Dia: Sábado.
Hora: Mais ou menos dez da noite.
Local: A minha cozinha.
Tema: Bacalhau.
Artista: Je.
A coisa desta vez não era difícil, pois é um prato que faço com uma perna às costas (desculpem a gabarolice). Aliás nem se pode considerar que seja cozinhar, pois o prato faz-se ele próprio.
O mais importante é completamente alheio à minha competência, ou não, que é o bicho propriamente dito. E este era divinal, de cura de Viana do Castelo, impossível de copiar, o nosso fiel amigo cumpriu na perfeição.
Comecei por procurar a minha travessa de barro da sorte, comprada na feira de Cerveira há mais de 15 anos, está tão feia que a pessoa que manda lá em casa a faz desaparecer para trás de utensílios altamente estilizados.
Depois cortei as batatas à lá Zé Mexia, ou seja, às rodelas grossas aí com uns dois centímetros. Fiz o mesmo ás cebolas.
Uma cama de batatas, bacalhau por cima, cebolas ao lado.
Alho.
Muuuuito azeite.
Antes de continuar abri uma garrafita de tinto que morreu nessa noite. Era lá dos lados de Azeitão, que sem deslumbrar foi honesta no seu propósito de me amaciar a moral.
Entretanto liguei o forno a 200 Graus, e botei a travessa lá dentro. De vez em quando pegava numa colher e regava por cima.
Um dia conto-vos as cores, os cheiros, a alegria que o próprio bacalhau sentiu quando as suas postas se soltaram delicadamente e vieram de encontro às minhas papilas gustativas.
Vocês não apareceram…
segunda-feira, maio 03, 2010
As 'isenções' de PEC
Do blogue Notas Verbais, trancrevo este pedaço de post:
"Enquanto o até agora vice-presidente do Instituto Camões - um homem que sobreviveu atrelado à polémica ex-presidente Simonetta Luz Afonso e que “aguentou”, a seu lado, 3-governos-3 - parte rapidamente de malas aviadas para Berlim, por ser um posto cobiçado, em São Tomé e Príncipe, na página dos Centros Culturais do site do mesmo Instituto, o lugar de responsável do Centro continua tristemente vazio.
Na Guiné-Bissau, a situação também não é melhor, onde um diplomata de carreira vai labutando entre a representação política, a secção consular e um Centro despromovido e quase esquecido.
A nomeação do dito vice-presidente é tanto mais polémica porque o dito aufere do ex-Instituto do Turismo (e que terá que ser suportado pelo MNE) um vencimento superior ao de um embaixador de carreira e que poderia ser suficiente para pagar o vencimento de uns 3 adidos culturais, sem estas mordomias e regalias e que talvez tivessem até mais conhecimento e experiência cultural do que o ora nomeado."
"Enquanto o até agora vice-presidente do Instituto Camões - um homem que sobreviveu atrelado à polémica ex-presidente Simonetta Luz Afonso e que “aguentou”, a seu lado, 3-governos-3 - parte rapidamente de malas aviadas para Berlim, por ser um posto cobiçado, em São Tomé e Príncipe, na página dos Centros Culturais do site do mesmo Instituto, o lugar de responsável do Centro continua tristemente vazio.
Na Guiné-Bissau, a situação também não é melhor, onde um diplomata de carreira vai labutando entre a representação política, a secção consular e um Centro despromovido e quase esquecido.
A nomeação do dito vice-presidente é tanto mais polémica porque o dito aufere do ex-Instituto do Turismo (e que terá que ser suportado pelo MNE) um vencimento superior ao de um embaixador de carreira e que poderia ser suficiente para pagar o vencimento de uns 3 adidos culturais, sem estas mordomias e regalias e que talvez tivessem até mais conhecimento e experiência cultural do que o ora nomeado."
SEM RUMO
Embora não tenha a menor afinidade política ou ideológica com Gordon Brown, muito menos empatia pessoal, não deixo de ter alguma pena dele neste ocaso da sua vida política.
Deve ser muito duro uma pessoa considerar-se a si próprio um ser predestinado com uma missão a cumprir e tudo correr mal.
Depois de ter esperado anos e anos pela sucessão de Tony Blair, a governação de Gordon Brown foi uma catástrofe (nem sempre por culpa exclusiva dele) e há poucas dúvidas de que vai sair no próximo dia 6 de Maio pela porta dos fundos de Downing Street.
O mais curioso é que ele (e aqui faz-me lembrar Sócrates) não tem a menor noção de que as suas políticas foram um desastre e continua a considerar, contra a realidade, que elas são boas e propõe-se prossegui-las.
A verdade é que é difícil encontrar um país europeu com uma sociedade mais “quebrada” do que o Reino Unido e mais fracassada em áreas tão fundamentais para os cidadãos como as da segurança, imigração, educação, economia e finanças e política fiscal. O défice das contas públicas é pavoroso (fala-se em 12%) e o crescimento económico residual. Como pode Gordon Brown querer ganhar as próximas eleições com um manifesto a dizer que vai no rumo certo?
Deve ser muito duro uma pessoa considerar-se a si próprio um ser predestinado com uma missão a cumprir e tudo correr mal.
Depois de ter esperado anos e anos pela sucessão de Tony Blair, a governação de Gordon Brown foi uma catástrofe (nem sempre por culpa exclusiva dele) e há poucas dúvidas de que vai sair no próximo dia 6 de Maio pela porta dos fundos de Downing Street.
O mais curioso é que ele (e aqui faz-me lembrar Sócrates) não tem a menor noção de que as suas políticas foram um desastre e continua a considerar, contra a realidade, que elas são boas e propõe-se prossegui-las.
A verdade é que é difícil encontrar um país europeu com uma sociedade mais “quebrada” do que o Reino Unido e mais fracassada em áreas tão fundamentais para os cidadãos como as da segurança, imigração, educação, economia e finanças e política fiscal. O défice das contas públicas é pavoroso (fala-se em 12%) e o crescimento económico residual. Como pode Gordon Brown querer ganhar as próximas eleições com um manifesto a dizer que vai no rumo certo?
Bandeira da Galiza
Utentes do Centro de Saúde de Valença ofereceram uma prenda ao alcaide galego de Tui para lhe agradecerem o apoio recebido após o encerramento, em 29 de Março pela nossa Ministra da Saúde, do Serviço de Atendimento Permanente local.Esta delegação de 50 utentes empunhava bandeiras portuguesas e espanholas. Ora eu sugeriria que em próximas manifestações deste género, que compreendo e de que me sinto solidário, os nossos valencianos optem pela bandeira da Comunidad Autónoma de Galicia em vez da espanhola.
A Galiza tem prosperado desde que se constituiu como Comunidad Autónoma e constitui um exemplo vivo de que a Regionalização é uma porta de progresso.
domingo, maio 02, 2010
Exemplar
Estive por Lisboa e regressei hoje a Norte, ao Porto.
Vi uma Lisboa, suja, que não cheirava bem, pobre embora com alguns carrões, mas sem garra - ainda para mais num 1.º de Maio.
Por cá, como primeira impressão, pouca gente na rua e quase todos a assitir a um FCP motivado, organizado, resistindo às adversidades e, lutando, a sair ganhador.
Vi uma Lisboa, suja, que não cheirava bem, pobre embora com alguns carrões, mas sem garra - ainda para mais num 1.º de Maio.
Por cá, como primeira impressão, pouca gente na rua e quase todos a assitir a um FCP motivado, organizado, resistindo às adversidades e, lutando, a sair ganhador.
Pontapé na bola
Hoje acabou a minha época desportiva com o último jogo do meu Boavista. Os objectivos traçados foram alcançados: não descer de divisão. Agora vamos entrar em mais um período de defeso em que muitas e muitas serão as dúvidas sobre o próximo ano. Aguardemos.
Dia da mãe
« Quando o Tio-avô Abel, aquele que vivia em Lisboa e coleccionava bengalas, soube do arranjo franziu o sobrolho. Ele conhecia bem o sobrinho Alberto e aquele casarão de Setúbal, pois ali se instalara nos primeiros tempos do seu desembarque da vida de marinheiro, até se convencer que essa situação não lhe convinha ou que já se fartara da beatice beringelense.
Começou a aparecer e a dar palpites : ‘ Esta menina precisa de professores ! ‘, ‘ Não é a rezar um terço por dia que se a prepara para a vida ‘, e adoçava o tiro desembrulhando uma garrafa de capilé ou pousando na mesa um pacotinho de doces de ovos que mandara vir de Coimbra. ‘ Ó Alberto, trata-a como uma filha e não deixes ninguém tratá-la como uma criada ‘.
O Tio Abel conversava com a nossa mãe, a vigiar-lhe o olhar ou as olheiras, mas tudo parecia bem e partia descansado, com o alívio da missão cumprida e um certo gozo por ter enervado a latifundiária e espicaçado o sobrinho. À porta, punha a mão sobre a cabeça da sobrinha-neta e desabafava : ‘Pensam que há muitas Camilinhas, mas Camilinhas há poucas ‘. Ora nem mais.
Arranjaram um professor de pintura, contratou-se uma professora de arte aplicada, começaram as lições de piano, organizaram aulas de lavores e por aí fora. Quando chegou o Verão, regressou ao Casalinho a gozar Julho e Agosto e a folgar do terço ajoelhado e daquela resma de santinhos tristes que povoavam a cómoda da Tia.
Em Setembro, ninguém lhe perguntou se queria ficar, talvez porque nunca se queixou de nada, e numa manhã clara reabalou para Setúbal e ia mais serena, tinha acabado de festejar os seus 14 anos e levava mel e arrufadas para os tios. »
In « Conversas com a mãe » de ‘douro’
sábado, maio 01, 2010
Porreiro pá !
Na semana em que, de Bruxelas, o presidente Barroso apela à Europa para que invista mais em actividades ditas culturais (cuja facturação julgo já ultrapassar a da indústria automóvel) o ministro Gago enaltece, em Madrid, as virtudes da pirataria.
Os europeus protestam. Os chieneses agradecem.
Os europeus protestam. Os chieneses agradecem.
Sobre uma entrevista do Rui Moreira
« Esse cenário do Norte ficar a perder com o centralismo de Lisboa poderia mudar se a regionalização tivesse avançado ?
Há anos atrás, foi-nos proposto uma regionalização administrativa, ou seja, a reorganização dos serviços de Estado. Acho que era importante que ela tivesse existido e é importante que venha a existir. Não resolve completamente este problema, porque este problema exige outro nível de poder. Na minha óptica, precisamos conseguir uma alteração constitucional que permita partidos regionais ou uma regionalização de índole politica.
………………………………………………………………………..
O próprio presidente da Comissão de Coordenação, que é uma pessoa estimável, é nomeado pelo Governo, ou seja, isto é quase como um acto colonial. Não é da nossa escolha. Aqui vivemos como se fôssemos uma colónia, de tal maneira que temos de escolher os nossos representantes dentro de uma óptica partidária que não é mais do que escolher quem são os colonizadores que nos vão representar. Essa é a forma como funcionamos hoje. »
Extractos da entrevista de Rui Moreira ao ‘Tribunadouro’ n°74 Abril 2010
Há anos atrás, foi-nos proposto uma regionalização administrativa, ou seja, a reorganização dos serviços de Estado. Acho que era importante que ela tivesse existido e é importante que venha a existir. Não resolve completamente este problema, porque este problema exige outro nível de poder. Na minha óptica, precisamos conseguir uma alteração constitucional que permita partidos regionais ou uma regionalização de índole politica.
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O próprio presidente da Comissão de Coordenação, que é uma pessoa estimável, é nomeado pelo Governo, ou seja, isto é quase como um acto colonial. Não é da nossa escolha. Aqui vivemos como se fôssemos uma colónia, de tal maneira que temos de escolher os nossos representantes dentro de uma óptica partidária que não é mais do que escolher quem são os colonizadores que nos vão representar. Essa é a forma como funcionamos hoje. »
Extractos da entrevista de Rui Moreira ao ‘Tribunadouro’ n°74 Abril 2010
HELP!
Resolução da Assembleia da República n.º 31/2010
Recomenda ao Governo a elaboração de um estudo quantitativo e qualificativo da nova diáspora portuguesa no mundo
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:
1 — Proceda ao estudo quantitativo e qualificativo da nova diáspora portuguesa no mundo.
2 — Promova medidas concretas na sua política externa, em concertação com outros ministérios, no sentido de revelar uma mudança de paradigma face a esta nova diáspora portuguesa, colocando-a no centro das suas acções, fazendo dela uma verdadeira linha avançada da nossa diplomacia um pouco por todo o mundo.
Aprovada em 19 de Março de 2010.
Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
Alguém percebe este ponto 2 ?
Ou o ponto 1 servirá apenas de pretexto para justificar a solução que o ponto 2 já contém ?
E como se poderão (no caso o governo) traduzir as belas palavras do ponto 2 em medidas concretas?
Desta casa só bons exemplos!
E, grão a grão, lá se vai alimentando a despesinha pública...
Recomenda ao Governo a elaboração de um estudo quantitativo e qualificativo da nova diáspora portuguesa no mundo
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:
1 — Proceda ao estudo quantitativo e qualificativo da nova diáspora portuguesa no mundo.
2 — Promova medidas concretas na sua política externa, em concertação com outros ministérios, no sentido de revelar uma mudança de paradigma face a esta nova diáspora portuguesa, colocando-a no centro das suas acções, fazendo dela uma verdadeira linha avançada da nossa diplomacia um pouco por todo o mundo.
Aprovada em 19 de Março de 2010.
Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
Alguém percebe este ponto 2 ?
Ou o ponto 1 servirá apenas de pretexto para justificar a solução que o ponto 2 já contém ?
E como se poderão (no caso o governo) traduzir as belas palavras do ponto 2 em medidas concretas?
Desta casa só bons exemplos!
E, grão a grão, lá se vai alimentando a despesinha pública...
Os senhores ex-ministros da Finanças
"Nove ex-ministros das Finanças querem ir a Belém falar com o PR", noticia o Expresso de hoje.
Com Cavaco, também ele ex-ministro das finanças, a mesa palacial reunirá 10 deles.
No menu estará, naturalmente, a "crise".
Mas alguém acredita que os pais do problema possam alguma vez vir a ser os pais da solução?
Com Cavaco, também ele ex-ministro das finanças, a mesa palacial reunirá 10 deles.
No menu estará, naturalmente, a "crise".
Mas alguém acredita que os pais do problema possam alguma vez vir a ser os pais da solução?
Porque hoje é Sábado
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