sexta-feira, novembro 02, 2012

US of A

Antes do jantar que preparei com zelo, tempo para uma reflexão política sobre a América. Não tenho o entusiasmo pró-Obama das últimas eleições, muito longe disso. Todo aquele enorme capital de esperança foi desperdiçado entre hesitações, errâncias e demissão ante um mundo embrulhado em enormes problemas. De relevo, fica-nos a capacidade de liderança em momentos extremos, tipica de um presidente de direita: a captura de Bin Laden, pelo concreto e pelo simbólico, e a prontidão de resposta ao Sandy, por oposição ao desaire do Katrina. Pelo meio, ficou uma reforma da saude em que acredito e uma dificílima gestão no Senado. Será isto suficiente para o ver  à frente da maior nação do Mundo? Não sei. É certamente mais seguro do que a deriva radical republicana e a opacidade e absoluta incerteza de Romney. Os tempos estão assim, de opção por males menores.

SEM DINHEIRO NÃO HÁ PALHAÇO


 

 

Não deixa de ser tristemente irónico que António José Seguro, que tanto se considera o paladino daquilo a que chama o estado social, se esteja a preparar para, muito provavelmente, chefiar o Governo que iniciará e concluirá o seu desmantelamento.

Dada a evidente e penosa decadência pessoal e política do Primeiro Ministro e a desagregação da falecida coligação, o PS irá, presumivelmente, ganhar as próximas eleições, ocorram elas quando for. Desgraçadamente, para ele e para nós, António José irá manter-se na liderança do PS e, portanto, liderará o Governo que se segue.

Será então que iremos assistir ao fim das “funções sociais do Estado” tal qual elas hoje existem e que Seguro promete hoje galhardamente defender ao transe. Mas defender com que dinheiro? Como não existirá dinheiro nem capacidade para o gerar através do desenvolvimento da economia e muito menos haverá quem nos queira emprestar, a realidade ser-nos-á inexoravelmente imposta, ao país, ao Dr. Seguro e à própria Constituição. Sem dinheiro, a Constituição não valerá o papel em que está impressa por muito que isto custe ao patético Capitão Vasco Lourenço, ao alucinado Dr. Soares e aos indignados que pululam na televisão.
 
Acreditem que não digo isto por graça nem em consequência de qualquer empenho ideológico. É fundamental perceber que a realização das funções do Estado depende não da vontade de alguns políticos ilusionistas, que muitas vezes poucos ou nenhuns impostos pagam, mas dos recursos disponíveis, ou seja, do dinheiro de alguém. O Estado não tem dinheiro a não ser aquele que recolhe dos cidadãos.

quinta-feira, novembro 01, 2012

Coisas do mundo da comunicação social

quem nasceu primeiro? o ovo ou a galinha?
 
 
 
 

A grande questão é como se consegue inverter este ciclo.


O triste espectáculo da limitação de mandatos

Todos os estudos indicam que os portugueses se afastam dos partidos e da política. Dia após dia são mais as vozes que dizem não votar, que dizem não acreditar nos partidos, que classificam os políticos de "isto e aquilo" e que terminam dizendo ser o parlamento desnecessário. Isto na versão soft e publicável pois os adjectivos não são bem esses, em especial pelas terras do norte onde somos "habitués" na utilização do calão.

Não pactuo dessa visão tão catastrofista, reconhecendo que tal como em outras profissões também na política existem os bons e os maus, os dedicados e os malandros. Mas infelizmente o estado em que o país se encontra, e a forma como aqui chegamos, torna dificil fazer uma defesa mais acérrima.

A juntar ao folclore político, temos agora o triste espectáculo dado em torno da Lei de Limitação de Mandatos. (ah e só para autarcas pois os deputados que escreveram a lei não são atingidos) Pode ou não quem tiver cumprido já três mandatos no concelho A candidatar-se ao concelho B? Que não dizem uns, que sim dizem outros. O triste espectáculo continua agora na autoria da lei. Mas pior ainda quando vêm dizer que na altura da negociação entre o PSD e o PS essa questão não se pôs. Pois esse não era o espirito com que estavam a redigir a lei. Como é que é? Ou seja, conseguem doutas cabeças pensar uma lei sem que no entanto pensem nas suas consequências? Não sabem os senhores deputados que ao tomar uma decisão, ao criar uma lei, esta tem que ser pensada na sua totalidade e nela deveria ser claro o que quer dizer e não ser escrita com base no que "eu pensei"? Claro que agora aparecem os profissionais dos pareceres......... Vergonha é tudo o que me resta dizer sobre este folhetim. E depois admiram-se que os portugueses se afastem cada vez mais da politica.

Nota 1: Sou favorável à limitação de mandatos. Mas não ao impedimento total e absoluto.

Nota 2:  E porque não a limitação também a quem ocupou lugares de vereador?

Nota final: o espectáculo ainda se torna mais degradante pois todo este folclore apenas tem por fim impedir que Luis Filipe Menezes se candidate ao Porto. E "cadê" os outros? Triste muito triste.

domingo, outubro 28, 2012

Leva a taça


Pensava eu que o Governo tinha um responsável pelo sector do Turismo.
Pensava eu que essa tarefa estava atribuída à Sra. Cecília Meireles, militante do CDS/PP.
Pensava eu que o Turismo seria, nesta conjuntura complicada, um sector a acarinhar.
Dizem-me que não me enganava muito ao pensar aquilo tudo.

Mas às vezes a realidade é outra, bem mais triste. Eu não me importo nada que a Sra. Secretária de Estado tenha um gosto vestimentar muito especial, mas já me incomoda que o contribuinte seja levado a acreditar que há alguém a tratar dos assuntos do Turismo quando afinal ninguém conhece o paradeiro ou sabe explicar o que anda a fazer a veneranda senhora.

sábado, outubro 27, 2012

Baixar a febre


Este governo “relvas” não merece respeito, embora mereça a nossa admiração por ter conseguido desbaratar em tão pouco tempo a esperança que alguns nele punham por ser pelo menos outra coisa que o famigerado gang socratino.

Mas há ali um ministro que me inspira confiança, desde logo pelo seu estilo e postura, apesar de eu nada perceber do sector: falo do da saúde, o Paulo Macedo. Conseguiu um acordo com os representantes da classe médica e parece conseguir algum controlo num ministério que tem andado há muito tempo entregue à bicharada.

sábado, outubro 20, 2012

Depois do vómito


Quando o enjoo se junta à náusea é provável que haja vómito.

Esta semana houve mais uns tantos banqueiros e ex-banqueiros a explicarem-nos o privilégio  de termos um Gaspar na colecta. Já conheci muitas falsas reputações, nulidades que eram vistas como geniais e gente competente que era marginalizada como inútil. Mas o caso deste Gaspar ultrapassa tudo, desde logo porque assenta em inverdades factuais que apenas servem para lhe dourar a aurea: uma delas é a de que regressou directamente de Bruxelas para o Terreiro do Paço, ignorando-se que S. Exa. integrara, havia meses, o BES. Um outro erro de paralaxe é o de que este Gaspar seduzira, enquanto lá esteve, as altas instâncias da União Europeia pela sua clarividência e visão, escamoteando-se o cinzentismo da sua passagem durante uns meses por uma estrutura secundaríssima da Comissão, da qual foi dispensado sem remorsos.

Mas nós somos a pátria dos Acácios, nisso somos Constâncios (outro Vitor), e desde que estes lhes sejam bons serviçais, haverá sempre uns Mefistófoles que lhes escreverão cartas de referência.

O homem não tem culpa pois as reputações são sempre obra de terceiros, mas ainda assim aproveita o balanço e a oportunidade: foi deprimente vê-lo a abanar o rabo quando o Sr. Schäuble lhe fez um rasgado elogio num evento alemão: “Nós temos a sorte de estar o Gaspar nas Finanças de Portugal”. Um homem de bem ou um democrata de gema repudiaria de imediato aquele “nós” venenoso, mas ao ‘nosso’ Gaspar  interessa ser mais dos “wir” que nosso, pois são eles que o nomearão mais tarde para um bom posto internacional onde os ganhos não pagam impostos.

Desde as primeiras horas deste Governo previ que o prazo de validade do Gaspar seria curto mas estava longe de imaginar que a caducidade fosse tão rápida. Aqui chegados, penso contudo que seria injusto dispensá-lo na remodelação que se seguirá à aprovação do orçamento. Pelo contrário, acho que deve manter-se e responsabilizar-se definitivamente pelo previsível novo fracasso dessa execução orçamental. Demiti-lo agora seria deixá-lo escapar-se e salvar-lhe a tal reputação. Ninguém merece isso, nem ele nem os que ainda o incensam. Há-de partir, mas depois do vómito.

 

 

quarta-feira, outubro 17, 2012

E 2014?



Eu, tal como o Estado, com vergonha o confesso, também me endividei. No entanto, ao contrário do Estado, pedi dinheiro emprestado para comprar activos, móveis ou imóveis, que existem e têm (algum, pelo menos) valor e utilidade. Não deitei o dinheiro fora.

Há, ainda, outra diferença entre o meu percurso e o do Estado que não é um pormenor: eu era solvente, tinha dinheiro, ou boas perspectivas de o gerar, para pagar a minha dívida. Até que o Estado violou o contrato social que tinha comigo – também gosto de dizer estas coisas de "esquerda" – e me começou a roubar, em vez de me tributar justamente, para poder pagar as dívidas dele.

O resultado disto, infelizmente, é que eu, que era solvente, posso vir a deixar de o ser em consequência do assalto fiscal, sem que apesar disso o Estado resolva o problema dele, pois não reduz a sua despesa nem vai aumentar a receita fiscal. Pode ser até que não haja margem para fazer outra coisa, mas é impossível que não se tenha consciência de que ao tributar desta forma as famílias e a economia em geral se destrói a poupança, o investimento e o consumo. Em suma, acaba-se com as empresas e com o emprego.

Os juros da dívida e a redução do défice de 2013 sabemos quem vai pagar. Em 2014 não sabemos, receio bem que  não restará ninguém para pagar.

quinta-feira, outubro 11, 2012

TOPETE


 

Li que o Grupo Parlamentar do PS gastou 210.000 euros da verba que recebe da AR em quatro carros topo de gama para o serviço dos deputados. Sou contra argumentos demagógicos e bem sei que não é só por isto que estamos como estamos, mas esta gente que por via do roubo fiscal me impossibilita a compra deste género de carros devia ter vergonha de usar o meu dinheiro desta forma.

quarta-feira, outubro 10, 2012

O Público...

Fico triste pelo que esta a acontecer no Jornal Publico. Não sei quais os jornalistas que vão sair, mas eventualmente alguns deles são profissionais que admiro. 

Acho que os órgãos de comunicação social devem pensar seriamente na linha editorial que alguns tem vindo a seguir, e constatar que está claramente a afastar-se do que o seu publico tem interesse.
Às pessoas já lhes basta a crise e as dificuldades das suas vidas, não precisam que os jornais e as televisões ainda lhes mostrem mais. Para além disso, cada vez mais se põe com grande facilidade em causa a conduta e a seriedade das pessoas, muitas vezes de formas pouco rigorosas e superficiais, e que não se pense que a maior parte das pessoas aprecia esse tipo de abordagem.

Por alguma razão, cada vez se vendem menos jornais e as audiências dos telejornais descem…
Gostava de ser mosca para assistir ao encontro de quinta-feira entre Seguro e Hollande. Para Seguro é um upgrade importante, em relação ao fatídico primeiro não-encontro pós eleição de Hollande, em que Hollande se reuniu com governantes na sede própria e Seguro com os aspirantes numa barraca ao lado por onde Hollande nem passou. Resta saber se, agora que Seguro já é tratado com alguma dignidade, aproveitará para invectivar Hollande sobre as suas ideias orçamentais, TSU incluida, e se porá na agenda a redução drástica dos Deputados franceses. Adivinham-se dias dificeis para Hollande.

segunda-feira, outubro 08, 2012

O FIM MESMO

O desastre fiscal anunciado pelo Ministro das Finanças representa, de facto, o fim. O que nos veio dizer Vitor Gaspar no seu anúncio, enquanto desastradamente nos tentava passar a mão pelo pêlo, foi que o país não é viável, pelo menos com ele a governar.
Por muito porreiros e sacrificados que sejamos, não é simplesmente possível vivermos enquanto comunidade, com uma economia organizada e a funcionar, com o Estado a roubar desta maneira as empresas e as famílias. Suspeito, só suspeito porque não tenho autoridade técnica, que com estas medidas a receita irá diminuir em vez de aumentar e então tudo se afundará.
Ao que chegámos. Razão tinha Ricardo Araújo Pereira (nem ele na altura sabia quanta): temos uma carga fiscal  ao nível do norte da Europa com um estado ao nível do Norte de África. Dentro de pouco tempo tudo se harmonizará, com certeza. Deixarão de existir pura e simplesmente contribuintes.

sexta-feira, outubro 05, 2012

O fim...


Ver a imagem do suposto Chefe de Estado a hastear a bandeira da república ao contrário, vale por si.