quinta-feira, novembro 29, 2012

soltas de bruxelas

Estive dois dias e duas noites em Bruxelas. Não foi muito nem pouco mas o suficiente para poder analisar e registar alguns aspectos curiosos.

1) a recolha de lixo não é diária. Cada bairro tem o seu dia específico. Até ele chegar toca a manter dentro de casa. Pois não há contentores espalhados pelas ruas. Ao final do dia, na zona em que calha a recolha, é ver o lixo em montanhas à espera do camião.

2) a asae não existe por lá, caso contrário não se comiam batatas fritas em cada esquina nem gaufres com cobertura de caramelo. e tenho dúvidas que deixassem servir moulles por tudo quanto é lado.

3) vir da direita é vir da direita. estou a falar de trânsito e não de privilégios políticos. É vê-los a entrar sem medo nas rotundas, ruas ou passeios.

4) o custo de vida é elevado, mas ainda assim é possível jantar por pouco dinheiro. Mau, mas paciência, diziam ser uma boa recomendação. Não foi. Ficaram outras que pareciam ser melhores: "trés bon trés cher" foi como o empregado de uma loja respondeu quando lhe perguntei pelo "Lola" no Sablon.

5) não vi cães. Fiquei na dúvida sobre tão curiosa situação. Espero não estar certo quanto ao destino que lhes dão. Isto logo após o ponto 4 desta crónica e a tal experiência negativa.

6) tem uma cerveja óptima: DUVEL. recomendo vivamente. 8,5% não é para meninos.


7) tintin, spirou, lucy luke....um imenso imaginário que é pouco explorado.

8) o parlamento europeu, que visitei a convite do Diogo Feyo a quem agradeço, é um grande desafio de orientação e de planeamento logístico. Por isso não admira que de quando em quando haja alguma baralhação no que de lá sai.

9) ir ao centro da europa, seja geograficamente falando ou administrativamente falando, acabamos por ter uma visão diferente sobre o nosso portugal. Para o bem e para o mal.

10) diverti-me imenso graças à a.m.; ao m.m.; ao a.r.; ao j.m.p. e ao a.s..

Em jeito de conclusão, vale a pena uma visita.

Governor of the Bank of England

Sob esta epígrafe, a revista The Economist publicava em 22 de Setembro passado (o Douro saberá por que me recordo da data) um anúncio do HM TREASURY para recrutamento de um novo Governador do Banco de Inglaterra, lugar que, dizia o anúncio, iria ficar vago em 2013 pela reforma do seu actual titular, Sir Mervyn King.

O Público de 27 passado dava notícia sob o título "Pela primeira vez em 318 anos, Banco de Inglaterra terá líder estrangeiro" que o Sr. Mark Carney, actual Governador do Banco do Canadá, seria o próximo governador do banco central do Reino Unido, acrescentando em subtítulo: "Ganhou o concurso para o cargo e surpreendeu a finança londrina".

Por cá estes lugares ainda se mantêm reservados para os amigos e/ou correligionários do poder político.

Isto pese embora ser suposto que tais instituições sejam independentes a apolíticas.

terça-feira, novembro 27, 2012

PODE SER QUE

Se a Catalunha ficar independente em breve pode ser que o Real Madrid de Mourinho ainda venha  a ser campeão de Espanha este ano.

Palácios a dobrar


São Tomé e Príncipe é um país pequeno, pobre e pouco povoado.
Tem uma população de cerca de 180 mil pessoas, cuja esperança de vida rondará os 62 anos.

Para trocar dobras (a sua moeda) por euros é preciso juntar 24.500 para se obter 1 euro. Mais pormenores podem ler-se no relatório de Outubro do seu banco central (ali).

Este pequeno, pobre e pouco povoado país decidiu construir um novo edifício para o seu Banco Central e dispõe-se a pagar para esse efeito 6,5 milhões de euros à empresa portuguesa Soares da Costa. Se dividirmos este valor pela população teremos que cada saotomense terá de entregar 35,5 euros ao Estado, ou seja, cerca de 870.000 dobras, ou seja, mais que o salário mínimo teoricamente em vigor em 2011.

Não sei se houve malas pretas, apesar de não existirem sobreiros por aquelas bandas, mas tudo isto me parece um absurdo. Será que a dobra precisa de um palácio?  De qualquer forma, é coerente com o modus operandi da Soares da Costa.

 

domingo, novembro 25, 2012

Afinal há dois Judas


Há algo de obceno nesta passagem em Gaia do candidato (à presidência da República) Barroso pela engenharia do candidato do PSD à Câmara do Porto. Tanto um como o outro estão dispostos, se necessário for, a vender a mãe para atingirem os seus objectivos.

O candidato Barroso, que já deve ter percebido que a sua carreira europeia não se vai prolongar, vem repetidamente ao norte pescar votos, dragões e apoios na ala do PSD que antes dizia combater. Mistura Gaia e Porto e fala de ambas as cidades como um regedor falaria da freguesia que mal conhece. Ele, um dos maiores campeões da austeridade, elogia uma das maiores dívidas municipais portuguesas, como se fosse um mestre-escola a pousar a mão na cabeça da menina que lhe acabou de recitar um poema.

E o fulano de Gaia, tal como um parolo que se baba por receber em casa o feitor das hortas, esquece que os novos mil milhões recentemente prometidos vão para Lisboa e Madeira, esconde que o convidado é o principal responsável pelo “spill-over” que tantos fundos desviou e desvia do norte, e olvida a outrora natureza sulista e elitista do novo parceiro para que no aperto de mão venham o apoio e a consagração políticas que julga fazerem-lhe jeito.

Estão um para o outro. Mas como diz alguém, o eleitor há-de responder a estes fregueses.

 

sábado, novembro 24, 2012

As Contas Politicamente Incorrectas da Economia Portuguesa



Na sociedade e nos média constata-se o predomínio de um pensamento dominante que, por vezes, pouco mais é que um conjunto de lugares comuns. Os blogs têm a vantagem de democratizar a expressão de opinião, mas correm o risco, uma vez que não respeitam as mesmas regras do jornalismo, de ver a sua informação e opinião desacreditadas. 
A informação baseada em agências noticiosas, a debilidade financeira dos média e a velocidade com que os acontecimentos se tornam notícia comprometem a reflexão que se quer profunda e sustentada. É um problema que afeta não só Portugal como outros países europeus.

É, portanto, de aplaudir a publicação de livros que, com a credibilidade e a autoridade de quem os escreve, nos ajudam a formar uma opinião. É o caso de As Contas Politicamente Incorrectas da Economia Portuguesa publicado pela editora Guerra & Paz. É escrito pelo economista Ricardo Arroja presença habitual nos blogs, imprensa e televisão. 

O livro tem prefácio escrito por Vítor Bento. Uma visão liberal, mas pragmática. Para seguir atentamente.

Suicídio ou eutanásia ?


O « nosso » homem !

sexta-feira, novembro 23, 2012

Serviços por encomenda


A Comissão Nacional de Eleições é composta por aquelas 9 pessoas, mas não faço a mínima ideia de como é que essa senhora e esses senhores foram escolhidos e porquê. É mais uma daquelas comissões que por aí abundam, sendo que esta CNE nunca serviu a meu ver para nada de importante, pois toda e qualquer reclamação que lhe seja dirigida cai normalmente no cesto dos papéis embora possa render algumas senhas de presença aos membros que se dignem aparecer.

Além dos ditos 9, dá ainda emprego a mais 10 funcionários dos quais os 4 juristas do Gabinete Jurídico (bater a pala!) suam as estopinhas para opinarem sobre intrincadíssimos casos e litígios que em 99% dos dias do ano não aparecem. O Secretário da Comissão, o Sr. Paulo Madeira, ainda assim consegue escrever umas actas extensas de umas reuniões que têm a característica curiosa de começarem nunca antes das 11h mas terminarem sempre às 12.30h (confirme ali).

Parece que a CNE esperou pela decisão do PSD apresentar o fulano de Gaia como candidato à Câmara do Porto para informar, no seu douto parecer de ontem, que a legislação em vigor que limita os mandatos autárquicos só se aplica na mesma autarquia. Não sei se foi prova de vida ou necessidade de cobrar mais umas senhas de presença ou uma cortesia de boas-festas natalícias ao partido do Sr. Relvas, mas é preciso descaramento para aparecer na 25° hora a chover no molhado. Belo servicinho!

quinta-feira, novembro 22, 2012


Parece que o Presidente Cavaco disse ontem que os portugueses esqueceram o mar, a agricultura e a indústria. Pois é, Sr. Presidente, isto dos esquecimentos tem que se lhe diga. E não é que este olvido que agora lamenta se iniciou no seu turno? Recorda-se?

Autárquicas / Porto II

As eleições autárquicas no Porto já mexem tanto que parece que vão ser para o mês que vem. A sede de poder é tanta que os partidos não se importam de fazer figuras ridículas pelo facto de estarmos a um ano das eleições. Como se os portuenses não tivessem que se preocupar com coisas muito mais importantes. 

O facto de Rui Rio já não se poder candidatar, abre uma janela de oportunidade para toda a espécie de aventureiros. Só que os organismos partidários, locais e nacionais, ainda não perceberam que muita coisa mudou nos últimos anos.

Os eleitores deixaram de ter paciência para políticos irresponsáveis, a factura está a ser paga agora, e vai ser paga pelos nossos filhos.

O Porto, para o bem e para o mal, não será o mesmo depois de Rui Rio. A verdadeira ética de serviço público, sem o marketing politiqueiro habitual em Gaia, Matosinhos, Gondomar, etc... fez o seu caminho. E a verdade é que o presidente da Invicta tem um prestígio nacional que mais nenhum tem.

Era bom que o PSD, estivesse à altura da sua história, e não desse este triste espectáculo.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Autárquicas / Porto

No Público de hoje, pode ver o fim do PSD.
O Douro aqui em baixo já disse tudo o que é preciso dizer sobre o assunto.

A justiça na sucata


Sabendo do que a casa gasta e de como o nosso aparelho judiciário é uma sucataria bulgara, nada disto me admira. Mas seria interessante conhecer a classificação de serviço que foi sendo dada aos juízes do Tribunal da Marinha Grande envolvidos nesse processo durante os tais seis anos: provavelmente “excelente”.

terça-feira, novembro 20, 2012

Até as pedras


Consta que houve unanimidade na Comissão Política Nacional do PSD para confirmar o fulano de Gaia como candidato do partido à Câmara do Porto. Fui ver quem faz parte dessa Comissão e fiquei esclarecido sobre a dita unanimidade: está lá o Marco, a Nilza, o ‘escritor’ de Santarém que quer ir para Oeiras, o Pedro Pinto, o Desidério, o Hermínio, o Paulo Júlio, a Sãozinha Pereira, o Zé Tó de Jesus, o Rogério, a Teresa Coelho e, claro, o Passos Coelho e o Moreira. Tudo primeiros violinos, prestigiadíssimos e respeitadíssimos no país inteiro, desde a transmontana Aldeia de Gralhas até à algarvia Aldeia da Carrapateira. E se alguém duvida disso, que vá lá e pergunte.

O PSD deu nisto. Desgraçada cidade Invicta! Até a Torre dos Clérigos cora de vergonha.

Um ano e meio de troika




O pedido de ajuda era previsível. Portugal foi o 3º país do mundo com menor taxa de crescimento durante a primeira década do 3º milénio atrás da Itália e do Haiti. Acumulou dívida atrás de dívida. Antes do pedido formal de ajuda e, durante meses, houve mesmo um programa de televisão com o nome Plano Inclinado (Sic Notícias) onde se dissecava o nosso declínio económico.

Ou seja, o nosso pedido de ajuda não foi motivado por crises bancárias agravadas pela grande crise financeira de 2008. Não se deveu aos especuladores como na Islândia, Irlanda ou mesmo Espanha. Deveu-se a uma crónica perda de competitividade agravada com a entrada no Euro.

A indecisão de Guterres fez cair o país num pântano político. Barroso ainda acenou com um choque fiscal mas vacilou e partiu para Bruxelas. Santana foi rapidamente encostado e Sócrates perdeu-se em grandes obras.

O programa de ajustamento criou, assim, uma legítima expectativa de o mesmo ser uma oportunidade para mudar a economia do nosso país. Iam-se enfrentar os interesses instalados, flexibilizar as relações laborais, privatizar, regulamentar, enfim... pôr tudo na ordem. Era um verdadeiro programa de governo como nunca houve

Um ano e meio depois, também por força dos condicionamentos externos, i.e. União Europeia, o programa de ajustamento pouco mais é do que um programa de redução de custos de trabalho (salariais) e de aumento de impostos. Para além da consequente redução do consumo interno e do benéfico reequilíbrio da balança comercial externa pouco mais houve. É pouco.

A troika ainda propôs uma desvalorização fiscal (descida da TSU) para aumentar o crescimento e conter o desemprego mas a medida, por entre muita inabilidade política, também caiu sob um coro de protestos de todos os quadrantes da sociedade.

A vinda da troika tem que ser mais do que uma desvalorização salarial.

segunda-feira, novembro 19, 2012

...e se possível, não de pernas para o ar

Julgo que a ideia foi importada dos Estados Unidos, mas acho piada que os ‘nossos’ ministros pensem que por pôrem um pin na lapela com a bandeira portuguesa os outros lhes reconheçam um especial patriotismo.

Deu-me imenso gozo usar um pin desse género nas semanas seguintes ao primeiro “não” irlandês ao Tratado de Lisboa: aparecia pela manhã na cafetaria do Berlaymont com o pin da bandeira irlandesa e deliciava-me sentir o olhar desconfiado de um ou outro funcionário que temia pôr em causa a sua promoção se me saudasse muito efusivamente.

É para o que servem estes pins, para enganar tolos. Ou então para que os ‘nossos’ ministros não sejam confundidos com os contínuos ao entrarem nas salas bruxelenses do Conselho. Sim, era um bocado chato que um alemão se virasse para o ABranco e com um pst, pst! germânico lhe gritasse: “Wo ist mein Koffie?”. É que o Branco era bem capaz de lhe levar a bica mais o adoçante.