segunda-feira, julho 16, 2012

Apanhar ar

Não sei se me refira ao presidente da Câmara de Santarém como ex-inspector Flores, ou como o escritor Moita, ou como o futuro candidato PSD à Câmara de Oeiras ou mais prosaicamente como o Dr. Moita Flores, sem que no “Dr.” haja qualquer ironia ou segunda intenção.

O certo é que o senhor pediu a suspensão do mandato ribatejano por razões de saúde, que felizmente não o impedem de ir cumprir em casa umas alegadas obrigações literárias. Acho enternecedor que o Dr. Moita Flores pense que faz literatura e na verdade é essa sua ideia que me faz acreditar que haja ali algum problema de saúde a merecer a minha simpatia e alguma atenção clìnica.

Penso, por isso, que deviamos libertar o Dr. Moita Flores das obrigações literárias que o atormentam e dessa forma restituir-lhe a plenitude da sua saúde física e mental, mas desconfio que os escalabitanos preferem deixá-lo ir escrever romances e, se necessário for, lê-los. Infelizmente, nestas coisas não há borlas.

Um futuro risonho


Há poucas semanas publicou-se aqui no Nortadas um video com o dirigente da JSD da Madeira a choramingar por ter decidido demitir-se na sequência de um processo de vandalismo e copos. O indivíduo terminava a pantominice prometendo que havia de voltar e que havia de ser o futuro dirigente regional do arquipélago.

Há dias o dirigente nacional da mesma JSD, um não sei quê Marques, que já se fizera notar no congresso do partido por uns disparates que disse ao microfone e umas propostas patetas que a seguir renegou quando lhe puxaram as orelhas, veio arrotar umas balelas em defesa do seu patrão, o Dr. das equivalências, e apontar o dedo a um tal Gago, que esse sim seria o mau da fita por ter feito aprovar o regime em vigor do qual terá beneficiado o Dr.

Há um par de meses os filiados do concelho do Porto do mesmo PSD elegeram para seu chefinho um sujeito conhecido por outras tantas trapalhadas curriculares e por “voar” entre a Invicta e Lisboa graças à forma expedita como se safava das multas por excesso de velocidade.

Há dois ou três dias o presidente da Câmara de Gaia ralhou publicamente com o seu vice-presidente por este ter uma opinião um bocadinho diferente da do presidente àcerca das tais equivalências do Dr.

Consta, enfim, que na recente reunião do Concelho Nacional do PSD, o Dr. recebeu uma estrondosa ovação dos conselheiros, embora não seja ainda claro se a dita foi para o compensar da asssobiadela que o mesmo teve de encaixar dias antes num estádio local ou se foi para aquecer as palmas das mãos numa sala onde se sentia um gelo do caraças.

Tudo isto aponta para o seguinte: desenganem-se os que pensam que o PSD já bateu no fundo e que, portanto, já não pode piorar; pelo contrário, há fortes razões para acreditar que o futuro daquela agremiação reserva-nos um lixo ainda mais intenso e putrefacto.

terça-feira, julho 10, 2012

O Sr. Honda e o Dr. Relvas


Depois de se despedir de um primeiro emprego que lhe negava a oportunidade de lidar com motores, o Sr. Honda encontrou um outro onde lá pôde começar a meter as mãos no que era a sua paixão. Porém, à medida que neles ia mexendo e remexendo começou a perceber que não conseguia evoluir por falta de conhecimentos.

Despediu-se de novo e foi frequentar um curso de engenharia mecânica. No último ano veio-se embora sem comparecer nos exames finais. Lamentando que um aluno que muito se tinha distinguido ao longo do curso dali não saísse licenciado, um professor tentou demovê-lo.

Mas sem sucesso, pois tudo quanto o Sr. Honda queria eram os conhecimentos e esses já dali levava. O canudo de nada lhe serviria. Como então explicou ao tal professor, para ele o canudo valia menos que dois bilhetes de teatro, que sempre dariam para aí levar a namorada.

De seguida dedicou-se a fazer o que realmente gostava e, anos após a sua morte, continuamos a ver a prestigiada marca Honda a circular em todo o mundo.

O Dr. Relvas seguiu percurso inverso. De conhecimentos não necessitava, pois que já os tinha adquirido ao longo da vida! Faltava-lhe era o canudo. Foi então à (não para a) universidade. Não dará para levar a namorada ao teatro, mas sempre dará para lho exibir. Ao longe, para que não se vejam os numerinhos...

sábado, julho 07, 2012

A grande mentira!


Que o Estado é financeiramente deficitário, todos o sabemos.
Que o Estado tem hoje uma despesa brutal, todos o dizem.
Que a Economia não gera receita suficiente para esta, todos concordam
Que não é possível continuar a tapar o buraco com dívida, todos aceitam.
Que também não é possível manter esta diarreia fiscal, todos alertam.
Que é necessário cortar na despesa, todos comentam.
Que a maior despesa é em pensões e salários, todos reconhecem.

O problema surge quando se corta (ou se tenta cortar) efectivamente na despesa e se começa a perceber que afinal a coisa mexe (ou pode mexer) com o nosso bolso. Aí o discurso muda:
- ok, eu até compreendo, mas porquê o meu bolso e não o do vizinho?

Logo os habituais professores de tv também mudam de discurso:
- ok, eu até compreendo, mas porquê aqui e não ali? Ou, se ali, porque não acoli?

Claro que dirigir o corte para aqui, ali ou acolá implica uma opção, naturalmente política, isto se o caso ainda a permitir....

Quando o corte mexe com o nosso bolso, ou a nossa posição, é ainda fundamental faze-lo com equidade.

Sendo necessário cortar em organização, deve ser estabelecido um critério socialmente equitativo. Será equitativo um plano social que a todos trate por igual, mesmo que se traduza em resultados quantitativamente diferenciados em função dos ganhos ou situação de cada um.

Se uma empresa fixar uma indemnização para todos calculada na base de um mês de salário por cada ano de serviço, mesmo que isto se traduza em valores individualmente diferentes, será por todos reconhecido por equitativo.

Se a empresa ao lado tiver condições que lhe permitam atribuir uma indemnização de dois meses, se a todos aplicável também se poderá dizer que o critério é equitativo.

O que já não pode é o trabalhador despedido desta alegar que o tratamento dado ao daquela ofende o princípio da igualdade, pois que cada empresa é uma realidade diferente e, no caso, ambas cumpriram com o mínimo legal e o aplicaram internamente de modo equitativo.

Desigual ou não equitativo seria que a empresa fixasse uma indemnização para o António e outra para o Bernardo, ou mesmo uma para os administrativos e outra para os de produção.

Saber se a suspensão temporária do pagamento dos subsídios ditada no OGE 2012 ofende ou não o princípio da equidade, é pois questão que só pode ser avaliada face ao conjunto dos que se sentam à mesa do próprio orçamento.

Ora, esta suspensão temporária não só abrangeu todos, como a todos tratou por igual e a todos fixou igual duração.

Logo, a única conclusão possível é que foi feita de modo equitativo, sendo um total absurdo a pretensa comparação com outros trabalhadores ou pensionistas que não os pagos pelo Estado.

O problema situa-se na despesa do Estado e a questão respeita tão só à redução dos encargos sociais desta. Logo, a equidade da decretada suspensão só pode ser avaliada no âmbito universo dos que enquadram a dita despesa.

Pretender o contrário, é uma aberração que só pode ser entendida por juízos parcialidade!

Fundamentá-lo numa comparação de pêras com maçãs é ainda intelectualmente desonesto!

Nein. Es ist für mich


Trata-se da última frase do filme “Das Leben der Anderen” (‘A vida dos outros’).

O filme é de 2006 mas só agora o vi graças ao dvd que me ofereceram. O meu alemão não chega para perceber os diálogos mas gosto de ouvi-los e, com a muleta de legendas num outro idioma, dou-me a impressão que fico por dentro e que sinto o que se passa através da língua de Goethe.

Recomendo-o. A história passa-se em Berlim-Este de 1984: um capitão da Stasi ( a Pide da RDA) é encarregado de vigiar a vida de um dramaturgo, sem saber que está afinal a participar numa intriga que permita ao ministro afastar o concorrente que lhe impede de disfrutar do corpo sensual da actriz.

Na minha opinião, o realizador consegue recriar muito bem a atmosfera claustrofóbica do dia-a-dia do “socialismo real”, sem estereótipos nem demagogia, e cada personagem gere a sua dose de cobardia ou de dignidade de uma forma que lhe dá credibilidade e nos agarra pelo pescoço. Ulrich Mühe, o actor que desempenha o papel do capitão da Stasi, é outra mais-valia de um filme que não se pode deixar de ver. Que bela prenda: vi-a e pensei “es ist für mich”.

quinta-feira, julho 05, 2012

O Tribunal Ratton

O Tribunal Constitucional acaba de cometer hara-kiri.

Os membros do Tribunal Constitucional perceberam finalmente que o tricot jurídico a que se dedicam como câmara de refogados para as mais variadas prescrições punha a nú a sua irrelevância e decidiram inspirar-se nos pareceres do Carlos Magno da ERC para darem, com este acordão sobre a inconstitucionalidade da suspensão dos “subsídios” de Natal e férias, o seu último suspiro.

Um tribunal constitucional que afirma a ilegalidade fundamental de uma lei mas lhe ressalva os efeitos é um tribunal constitucional que a si próprio se anula e que, portanto, se transforma definitivamente num corpo morto. Doravante devemos tirar-lhe as maiúsculas e olhá-lo como um mero estafermo institucional sem outro préstimo que não seja o de preparar para os Isaltinos e Macários as embrulhadas de recursos que lhes permitem perdurar.

Honra seja feita aos juízes Catarina Sarmento e Castro, Carlos Pamplona de Oliveira e José Cunha Barbosa, que votaram contra aquela ressalva de efeitos.

Flutuações quânticas ou o 'nosso' bosão

A primeira vítima do último caso Relvas é a própria Universidade Lusófona. Se eu tivesse ali um filho a estudar tirava-o de lá imediatamente. Esta universidade ficou condenada ao mesmo destino que já tiveram a Moderna e a Independente.

As segundas vítimas do mesmo caso são os desgraçados alunos que ali se licenciaram ou estão a caminho disso. Se eu fosse um empresário, não mais recrutaria ninguém que se me apresentasse com um diploma da Lusófona e se o candidato me dissesse que tinha ali conseguido um mestrado ou um doutoramento eu respondia-lhe com uma sonora gargalhada.

As terceiras vítimas são os próprios professores que ainda lá dão aulas. Neste momento devem estar a olhar-se ao espelho e a pensar se lhes vale a pena continuarem associados a uma fabriqueta de canudos ou se é melhor prescindirem do cheque mensal mas salvarem algum respeito por si próprios.

Quanto ao Relvas, ele de facto já nem sequer é um assunto: é uma partícula residual sem massa e sem campo magnético.

Ooooolllllééééé

Margarida Netto intervém no debate sobre espetáculos tauromáquicos from cdspp on Vimeo.

quarta-feira, julho 04, 2012

Sinosidades


Ora aqui está mais uma boa razão para uma relação especial com a China: a similitude de disfuncionamento do sistema judicial.

Há 18 anos que este processo contra a CP e a REFER se arrasta e agora desapareceu da Relação de Lisboa, correndo-se o risco de voltar tudo à estaca zero. Entretanto o Conselho Superior da Magistratura abre um processo disciplinar contra o queixoso, que é juiz.

(Fotomontagem de Kausinthegarden)

terça-feira, julho 03, 2012

Saúde em saldo

Luís da Cunha Ribeiro, um homem do Norte mas Presidente da Administração Regional de Saúde Lisboa e Vale do Tejo diz que desconhecia os valores pagos aos enfermeiros determinados em Concurso (€3,96) e que nada pode fazer, uma vez que representa o Estado, o interesse dos Contribuintes e que tem que adjudicar pelo valor mais baixo (sic).
Este tipo de contratos, quando frequentes, revelam desorganização, desresponsabilização e desvalorização do Trabalho e as próprias empresas de recursos humanos, nomeadamente a Medicsearch, denunciam a falta de dignidade dos vencimentos dos enfermeiros e os erros na metodologia dos concursos.

A ARS LVT e as restantes ARS do país deviam inspirar-se no que foi feito na ARS Norte nos últimos anos e promover todas as medidas necessárias à optimização dos cuidados de saúde prestados mesmo indo contra alguns vícios instalados.

é que, de acordo com os próprios dados oficiais, a ARS Norte é muito mais eficiente na utilização dos recursos financeiros e humanos. O Norte, em comparação com a região LVT, para o mesmo número de habitantes faz mais cirurgias, mais consultas, menos internamentos e menos urgências com menos dinheiro e melhor optimização dos recursos humanos.

Citando o Dr. Fernando Araújo, ex-presidente da ARS Norte, se se aplicassem os rácios do Norte ao resto do país não eram necessários os cortes [dos subsídios de Natal e de Férias propostos] pela Troika. 

Os próprios resultados financeiros dos hospitais EPE do Norte em comparação com os da região LVT são significativamente melhores, uma vez que gastaram em 2010 menos 463 milhões de euros (1858 milhões contra 2321 milhões de euros).

Dá que pensar!




este lado padreco, Bairro Alto e urbano-esquerdista do Bloco de Esquerda é intragável

"...este lado padreco, Bairro Alto e urbano-esquerdista do Bloco de Esquerda é intragável. A fatal companhia dessa anémona política chamada "Os Verdes" (sempre a oeste das ordens do PCP e a leste de tudo o que interessa na política de Ambiente), é enjoativa. E a inevitável participação do grupelho 'fracturante' do PS, estremecendo de emoção de cada vez que se fala de mulheres, gays ou animais, sendo estágio obrigatório de ascensão política lá na agremiação, é desprezível. Todos irão fatalmente votar a favor de um projecto de lei que é verdadeiramente fascista na sua essência, culturalmente ignorante e ditatorial, centralizador e arrogante. Já sei: vou ser uma vez mais esmagado nos vossos blogues e Facebooks (Twitters, perdão), onde, à falta de melhores causas ou de coragem para outras, a vossa grande liberdade é perseguir a liberdade alheia. Mas, sabem que mais? Estou-me nas tintas para a vossa opinião. Tenho pena, apenas. Tenho pena de quem não entende a beleza de uma tourada ou o "silêncio poético e misterioso, um silêncio que estremece" do toureio de José Tomas ("El País"), de quem nunca cheirou a esteva e o orvalho de uma manhã de caça, de quem nunca perdeu horas sentado na margens de rio à espera que o peixe morda o anzol, de quem vai ao circo e não quer ver os leões do Paquito Cardinslli. Tenho pena, mas não posso fazer nada, que não isto: lutar para que não passem." (Miguel Sousa Tavares) Magnifico este texto de Miguel Sousa Tavares. Não sei se neste blog alguém o vai "esmagar" da minha parte aplausos ...a bem da Nação e das Touradas!!!

domingo, julho 01, 2012

"Faz o que digo, não o que eu faço"


Havia um consenso na União Europeia : os mais altos responsáveis políticos não assistiriam aos jogos do Europeu que se realizassem na Ucrânia, em sinal de protesto e para se demarcarem de um regime que vem perseguindo a oposição e que mantém na prisão, na sequência de um processo muito duvidoso, a ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko.

Consterna-me, portanto, ver naquela bancada o primeiro-ministro italiano Mario Monti e o príncipe das Astúrias. É por estas e por outras que a União Europeia, que não sabe dar-se ao respeito, se vem transformando na chacota de muitos europeus e não europeus. Parece que aqueles estão em boa companhia: ao lado daquela figura patética que dá pelo nome de Platini.

Adenda : dou-me agora conta que também lá está em Kiev o primeiro-ministro espanhol Rajoy. Devem pensar que indo aos molhos passam despercebidos.