Mário Branco, Alberto Seixas Santos, Pedro Costa, João Queiroz, Rui Chafes, João Fernandes, Vitor Silva Tavares, Margarida Gil, João Pedro Monteiro Gil, acham repugnante o ministro Poiares Maduro ler uma carta de João Cesar Monteiro numa efeméride sobre os 10 anos da morte do cineasta.

Acham repugnante que um político esteja nessa homenagem. Embora uma das oradoras seja a deputada Isabel Moreira.

Dizem eles que César Monteiro era anti-sistema (o que nunca o impediu de receber subsídios) por isso é repugnante que Poiares Maduro se associe a tal evento.


Triste país este em que as supostas elites culturais se portam desta forma.

Álvaro Cunhal

Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público um excelente texto a propósito do ex-líder comunista.
A última frase demonstra bem a insanidade que vivemos: "A consciência histórica dos portugueses é um óptimo reflexo da inconsciência que os trouxe à miséria e ao desespero."

terça-feira, novembro 12, 2013

O senhor AM

Volta meia volta aparece por aqui uma máscara que assina como AM.
Entra sempre pela porta chamada dos comentários, que não faz.
Como não discute, ou procura discutir, qualquer ideia.
Tão pouco é capaz de produzir uma.
Ao invés, entretém-se a qualificar e a catalogar os seus autores.

No que se vislumbra o machismo tuga, razão por que lhe arrisco o senhor.

Para o senhor AM há na vida apenas os uns e os outros.
Os uns são os bons, os outros são os maus.
Os uns, os bons, escrevem o que a sua formatada mente gosta de ler.
Alimentam o seu ego, como música para os seus ouvidos.
Os outros, os maus, não se enquadram naquela e arranham os ditos.
Por isso que os uns se aplaudem e os outros se insultam.
Mas as ideias, essas não se discutem. Nem um blog servirá para tal...

O que tudo diz apenas dele e não dos escribas seus alvos.
São tristes as voltas da vida.

Em mais um artigo no DN, Mário Soares continua a suspirar por uma ditadura.
Consigo perceber o raciocínio de Soares: Como em democracia já ninguem me liga pode ser que em ditadura me tornem a adorar como oposicionista corajoso.

A propósito da moral e de Moçambique


Tenho sempre uma espécie de pavor quando me arrastam para assuntos de moral. Prefiro conversar sobre ética, mas às vezes a fronteira esbate-se e ouço afirmações peremptórias e absolutas cuja certeza não sou capaz de partilhar e sobre as quais prefiro assumir uma ignorância prudente ou uma dúvida que até pode parecer cobarde.

Vai um exemplo?

Quando o Mouzinho de Albuquerque aprisionou em Chaimite (1895) o régulo Gungunhana, foi este acompanhado pelas suas 7 mulheres, pelo filho mais velho e por outros dois personagens na viagem que os trouxe em condições abjectas para Lisboa, onde são encarcerados nas casamatas da prisão de Monsanto.

Como à volta daquele Forte se tivesse instalado um arraial de populares que todos os dias ali se deslocavam para vislumbrarem no pátio as “bestas”, e porque começavam a multiplicar-se nessa feira zaragatas e distúrbios, decidiu o governo de então desterrar o grupo para a ilha Terceira. Mas porque o facto da poligamia do prisioneiro incomodasse o moralismo católico da época, resolveram as autoridades separar as mulheres, as quais viriam dias depois a ser deportadas para a ilha de S. Tomé, onde a maioria viria a morrer na mais profunda miséria.

Gungunhana, o filho e os outros foram desterrados para os Açores, mais precisamente para o Castelo de S. João Baptista de Angra do Heroísmo. O Governador local, dando-se conta da tristeza e da saudade profundas de Gungunhana, intercedeu junto do Governo de Lisboa para que ao menos fosse autorizada uma das mulheres a vir viver com ele, mas nada feito. Em vez disso, foram dadas instruções oficiais para que aqueles homens fossem levados todas as semanas a um bordel da cidade onde se poderiam aliviar das suas mágoas e não só. E assim se salvava a moral e os bons costumes.
Como exemplo, dá que pensar. Ou não?

 

 

quarta-feira, novembro 06, 2013

O BPI e os 100 anos de Fátima


O banco semi-angolano BPI afirma que quer comemorar os 100 anos de Fátima.
 
Imagina o leitor que isso significa organizar para os colaboradores crentes uma excursão ao santuário? Julgaria que isso quereria dizer que a D. Isabel Santos vai passar a rezar um terço antes de cada Assembleia Geral de accionistas? Pensa algum incauto que tal significa que o Sr. Ulrich se compromete a orar um rosário antes de cada declaração política? Enfim, desiludam-se os que acreditaram que isso implicaria uma qualquer doacção a alguma instituição de solidariedade social ou pelo menos o financiamento de uma rede de postos de assistência aos peregrinos que são regularmente atropelados na EN 1.

Não! O BPI dos generais de Luanda, da Sra. Santos e do Sr. Ulrich faz um negócio: vende 2017 ‘nossas senhoras’ de prata pelo módico preço de 2900 euros ou de 7900 euros, consoante a coroa da imagem seja em prata dourada ou em ouro cravejada de 111 pedras preciosas.

O BPI é um banco muito ‘católico’: facilita o crédito por 82 ou 92 meses, com um TAEG que vai de 8,6% a 9%. E o novo bezerro vem acompanhado de um livro/certificado de uma tal Aura Miguel, que se diz jornalista acreditada na Santa Sé. Não se percebe o que é que o papel certifica, se o teor da prata ou o quilate do ouro, mas vistas as credenciais da senhora deve ser algo para garantir que a que apareceu na oliveira levava pérolas e diamantes. Tudo acondicionado em estojo de pele natural e documentado com 7 DVDs.

Enfim, um horror que assustaria a pequena Jacinta. Mas, no entender do BPI, um investimento. E o que diz a hierarquia da Igreja Católica Portuguesa?

 

segunda-feira, novembro 04, 2013

Os aprendizes de Gaia


Acho sempre interessante quando aparecem ideias malucas a bulir com a nossa racionalidade. Mas fico preocupado quando ouço pessoas de mérito elogiar um projecto de doidos, invocando “abertura de espírito” e chamando os detractores da coisa de reaccionários.
Refiro-me ao projecto dos arquitectos Pedro Bandeira e Pedro Ramalho para o quarteirão da Companhia Aurifícia, no Porto: deslocar para ali a ponte D. Maria Pia.

Aquando das eleições para a Câmara do Porto houve alguém que disse que o candidato do governo seria até capaz de propôr trazer a torre Eiffel para a Invicta se tal ideia lhe passasse pela cabeça. Era obviamente uma ‘boutade’ do crítico, que com essa hipérbole pretendia caracterizar a fantasiosa imaginação daquela gente.

Ora, afinal, o que era um radical exagero ganha agora corpo, feito ponte.
Nada tenho contra a brincadeira de umas foto-montagens, à qual se junta a vontade de que falem deles, dos brincalhões. Mas o que verdadeiramente me deixa sem palavras é a constatação de que há outros que acham o disparate exequível e desejável.

Fico assustado. Os chineses não compraram apenas a EDP; estão, pelos vistos, a contaminar as nossas inteligências. 
 

quarta-feira, outubro 30, 2013

O Estado pós-burocrático

 O guião da reforma do Estado, um relatório com 112 páginas, letra de tamanho 16 e duplo espaçamento entre linhas. Pode ser consultado aqui:   http://www.scribd.com/mobile/doc/180306383