Parece que isto dos chips das SCUT é como trazer um polícia no banco de trás, dizia-me esta semana o meu barbeiro enquanto me esquartejava a cabeleira, mas concluindo que, para ele, esse vasculhar de vida privada não seria um problema, pois que quem não deve não teme.
Deixei-o logo de tesoura suspensa ao retorquir que isto já não era verdade e, para que o homem continuasse o serviço, tive pois de lhe explicar que, mesmo nada devendo a ninguém, iria agora ter de pagar os desvarios dos outros.
Efectivamente, toda a vida pratiquei o princípio de viver, melhor ou pior, mas apenas dentro das minhas possibilidades. Por duas únicas ocasiões recorri ao crédito. Uma, quando o meu antigo velho carro entrou em greve e, para comprar o R5, o primeiro novo, faltavam-me 300 contos. A segunda para comprar o pequeno apartamento onde vivo, que entretanto, com a saída dos filhos, até já cresceu. O banco, simpatizando comigo, deu-me então 25 anos para lhe pagar o financiamento feito. Porém, fiel àquele meu princípio, no final de cada ano amortizava-o com as economias subjantes, tendo ficado pago ao cabo de 10 anos, para desgosto do tal banco que tinha sido tão meu amigo.
De que me valeu isto se agora vou ter de pagar pelos outros? Se calhar os que então me chamaram de lorpa até tinham razão. Mas, cada um é como é e eu já não vou mudar.
Porém, ao olhar à minha volta, há cerca de três anos atrás optei por acrescentar uma nova rubrica na minha mini contabilidade doméstica, um pouco à merceeiro, a que chamei “desvarios dos outros”, assim começando a construir uma provisão para o efeito. Fi-lo então mais a pensar nos cortes de pensões que por certo ainda ocorrerão até chegar a minha vez, hoje com data marcada para ... um dia. Mas agora, com mais este plano de extorsão do contribuinte (PEC), no final deste ano lá terei de reforçar aquela minha provisão. Isto se ainda puder. Caso não, restar-me-á rasgar o cartão de sócio das finanças e pedir a demissão do clube ao senhor ministro.
Não sei se aqueles que vivem acima das suas possibilidades terão ou não uma vida melhor que a minha. Mas que o aparentam, aparentam. Coisas da vida...
domingo, julho 04, 2010
sábado, julho 03, 2010
Porque hoje é Sábado
sexta-feira, julho 02, 2010
Celebrar
Esta a epígrafe de um artigo de Pedro Lomba no Público do passado dia 10 de Junho, dia de celebrações cá no sítio, onde se manifestava frustrado “por um país que praticamente não celebra nada, que, pior, parece alimentar uma raiva envergonhada contra a dimensão comemorativa que parece existir na vida pública.”, acrescentando: “Nós, portugueses, não celebramos. E o pouco daquilo que celebramos (vitórias futebolísticas, certas festas religiosas) chega para demonstrar como temos sido rotineiramente ensinados para não celebrar nada.”
A certa altura perguntava: “em quantas escolas, do secundário à universidade, se celebra dignamente o início e o fim do ano lectivo, a atribuição dos diplomas e prémios, a entrada e a saída dos estudantes? Gerações de alunos passaram anos pelas universidades sem nunca terem sentido que fizeram parte de alguma coisa. Receberam passivamente um serviço, como se fossem ao hospital. Não admira que a maioria esqueça depressa que lá andou.”
Vem isto agora a propósito da Maria da Luz, filha mais nova do nosso Douro, que hoje teve a sua cerimónia de entrega de diplomas do secundário agora terminado. Naturalmente que não por cá, mas na sua escola em Bruxelas.
Para quem daqui envio um grande beijinho de parabéns!
A certa altura perguntava: “em quantas escolas, do secundário à universidade, se celebra dignamente o início e o fim do ano lectivo, a atribuição dos diplomas e prémios, a entrada e a saída dos estudantes? Gerações de alunos passaram anos pelas universidades sem nunca terem sentido que fizeram parte de alguma coisa. Receberam passivamente um serviço, como se fossem ao hospital. Não admira que a maioria esqueça depressa que lá andou.”
Vem isto agora a propósito da Maria da Luz, filha mais nova do nosso Douro, que hoje teve a sua cerimónia de entrega de diplomas do secundário agora terminado. Naturalmente que não por cá, mas na sua escola em Bruxelas.
Para quem daqui envio um grande beijinho de parabéns!
Golden share versus golden ticket

Um país, um Governo, uma golden share, uma empresa estratégica, uma empresa nos trópicos e uma empresa estrangeira, parece quase o título de um filme de David Cronenberg…mas não é….com excepção dos aspectos sórdidos.
A PT (Portugal Telecom), é uma das únicas empresas Portuguesas com verdadeiros interesses internacionais e com uma dimensão muito superior ao simpático rectângulo onde está sediada. O seu tabuleiro não se joga no quadro regional, Europeu até, mas contempla uma lógica superior, ultrapassando, largamente, a lógica doméstica.
Daí ser tão apetecível a aquisição do seu principal activo – a sua quota parte na Vivo. Refira-se que, no Brasil, em 2009, a Vivo tinha como clientes o simpático número de - mais do a população total de Espanha – 45 milhões. Como alguém dizia num destes dias, todos os anos acresce uma TMN à Vivo (ou seja mais três milhões de clientes).
É evidente, à saciedade, que uma empresa com estas características possibilita à pequena PT pensar em grande. E, sobretudo, falar global. De resto, afigura-se improvável que no quadro do sector das telecomunicações, onde pontuam grandes multinacionais, extremamente competitivas, a PT consiga uma posição tão confortável numa empresa com perspectivas de crescimento tão invejáveis quanto a Vivo. Nem mesmo a enorme injecção de capital que a PT beneficiaria com a sua venda, lhe poderá permitir semelhantes voos (falamos de dois aeroportos de Alcochete).
Uma empresa desta dimensão (PT) representa para o país, não um mero interesse privado, mas sim um interesse muito superior. Com ou sem golden share, com ou sem participação social do Estado, o facto é que um activo nacional da dimensão da Portugal Telecom, tem uma relevância muito para além do simples jogo livre do mercado, da oferta e da procura. Há uma eminente relevância pública, há um inquestionável interesse nacional nas vicissitudes da PT. E, o Governo soberano da pátria, não pode ficar alheio a tal facto. E, podendo intervir, deve fazê-lo. Tem a obrigação moral de o fazer. O Governo de Portugal não é uma empresa privada, não deve servir outros interesses que não os da nação. E, parece manifesto, que esses também passam por aí.
Há, pois, neste negócio, uma clara Razão de Estado que legitimaria até o uso informal do poder soberano do Governo e até de uma necessária magistratura de influência. Mesmo a liberal Albion não se coíbe de proteger o interesse das suas empresas mais emblemáticas, o mesmo fazendo os transalpinos, os nuestros hermanos, ou a velha Lutécia. Qualquer Estado que se respeite não poderá fraquejar e soçobrar ante as investidas de interesses estratégicos sediados noutros estados e com outros interesses. E não se fala aqui de proteccionismo barato. Trata-se de, dentro de um quadro de mercado livre e liberal, exercer a influência e usar os expedientes possíveis, para prover ao interesse da Nação. No caso, é manifesto que o livre jogo das forças do mercado, iria prejudicar o interesse nacional, por isso, o Estado mais não fez do que usar o que podia. E, neste caso, o que podia era o recurso ao veto da golden share.
Falar em regras absolutas de respeito pelas leis do mercado, da oferta e da procura é uma treta que não encontra contraforte que a sustente, nem paradigma que a reproduza em qualquer canto desta Europa ou do Mundo Livre. Num planeta onde se fazem guerras com cheiro a petróleo, onde há complacências contra genocídios, onde a lei do puro interesse impera, um pouco de realpolitik neste cantinho à beira mar plantado não fará mal a ninguém. A não ser a quem receberia um dividendos chorudos…mas … um estreito horizonte!!! É como as bolas de Berlim…primeiro devemos comer a massa, só depois o creme. Há quem pense ao contrário.
A PT (Portugal Telecom), é uma das únicas empresas Portuguesas com verdadeiros interesses internacionais e com uma dimensão muito superior ao simpático rectângulo onde está sediada. O seu tabuleiro não se joga no quadro regional, Europeu até, mas contempla uma lógica superior, ultrapassando, largamente, a lógica doméstica.
Daí ser tão apetecível a aquisição do seu principal activo – a sua quota parte na Vivo. Refira-se que, no Brasil, em 2009, a Vivo tinha como clientes o simpático número de - mais do a população total de Espanha – 45 milhões. Como alguém dizia num destes dias, todos os anos acresce uma TMN à Vivo (ou seja mais três milhões de clientes).
É evidente, à saciedade, que uma empresa com estas características possibilita à pequena PT pensar em grande. E, sobretudo, falar global. De resto, afigura-se improvável que no quadro do sector das telecomunicações, onde pontuam grandes multinacionais, extremamente competitivas, a PT consiga uma posição tão confortável numa empresa com perspectivas de crescimento tão invejáveis quanto a Vivo. Nem mesmo a enorme injecção de capital que a PT beneficiaria com a sua venda, lhe poderá permitir semelhantes voos (falamos de dois aeroportos de Alcochete).
Uma empresa desta dimensão (PT) representa para o país, não um mero interesse privado, mas sim um interesse muito superior. Com ou sem golden share, com ou sem participação social do Estado, o facto é que um activo nacional da dimensão da Portugal Telecom, tem uma relevância muito para além do simples jogo livre do mercado, da oferta e da procura. Há uma eminente relevância pública, há um inquestionável interesse nacional nas vicissitudes da PT. E, o Governo soberano da pátria, não pode ficar alheio a tal facto. E, podendo intervir, deve fazê-lo. Tem a obrigação moral de o fazer. O Governo de Portugal não é uma empresa privada, não deve servir outros interesses que não os da nação. E, parece manifesto, que esses também passam por aí.
Há, pois, neste negócio, uma clara Razão de Estado que legitimaria até o uso informal do poder soberano do Governo e até de uma necessária magistratura de influência. Mesmo a liberal Albion não se coíbe de proteger o interesse das suas empresas mais emblemáticas, o mesmo fazendo os transalpinos, os nuestros hermanos, ou a velha Lutécia. Qualquer Estado que se respeite não poderá fraquejar e soçobrar ante as investidas de interesses estratégicos sediados noutros estados e com outros interesses. E não se fala aqui de proteccionismo barato. Trata-se de, dentro de um quadro de mercado livre e liberal, exercer a influência e usar os expedientes possíveis, para prover ao interesse da Nação. No caso, é manifesto que o livre jogo das forças do mercado, iria prejudicar o interesse nacional, por isso, o Estado mais não fez do que usar o que podia. E, neste caso, o que podia era o recurso ao veto da golden share.
Falar em regras absolutas de respeito pelas leis do mercado, da oferta e da procura é uma treta que não encontra contraforte que a sustente, nem paradigma que a reproduza em qualquer canto desta Europa ou do Mundo Livre. Num planeta onde se fazem guerras com cheiro a petróleo, onde há complacências contra genocídios, onde a lei do puro interesse impera, um pouco de realpolitik neste cantinho à beira mar plantado não fará mal a ninguém. A não ser a quem receberia um dividendos chorudos…mas … um estreito horizonte!!! É como as bolas de Berlim…primeiro devemos comer a massa, só depois o creme. Há quem pense ao contrário.
Santo Tirso e Trofa
O Tribunal Constitucional acaba de confirmar a sentença que obriga o Estado Português a indemnizar o Concelho de Santo Tirso em cerca de sete milhões de euros. Em causa está a criação do Concelho da Trofa que Santo Tirso sempre considerou ilegal e da qual resultaram prejuízos avultados para o concelho tirsense.
Quem vai pagar?
http://www.cm-stirso.pt/index.php?option=com_noticias&task=detalhe&id=393&Itemid=195
Quem vai pagar?
O contribuinte, pois claro. Venha de lá mas é a regionalização!
Quem vai pagar?
http://www.cm-stirso.pt/index.php?option=com_noticias&task=detalhe&id=393&Itemid=195
Quem vai pagar?
O contribuinte, pois claro. Venha de lá mas é a regionalização!
quinta-feira, julho 01, 2010
Comprar um balde novo
Muitos portugueses partirão de férias este ano sem se darem conta de que provavelmente será o último ano em que o farão nos moldes habituais.Há um descalabro que os espera ao regresso: o Governo do "engenheiro" vem paulatinamente construindo esse descalabro político, económico, financeiro e social.
O estado de ruína ética e moral já é conhecido e dir-se-ia que integrado no nosso dia-a-dia, mas temo que uma parte importante dos nossos compatriotas ainda não se tenha verdadeiramente apercebido do lamaçal para que nos arrastaram estes partidos sem alma e sem outro projecto que não seja o da sua sobrevivência às costas da população.
A forma como uns e outros geriram o caso das Scuts, como repousaram à sombra das golden shares, como embarcaram em TGVs ruinosos, ou como querem fechar escolas, para apenas mencionar as experiências mais recentes, demonstra à saciedade não apenas a incompetência mas sobretudo a irresponsabilidade desta classe política.
Neste momento, nenhum banco português consegue financiamento no sistema inter-bancário europeu. O nosso sistema judicial desmoronou-se e os mais altos magistrados perderam toda a respeitabilidade. O ensino produz ou ignorantes ou incapazes, não obstante o esforço e dedicação de milhares de professores que estão cada vez mais desanimados. O futuro do sistema de saúde é negro e a desorganização dificilmente poderia ser maior.
Num tal cenário, pensar que temos alternativas políticas nas pessoas de Passos Coelho ou Paulo Portas, mais o grupo que os circunda, é alimentar a ilusão que ainda nos permite comprar umas novas hawaianas e um novo protector solar, mais o balde e a pá para o miúdo.
Em Setembro, há-de haver um Alegre a falar na pátria, enquanto outros esperarão que de Belém venha um sinal. E contudo, na gaveta onde vamos repor a toalha de praia estará apenas uma tanga para nos proteger do Inverno.
Aproveitemos esta réstea de sol e de mar o melhor que pudermos, mas preparemo-nos para o outro lado da colina, porque ou somos nós a tratar disto ou serão eles a tratar a nossa degenerescência.
quarta-feira, junho 30, 2010
A Terceira Depressão
Estamos nos estados iniciais de uma terceira depressão, que deverá ser como a Longa Depressão e o reflexo do fracasso das medidas tomadas. Os custos para a economia mundial serão enormes
As recessões são vulgares, as depressões são raras. Tanto quanto sei, houve só dois períodos na história económica a que, na altura, se chamou "depressão": os anos de deflação e instabilidade que se seguiram ao pânico de 1873 e os anos de desemprego generalizado que ocorreram na esteira da crise financeira de 1929-31.
Nem a Longa Depressão do século xix nem a Grande Depressão do século xx foram épocas de declínio imparável. Pelo contrário, ambas tiveram períodos em que a economia cresceu. Mas esses episódios de melhoria nunca foram suficientes para desfazer os danos da crise inicial e foram seguidos de recaídas. Estamos agora, quer-me parecer, nos estádios iniciais de uma terceira depressão. Esta vai parecer-se provavelmente muito mais com a Longa Depressão do que com a outra, muito mais séria, a Grande Depressão. Porém, os custos para a economia mundial e sobretudo para os milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos não deixarão de ser enormes.
Esta terceira depressão será fundamentalmente um reflexo do fracasso das medidas tomadas. Em todo o mundo, como foi manifesto na reunião profundamente desencorajadora do G20, os governos estão obcecados com a inflação, num momento em que o verdadeiro perigo está na deflação; advogam a necessidade de apertar o cinto quando o verdadeiro problema está na falta de despesa pública.
Em 2008 e 2009 parecia que tínhamos aprendido qualquer coisa com a história: ao contrário dos seus antecessores, que aumentaram as taxas de juro em face de uma crise financeira, os actuais dirigentes da Reserva Federal e do Banco Central Europeu baixaram as taxas e tomaram medidas de apoio ao mercado do crédito. Ao contrário dos governos de antanho, que tentaram equilibrar os orçamentos numa situação de economia em queda livre, os governos actuais deixaram que os défices aumentassem. E essas medidas, melhores, evitaram que o mundo entrasse num colapso completo: a recessão desencadeada pela crise financeira acabou, pode dizer-se, no Verão passado.
Contudo, os historiadores do futuro dirão que isso não foi o fim da terceira depressão, tal como a revitalização dos negócios iniciada em 1933 não representou o fim da Grande Depressão. Afinal o desemprego, sobretudo o de longo prazo, permanece a níveis que, não há muito tempo, seriam considerados catastróficos, não mostrando sinais de baixar nos tempos mais próximos. Tanto os Estados Unidos como a Europa estão a caminho de cair em armadilhas deflacionárias ao estilo japonês.
Perante este cenário desanimador, seria de esperar que os legisladores percebessem que não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não: ao longo dos últimos meses assistiu-se, espantosamente, ao ressurgimento de uma postura ortodoxa de dinheiro forte e orçamentos equilibrados.
Em termos de retórica, o renascer da antiga religião é mais evidente na Europa, onde os responsáveis parecem querer ganhar pontos com colectâneas de discursos de Herbert Hoover, chegando ao ponto de afirmar que aumentar os impostos e cortar na despesa vai fazer crescer a economia por aumentar a confiança no mundo empresarial. Todavia, em termos práticos, os Estados Unidos estão a fazer as coisas muito mais a fundo. A Reserva Federal parece ciente dos riscos de deflação. Contudo o que se propõe fazer para prevenir tais riscos é... nada. A administração Obama compreende os perigos da austeridade fiscal prematura, mas, como os republicanos e os democratas conservadores com assento no Congresso não autorizariam mais ajudas aos governos estaduais, essa austeridade está aí ao virar da esquina, sob forma de cortes orçamentais a nível estadual e municipal.
Porquê a opção errada nas medidas a tomar? Os adeptos da linha dura invocam muitas vezes as dificuldades da Grécia e de outros países da periferia da Europa como justificação das suas acções. E é verdade que quem investe em títulos de dívida não gosta de governos com défices incontroláveis. Mas nada aponta para que a austeridade fiscal de curto prazo numa situação de depressão económica tranquilize os investidores. Pelo contrário: a Grécia concordou instituir rigorosas medidas de austeridade e viu os seus spreads de risco crescerem ainda mais. A Irlanda impôs cortes violentos na despesa pública e acabou por ser tratada pelos mercados como um risco pior que Espanha, país que se tem revelado muito mais avesso a engolir a receita da linha dura. É quase como se os mercados financeiros percebessem o que os decisores políticos parecem não entender: que embora a responsabilidade fiscal a longo prazo seja importante, o facto de se cortar na despesa em plena depressão (o que agrava essa depressão e abre caminho à deflação) é, na realidade, um tiro no pé. Por isso não acho que isto tenha que ver com a Grécia, nem sequer com alguma análise realista da dicotomia défice-emprego. É, sim, a vitória de uma postura ortodoxa, que tem pouco que ver com uma análise racional, cujo dogma central é que a imposição de sofrimento aos outros é a maneira certa de mostrar capacidade de liderança em tempos difíceis.
E quem vai pagar o preço deste triunfo da ortodoxia? Dezenas de milhões de trabalhadores desempregados. Destes, muitos ficarão sem emprego durante anos: os restantes nunca mais voltarão a trabalhar.
Paul Krugman
2010-06-29 10:44
Aposentação
Tenho nesta altura, à semelhança de muitos portugueses, um familiar que acaba de se aposentar da função pública.
Décadas de serviço público, anos de experiência e de dedicação à comunidade.
Nesta altura de crise, de redução de efectivos, de algumas tentações de perseguição aos funcionários públicos temo que:
1- Não saibamos estimar e promover a dedicação e o bom exemplo,
2- Não sejamos capazes de reconhecer quem merece,
3- Sejamos incapazes de aprender com quem agora se reforma,
4- Sejamos incapazes de renovar a função pública pelo critério da excelência.
Por mim, reconheço e agradeço publicamente o seu alto exemplo!
Numa altura em que os grandes alunos concorriam e acediam, por mérito, à função pública, foi essa a sua opção.
Mãe de seis filhos, foi essa a sua graça. Funcionária exemplar que chegou ao topo da carreira e que ainda teve, concomitantemente, forças e tempo para apoiar o seu sindicato e, assim, os seus Colegas. Pessoa de dizer sempre aquilo que devia, doesse a quem doesse, incorruptível e dedicada, que grande exemplo de vida!
Faço votos para que todos quantos vão encerrar as suas funções públicas, nestes últimos tempos são milhares, aproveitem essa fase nova e que continuem, por muitos e bons anos a irradiar vida, a derramar saber e amor, a todos quantos os rodeiam.
Como já hoje li:
-"Longo e penoso é o caminho através de normas e leis, curto e eficaz é através do exemplo.", Séneca.
Décadas de serviço público, anos de experiência e de dedicação à comunidade.
Nesta altura de crise, de redução de efectivos, de algumas tentações de perseguição aos funcionários públicos temo que:
1- Não saibamos estimar e promover a dedicação e o bom exemplo,
2- Não sejamos capazes de reconhecer quem merece,
3- Sejamos incapazes de aprender com quem agora se reforma,
4- Sejamos incapazes de renovar a função pública pelo critério da excelência.
Por mim, reconheço e agradeço publicamente o seu alto exemplo!
Numa altura em que os grandes alunos concorriam e acediam, por mérito, à função pública, foi essa a sua opção.
Mãe de seis filhos, foi essa a sua graça. Funcionária exemplar que chegou ao topo da carreira e que ainda teve, concomitantemente, forças e tempo para apoiar o seu sindicato e, assim, os seus Colegas. Pessoa de dizer sempre aquilo que devia, doesse a quem doesse, incorruptível e dedicada, que grande exemplo de vida!
Faço votos para que todos quantos vão encerrar as suas funções públicas, nestes últimos tempos são milhares, aproveitem essa fase nova e que continuem, por muitos e bons anos a irradiar vida, a derramar saber e amor, a todos quantos os rodeiam.
Como já hoje li:
-"Longo e penoso é o caminho através de normas e leis, curto e eficaz é através do exemplo.", Séneca.
PT - os votos, os vetos e os betos
Artigo 63° do Tratado sobre o funcionamento da União Europeia
1. No âmbito das disposições do presente capítulo, são proibidas todas as restrições aos movimentos de capitais entre Estados-Membros e entre Estados-Membros e países terceiros.
O que se passou esta manhã na Assembleia Geral da Portugal Telecom é uma vergonha a vários títulos.
Em primeiro lugar, porque é uma ilegalidade flagrante face ao direito da União. Dentro de uma semana a República Portuguesa será condenada no Tribunal de Luxemburgo por manter uma golden-share na PT.
É uma vergonha pois é um sinal negativo que se envia a qualquer investidor internacional no momento em que mais precisamos deles: o país fica com a imagem de uma espécie de Congo que pertence a uns certos nomes e em que é preciso ir ao beija-mão. O D. Basílio bem pode fazer os seus números a promover azeites e fechaduras, mas o dinheiro vivo vai passar a tratá-lo ainda com mais desprezo.
É uma vergonha porque é uma mentira: os mercados vão penalizar não só a PT mas todas as empresas nacionais que doravante precisem de ir buscar fundos ao exterior. Dizer que o veto do Estado o foi em defesa dos interesses estratégicos nacionais é de uma miopia económica e política invulgar. E quem vai pagar a factura vai ser o consumidor.
Mais valia que o Estado decidisse nacionalizar a PT. Na verdade, esse veto corresponde a uma nacionalização, com a agravante de que o accionista não é compensado. É portanto pior que uma nacionalização. E é sobretudo um logro e uma fraude cometida pelos que sempre falam em desenvolvimento e na iniciativa privada para afinal impedirem o mercado de funcionar. Já assim tinham procedido aquando da OPA da Sonae e agora repetem-no com a Telefónica de uma forma ainda mais brutal, o que não deixará de trazer consequências seriíssimas para todo o nosso tecido económico.
Hoje assistimos a um remake foleiro do que havia de mais ressequido no pior do salazarismo provinciano, para benefício apenas de uns tantos senhores instalados em poltronas que partilham com gente da laia dos Rui Soares e Varas.
E é uma vergonha que haja pessoas que deviam ser competentes e afinal são coniventes e cúmplices de uma fraude: o Sr. Menezes Cordeiro (na foto), presidente da Assembleia Geral (deve ser campeão em Assembleias Gerais, vide BCP), ou é um ignorante ou está de má fé quando declara que a condenação de Portugal no Tribunal da União Europeia só será eficaz para o futuro: sê-lo-á desde o fim dos dois meses que se seguiram ao envio de há anos do parecer fundamentado.
Enfim, é uma vergonha para a oposição política que tem assento na Assembleia da República: não conheço nenhuma voz que ali se levante a desmascarar este Estado de opereta e estes truques de mercearia. Julgam-se modernos e afinal não passam todos de uns lacaios.
Ontem perdemos por 1-0. Hoje perdeu-se a honra. Besuntem-se na brilhantina.
terça-feira, junho 29, 2010
Barrar a barragem, afundar o Fundo

Que a EDP, de braço dado com a Iberdrola e os empreiteiros do regime, ande pelo norte do país a destruir os nossos rios e os nossos vales, a nossa biodiversidade, o nosso turismo e a nossa paisagem, a pretexto de nos vender uma das mais caras energias da Europa, é coisa lá desses majestáticos centralistas que acham que podem vir cá trocar um espelho por um diamante e ainda ficarem a rir-se dos Gungunhanas que estão para cima do Douro.
O Sócrates-Mexia vai ter surpresas graúdas se julga que pode continuar a trilhar esses caminhos e mais avisado seria se conversasse com o Sócrates-Mendonça, quando este voltar de Moçambique, para saber que isto não vai a chip e que não lhes vai ficar nada 'cheap'.
Entretanto é de saudar a recusa de 9 organizações não-governamentais de participarem nesse cínico fundo da EDP para a biodiversidade que supostamente lhe compraria uma boa consciência. Até porque o fundo é curto: 2,5 milhões não chega para demolir sequer a barragem mais pequena.
Postal de Barcelona (Carta aberta aos grandes chefes

Caro Zé,
Caro Aníbal,
o meu nome é Ana e nasci em Lisboa, mas vivi no Porto quase toda a minha vida. Foi lá que cresci, junto ao rio e ao mar; foi lá que estudei e aprendi tudo o que sei; foi a Norte que passei todas as minhas férias e foi também lá que me ensinaram os valores que hoje me regem.
Foi a Norte que me ensinaram que não se cruza os braços perante a adversidade; foi a Norte que me mostraram que, quando o ser-humano deixa que as mordaças da hipocrisia lhe calem a voz, perde terreno importante para as trevas da exploração; foi a Norte que percebi que a Honra tem muito mais a ver com a forma e a força com que arregaçamos os braços para trabalhar e ajudar o próximo, do que com a gravata que escolhemos para receber um cargo com o qual, afinal de contas, não sabemos bem o que fazer; foi lá em cima que sempre ouvi que não podemos deixar de lutar contra aqueles que nos pisam, que nos oprimem, que nos limitam, que nos reduzem a pouco quando somos muito. Tudo isto aprendi pela boca de pessoas várias, unidas em torno de valores comuns e de uma herança de combatividade (não apenas pela região, mas principalmente pelo próprio país); pessoas de diferentes cores políticas, profissões, estratos e condições sociais; pessoas que às vezes nem sabiam a importância do que me estavam a transmitir; pessoas que falam com o coração na boca e que, se tivessem o país nas mãos, fariam de nós algo ainda maior do que o que agora somos. Só porque sim – só porque os seus antepassados o fizeram sempre.
Tal como disse no início desta carta, foi no Norte que estudei. Mas não foi no Norte que arranjei emprego. Não é no Norte que estou a conseguir desenvolver-me e criar riqueza para o meu país. Não é a terra onde nasci que Norteia as minhas escolhas, nem é lá (ainda) que posso contribuir com as minhas capacidades, explorar o meu potencial ou rentabilizar a minha energia.
É que a Norte não há emprego. A Norte há poucas possibilidades de receber um bom salário. A Norte somos constantemente alvo dos caprichos da capital e acabamos sempre a pagar as favas dos amuos da vossa gente quando sente os bolsos mais leves. A Norte somos pior servidos de transportes e na prática acabamos por pagá-los mais caros. A Norte temos que fazer duplo-esforço para lutar contra o isolamento cultural e artístico e estóicamente ultrapassar violentos ataques e barreiras ao renascimento e desenvolvimento das indústrias que, um dia, alimentaram o país – isto é hoje tão evidente, que só não o vê quem, como os senhores, pura e simplesmente não quer.
Eu não me estou a queixar. Eu tenho dois braços, duas pernas, uma voz potente e três ou quatro capacidades que, certamente, me proverão o sustento mais tarde ou mais cedo. A Norte, pois claro. (Se tiver que ser a Sul, pois que seja, de fome não morrerei – mas o meu coração continuará no Norte e jamais me venderei como tantos dos vossos colegas de mexerico político). Basta os senhores olharem à história e terão diversas provas de que aqui em cima sempre estivemos bem acordados. Repito, não me estou a queixar, porque sei que mais dia, menos dia, esta situação terá um fim. O Norte será Norte e continuará a ser Portugal, mas um Portugal que não baixa a cabeça ao poder central e nem se governa pelo desgoverno que vem da Capital. Só mais uma vez, para que fique bem claro: eu não me estou a queixar – estou apenas a avisar. Junto a minha voz às de tantos outros que têm vindo a fazer avisos semelhantes, por motivos que, entre outros, se prendem com a subsistência e dignidade de uma Juventude que se recusa a apodrecer calada.
Estarão agora os senhores a pensar: “Bolas, a miúda está revoltada!”. Estou sim, meus senhores. Estou eu e os meus irmãos; o meu namorado; os meus vizinhos; os meus amigos; os amigos do meu namorado e os amigos dos meus amigos; os meus colegas de curso; os meus colegas de trabalho (temporário, claro); os meus companheiros de autocarro e de metro; os meus tios, primos e avós; todos os amigos e colegas deles; os meus pais e os seus amigos…somos muitos. E seremos cada vez mais.
Só para acabar, uma última ressalva: os senhores lembrem-se de que não estão a brincar com tostões. Estão a brincar com a vida de pessoas unidas pelo orgulho de, historicamente, sempre terem aceite de peito aberto a luta pela dignidade. Repito: de peito aberto; coração na boca; e o Mundo nas mãos.
Não roubo mais do vosso precioso tempo. Fá-lo-ei, certamente, com o próximo boletim de voto que me chegue às mãos.
Aquele abraço de fair-play,
Anita*
domingo, junho 27, 2010
Scut, chips e mais trapalhadas socratinas
O dia 1 de Julho é já na quinta feira. E segundo o que corre era a partir dessa data que iriamos começar a pagar em algumas das scuts. Via chips ou vão lá montar umas banquinhas com uns simpáticos lotes de desempregados? Mas a trapalhada é tão grande que estou sem perceber, mas o que me safa mesmo é que amanhã tenho que depositar a minha carta no governo civil. Fiquei finalmente a perceber para que servem os governos civis; fiéis depositários de cartas de condução. Mas voltando às Scuts e aos Chips como ficamos? pagamos, partimos as coisas à pedrada ou deixamos de trabalhar?
Aniversário do Nortadas
O Nortadas faz sete anos. Não que estivesse esquecido, mas contava ter um porto para oferecer a todos os que aqui vêm ler os nossos escritos e também para todos aqueles que resolveram fazer parte desta casa. Mas recebi este alerta e bem merece que o nosso aniversáro seja anunciado. São 7 anos. A idade da primeira crise nos casamentos, que espero não tenha aqui aplicação. Que venham mais 7.
Ainda o Mundial
Não sendo um fã de Carlos Queiroz, tenho que reconhecer que ele tem encarado cada jogo de forma séria e de forma muito preparada. Contra a Costa do Marfim como era o primeiro não convinha perder. Assim aconteceu. O segundo, com a Coreia, era preciso vencer e assim aconteceu se bem que por números que não deviam estar nos seus melhores prognósticos. Depois o Brasil serviu para rodar Pepe, experimentar Duda numa nova função e dar jogo a Ricardo Costa. E claro não perder pois o que interessava era atingir o primeiro objectivo: passar a fase de grupos.
Agora vem aí a Espanha e um novo desafio. Que será encarado certamente com outra postura e certamente com uma equipa posicionada com cuidados defensivos, mas de pendor ofensivo quando de posse da bola. Aguardemos então.
Agora vem aí a Espanha e um novo desafio. Que será encarado certamente com outra postura e certamente com uma equipa posicionada com cuidados defensivos, mas de pendor ofensivo quando de posse da bola. Aguardemos então.
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