sábado, dezembro 29, 2012


Esta não foi uma boa semana para a esquerda fócloricócó/blógosférica. Os profetas do fim do mundo ocidental, das revoluções todas as semanas, da jústiça popular, dos abaixo-assinados, e de todas as palhaçadas que transformaram o mundo dos blogues num sítio confrangedor, enfiaram a carapuça e estão muito caladinhos.

A primeira por causa de um senhor que até era da ONU, vejam lá. Enquanto esse burlão típico dos países subdesenvolvidos falava, certos ignorantes batiam palmas pacóviamente. Quando afinal se provou ser apenas um deliquente com dotes oratórios, nada a dizer.

A segunda foi a greve dos estivadores, esses valentes. Afinal a greve foi desconvocada, sem vitória nenhuma, com perdas para eles próprios (despedimentos), e danos irreparáveis para o país. O que diz a blogosfera que defendia até ás lágrimas a luta heróica destes magníficos operários. Nada.

 Eu sei, eu sei, o importante foi a mensagem no facebook do Pedro Passos Coelho.

Um editorial do The Guardian

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2012/dec/28/david-cameron-eurovision

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Bom Ano



Há umas almas suaves que gostariam que as manhãs fossem todas azuis, que os passarinhos cantassem em cada voo de rua e que as pessoas de idade avançada tivessem um sorriso cândido e uma cabeça branca e lúcida.

Para essas pessoas é de muito mau gosto (portanto, uma questão de estética) falar apenas de misérias e de doenças, de tristezas e de choros. A fome seria uma fronteira de proteínas, a dor uma carência de aspirina e o crime uma consequência social a precisar de compreensão. De qualquer forma, tudo assuntos menores que um spray da melhor água de colónia saberia dissipar.

Entretanto, dois cubos de gelo num dedo de Chivas. Parafraseando um outro, o optimismo deve ter algo a ver com uma boa digestão. O contrário é fruto da azia. Bom Ano Novo!

domingo, dezembro 23, 2012

Sinais dos tempos na comunicação social

Os holofotes nos últimos dias têm andado focados na possível mudança do programa Praça da Alegria do Porto para Lisboa. Este é um perigoso sinal que admito nem todos se apercebam. Já não falo do que pode significar em termos de despedimentos, pois a promessa da criação de um novo programa mais não parece do que isso mesmo: promessa de politicos. O que está em causa verdadeiramente é a perda de uma janela de comunicação por parte de milhares de actores, atletas, grupos culturais, pequenas empresas, artistas variados, enfim uma série infindável de casos que ao longo dos últimos 17 anos passaram nos estúdios da rtp Porto ou Monte da Virgem. E convém frisar que estes exemplos que apontei são normalmente localizados a norte do mondego, o que deixará de acontecer com a passagem do programa para Lisboa, este ou outro qualquer, pois a força centrifugadora da capital logo tratará de excluir essa "simpática rapaziada" e substituir pelos habituais "cromos" que andam mais próximos da capital.

Admitindo que esta é uma decisão sem retorno, o Porto Canal tem aqui uma forte oportunidade. Dia após dia este projecto vem conseguindo ganhar espaço na luta dura das audiências, não só no Porto e nos adeptos do FCPorto mas um pouco por todo o país. A reputação de Júlio Magalhães tem sido importante, que soube conciliar o que de muito bom o canal já tinha (excelentes profissionais e excelentes programas) com a necessidade de chegar mais longe e devidamente equilibrado com o enfoque nas cores azuis e brancas, sem que isso seja um estigma.

Só que tudo isto acontece numa altura em que o mercado publicitário está em queda, as audiências idem com grandes transferências para os AXN e FOX, e quando se fala na privatização da RTP e com as consequências que terá no panorama televisivo português.

Por outro lado correm rumores que o Público poderá fechar a delegação do Porto, e que o JN será vendido no bolo que Joaquim Oliveira necessita despachar e rapidamente. Não acredito no rumor relacionado com o Público, pois isso seria destruir por inteiro a filosofia que esteve na base do projecto e que permitiu ao jornal ser a única referência de jornal inteiramente nacional. Já quanto à venda do grupo "controliveste" me parece mais provável pois é conhecida as dificuldades financeiras que o grupo atravessa. E se assim for qual o destino que espera ao JN? Sò que para isso precisamos conhecer o comprador e a coisa não anda fácil para os rapazes da Newshold. Mas aguardemos.

Em resumo, os temos vividos na comunicação social não estão fáceis e podem ainda ficar piores para a região norte. E uma vez mais não estamos só a falar de despedimentos. Mas da tal janela de comunicação para toda uma região.

As forças vivas, leia-se empresas, têm que assumir as suas responsabilidades sociais e não estarem apenas focadas em euros. Saibam os nossos empresários assim o entender. E pode ser que uma vez mais uma dificuldade se torne uma oportunidade.

Viva o Porto!


 

Parece que temos homem.
O Porto precisa de voz!
O Porto precisa de vós!

terça-feira, dezembro 18, 2012

Quando o Optimus é péssimo


Ainda não percebi bem essa história da fusão da Zon com a Sonaecom, aparecendo de permeio essa figura omnipresente da D. Isabel dos Santos. Desconfio que vou mudar brevemente de operador de telemóvel; sim, porque apesar das ovelhas e dos cajados, dos Reininhos e das Carminhos, do chouriço e dos queijos amanteigados, a Optimus não me toma por lorpa: se escolhe como patroa a branqueadora da corrupção angolana, há-de perder os clientes que ainda tentam ser decentes. E se não gosto, mudo de aldeia, pois claro.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

"Mas que maçada!"


Ao afirmar que “o Orçamento de Estado para 2013 é uma das 20 leis que estão em Belém”, o Sr. Presidente da República revela uma sobranceria que lhe é habitual mas bastante inoportuna e reforça o ponto de vista dos que consideram que o actual ocupante do palácio presidencial faz parte do nosso problema nacional.

sábado, dezembro 15, 2012

CDS-PP



"...O partido tem que clarificar se está fora ou dentro da estratégia do Governo, considerando “muito negativo” que o CDS continue numa atitude “que sugere que este orçamento não é do CDS, mas é do PSD” e que o partido estará cá para pedir contas".

É claro que, como diz o outro:
"-Agora é que vai ser a sério".


A ficção tem interesse, mas mais relevante é a luta política, verdadeira e transparente, por um Portugal melhor!

Vale a pena ouvir Filipe Anacoreta Correia sobre o CDS http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1&did=88687 .

Obrigado Filipe!

ZONSONAE ou SONAZON


É difícil não falar da ZONSONAE ou SONAZON. Para mim, que aderi à operadora 93 por razões de apoio (bem sei que quase irrelevante) ao empresariado nacional nortenho, cheira-me a capitulação. Ou talvez não, mas aguardo uma explicação.
 
O negócio é bom para a Sonae, parece bom para a Zon, pode ser bom para os accionistas e para o consumidor em mercado de concorrência. Será bom para o Norte para os centros de decisão a Norte? E quanto aos trabalhadores? E quanto ao Público?

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Sim, branco!


A Câmara Municipal de Santarém tem uma das maiores dívidas da respectiva Região. Há uns pares de meses ainda era dirigida por esse candidato ao Nobel da Literatura da Treta que se chama Moita Flores, o qual alegou precisar de descansar para se pôr ao fresco e preparar a sua candidatura ao município de Oeiras, onde provavelmente, se os oeirenses caírem na asneira de o eleger, deixará outra enorme dívida.

O fulano de Gaia, que ali deixa outro gigantesco calote e que se apresenta às eleições municipais do Porto em violação da lei de limitação dos mandatos, é outro exemplo da prática autárquica do PSD-Relvas, cuja cacicagem em nada se distingue no geral da prática de tantos outros dirigentes locais do PS ao estilo Renato Sampaio.

Começo sinceramente a temer pelas eleições autárquicas de 2013. Pelo andar da carruagem, vai ser um deboche de norte a sul de candidaturas mafiosas e maçónicas, recuperando cadáveres políticos das gavetas do bloco central ou oferecendo-nos o triste espectáculo de um carrocel de artistas a pularem de um sítio para o outro.

O eleitor tem todavia uma escapadela nos casos em que não fôr possível agregar uma candidatura independente destas máquinas partidárias norte-coreanas: o voto em branco.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Quantos 'F' ?

               FINISHED FILES ARE THE RE
         SULT OF YEARS OF SCIENTI
          FIC STUDY COMBINED WITH
              THE EXPERIENCE OF YEARS.....


Tem a certeza? Vá lá, conte outra vez antes de ir ver a solução nos ‘comentários’.


Brrrrrrr, que fresquinho está!


Quando esta manhã saí de casa o termómetro marcava 3º.
Até usei o cachecol (mantinha para o pescoço, para os que não gostam de francesismos).

Por essa Europa fora, e até pelos States, vai muito mais frio.
Pela Rússia, e mesmo por França, a meio deste Outono a neve caída já contava mais 50 cm do que o habitual para a época.

O que seria de nós se não fosse o aquecimento global?!...

segunda-feira, dezembro 10, 2012

A importância de um discurso claro e inequívoco em defesa do interesse nacional




A recente revisão das condições do empréstimo concedido à Grécia levou a acalentar a esperança que Portugal e Irlanda seriam igualmente beneficiados. Tinha-se aberto uma janela de oportunidade: para os países intervencionados e para a Europa. Para os países intervencionados seria o modo de canalizar dinheiro para o crescimento (baixa de TSU, baixa de impostos, investimento, …). Para a Europa, uma oportunidade de facilitar o regresso dos países cumpridores aos mercados e, desse modo, tornar irreversível o sucesso dos programas de ajustamento e do Euro.
Poderia ser uma oportunidade mas redundou numa grande confusão. Primeiramente, houve as declarações erráticas num canto escuro do irrelevante e quase cessante presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker. Posteriormente, as inoportunas reacções do directório europeu, que o nosso primeiro-ministro considerou elogiosas, e que resignaram o nº 1 e o nº 2 do nosso Governo, até o Presidente da República e o nº3 do nosso Governo terem dado a sua opinião.

Este episódio reflecte a importância de um discurso claro e inequívoco quer dos governantes portugueses quer dos europeus. O que sobrou foi um espectáculo patético. Não pode haver uma inibição em reclamar melhores condições para pagar o empréstimo. Não deveria haver essa inibição sobretudo por estarmos a cumprir estoicamente o acordo de assistência financeira.

Convém recordar que a Irlanda beneficiou de uma revisão da taxa de juro aquando do pedido de ajuda internacional de Portugal e que, nem por isso a Irlanda ficou mal vista pelos mercados. Antes, pelo contrário: a melhoria das condições de empréstimo tornou mais provável o pagamento por inteiro e a tempo do mesmo, ou seja, tornou mais viável o regresso da Irlanda aos mercados internacionais de financiamento.

Certamente que Portugal e Irlanda não querem um acordo semelhante ao da Grécia porque, felizmente, o drama que os gregos vivem é único (o nosso, apesar de tudo, não atingiu nem vai atingir a dimensão grega) e o referido acordo reflecte a incapacidade do país pagar na totalidade e no tempo devido as suas dívidas.Haircuts ou novos resgates implicariam mais tempo para o ajustamento com condições mais penosas e custos sociais ainda mais graves. 

No entanto, e como o próprio ministro das finanças irlandês, Michael Noonan, referiu, a melhoria nas condições do empréstimo pode facilitar o regresso em pleno da Irlanda aos mercados da dívida e o cumprimento do próprio memorando da troika. 


Não tem que ser já e na praça pública, mas é imperativo negociar e defender sem complexos os interesses de Portugal.