sexta-feira, agosto 31, 2012

Agosto

As férias foram(se) a(gosto). O Porto está deserto, Lisboa nem se fala. As romarias, esse verdadeiro serviço público, sem taxas, estão em grande.

O Povo parece sereno, como o clima. Na sua imensa sabedoria, ou acredita que a crise tem um fim à vista, ou está a preparar alguma.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Parolo, Parolo, Parolo

O título é roubadissimo ao Pedro Bidarra no Dinheiro Vivo. Nesse artigo Bidarra insurge-se "quando ouvi que um grande anunciante português sugeriu à sua grande agência, que trouxesse criativos estrangeiros para lhe resolver os briefings importantes; porque os de cá só fazem banalidades, estão gastos. Daí o título." Eu estou completamente de acordo com ele. Mas tal como ele se insurge contra os grandes anuncinates que em Lisboa pedem para chamar criativos estrangeiros, eu revolto-me quando vejo decisores no Norte optarem sempre pelas agências de Lisboa, não pelo critério qualidade mas porque acham que a norte não há capacidade de criar e só o que se faz em Lisboa é que é bom. Irrita-me ver gestores vindos de Lisboa e que aos poucos desviam para Lisboa os departamentos que desde sempre estiveram aqui radicados e com bons resultados, e ainda assim devem ficar cheios de pena de não conseguirem levar as fábricas. Irrita-me ver bancos que nasceram com o dinheiro dos empresários do Norte deslocalizarem para Lisboa as suas sedes matando aos poucos os bons e apetecíveis lugares que por aqui haviam na banca. Irrita-me ver alguma comunicação social que identificava Belmiro de Azevedo como "o empresário do Norte" quando tirando o estado é o maior empregador do país. Irrita-me quando vejo os comboios cheios a caminho de Lisboa de gente que pacientemente vai ao beija mão em busca de negócios. Irrita-me quando amigos me confidenciam que a sua empresa que é reconhecidamente uma das melhores do seu sector tem uma morada em Lisboa mas onde apenas existe um telefone direccionado para os escritórios do Porto pois só assim conseguem ser chamados a concursos, sejam eles promovidos por empresas de Lisboa ou do Porto. Irrita-me quando vejo tanta e tanta gente que no Norte tem um discurso mas quando vê o seu lindo cuzinho sentado na capital são ainda piores na parolice. É por isso mesmo que estou de corpo e alma com a revolta do Pedro Bidarra. Mas o que há a fazer é continuar a mostrar que por aqui, seja em Lisboa contra o parolismo do apego a tudo que é estrangeiro seja aqui no Norte contra o parolismo do apego a tudo que vem com o carimbo da capital, se faz trabalho com qualidade e muito profissionalismo. Ou então mudar os parolos todos para um país longínquo onde seriam de certeza muito felizes a brincarem uns com os outros.

sábado, agosto 04, 2012

O Confisco

A cartita do fisco que os contribuintes estão a receber é o mais recente gesto da "crazy season".

Os Portugueses, com "prémios", digo, taxas,  acrescidas, privados dos subsídios salariais recebem agora, em pleno período de férias, a factura anunciada.

O problema é que este modelo não está de passagem e o Estado não aplica como deve o produto dos impostos.

O confisco! Digo-o AS e DS. Antes e depois de Sócrates, o novo.

...e já agora observem os Observatórios


Observatório do medicamentos e dos produtos da saúde
Observatório nacional de saúde
Observatório português dos sistemas de saúde
Observatório da doença e morbilidade
Observatório vida
Observatório do ordenamento do território
Observatório do comércio
Observatório da imigração
Observatório para os assuntos da família
Observatório permanente da juventude
Observatório nacional da droga e toxicodependência
Observatório europeu da droga e toxicodependência
Observatório geopolítico das drogas
Observatório do ambiente
Observatório das ciências e tecnologias
Observatório do turismo
Observatório para a igualdade de oportunidades
Observatório da imprensa
Observatório das ciências e do ensino superior
Observatório dos estudantes do ensino superior
Observatório da comunicação
Observatório das actividades culturais
Observatório local da Guarda
Observatório de inserção profissional
Observatório do emprego e formação profissional
Observatório nacional dos recursos humanos
Observatório regional de Leiria
Observatório sub-regional da Batalha
Observatório permanente do ensino secundário
Observatório permanente da justiça
Observatório estatístico de Oeiras
Observatório da criação de empresas
Observatório do emprego em Portugal 
Observatório português para o desemprego 
Observatório Mcom
Observatório têxtil
Observatório da neologia do português
Observatório de segurança
Observatório do desenvolvimento do Alentejo
Observatório de cheias
Observatório das secas
Observatório da sociedade de informação
Observatório da inovação e conhecimento
Observatório da qualidade dos serviços de informação e conhecimento
Observatório das regiões em reestruturação
Observatório das artes e tradições
Observatório de festas e património
Observatório dos apoios educativos
Observatório da globalização
Observatório do endividamento dos consumidores
Observatório do sul Europeu
Observatório europeu das relações profissionais
Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal 
Observatório europeu do racismo e xenofobia
Observatório para as crenças religiosas
Observatório dos territórios rurais
Observatório dos mercados agrícolas
Observatório dos mercados rurais
Observatório virtual da astrofísica
Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais
Observatório da segurança rodoviária
Observatório das prisões portuguesas
Observatório nacional dos diabetes
Observatório de políticas de educação e de contextos educativos
Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira
Observatório estatístico
Observatório dos tarifários e das telecomunicações
Observatório da natureza
Observatório qualidade
Observatório quantidade
Observatório da literatura e da literacia
Observatório nacional para o analfabetismo e iliteracia
Observatório da inteligência económica
Observatório para a integração de pessoas com deficiência
Observatório da competitividade e qualidade de vida
Observatório nacional das profissões de desporto
Observatório das ciências do 1º ciclo
Observatório das ciências do 2º ciclo
Observatório nacional da dança
Observatório da língua portuguesa
Observatório de entradas na vida activa
Observatório europeu do sul
Observatório de biologia e sociedade
Observatório sobre o racismo e intolerância
Observatório permanente das organizações escolares
Observatório médico
Observatório solar e heliosférico
Observatório do sistema de aviação civil
Observatório da cidadania
Observatório da segurança nas profissões
Observatório da comunicação local
Observatório jornalismo electrónico e multimédia
Observatório urbano do eixo atlântico
Observatório robótico
Observatório permanente da segurança do Porto
Observatório do fogo
Observatório da comunicação (Obercom)
Observatório da qualidade do ar
Observatório do centro de pensamento de política internacional
Observatório ambiental de teledetecção atmosférica e comunicações aeroespaciais Observatório europeu das PME
Observatório da restauração
Observatório de Timor Leste
Observatório de reumatologia
Observatório da censura
Observatório do design
Observatório da economia mundial
Observatório do mercado de arroz
Observatório da DGV
Observatório de neologismos do português europeu
Observatório para a educação sexual
Observatório para a reabilitação urbana
Observatório para a gestão de áreas protegidas
Observatório europeu da sismologia
Observatório nacional das doenças reumáticas
Observatório da caça
Observatório da habitação
Observatório Alzheimer
Observatório magnético de Coimbra

terça-feira, julho 31, 2012

FDP

O senhor Manuel Leitão já teve mais do que os 15 minutos de glória. O certo é que a comunicação social lhe dá palco pois dá para chatear Rui Rio. Agora tem um advogado que lhe tem que seguir as pisadas. E descobriu que FDP quer dizer "Fã de Pópos". É bem esgalhado, se estivermos claro no mundo da loucura. Eu internava esta gente de uma vez. E soltava outros que certamente por engano estão nos hospitais próprios e alguns deles com coletes de força. Vamos então fazer combinações que devem classificar o sr Manuel Leitão:
- Fã de Piolhos
- Fanático dos Piões
- Fanático da Pista
- Filho de primatas

e assim sucessivamente. Claro que o conhecido Filho da Puta não estava nos meios pensamentos.....

Ainda vamos a tempo

Jorge Fiel no seu editorial de segunda feira no JN assinala o facto dos portugueses estarem a fazer uma inversão nos seus hábitos de consumo e que tal ainda não foi verdadeiramente sentido ao nível do estado. É verdade pois deve ser muito dificil mexer naquela pesada máquina, cheia de vícios, quintas e quintinhas. Mas voltando ao abaixamento do consumo dos portugueses, todos os dias nos chegam sinais de que importamos menos e exportamos mais. Poderia ser duplamente positivo se ao importamos menos estivessemos a conseguir manter os hábitos de consumo o que significaca que  aquilo que anteriormente compravamos ao estrangeiro era agora produzido em portugal. Só que infelizmente não estamos a substituir mas apenas a deixar de consumir. Assim resta o consolo do aumento das exportações. O que significa que a nossa economia não está a ser alvo de nenhuma mudança que no futuro nos permita sonhar e dar a volta por cima e voltar a ter hábitos de consumo, mas agora "Made in Portugal". Mas voltando ao amigo Fiel, o problema mesmo é que a festa acabou por falta de dinheiro. E não vai voltar a haver, por muito que nos queiram fazer acreditar. Pobre geração dos meus e dos nossos filhos. Mas a fé é a última coisa a morrer, por isso toca a continuar a trabalhar.

sexta-feira, julho 27, 2012

Férias

Férias é irmos ficando com aquela cor mediterrânica em que parecemos menos velhos e elas umas sereias que nos tiram do sério.

Férias é beber um fino antes do almoço, é continuar com um branco geladinho, e só parar quando nos apetecer.

É o cheiro a churrasco e a gordura nos dedos das espetadas que pusemos na grelha.

Dormir, ler, brincar. Ouvir as crianças na água numa felicidade sem fim.

Conversar pela noite dentro, como se aquela noite estrelada fosse a última noite estrelada.

Repor as ideias, reflectir com tempo... e sonhar.

Sonhar contigo.

quarta-feira, julho 25, 2012

Estado Social

Gosto do Estado Social!

Como europeu, nutro mesmo uma especial simpatia por esta interessante construção social que os diversos países foram desenvolvendo no século passado, basicamente no pós-guerra, e pelos princípios de solidariedade em que se baseia.

Como europeu temo também pelo futuro do Estado Social.

O Estado Social está hoje gravemente doente. Pior ainda é que a doença de que padece é contagiosa, pois que já afecta as contas públicas a economia em geral.

Tenho para mim que as grandes linhas do Estado Social se deveriam circunscrever a (a) saúde, (b) desemprego e (c) pensões. Tudo o mais me soa a treta. E mesmo estas com conta, peso e medida.

Todas as inúmeras alíneas que lhes têm vindo a ser sucessivamente acrescentadas são como tumores que degeneram e só contribuem para a insustentabilidade do próprio sistema.

A solução estaria pois em operar rapidamente o doente e libertá-lo de todas as excrescências malignas que o toldam.

Estranhamente porém, como cura, o Estado Social optou por se tornar mais cobrador de impostos e menos pagador de promessas.

Mas isto é pura ilusão, pois que cada alínea de cobrança que hoje cria tem como contrapartida mais uma promessa para amanhã, naturalmente a não cumprir, o que só poderá conduzir à morte do doente.

De certo modo o Estado Social é como um bom vinho. Se bebido com moderação faz bem e dá prazer. Caso não, ai, ai, ai!

E tal como gosto do Estado Social, também gosto mais da sensação de acordar na manhã de um novo dia, do que na manhã depois da noite anterior…

Contar conchinhas

O Diário Económico descobriu um filão para multiplicar as visitas ao seu site on-line: organizou umas votações em click sobre os empresários e sobre os políticos portugueses. Não sei a quem atribua o maior ridículo da coisa: se ao próprio Diário Económico, que dessa maneira borra a sua imagem ao ponto de a pôr ao nível da mais rasteira revista “people” de sala de espera de cabeleireiro, se aos gabinetes de comunicação de certas empresas que durante uns dias se aplicaram a fazer cliques falsos para que o seu “mexia” saisse bem classificado.

O Jornal de Negócios, para não ficar atrás, divulga uma lista dos “mais poderosos” cuja arrumação só pode obedecer a critérios estapafúrdios. Hoje fala no Ângelo Correia, que deve estar a roer-se por ser apenas o 32° poderoso. Ora eu penso que se um tal indivíduo consegue ocupar uma posição que esteja acima do degrau 7.985.774, das duas uma: ou o país está doente e em coma profundo ou a classificação tem um vírus informático grave. Provavelmente ambas são verdade.

Desconfio que vamos ter mais curiosidades deste calibre ao longo do que resta deste triste Verão: uma lista sobre pançudos, uma classificação das que rompem com mais namorados, os top ten da praia dos búzios, etc. e tal. Temos um jornalismo catita que gosta de contar conchinhas.

domingo, julho 22, 2012

Um par de tabefes é o que merecia

A irreverência é sempre bem vinda e até salutar para despertar mentes. Mas a falta de educação e arrogância essas dispenso-as bem. Manuel Leitão que a bem dizer ninguém sabia quem era está a precisar de um bom par de tabefes pela sua falta de educação. O dito senhor é director da publicação "Porto Menú" que resolveu editar uma capa onde se lia na fachada de um prédio (o que o photoshop permite!!) "Rio és um fdp". Agora protesta pois a sua publicação foi proibida nos espaços municipais. Tadinho, acha o senhor que tinha esse direito por alma de quem? Mas não contente ainda se atreveu a puxar uma orelha a Rui Rio. Puxar na realidade e não em sentido figurado. Na inauguração do largo das Cardosas o senhor Manuel Leitão apareceu do nada e toca a puxar a orelha ao presidente da câmara. Rio, certamente fazendo uso de forças extra-terrestres deixou o energúmero ir em sossego. Agora o dito senhor ganhou em concurso a exploração da biblioteca do Marquês. A tal que tinha sido ocupado e desocupada pela câmara. Diz que esta vitória foi um roubo e disso faz alarde. Então porque foi? e ainda por cima como diz em entrevista ao Grande Porto teve que subir a parada para ganhar. Ninguém o mandou lá ir. Claro que tudo isto faz parte da sua estratégia de protagonismo saloio, que promete culminar com uma exposição para denunciar as "patifarias" de Rui Rio. No tal espaço camarário que ganhou em concurso. Este não vai lá com um puxão de orelhas.

sexta-feira, julho 20, 2012

O Comentador

De repente, há gente que me diz: Já viste o D. Januário? Um Bispo? Se ele diz o que diz...
Estes mesmos, que agora atribuem especial peso às palavras de D. Januário, são exactamente os mesmos que se indignam quando o Papa não prescreve o preservativo, se exaltam quando um Bispo diz que o casamento é entre um homem e uma mulher.
Como católico, entendo que qualquer Bispo, qualquer Sarcedote, tem um especial dever de intervenção social. Deve, se preciso for, falar alto em defesa dos mais fracos, dos oprimidos de qualquer espécie; deve pregar contra as injustiças e iniquidades. Mas, tendo em atenção o seu estatuto, a natureza da missão que lhe foi confiada, deverá fazê-lo sempre na estrita observância dos seguintes pressupostos: com verdade, com rigor, com elevação, com seriedade, com isenção, apelando à concórdia.
Não cumprindo D. Januário nenhum dos pressupostos que acima menciono, assumo que falará ao país como comentador político. Pelo historial e oportunidade das suas intervenções, comentador polítco de facção, comprometido e infelizmente incendiário.
Quererá isto dizer que não reconheço ao Bispo o direito ao comentário, à ambição de protagonismo político, à estratégia de gestão daquele que entende ser o seu poder político?
Claro que tem o direito de o fazer. Para que tudo ficasse claro, era bom que não o fizesse de cabeção; eu, católico, agardeceria.

Guilherme de Oliveira Martins


Segundo o Expresso online: Estão criadas todas as condições para que a flexibilização dos prazos e metas da troika ocorram”, afirmou o Presidente do Tribunal de Contas em entrevista à Antena 1, reconhecendo, no entanto, que "não é oportuno falar já disso".

Se não o considera oportuno, porque falou então?

Em boa verdade Oliveira Martins é apenas mais um que junta a sua voz ao coro dos que clamam pelo prolongamento da depressão colectiva que por aí grassa, uns na expectativa de que o seu arrastamento até às próximas eleições lhes possa tapar a nudez, outros apenas por mera resistência à mudança.

Infelizmente tive já de lidar com alguns processos de reorganização, nos quais sempre me guiei por critérios de rapidez. Quanto mais curto o processo, mais depressa a vida voltava a sorrir.

Nunca hei de compreender porque razão surgem estes apelos em tudo quanto é sítio noticioso. Se o que está a ser feito tem mesmo de o ser, e é depressivo, então a lógica será encurtar-lhe a duração, para também mais rápido se poder respirar.

Sobretudo nunca hei de entender a fobia da comunicação social em dar-lhes desmesurado eco, a ponto de já me parecer estranho sair de casa depois de ver os noticiários e sentir que a vida afinal ainda mexe.

Algumas destas vozes continuam, como habitualmente, apenas a defender os interesses dos seus próprios umbigos, em prejuízo do colectivo nacional. Muitas outras se lhes juntam simplesmente por não perceberem, ou se recusarem a perceber, o problema. Outras ainda porque já começam a sentir que algo que fazia parte do seu pequeno mundo está mesmo a mudar.

Neste particular não deixa de ser curioso constatar como inúmeros comentadores dos três partidos chamados do “arco da governação” se juntam agora e alinham os seus comentários em claro saudosismo de um certo passado que sentem a fugir debaixo dos pés, mas lhes dava a ilusão duma importância e estatuto social que julgavam ter, e que afinal só nos conduz ao problema.

A solução unicamente advirá duma real mudança de atitudes. Pretender que a coisa não passa de mera dificuldade temporária e que depois tudo voltará ao seu “normal” é querer perpetuar o problema para poder continuar a viver à sombra dos outros, como sucedeu já na sequência dos dois anteriores pedidos de ajuda ao FMI.