quarta-feira, janeiro 30, 2013

Les jeux sont faits

Ao contrário do que possa parecer, a noite no Largo do Rato foi de clarificação.
Tivemos de um lado António José Seguro a tentar um bluff, esquecendo a regra básica de que, na sua posição, só vale a pena sacar de uma arma quando tem munições. A sua voz grossa não vem de dentro, não intimida.
Tivemos do outro lado António Costa a dizer claramente: cá estarei, serei presidente, quando decidir, nos termos em que decidir. É uma manifestação de auto-confiança e, acima de tudo, uma humilhação a Seguro: estarás aí enquanto eu entender, sairás quando eu decidir.
Obviamente, Seguro, a atravessar um periodo de fraqueza, fez o que nenhum presidente fraco pode fazer: um ultimato. Há casos a mais deste tipo na história da política para que tenha cometido este erro.
Costa não tem nada a perder, apenas uma câmara a ganhar, a mais importante do país. As legislativas vêm cada vez mais longe, o tempo está do lado de Costa. Terá previsivelmente uma vitória para mostrar ao país, em contraste com o repetitivo desnorte de Seguro no Parlamento.
Este é o estado da arte neste momento, ambos jogaram; o mais fraco as cartas todas, o mais forte assistiu e deixou entender que tem uma boa reserva para continuar em jogo, nos seus termos.
Há sempre a possibilidade de um Seara trabalhador e motivado surpreender um Costa algo cansado e disperso.
Há sempre a possibilidade de Seguro mudar quase tudo o que tem feito, acertar o passo e virar-se para um país que o passe a entender melhor.
Ambas as possibilidades são de dificil concretização, no essencial tudo se clarificou hoje no Largo do Rato.
Les jeux sont faits.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Almoço Nortadas

Obrigado, Zé e Mariana.

Porta-vozes caseiros


Sergueï Magnitski era um jovem advogado russo de 36 anos que descobriu e denunciou, em 2008, uma fraude fiscal de 130 milhões de euros envolvendo a polícia e as próprias autoridades fiscais da Rússia. Foi imediatamente preso preventivamente pelas autoridades que denunciara e durante oito meses penou numa prisão moscovita onde foi repetidamente humilhado e sovado, perdendo 20 kilos. Finalmente, foi lançado de mãos e pés atados no chão de cimento de uma célula fria para aí ser pontapeado até à morte. O relatório oficial diz que morreu “por negligência”.

Hoje, inicia-se nos tribunais de Moscovo um processo post-mortem, em que ele é acusado de ... fraude fiscal (!). Na semana passada, um jornalista mais afoito perguntou ao Putin júnior, um tal Medvedev que foi a Davos botar discurso, se achava normal processar um morto e se não seria mais curial investigar como é que Magnitski morrera na prisão, ao que o dito júnior respondeu que o caso não interessa a ninguém.

Eu não tenho categoria para ser convidado para Davos e tampouco tenho cartão de imprensa que me dê acesso a essas conferências, mas lembrei-me que aqui perto temos um funcionário do Sr. Putin sénior que conhece bem os hábitos russos e os corredores moscovitas e que é, nem mais nem menos, o Cônsul da Rússia aqui no Porto.

Por isso aqui vai.

Ó Sr. Eng° Couto dos Santos, digno deputado da nação, insigne militante do PSD e porta-voz do candidato de Gaia à Câmara do Porto: V. Exa. é capaz de nos explicar porque é que uma pessoa em prisão preventiva na Rússia é espancada até à morte e depois ainda lhe movem um processo penal? V. Exa. consegue explicar-nos porque razão não houve um inquérito ao acontecido a Magnitski na prisão? V. Exa. sente-se confortável em acumular com as suas respeitáveis funções nacionais e locais o papel de porta-voz dos interesses de um regime de corruptos e mafiosos como é o regime russo de Putin?

Muito agradecido.

Sugestão

Sugiro que a próxima conferência sobre a reforma ou reorganização do Estado seja organizada fora de Lisboa. Por exemplo em Guimarães.

O Português no Mundo

A Língua Portuguesa ainda tem muito que se lhe diga.

Aqui fica uma sugestão para quem se preocupa com estas coisas.

sábado, janeiro 26, 2013

O Erro de Seguro

Seguro deixou-se enredar de modo fatal. Ao tentar gerir as multiplas facções internas, nunca chegou a ter rumo, nunca se permitiu ser genuino e perdeu o país. Ao mesmo tempo, por não se afirmar externamente, nunca conquistou nenhuma das facções que o condicionaram. Ao contrário, se se tivesse voltado para fora, seguido um rumo constante e coerente, conseguindo uma forte afirmação externa, as facções internas tê-lo-iam seguido mais cedo do que tarde. É da natureza dos partidos, não se compreende que, tendo Seguro feito a sua vida no PS, não tenha compreendido isto.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Pernas para que te quero?


Há 4 dias, um Secretário de Estado do ministro Relvas foi notificado de um despacho de acusação do crime de prevaricação de titular de cargo político. Passados 4 dias de ‘reflexão’, o Sr. Secretário demite-se invocando motivos pessoais. O ainda ministro Relvas aceita-lhe a demissão ao mesmo tempo que o elogia profusamente. Você disse um crime de prevaricação?

Dois inspectores-chefes da PJ assestaram um arraial de pancadaria num funcionário da CP (para que confessasse o desvio de dinheiro da bilheteira) a murro, a pontapé e com uma tábua na ponta dos pés, de modo que o infeliz foi para o hospital no dia seguinte ao interrogatório com costelas partidas e uma série de hematomas e escoriações. Isto passou-se no ano 2000 mas foram precisos quase 13 (treze) anos para os tribunais condenarem os ditos inspectores por terem assim torturado o desgraçado, que aliás viria a ser absolvido da acusação de desvio de dinheiros. Qual a pena aplicada aos inspectores da Judiciária? 2 anos e picos de pena suspensa.

O actual presidente da Câmara de Faro, condenado em todas as instâncias, incluindo o Tribunal Constitucional, à perda de mandato por violação das leis de ordenamento e de urbanismo em actos praticados enquanto presidente da Câmara de Tavira, deu hoje uma conferência de imprensa para anunciar que não aceita a decisão dos tribunais e que permanecerá no exercício das funções de presidente da Câmara de Faro.

Parece que aqueles dois comboios que, por ‘deslizamento’ nos carris, se engalfinharam um no outro em Alfarelos estariam possuídos por algum espírito maligno ou terão sido alvo de algum mau olhado, visto que o relatório da REFER/CP ao acidente não conseguiu chegar a nenhuma conclusão sobre as razões do ocorrido. Entretanto, a autoridade europeia de segurança ferroviária declarou o dito relatório como inaceitável do ponto de vista técnico e prepara-se para processar o Estado português pelo facto de a entidade que devia investigar o caso, o Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários (GISAF) estar sem director há 3 anos e não ter sequer um técnico habilitado.

Chama-se a isto um país?

A mim o que me admira é que, em vez dos 200.000 portugueses que emigraram nos últimos dois anos, não tenha sido o grosso da população a fugir para lá dos Pirinéus ou para mais longe ainda.
Para arranjar poleiros, desculpem, pelouros para a malta de Lisboa, o CDS resolveu marimbar-se no país e adoptar uma posição irresponsável e populista na questão da limitação dos mandatos autárquicos.

Às vezes sinto vergonha.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

RTP

A vida da RTP é cheia de emoção e suspense. Não o merecem os seus brilhantes profissionais. Mas pode ser que o dia de hoje traga alguma acalmia apesar de se falar em despedimentos. Já aqui defendi que a solução podia passar pela manutenção da RTP na órbita do estado mas apenas assegurada pela subvenção. Ou seja deixava de competir no mercado publicitário com os privados. O que menos interessa aqui é se é uma vitória de Portas ou uma derrota de Relvas, como de resto Portas, e bem, fez por desvalorizar. Vejamos o que dá a reestruturação.

Nota: Agora será que podem dizer-me qual o programa que vinha para o Porto? agradecidos.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Compre um bilhete e aproveite duas rodadas


Parece que há 82 presidentes de Câmara que devido à lei de limitação de mandatos não poderão concorrer nas próximas eleições autárquicas à renovação do respectivo mandato.

A lei diz que não poderão concorrer, ponto final.
 
O PSD diz que se trata de uma limitação territorial e não uma limitação funcional, e assim faz circular uns tantos como no carrocel: os que iam num cavalinho mudam-se para a girafa do lado.

O CDS diz uma coisa e o seu contrário, mas esse partido já nos habituou a essas piruetas e saltos mortais à rectaguarda. E a cada salto morre mais um bocadinho apesar de nem disso se dar conta, pois julga que o poder vale todas as missas.

Leio no Público que o vice-presidente do PSD entende que a lei “não pode ser um castigo para o autarca”. Como este jovem não se propõe alterar a dita lei ou revogá-la, fica o mistério sobre o que quer ele dizer com essa pérola do “castigo”. Mas pelos vistos o Sr. Moreira da Silva consegue descobrir um verdadeiro diamante: é que “só” há 8 ou 9 casos de dinossauros a concorrer a outros concelhos. Ou seja, se bem compreendo o raciocínio desta mente brilhante: se dos 82 casos potenciais apenas 8 ou 9 violam a lei, então a coisa não é grave e não há infracção que valha.

A mim o que me assusta não são propriamente as tropelias ou os atropelos autárquicos destes ginastas de alta competição. O que verdadeiramente me mete medo é perceber que o país está entregue a gente deste calibre.

Pobre Grécia


Notícias de hoje:

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse hoje que o pedido de Portugal para obter melhores condições de pagamento do empréstimo à troika foi "a decisão certa, no momento certo e com a companhia certa".


Olympiakos: Jardim desmente saída por causa de affair com a mulher do presidente

OS DESAFIOS DO PORTO (I)

Desengane-se quem pensa que as eleições autárquicas no Porto são apenas contas de mercearia.


Uma pesquisa pelos blogues e fico admirado com o que escrevem pessoas supostamente cultas e urbanas. Parece que se prepara uma luta quase civilizacional a propósito da possível candidatura de Rui Moreira à câmara do Porto. Uma parte dos apoiantes de Luis Filipe Menezes começa já a salivar, e lamento muito dize-lo, a puxar para o pé de chinelo.

Já se percebeu pelo tom como vai ser a campanha, atacar a pessoa e deixar para segundo plano os projectos, programas e ideias. O que é pena, pois a Luis Filipe Menezes não faltam ideias, algumas interessantes, como a ligação às Universidades, outras absolutamente estapafúrdias, como pôr os miúdos a aprender mandarim ou irem à ópera uma vez por mês.

Mas a questão principal nem é tanto as ideias mas sim a sua execução, e aí é que a porca torçe o rabo.

Se olharmos para os grandes defensores da “mudança de paradigma” em relação à coisa pública, ficamos com a sensação que o tempo do populismo, das promessas sem fundamento, do fazer e depois logo se vê, tinha acabado. Mas não, no caso de Luis Filipe Menezes esquecem-se que tem sido uma cópia fiel dos políticos que deixaram o país no bonito estado em que está. E o mais grave do meu ponto de vista é a leitura completamente enviesada da Lei da limitação de mandatos.

Nada me move contra Luis Filipe Menezes, é até um dos políticos que mais urticária causa no politiquês da Capital, e isso dá-me um certo gozo. Mas no tempo que estamos, e friso esta frase, no tempo que estamos, o Presidente da Câmara de Gaia não é o adequado.

O que o Porto precisa é de continuar a consolidação financeira e de trabalho com sentido de responsabilidade. Claro que mais três pontes, que se pagam elas próprias (onde é que eu já ouvi isto?), é uma ideia gira, mas não é com ideias giras que se governa a segunda cidade do país. O tempo das grandes obras para outros pagarem já acabou.



Não sei se o Rui Moreira vai ser candidato. Ao contrário do que muitos dizem, fará diferente de Rui Rio, e seguramente de Luis Filipe Menezes, por isso espero que o Porto em 2013 tenha uma candidatura que orgulhe a Cidade e o Norte.

InEquidades

O OGE 2012 cortou 2 subsídios na função pública.
Cavaco não teve dúvidas constitucionais.
Promulgou-o, pois.
Assobiando para o lado acusou-o de falta de equidade.
No caso porque distribuía mais sacrifícios a públicos que a privados.
BE e PS logo o remeteram para o TC para que verificasse o que Cavaco dizia.
O TC deu razão às assobiadelas de Cavaco que BE e PS lhe transmitiram.
Mas que só assim seria em 2013 !...

Desta ingerência de Cavaco, logo apoiada por BE, PS e TC, resultou para 2013 uma perigosa alteração da regra de ajustamento acordada no memorando da troika, de 2/3 pela despesa e 1/3 pela receita para 19% pela despesa e 81% pela receita, qual nova machadada na nossa já pobre economia e que fará retardar ainda mais a sua tão desejada como necessária recuperação.

O OGE 2013 cortou apenas um subsídio na função pública.
Cavaco já teve dúvidas constitucionais.
Promulgou-o, pois.
Assobiando para o lado acusou-o de falta de equidade.
No caso porque todos eram sacrificados, mas uns mais que outros.
De seguida colocou-se em primeiro lugar na já longa fila à porta do TC.
A ver vamos como será em 2013 !...

Falta de equidade tem sido uma constante na gestão social da coisa pública pela nossa classe política. Os governos de Cavaco para tanto também contribuíram fortemente.

Existe falta de equidade social entre públicos e privados, desde logo em termos de segurança no emprego.
Como existe nos respectivos sistemas remuneratórios e de tempos de trabalho
Existe também falta de equidade no acesso a sistemas de saúde.
Como existe na atribuição de outras mordomias.
Existe ainda falta de equidade nas condições de acesso à reforma.
Como existe nos respectivos sistemas de pensões.

Em todas estas situações a falta de equidade pende sempre para o lado dos públicos e pesa para o dos privados.

O que tudo é por demais sabido, posto que aos políticos falte coragem para o dizer.
E mais ainda para o corrigir.

Este governo não foi excepção. Por isso que pediu a terceiros, no caso ao FMI, para que assumisse dize-lo. A ver vamos se coragem agora não lhe faltará para o fazer, pois que desculpa já não terá.