Diz a opinião, tanto a pública como sobretudo a publicada,
que este governo está isolado de apoios.
Pois bem, permitam-me dizer que é falso, pois que, pelo
menos eu, ainda estou com ele.
E com a troika também. Confiando até mais nesta que naquele.
Pasmo quando tudo quanto é professor televisivo ou de coluna
jornalística (que aliás se multiplicam como coelhos) venha agora dizer que tudo
o que sai deste governo é mau, quando antes, no reinado socratino, gritavam que
era isto mesmo que tinha forçosamente de ser feito.
Não pasmo quando sindicatos e partidos comunistas lançam
urros contra os imprescindíveis cortes na despesa pública e no desenfreado
consumo, sempre na defesa da mama que querem perpetuar à custa do povo.
Pasmo é que sejam dados ouvidos a todo este usual, cansativo
e monocórdico folclore.
Pasmo sobretudo que os que se dizem empresários neste agora
se apoiem para continuar irresponsavelmente a viver à sombra da mesma
bananeira.
Não pasmo que tudo quanto se diz notável, barão ou baronete
lute para resistir à mudança, que antes também diziam necessária.
Pasmo é na força com que esta gentalha, com Cavaco á cabeça,
se agarra agora ao passado, qual tábua de salvação que lhes permita
defenderem-se dos ventos de mudança e continuar sobreviver à sombra das teias
de interesses que foram construindo e em que, à custa do povo, se vão movendo.
Mas nada há de permanente na vida, excepto a própria
mudança. Até o tempo muda!
Também nunca os pais do problema poderão ser os pais da
solução.
Portugal não pode mais continuar a resistir à mudança. É uma questão de sobrevivência!
E este é o ponto central no crítico momento que
atravessamos.
O governo anunciou já um recuo. No orçamento do próximo ano
a ver vamos até onde. E quanto mais vamos pagar por ele. Mas ainda tenho alguma
esperança que a troika nos ajude a minimizar este recuo, recordando-lhe a
necessidade de seguir caminhando pelas linhas traçadas.