terça-feira, maio 28, 2013

coadoção por casais homossexuais

A tendência nos dias de hoje é para amaciar a palavra.

Os partidos relativizam tudo, querem estar bem com todos.

É essa a praia política dos novos tempos. Para crescer, ter e ser gente.

Não há sequer que ter um limite, para usar uma expressão tão cara à direita.

Tem razão o Filipe Anacoreta Correia em

http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=3231906#_page0

Cá para mim, digo com muita pena, o voto de abstenção de alguns deputados do CDS é um voto abusado.


domingo, maio 26, 2013

Cisma Grisalho?

Aproveito a declaração de Paulo Portas sobre a sua oposição (e a do CDS e muitas pessoas do PSD) a uma nova taxa sobre os pensionistas, para o titulo deste breve "post".
Hoje no Público, um artigo de opinião de Paulo Trigo Pereira foi ilustrado com o gráfico que anexo:


Neste gráfico resulta claro o enorme deficit no saldo das funções sociais directas do estado. Diferença entre as prestações sociais que pessoas e empresa pagam e as pensões e subsididos de desemprego pagos pelo estado. Este gráfico analisa apenas os primeiros 4 meses do ano e o saldo negativo já vai em quase 4 mil milhões de euros! Acresce a isto que não parece que este saldo esteja para ser positivo. Nem no curto prazo e muito em especial no médio prazo.

Concordarão todos que o tema é muito grave e que nos obrigará a escolhas.

O tema tem uma base estrutural que, em especial a esquerda, não quer resolver que é o facto de a geração que está activa paga as reformas da geração acima. Isto funcionou bem enquanto a pirâmide de idades ajudava (mais nascimentos do que óbitos). É um problema com a demografia que temos hoje. É um problema porque as pessoas quando se reformam acham que estiveram a descontar para uma determinada reforma, quando o que descontaram foi gasto nas reformas dos seus pais. Este modelo estruturalmente é muito difícil. Mudá-lo significa que uma geração pagará duas vezes. Continuará a pagar as reformas dos seus pais e pagará as suas com a constituição de um fundo (uma poupança). Estamos disponíveis para esta escolha?

Outro tema é o da estrutura das reformas que o estado paga e da sua incidência. Todo o modelo resulta da adição de beneficiários ao longo dos anos. Não é coerente, é muito assimétrico e tem regras de acesso muito diferentes. Estamos disponíveis para alterar tudo isto?

São apenas dois exemplos da dificuldade das escolhas que teremos pela frente. Uma coisa eu tenho certa. Aumentar reformas, aumentar o número de reformados sem nada mudar e em alguns casos ainda pedir uma baixa de impostos não é realista.

Uma nota final para o facto de este tema nada ter a ver com opções ideológicas ou políticas. A obrigação de o estado tratar com dignidade quem se reforma é, para mim, fundamental. Tão fundamental como garantir que os nossos filhos não recebem uma "conta" que não vão conseguir pagar. Por isso é que teremos de escolher.


sexta-feira, maio 24, 2013

O PRINCÍPIO DO FIM OU O FIM DOS PRINCÍPIOS


 

Li ontem um artigo de um jornalista num jornal diário de referência que, a dado passo, dizia o seguinte: “só um pensamento totalitário admite o sacrifício de pessoas concretas em nome de princípios abstractos”.

Ainda pensei que fosse a brincar, o que no contexto teria até alguma graça. Mas não. Esta frase define uma época, estes tristes tempos que vivemos. O tema do artigo era a co-adopção mas, apesar de não concordar com o autor sobre este assunto, não é isso que me ocupa agora.

O que me despertou foi a leveza com que se proclama, sem a menor dúvida ou hesitação, que não existem princípios. É isso mesmo que se está a dizer. A seguir-se a certamente irreflectida tese do autor, os princípios cederiam sempre na exacta medida em que provocassem algum sacrifício a um indivíduo. Não haverá nenhum princípio que justifique um mínimo de sacrifício individual? Parece que não. O meu caso não deve contar, pois tinha por certo que há vários princípios que por vezes impõem algum sacrifício, não vou agora enumerá-los, mas que sei eu, devo ser um masoquista.

Nada vale, portanto, em circunstância nenhuma, a não ser a ausência de sacrifício para todo e qualquer ser humano. O princípio e o fim é o bem estar individual.

Tenho, desde logo, de pedir a indulgência, embaraçado, aos milhares ou milhões de pessoas que acharam ao longo dos tempos que existem princípios que merecem sacrifícios pelo facto de, pelos vistos, alguém conceber viver sem sacrifício e sem princípios.

Uma civilização hedonista sem princípios não o é de todo.

quinta-feira, maio 23, 2013

Simplesmente Sampaio

Registo com interesse e curiosidade a evolução de Jorge Sampaio.
Em 1975 defendia que as eleições livres e universais eram nefastas porque o povo não estava preparado para decidir o seu futuro em liberdade; primeiro havia que consolidar o socialismo e torna-lo irreversível, depois então o povo ignorante poderia votar, em dia a decidir num futuro por concretizar.
Já no século XXI, empossou e demitiu um Primeiro-Ministro com apoio parlamentar maioritário, num calendário acidentalmente coincidente com as mudanças de liderança no PS, que viria a ser poder nas eleições por si provocadas.
Esta semana, agasta-se com a apologia da estabilidade, quando esta estabilidade significa, de novo e por coincidência, a permanência do PS fora do Governo e da maquina do Estado.
Um democrata de referência em permanente renovação na continuidade, portanto.

sexta-feira, maio 17, 2013


A propósito de um comentário ao meu post anterior.


Não costumo responder a anónimos, mas como este está relativamente identificado, vou abrir uma excepção.

Este tipo de comentário é típico de quem foi apanhado com as calças nas mãos. Não nega nada do que foi dito, até concorda, mas critica dando uma pirueta argumentativa.

Começa por lançar epítetos sobre “os outros” (Rui Moreira), não dizendo nada de concreto, afirmando que são todos iguais. É a chamada política professor Karamba, não sabem o que vai acontecer mas adivinham.

Acaba a falar de Rui Rio, como se o meu post tivesse alguma coisa a ver com o assunto. Logo eu que sempre gostei bastante dele :-)))

Eu percebo o medo desta malta. É a primeira vez que um candidato verdadeiramente independente tem possibilidades de mudar a política em Portugal, e isso assusta o regime. Como a campanha está a pôr a nu os métodos absolutamente miseráveis de Menezes há que arrastar todos para a lama.

Afirmo mais uma vez: Debatam ideias ou vão ter uma surpresa.

quinta-feira, maio 16, 2013


Infelizmente as minhas piores expectativas em relação às autárquicas no Porto e Gaia estão a ser confirmadas.

Sobre o assunto:

Pacheco Pereira
Pedro Picoito
Miguel Noronha I
Miguel Noronha II
Miguel Noronha III

Começa a fazer-se luz sobre certos apoios... e isto não é nada.

Dum-dum


Consta que um simples agente do Ministério Público protege, por acção ou omissão, os responsáveis políticos do governo regional da Madeira que violam as mais elementares regras de defesa do interesse público na gestão dos dinheiros dos contribuintes. Quem o diz é o Tribunal de Contas. E nada acontece.

A trupe que se aninha na Gaianima faz, em vésperas de extinção, ajustes directos aos amigos, numa prática em que a gentinha do candidato “Relvas” à Câmara do Porto é useira e vezeira. E nada acontece.

Há umas pessoas com altas responsabilidades a falar de fronteiras mas que dão o dito por não dito em função da chuva ou do sol. Ao mesmo tempo, outros importantes magistrados invocam Nossa Senhora ou S. Jorge, monopolizando apoios que assim ficam indisponíveis para as orações de Jesus, por muito que este se ajoelhe. E nada acontece.

Parece que em Berlim há quem aponte para Bruxelas a gritar “o rei vai nú”, provavelmente inspirados nuns engraçados que em Lisboa, depois de assinarem de cruz um tal Memorando começaram a dizer o quão mal concebido este fora e outras coisas do género “não fui eu, foi a minha mulher”. E nada acontece.

Há em Oeiras um aprendiz de Isaltino, o criminoso, a afirmar que o padrinho foi o melhor autarca de sempre, ofendendo sem disso se dar conta a luminária que na margem esquerda do Douro deixa a maior dívida concelhia do século, e, apesar de umas gargalhadas na assistência, nada de fundamental acontece.

Conclusão: há ratazanas de esgotos travestidas de dirigentes políticos, mas, ou porque a constipação nos tapou o nariz, assim nos impedindo de lhes sentir o cheiro a esterco, ou porque a míopia nos não permite ver-lhes a cauda a abanar, pensamos que são gente em vez do que realmente são. E, assim sendo, nada acontece.

- Olha, chupa um caramelo dum-dum.

 

terça-feira, maio 14, 2013

Praça de Alegria - Lisboa a caminho do Porto?


O share da Praca da Alegria - Lisboa é um desastre, tendo descido brutalmente desde que foi do Porto para Lisboa. Os custos são obrigatoriamente maiores, pq no Porto era feito com prata da casa e em Lisboa subcontratado a uma produtora externa. E com isto tudo, nao ha nenhum deputado do norte que chame o presidente da RTP ao Parlamento?

segunda-feira, maio 13, 2013


O princípio de uma nova Democracia?

“On serving each other we became free”

 
Ao longo dos últimos anos, e coincidente com a perceção de vários sintomas de degradação da vida democrática do nosso país, vamo-nos questionando sobre o que correu mal e qual será o melhor caminho para continuar a acreditar que o milagre (viver bem em Democracia) é possível. O caminho mais fácil tem sido culpar os partidos políticos e respetivos aparelhos de todos os males e a forma, por vezes mais do que duvidosa, como os elementos desses aparelhos ocupam lugares chave de decisão (e outros), em várias entidades públicas. Também elas de utilidade duvidosa. Ultimamente, tenho-me questionado se o mal também não está em nós. Porque razão nos afastamos da vida partidária, se entendemos que os partidos políticos estão supostamente “minados” por recursos humanos de capacidade técnica, profissional e, por vezes humana, duvidosa? O lógico seria fazer parte dos órgãos de gestão (locais e/ou nacionais) e partir para a defesa dos nossos valores e do nosso apregoado profissionalismo. Então porque não o fazemos? Acredito que, hoje em dia, seja por descrença. E também por preguiça. Por outro lado, porque, apesar de eventuais defeitos, os chamados aparelhos partidários são um “mal necessário”, pois existem pessoas que nasceram com vocação para a política. Quem tiver paciência para continuar a ler este artigo, vai ficar com a ideia que estou a defender o indefensável. Não. Estou a tentar ser realista. O afastamento da vida partidária, por parte de pessoas com inegável qualidade académica e profissional, enfraqueceu e enfraquece a democracia. Claro que existem outros sintomas graves, mas sobre os mesmos é melhor nem falar. É o que mais se fala. Mas não resisto em questionar a seriedade de um sistema que permite, por exemplo, a um deputado, reformar-se após 12 anos de trabalho?!? E por aqui fico, pois existem outros maus exemplos. Agora o caminho mais difícil: ser verdadeiramente independente. Ter a coragem de assumir um distanciamento saudável dos atuais partidos e do status quo vigente. É um caminho de coragem. É um caminho de rutura. Mas é, acima de tudo, um caminho de cidadania. É uma afirmação de que existe uma alternativa que pode e deve melhorar a saúde da nossa democracia. É um exemplo. Por todas estas razões e por convicção pessoal, resolvi pertencer à Comissão de Honra da candidatura do Dr Rui Moreira a Presidente da Câmara Municipal da cidade que amo: o Porto. Faço-o porque acredito que quem percorre um caminho de cidadania, de profissionalismo, de honestidade e de independência, merece servir de exemplo. Porque acredito que é o início de uma nova forma de estar em democracia. Distante dos partidos. Distante dos poderes instalados. Distante do silêncio comprometedor dos cúmplices do estado a que chegamos. É uma candidatura de coragem. O caminho não é fácil, mas com calma, com seriedade e paciência, vai levar-nos à vitória. Uma vitória que não é nossa. Será, antes de tudo, uma vitória dos portuenses. Uma vitória da cidade. Para se tornar numa vitória do país. Que poderá servir de exemplo para que o poder volte às mãos de quem o tem: os cidadãos. Eu acredito porque o meu partido sempre foi e é o Porto.

Os famosos 3 F's e o Corporativismo


Na minha época de estudante, ainda nos tempos da outra senhora, insurgíamo-nos contra esta por nos tentar adormecer com Fado, Futebol e Fátima, qual ópio do povo como então dizia Mao, razão por que eram também objecto da nossa forte contestação.

Vem-me isto hoje à memória, mais de 40 anos volvidos (e já 39 sobre o vintecincobarraquatro), por estarmos agora a ser encharcados pelos nossos media com Futebol e Fátima, intervalados apenas com a crise que insiste em ser hoje o nosso Fado.

Naquele tempo vivámos também o chamado regime corporativo, que agrupava a sociedade activa em corporações, tudo sob a coordenação dum Ministério também dito das Corporações. Regida pelo famigerado Martinez, a cadeira de direito corporativo integrava ainda obrigatoriamente o plano do curso.

À medida que esta crise nos vai mostrando os podres do actual regime democrático, que se têm revelado bem piores do que poderíamos imaginar, vamos também verificando que uma das dificuldades em os corrigir radica numa cultura de corporativismo que subsiste na nossa sociedade, hoje mais forte e mesmo com mais poder que no tempo em que era institucional.

A ponto de, segundo o Expresso de há 3 semanas atrás, António Borges ter gracejado para uma plateia de estudantes: “O Dr. Salazar deve estar radiante no túmulo, já que não esperava ver o país com um corporativismo tão acentuado”.

Acrescentando eu que, se o tal túmulo tiver televisor, este fim-de-semana, mais que radiante deveria estar mesmo a rir gargalhada.

Salvo se fosse benfiquista, do que duvido...

domingo, maio 12, 2013

sexta-feira, maio 10, 2013

Iva de caixa

Para alguns pode passar despercebida a importância desta medida, mas ela representa para muitos um alívio na tesouraria. Como referiu Paulo Núncio, são 85% das empresas que podem beneficiar desta medida. É muita empresa. Este é um excelente sinal, e agora falta conhecer mais em pormenor os mecanismos legais e esperar que as empresas adiram. Será seguramente uma parte de um plano de apoio à economia, mas é uma boa parte. Quem certamente não gostará destas medidas é a banca que pode ver fugir alguns dos empréstimos, muitos deles com juros altíssimos a suportar pelas empresas. E ao olhar para esta medida, pergunta-se porque tardou tanto, mas como diz o ditado mais vale tarde do que nunca. Agora a bola está do lado das empresas.

quinta-feira, maio 09, 2013

DEVO, NÃO NEGO, PAGO QUANDO PUDER


 
Sérgio Sousa Pinto, que como é sabido não cabe nele próprio, afirma hoje no Público, como se de uma pérola se tratasse, que o Governo precisa de compreender que existe um conflito de interesses entre nós (Portugal) e os credores.
Estou convencido, Sérgio que me perdoe, que por muito incompetente que este Governo seja, matéria sobre a qual não me vou por ora pronunciar, não deve ter existido um só dia desde a data da tomada de posse em que ele não se tenha confrontado com esta evidência.
O Governo, como eu próprio e milhares de portugueses, conhecemos de perto este facto que Sérgio Sousa Pinto nos oferece de borla. Mais: sabemos muito bem que, provavelmente, o principal interesse em conflito talvez seja o do credor querer receber e o devedor não querer ou não poder pagar. É assim há milhares de anos.
Pretender retirar-se desta circunstância que o problema se resolve sendo duro nas negociações com os credores ou simplesmente dizer-lhes “não pagamos”, sobretudo quando necessitamos permanentemente de recorrer a crédito para cobrir os sucessivos e inevitáveis défices, é ingenuidade, estupidez ou má fé.
Quem desprezou esta óbvia realidade, e por isso estamos como estamos, foram os amigos de Sérgio Sousa Pinto que nos governaram ao longo dos tempos, de braço dado com os credores quando era preciso, apesar, estou certo, de ele os ter com certeza avisado do conflito de interesses.

terça-feira, maio 07, 2013

É claro!



“ Como é que se ficou à espera da bancarrota ? E qual é afinal o papel da Comissão Europeia, com o português Barroso, nisto tudo?
- Exactamente. O presidente da Comissão Europeia é, na parte económica, um desastre. Nas outras, faz o que lhe é pedido, sem pensamento próprio nem competência técnica, o que me aflige. Na Europa, deviam ser mais inteligentes.”
 
João Ferreira do Amaral na entrevista da última Revista Expresso “É claro que vamos sair do euro”