domingo, outubro 28, 2012

Leva a taça


Pensava eu que o Governo tinha um responsável pelo sector do Turismo.
Pensava eu que essa tarefa estava atribuída à Sra. Cecília Meireles, militante do CDS/PP.
Pensava eu que o Turismo seria, nesta conjuntura complicada, um sector a acarinhar.
Dizem-me que não me enganava muito ao pensar aquilo tudo.

Mas às vezes a realidade é outra, bem mais triste. Eu não me importo nada que a Sra. Secretária de Estado tenha um gosto vestimentar muito especial, mas já me incomoda que o contribuinte seja levado a acreditar que há alguém a tratar dos assuntos do Turismo quando afinal ninguém conhece o paradeiro ou sabe explicar o que anda a fazer a veneranda senhora.

sábado, outubro 27, 2012

Baixar a febre


Este governo “relvas” não merece respeito, embora mereça a nossa admiração por ter conseguido desbaratar em tão pouco tempo a esperança que alguns nele punham por ser pelo menos outra coisa que o famigerado gang socratino.

Mas há ali um ministro que me inspira confiança, desde logo pelo seu estilo e postura, apesar de eu nada perceber do sector: falo do da saúde, o Paulo Macedo. Conseguiu um acordo com os representantes da classe médica e parece conseguir algum controlo num ministério que tem andado há muito tempo entregue à bicharada.

sábado, outubro 20, 2012

Depois do vómito


Quando o enjoo se junta à náusea é provável que haja vómito.

Esta semana houve mais uns tantos banqueiros e ex-banqueiros a explicarem-nos o privilégio  de termos um Gaspar na colecta. Já conheci muitas falsas reputações, nulidades que eram vistas como geniais e gente competente que era marginalizada como inútil. Mas o caso deste Gaspar ultrapassa tudo, desde logo porque assenta em inverdades factuais que apenas servem para lhe dourar a aurea: uma delas é a de que regressou directamente de Bruxelas para o Terreiro do Paço, ignorando-se que S. Exa. integrara, havia meses, o BES. Um outro erro de paralaxe é o de que este Gaspar seduzira, enquanto lá esteve, as altas instâncias da União Europeia pela sua clarividência e visão, escamoteando-se o cinzentismo da sua passagem durante uns meses por uma estrutura secundaríssima da Comissão, da qual foi dispensado sem remorsos.

Mas nós somos a pátria dos Acácios, nisso somos Constâncios (outro Vitor), e desde que estes lhes sejam bons serviçais, haverá sempre uns Mefistófoles que lhes escreverão cartas de referência.

O homem não tem culpa pois as reputações são sempre obra de terceiros, mas ainda assim aproveita o balanço e a oportunidade: foi deprimente vê-lo a abanar o rabo quando o Sr. Schäuble lhe fez um rasgado elogio num evento alemão: “Nós temos a sorte de estar o Gaspar nas Finanças de Portugal”. Um homem de bem ou um democrata de gema repudiaria de imediato aquele “nós” venenoso, mas ao ‘nosso’ Gaspar  interessa ser mais dos “wir” que nosso, pois são eles que o nomearão mais tarde para um bom posto internacional onde os ganhos não pagam impostos.

Desde as primeiras horas deste Governo previ que o prazo de validade do Gaspar seria curto mas estava longe de imaginar que a caducidade fosse tão rápida. Aqui chegados, penso contudo que seria injusto dispensá-lo na remodelação que se seguirá à aprovação do orçamento. Pelo contrário, acho que deve manter-se e responsabilizar-se definitivamente pelo previsível novo fracasso dessa execução orçamental. Demiti-lo agora seria deixá-lo escapar-se e salvar-lhe a tal reputação. Ninguém merece isso, nem ele nem os que ainda o incensam. Há-de partir, mas depois do vómito.

 

 

quarta-feira, outubro 17, 2012

E 2014?



Eu, tal como o Estado, com vergonha o confesso, também me endividei. No entanto, ao contrário do Estado, pedi dinheiro emprestado para comprar activos, móveis ou imóveis, que existem e têm (algum, pelo menos) valor e utilidade. Não deitei o dinheiro fora.

Há, ainda, outra diferença entre o meu percurso e o do Estado que não é um pormenor: eu era solvente, tinha dinheiro, ou boas perspectivas de o gerar, para pagar a minha dívida. Até que o Estado violou o contrato social que tinha comigo – também gosto de dizer estas coisas de "esquerda" – e me começou a roubar, em vez de me tributar justamente, para poder pagar as dívidas dele.

O resultado disto, infelizmente, é que eu, que era solvente, posso vir a deixar de o ser em consequência do assalto fiscal, sem que apesar disso o Estado resolva o problema dele, pois não reduz a sua despesa nem vai aumentar a receita fiscal. Pode ser até que não haja margem para fazer outra coisa, mas é impossível que não se tenha consciência de que ao tributar desta forma as famílias e a economia em geral se destrói a poupança, o investimento e o consumo. Em suma, acaba-se com as empresas e com o emprego.

Os juros da dívida e a redução do défice de 2013 sabemos quem vai pagar. Em 2014 não sabemos, receio bem que  não restará ninguém para pagar.

quinta-feira, outubro 11, 2012

TOPETE


 

Li que o Grupo Parlamentar do PS gastou 210.000 euros da verba que recebe da AR em quatro carros topo de gama para o serviço dos deputados. Sou contra argumentos demagógicos e bem sei que não é só por isto que estamos como estamos, mas esta gente que por via do roubo fiscal me impossibilita a compra deste género de carros devia ter vergonha de usar o meu dinheiro desta forma.

quarta-feira, outubro 10, 2012

O Público...

Fico triste pelo que esta a acontecer no Jornal Publico. Não sei quais os jornalistas que vão sair, mas eventualmente alguns deles são profissionais que admiro. 

Acho que os órgãos de comunicação social devem pensar seriamente na linha editorial que alguns tem vindo a seguir, e constatar que está claramente a afastar-se do que o seu publico tem interesse.
Às pessoas já lhes basta a crise e as dificuldades das suas vidas, não precisam que os jornais e as televisões ainda lhes mostrem mais. Para além disso, cada vez mais se põe com grande facilidade em causa a conduta e a seriedade das pessoas, muitas vezes de formas pouco rigorosas e superficiais, e que não se pense que a maior parte das pessoas aprecia esse tipo de abordagem.

Por alguma razão, cada vez se vendem menos jornais e as audiências dos telejornais descem…
Gostava de ser mosca para assistir ao encontro de quinta-feira entre Seguro e Hollande. Para Seguro é um upgrade importante, em relação ao fatídico primeiro não-encontro pós eleição de Hollande, em que Hollande se reuniu com governantes na sede própria e Seguro com os aspirantes numa barraca ao lado por onde Hollande nem passou. Resta saber se, agora que Seguro já é tratado com alguma dignidade, aproveitará para invectivar Hollande sobre as suas ideias orçamentais, TSU incluida, e se porá na agenda a redução drástica dos Deputados franceses. Adivinham-se dias dificeis para Hollande.

segunda-feira, outubro 08, 2012

O FIM MESMO

O desastre fiscal anunciado pelo Ministro das Finanças representa, de facto, o fim. O que nos veio dizer Vitor Gaspar no seu anúncio, enquanto desastradamente nos tentava passar a mão pelo pêlo, foi que o país não é viável, pelo menos com ele a governar.
Por muito porreiros e sacrificados que sejamos, não é simplesmente possível vivermos enquanto comunidade, com uma economia organizada e a funcionar, com o Estado a roubar desta maneira as empresas e as famílias. Suspeito, só suspeito porque não tenho autoridade técnica, que com estas medidas a receita irá diminuir em vez de aumentar e então tudo se afundará.
Ao que chegámos. Razão tinha Ricardo Araújo Pereira (nem ele na altura sabia quanta): temos uma carga fiscal  ao nível do norte da Europa com um estado ao nível do Norte de África. Dentro de pouco tempo tudo se harmonizará, com certeza. Deixarão de existir pura e simplesmente contribuintes.

sexta-feira, outubro 05, 2012

O fim...


Ver a imagem do suposto Chefe de Estado a hastear a bandeira da república ao contrário, vale por si.

domingo, setembro 30, 2012

Contra os barões marchar, marchar!


Diz a opinião, tanto a pública como sobretudo a publicada, que este governo está isolado de apoios.
Pois bem, permitam-me dizer que é falso, pois que, pelo menos eu, ainda estou com ele.
E com a troika também. Confiando até mais nesta que naquele.

Pasmo quando tudo quanto é professor televisivo ou de coluna jornalística (que aliás se multiplicam como coelhos) venha agora dizer que tudo o que sai deste governo é mau, quando antes, no reinado socratino, gritavam que era isto mesmo que tinha forçosamente de ser feito.

Não pasmo quando sindicatos e partidos comunistas lançam urros contra os imprescindíveis cortes na despesa pública e no desenfreado consumo, sempre na defesa da mama que querem perpetuar à custa do povo.

Pasmo é que sejam dados ouvidos a todo este usual, cansativo e monocórdico folclore.

Pasmo sobretudo que os que se dizem empresários neste agora se apoiem para continuar irresponsavelmente a viver à sombra da mesma bananeira.

Não pasmo que tudo quanto se diz notável, barão ou baronete lute para resistir à mudança, que antes também diziam necessária.

Pasmo é na força com que esta gentalha, com Cavaco á cabeça, se agarra agora ao passado, qual tábua de salvação que lhes permita defenderem-se dos ventos de mudança e continuar sobreviver à sombra das teias de interesses que foram construindo e em que, à custa do povo, se vão movendo.

Mas nada há de permanente na vida, excepto a própria mudança. Até o tempo muda!

Também nunca os pais do problema poderão ser os pais da solução.

Portugal não pode mais continuar a  resistir à mudança. É uma questão de sobrevivência!

E este é o ponto central no crítico momento que atravessamos.

O governo anunciou já um recuo. No orçamento do próximo ano a ver vamos até onde. E quanto mais vamos pagar por ele. Mas ainda tenho alguma esperança que a troika nos ajude a minimizar este recuo, recordando-lhe a necessidade de seguir caminhando pelas linhas traçadas.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Leitura do Dia


Livro de Eclesiastes 3,1-11.

Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: 

tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, 

tempo para matar e tempo para curar, tempo para destruir e tempo para edificar, 

tempo para chorar e tempo para rir, tempo para se lamentar e tempo para dançar, 

tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar, tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço, 

tempo para procurar e tempo para perder, tempo para guardar e tempo para atirar fora, 

tempo para rasgar e tempo para coser, tempo para calar e tempo para falar, 

tempo para amar e tempo para odiar, tempo para guerra e tempo para paz.
 
Que proveito tira das suas fadigas aquele que trabalha? 

Eu vi a tarefa que Deus impôs aos filhos dos homens para que dela se ocupem. 

Todas as coisas que Deus fez, são boas a seu tempo. Até a eternidade colocou no coração deles, sem que nenhum ser humano possa compreender a obra divina do princípio ao fim.

Continuam as notícias e ruido conexos com o filme sobre Maomé. Segundo me dizem, o filme é pessimo, não tenciono vê-lo por evidente falta de interesse. Sabemos que não é preciso um produto de qualidade quando se visa apenas a polémica ou a provocação. Contudo, defenderei sempre a liberdade de opinião, de criação e de publicação. Nunca estarei do lado dos que censuram, incendeiam, silenciam em nome de um pensamento único e inquestionável. Escreve isto quem não gostou do Je vous salue Marie e continua a apreciar a obra de Godard, quem achou de muito mau gosto e enorme ignorância caricaturar o Papa com um preservativo no nariz e continua a comprar o Expresso, quem frequenta com prazer e serenidade livrarias onde proliferam livros que vilipendiam a Igreja e os católicos. Agrada-me esta sanha contra os católicos? Obviamente, não. Mas não viveria em paz com a sua censura. É uma questão de civilização.

sexta-feira, setembro 21, 2012

INSÓLITO?

Um Conselho Coordenador da Coligação é uma espécie de Conselho de Ministros "sombra" dos partidos do Governo?