sábado, janeiro 26, 2013

O Erro de Seguro

Seguro deixou-se enredar de modo fatal. Ao tentar gerir as multiplas facções internas, nunca chegou a ter rumo, nunca se permitiu ser genuino e perdeu o país. Ao mesmo tempo, por não se afirmar externamente, nunca conquistou nenhuma das facções que o condicionaram. Ao contrário, se se tivesse voltado para fora, seguido um rumo constante e coerente, conseguindo uma forte afirmação externa, as facções internas tê-lo-iam seguido mais cedo do que tarde. É da natureza dos partidos, não se compreende que, tendo Seguro feito a sua vida no PS, não tenha compreendido isto.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Pernas para que te quero?


Há 4 dias, um Secretário de Estado do ministro Relvas foi notificado de um despacho de acusação do crime de prevaricação de titular de cargo político. Passados 4 dias de ‘reflexão’, o Sr. Secretário demite-se invocando motivos pessoais. O ainda ministro Relvas aceita-lhe a demissão ao mesmo tempo que o elogia profusamente. Você disse um crime de prevaricação?

Dois inspectores-chefes da PJ assestaram um arraial de pancadaria num funcionário da CP (para que confessasse o desvio de dinheiro da bilheteira) a murro, a pontapé e com uma tábua na ponta dos pés, de modo que o infeliz foi para o hospital no dia seguinte ao interrogatório com costelas partidas e uma série de hematomas e escoriações. Isto passou-se no ano 2000 mas foram precisos quase 13 (treze) anos para os tribunais condenarem os ditos inspectores por terem assim torturado o desgraçado, que aliás viria a ser absolvido da acusação de desvio de dinheiros. Qual a pena aplicada aos inspectores da Judiciária? 2 anos e picos de pena suspensa.

O actual presidente da Câmara de Faro, condenado em todas as instâncias, incluindo o Tribunal Constitucional, à perda de mandato por violação das leis de ordenamento e de urbanismo em actos praticados enquanto presidente da Câmara de Tavira, deu hoje uma conferência de imprensa para anunciar que não aceita a decisão dos tribunais e que permanecerá no exercício das funções de presidente da Câmara de Faro.

Parece que aqueles dois comboios que, por ‘deslizamento’ nos carris, se engalfinharam um no outro em Alfarelos estariam possuídos por algum espírito maligno ou terão sido alvo de algum mau olhado, visto que o relatório da REFER/CP ao acidente não conseguiu chegar a nenhuma conclusão sobre as razões do ocorrido. Entretanto, a autoridade europeia de segurança ferroviária declarou o dito relatório como inaceitável do ponto de vista técnico e prepara-se para processar o Estado português pelo facto de a entidade que devia investigar o caso, o Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários (GISAF) estar sem director há 3 anos e não ter sequer um técnico habilitado.

Chama-se a isto um país?

A mim o que me admira é que, em vez dos 200.000 portugueses que emigraram nos últimos dois anos, não tenha sido o grosso da população a fugir para lá dos Pirinéus ou para mais longe ainda.
Para arranjar poleiros, desculpem, pelouros para a malta de Lisboa, o CDS resolveu marimbar-se no país e adoptar uma posição irresponsável e populista na questão da limitação dos mandatos autárquicos.

Às vezes sinto vergonha.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

RTP

A vida da RTP é cheia de emoção e suspense. Não o merecem os seus brilhantes profissionais. Mas pode ser que o dia de hoje traga alguma acalmia apesar de se falar em despedimentos. Já aqui defendi que a solução podia passar pela manutenção da RTP na órbita do estado mas apenas assegurada pela subvenção. Ou seja deixava de competir no mercado publicitário com os privados. O que menos interessa aqui é se é uma vitória de Portas ou uma derrota de Relvas, como de resto Portas, e bem, fez por desvalorizar. Vejamos o que dá a reestruturação.

Nota: Agora será que podem dizer-me qual o programa que vinha para o Porto? agradecidos.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Compre um bilhete e aproveite duas rodadas


Parece que há 82 presidentes de Câmara que devido à lei de limitação de mandatos não poderão concorrer nas próximas eleições autárquicas à renovação do respectivo mandato.

A lei diz que não poderão concorrer, ponto final.
 
O PSD diz que se trata de uma limitação territorial e não uma limitação funcional, e assim faz circular uns tantos como no carrocel: os que iam num cavalinho mudam-se para a girafa do lado.

O CDS diz uma coisa e o seu contrário, mas esse partido já nos habituou a essas piruetas e saltos mortais à rectaguarda. E a cada salto morre mais um bocadinho apesar de nem disso se dar conta, pois julga que o poder vale todas as missas.

Leio no Público que o vice-presidente do PSD entende que a lei “não pode ser um castigo para o autarca”. Como este jovem não se propõe alterar a dita lei ou revogá-la, fica o mistério sobre o que quer ele dizer com essa pérola do “castigo”. Mas pelos vistos o Sr. Moreira da Silva consegue descobrir um verdadeiro diamante: é que “só” há 8 ou 9 casos de dinossauros a concorrer a outros concelhos. Ou seja, se bem compreendo o raciocínio desta mente brilhante: se dos 82 casos potenciais apenas 8 ou 9 violam a lei, então a coisa não é grave e não há infracção que valha.

A mim o que me assusta não são propriamente as tropelias ou os atropelos autárquicos destes ginastas de alta competição. O que verdadeiramente me mete medo é perceber que o país está entregue a gente deste calibre.

Pobre Grécia


Notícias de hoje:

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse hoje que o pedido de Portugal para obter melhores condições de pagamento do empréstimo à troika foi "a decisão certa, no momento certo e com a companhia certa".


Olympiakos: Jardim desmente saída por causa de affair com a mulher do presidente

OS DESAFIOS DO PORTO (I)

Desengane-se quem pensa que as eleições autárquicas no Porto são apenas contas de mercearia.


Uma pesquisa pelos blogues e fico admirado com o que escrevem pessoas supostamente cultas e urbanas. Parece que se prepara uma luta quase civilizacional a propósito da possível candidatura de Rui Moreira à câmara do Porto. Uma parte dos apoiantes de Luis Filipe Menezes começa já a salivar, e lamento muito dize-lo, a puxar para o pé de chinelo.

Já se percebeu pelo tom como vai ser a campanha, atacar a pessoa e deixar para segundo plano os projectos, programas e ideias. O que é pena, pois a Luis Filipe Menezes não faltam ideias, algumas interessantes, como a ligação às Universidades, outras absolutamente estapafúrdias, como pôr os miúdos a aprender mandarim ou irem à ópera uma vez por mês.

Mas a questão principal nem é tanto as ideias mas sim a sua execução, e aí é que a porca torçe o rabo.

Se olharmos para os grandes defensores da “mudança de paradigma” em relação à coisa pública, ficamos com a sensação que o tempo do populismo, das promessas sem fundamento, do fazer e depois logo se vê, tinha acabado. Mas não, no caso de Luis Filipe Menezes esquecem-se que tem sido uma cópia fiel dos políticos que deixaram o país no bonito estado em que está. E o mais grave do meu ponto de vista é a leitura completamente enviesada da Lei da limitação de mandatos.

Nada me move contra Luis Filipe Menezes, é até um dos políticos que mais urticária causa no politiquês da Capital, e isso dá-me um certo gozo. Mas no tempo que estamos, e friso esta frase, no tempo que estamos, o Presidente da Câmara de Gaia não é o adequado.

O que o Porto precisa é de continuar a consolidação financeira e de trabalho com sentido de responsabilidade. Claro que mais três pontes, que se pagam elas próprias (onde é que eu já ouvi isto?), é uma ideia gira, mas não é com ideias giras que se governa a segunda cidade do país. O tempo das grandes obras para outros pagarem já acabou.



Não sei se o Rui Moreira vai ser candidato. Ao contrário do que muitos dizem, fará diferente de Rui Rio, e seguramente de Luis Filipe Menezes, por isso espero que o Porto em 2013 tenha uma candidatura que orgulhe a Cidade e o Norte.

InEquidades

O OGE 2012 cortou 2 subsídios na função pública.
Cavaco não teve dúvidas constitucionais.
Promulgou-o, pois.
Assobiando para o lado acusou-o de falta de equidade.
No caso porque distribuía mais sacrifícios a públicos que a privados.
BE e PS logo o remeteram para o TC para que verificasse o que Cavaco dizia.
O TC deu razão às assobiadelas de Cavaco que BE e PS lhe transmitiram.
Mas que só assim seria em 2013 !...

Desta ingerência de Cavaco, logo apoiada por BE, PS e TC, resultou para 2013 uma perigosa alteração da regra de ajustamento acordada no memorando da troika, de 2/3 pela despesa e 1/3 pela receita para 19% pela despesa e 81% pela receita, qual nova machadada na nossa já pobre economia e que fará retardar ainda mais a sua tão desejada como necessária recuperação.

O OGE 2013 cortou apenas um subsídio na função pública.
Cavaco já teve dúvidas constitucionais.
Promulgou-o, pois.
Assobiando para o lado acusou-o de falta de equidade.
No caso porque todos eram sacrificados, mas uns mais que outros.
De seguida colocou-se em primeiro lugar na já longa fila à porta do TC.
A ver vamos como será em 2013 !...

Falta de equidade tem sido uma constante na gestão social da coisa pública pela nossa classe política. Os governos de Cavaco para tanto também contribuíram fortemente.

Existe falta de equidade social entre públicos e privados, desde logo em termos de segurança no emprego.
Como existe nos respectivos sistemas remuneratórios e de tempos de trabalho
Existe também falta de equidade no acesso a sistemas de saúde.
Como existe na atribuição de outras mordomias.
Existe ainda falta de equidade nas condições de acesso à reforma.
Como existe nos respectivos sistemas de pensões.

Em todas estas situações a falta de equidade pende sempre para o lado dos públicos e pesa para o dos privados.

O que tudo é por demais sabido, posto que aos políticos falte coragem para o dizer.
E mais ainda para o corrigir.

Este governo não foi excepção. Por isso que pediu a terceiros, no caso ao FMI, para que assumisse dize-lo. A ver vamos se coragem agora não lhe faltará para o fazer, pois que desculpa já não terá.

domingo, janeiro 13, 2013

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Mais um pouco de estado de negação

Separemos os problemas, embora eles estejam interligados:

1. A economia não cresce há mais de 10 anos. É complexo isolar razões, mas a que me parece mais forte é a falta de competitividade da nossa economia. Essa competitividade está relacionada com a produtividade, eficiência e inovação da economia (há, no entanto, excelentes exemplos do contrário, são é poucos). Será mais polémico também dizer que nos últimos 10 anos vivemos para nós, aproveitando o crédito barato e a ilusão de uma vida que nos custava mais do que podíamos pagar.

2. A economia é estruturalmente desequilibrada. O que produzimos é menos do que o que consumimos. Isso levou-nos importar o que nos falta. Essas importações não foram compensadas por exportações o que nos levou (empresas e particulares) a contrair uma enorme divida ao exterior (via bancos). Essa divida limita a nossa capacidade de investimento. É por isso que vemos hoje estrangeiros a comprar empresas e imóveis em Portugal.

3. O Estado gasta mais do que os impostos que cobra, o conhecido deficit, e tem-no feito nos últimos 40 anos com especial relevo para o últimos 6. Isto produziu uma divida que nos levou à troika, já que quem nos empresta deixou de o fazer porque tem muitas duvidas que consigamos pagar o que devemos. Essas duvidas decorrem exactamente do facto de o Estado continuar a gastar mais do que o que cobra em impostos.

O relatório do FMI apenas se centra sobre o ponto 3. E muito especificamente na componente dos gastos do Estado. Três perguntas para nos simplificar a análise:

Pergunta 1: Queremos baixar os gastos do estado? 
Pergunta 2: Para os que respondem não, a pergunta seguinte é que impostos queremos subir?
Pergunta 3: Para os que respondem sim, a pergunta será que gastos do estado vamos cortar?

O relatório do FMI centra-se na ajuda à resposta a esta 3ª pergunta, assumindo que não queremos subir mais os impostos (até os quereremos descer no futuro). 

Ainda sem emitir qualquer opinião sobre o que vem no relatório, insisto que vale a pena levá-lo a sério. Estão lá muitas propostas. Mais propostas do que a necessidade de cortes no estado, exactamente para que possamos avaliar e decidir. Podemos escolher o que fazer. Podemos escolher fazer outros cortes que não estejam no relatório.

Por isso, destacar uma proposta isolada do FMI sem enquadramento é colocar emoção na discussão. O que, neste caso, significa inviabilizar a discussão. Os jornais não têm feito outra coisa senão colocar em titulo as propostas mais "radicais".

Ainda, ficar zangado e verbalmente agressivo pelo simples facto de se discutir as propostas que estão no documento é uma atitude que também é contrária à busca de soluções. A esquerda não tem feito outra coisa. A extrema esquerda na sua lógica "norte-coreana" indigna-se pelo simples facto de alguém considerar qualquer das propostas. Se pudessem proibiam que fossem discutidas, numa interpretação muito própria da liberdade de expressão.

Temos de acabar com esta ideia que há soluções sem dor. Havia há 10 anos se tivéssemos feito o nosso trabalho de casa. Hoje não há. Só há soluções dolorosas e há soluções que, ainda assim, doem menos hoje do que irão doer amanhã. Por isso temos de fazer, medir impactos, pensar nas pessoas afectadas. Mas temos mesmo de fazer. O estado de negação em que nos encontramos tem de ser contrariado. Se nada fizermos vai ser ainda pior.


quarta-feira, janeiro 09, 2013

Estado de negação

Sempre que somos confrontados com algo que é contrário ao que desejamos ou acreditamos, dizem os entendidos, que isso gera um comportamento que pode passar por 4 fases distintas. Normalmente a negação vem e primeiro lugar, seguida da raiva, depois o desanimo ou desilusão e só por fim a aceitação. Só depois da aceitação somos capazes de reagir de forma racional. Só nessa altura é que conseguimos começar a construir.

Pego nisto porque é assim que vejo Portugal nos dias de hoje. Um país que se vê confrontado com uma realidade de que não gosta, que se pudesse, evitava. Uma realidade, no entanto, que acontece de qualquer das formas. Uma realidade que se vai tornando mais difícil exactamente porque o país a evita num racional de que estamos a passar uma crise e que depois dela tudo voltará ao "normal".

Vejo assim o país que tem acesso aos media, com uma enorme dissonância entre o que deseja e a realidade com que se vê confrontado. Essa dissonância gera um comportamento colectivo que passa da negação à raiva e volta novamente à negação. Mas que poucas vezes vai ao desânimo e nunca à aceitação. Ora, só a partir da aceitação é que começamos a construir e a sermos donos do nosso próprio destino.

É o que vejo hoje com as reacções ao relatório do FMI. Um relatório feito por uma entidade que não vai a votos em Portugal e que nos apresenta uma série de propostas que devíamos pelo menos estudar e considerar. Não estou sequer a apoiar ou não estas propostas. O que me parece é que considerá-las, pensar nelas é aceitarmos a realidade e começarmos a construir.

Infelizmente, a esmagadora maioria das pessoas com acesso aos media partem da premissa que o que estamos a passar é uma crise. Por definição uma crise é algo conjuntural, algo que depois de passar (como uma tempestade) nos leva novamente à vida que tínhamos antes (vem a bonança). Na minha perspectiva, essa  premissa está errada. O que nos está a acontecer é estrutural. Enquanto não aceitarmos isto vamos andar entre a negação a raiva e o desanimo, num enorme estado de frustração sem qualquer capacidade de reacção e com muita dificuldade em construir.


sábado, janeiro 05, 2013

Bolo-rei e bôbo-rei


Quando vou visitar a minha mãe a Lisboa, à Infante Santo, acontece-me passar na pastelaria/snack-bar “O Carrocel” a tomar uma bica ou a comprar uns doces. O azar é se por ali pára o Dr. Eduardo Catroga: a sua educação de carroceiro faz dele um megafone a falar das suas coisinhas e reuniões com gente “importante”.  Ainda pensei que fosse um tique de surdo que, como se sabe, têm tendência em falar alto, mas rapidamente se percebe, pela brejeirice da linguagem e rudeza de modos, que aquilo é o estilo intrínseco da personagem. Casca grossa, está bom de ver, ou ‘geração rasca’: não os ensinaram a comer bolo-rei.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

AO FUNDO


VPV refere hoje no Público uma realidade que todos de há muito conhecemos mas que nem por isso deixa de ser assustadora: mais de metade do país vive (ou sobrevive) à conta do Estado. O Estado, esse, vive à conta de esmagar o resto da população. Esta crise é, pois, muito diferente de qualquer outra que tenha alguma vez afectado o país no passado. Iremos todos ao fundo, uns agarrados ao Estado e outros arrastados por ele.