segunda-feira, novembro 30, 2009

Sim ou não aos minaretes?


O referendo suíço sobre a construção de 4 minaretes, que culminou num rotundo "não" à construção dos ditos, levanta importantes questões sobre o que entendemos por democracia.

Numa concepção formal e meramente deliberativa do que é a democracia, diríamos que foi seguido um processo e um método legítimos e que uma maioria exprimiu em liberdade uma vontade política que deve, portanto, ser respeitada.

Numa concepção substantiva que realce os valores da democracia entre os quais o respeito pelas liberdades e garantias, nomeadamente das minorias, a proibição da construção de uns poucos minaretes em território suíço parece colidir com os princípios da liberdade religiosa e de associação.
A reflectir.

Does evil exist?

É de bradar aos céus

À pala da reunião de Copenhague, que é suposta estabelecer uma política a propósito das mudanças climáticas, há umas certas pessoas que tiraram do baú das velharias esse tique malthusiano de considerar que a origem dos nossos problemas assenta no facto de fazermos muitos filhos, de haver gente demais, ou seja, de a população mundial estar a crescer muito depressa.

Este relatório da ONU (Fundo das Nações Unidas para a População) revela, a meu ver, um ponto de vista completamente ultrapassado e reaccionário segundo o qual se deveria a todo o custo diminuir a natalidade para se assegurar a diminuição das emissões de CO2.

Ora, a história já deu exemplos suficientes (basta lembrar a esterilização forçada na Índia nos anos 70 e a política do filho único na China) de resultados desastrosos e injustos sempre que se pretende culpabilizar a maternidade como a fautora dos desequilíbrios económicos e sociais. Agora vêm estes maduros acenar também com os problemas ambientais e ecológicos.
É de bradar aos céus.

STARS FOUNDATION - Obrigado!!!

domingo, novembro 29, 2009

Ao domingo dão-me música

Assistir aos canais portugueses num domingo à noite é de doidos.
RTP 1 - Último passageiro, concurso inarranável
RTP 2 - Camara clara com que parece que levou dois murros nos olhos
SIC - Ídolos, com um júri supostamemte engraçado cuja única missão é tentar divertir os sádicos que vêem em casa
TVI - Uma canção para ti, exploração infantil no seu melhor e de noite
SICN - Comentários sobre futebol pelo mago da bola Rui Santos
Canal 6 - Comentários sobre futebol com JVPinto com novo visual
Porto Canal - Comentários sobre futebol com Mário Reis


O resultado é ir até ao AXN pois ainda me resta uma percentagem de racionalidade saudável.

Portugal é Lisboa

Joaquim Fidalgo escreve sobre um tema que me é caro: os jornalistas, e não só, darem de barato que existe apenas Lisboa e que o resto é insignificante. E dá os exemplos do Coliseu, ou da Avenida da Liberdade que nunca sofrem enquadramentos de local pois na cabeça de quem escreve apenas existem em Lisboa. Ou então o exemplo, este é meu, de Belmiro de Azevedo que é sempre apontado como o empresário do Norte. A visão redutora das cabecinhas é preocupante e é isso que faz com que Portugal não se desenvolva.

Défices de espinha

O assalariado do Sr. Oliveira que dirige o Jornal de Notìcias cumpre aqui o seu ofìcio de porta-recados do governo, desancando a oposição inteira por ter ousado suspender o Còdigo Contributivo e mais não sei que outras tropelias.
Quando estes moleques assim rabiam é sinal de que a oposição acertou.

A Sombra do Vento

"Ainda me lembro daquele amanhecer em que o meu pai me levou pela primeira vez a visitar o cemitério dos Livros Esquecidos. Desfiavam-se os primeiros dias do Verão de 1945 e caminhávamos pelas ruas de uma Barcelona apanhada sob céus de cinza e um sol de vapor que se derramava sobre a Rambla de Santa Mónica numa grinalda de cobre líquido.
- Não podes contar a ninguém aquilo que vais ver hoje, Daniel - advertiu o meu pai. - Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém."
Começa assim este estranho livro de Carlos Ruiz Zafón que, coisa rara, conquistou ao mesmo tempo o público e a crítica!
Trata-se de um livro sobre outro livro, de uma obra que nos faz sonhar do princípio ao fim. Assim que o comecei a ler não consegui parar. Aliás, foi dos poucos livros que, num curto espaço de tempo, li duas vezes e sempre com redobrado prazer.
Zafón consegue hipnotizar-nos desde a primeira frase e, nas últimas páginas, impõe-nos o paradoxo de, por um lado, querermos chegar ao fim o mais rapidamente possível e, por outro, querermos prolongar a sua leitura.
Para além de uma magnífica homenagem ao poder místico dos livros, esta obra consubstancia o verdadeiro triunfo da arte de contar.
Tudo começa na Barcelona da primeira metade do século XX. Daniel Sempere está a completar 11 anos e, numa madrugada fantasmagórica é levado, por seu pai, ao “Cemitério dos Livros Esquecidos”, uma labiríntica e secreta biblioteca que funciona como depósito de obras abandonadas, à espera de serem descobertas.
É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, um livro misterioso do intrigante e enigmático Julián Carax. A leitura do livro desperta no jovem um enorme fascínio pelo desconhecido autor e pela sua obra. Obsecado, Daniel empreende uma busca pela obra de Carax e, para sua enorme surpresa, descobre que alguém a tem vindo a queimar…
Na verdade, o exemplar que Daniel tem nas mãos pode até ser o último existente. Daniel apercebe-se que, se não desvendar toda a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível.
A busca de Daniel marca a sua transformação de menino em homem, e desperta-nos num fascínio ímpar pelos livros e pelo seu poder. Na sua busca, Daniel acaba a conviver com os mistérios e segredos mais obscuros de Barcelona.
A esta empolgante e mística narrativa não falta sequer um personagem “sem rosto” que se vai assemelhando e identificando com um personagem do próprio livro de Carax e que, ao que tudo indica, saiu das suas páginas para o poder queimar!
A Sombra do Vento é fundamentalmente uma história de amor vivida por diferentes personagens, separadas no tempo, e que acabam por se confundir, tendo um livro como elo de ligação. Na verdade, o paralelismo entre o escritor maldito e o personagem, não sendo assumido, vai-se tornando assombrosamente evidente.
Trata-se, seguramente, de um dos melhores livros que algum dia li, daqueles livros que têm o poder de nos transportar para dentro de si!
Depois de o reler, senti que o deveria recomendar.
Para quem ainda não o leu, e tenha ficado curioso, os dois primeiros capítulos encontram-se disponíveis no site www.lasombradelviento.net

Oup, Oup là (3)

Foto "Marylin working it"

sábado, novembro 28, 2009

"A decisão é minha"

« A decisão é minha », foi com estas palavras que o presidente da Comissão assumiu a responsabilidade da distribuição dos pelouros na nova Comissão Europeia.
Obviamente que em Bruxelas e nas capitais europeias toda a gente sabe que o Durão Barroso não fez mais que tentar conciliar, a partir da sua paupérrima posição negocial, os apetites de uns e de outros. Mas se està disposto a assumir as escolhas feitas como coisa sua, não pode então escapar às eventuais crìticas sobre as decisões que afirma terem sido suas.

Do meu ponto de vista, hà desde logo duas observações graves:

a) A primeira decorre do facto de as pastas mais importantes terem sido atribuìdas a nacionais dos grandes Estados-Membros. Relações Externas, Mercado Interno, Concorrência, Indùstria e Energia caem no regaço de comissàrios oriundos respectivamente do Reino Unido, da França, da Espanha, da Itàlia e da Alemanha.
Se alguém ainda tivesse dùvidas sobre o tipo de União que se està a construir, dessa Europa directorial, carolìngia e bonapartista que o Tratado de Lisboa traz no ventre, tem aqui um sinal claro de que até na Comissão, orgão supostamente independente, os grandes reivindicam o seu estatuto.

b) A segunda observação é ainda mais preocupante: um dos dossiers mais decisivos e mais delicados para o futuro imediato e não tão imediato da Europa, o dossier da energia, é entregue a um nacional do Estado-Membro que mais se tem revelado agreste à concretização de uma verdadeira polìtica europeia da energia.
A Alemanha tem uma agenda pròpria e sò sua em matéria de energia e demonstrou ad abundatiam que não precisa nessa matéria da Europa para nada e que sabe desenvencilhar-se muito bem sòzinha com os russos e com o Sr. Putin.

È claro, que se o orçamento europeu a puder ajudar a financiar o seu north-stream, tanto melhor, mas é extraordinàrio que se entregue a chave do cofre ao ladrão com a mesma desfaçatez com que poderiam estar a falar de passarinhos.
O projecto do pipe-line Nabuco, o ùnico não dependente dos russos e que atravessaria a Turquia, bem pode apodrecer nas gavetas e nos imbròglios costumeiros e o Sr. Oettinger là estarà para garantir que isso aconteça.

E a decisão de tudo isto coube ao “nosso” Barroso. Ele o disse.

Porque hoje é Sàbado (2)

Òleo de John Brown "Watching the train" - 1881

sexta-feira, novembro 27, 2009

Expulsar o pus


Entre 1960 e 2004, pelo menos, a hierarquia católica da Irlanda encobriu e pactuou com todo um cardápio de crimes sexuais cometidos por membros da Igreja sobre crianças.
Segundo o jornal "Público", durante 60 anos, mais de 2000 crianças sofreram violações em instituições dirigidas pela Igreja.
Tudo isto não teria sido possível sem a correspondente indiferença conivente das autoridades públicas.

Há tempos atrás soubemos que a Igreja Católica nos Estados Unidos estava igualmente minada por práticas pedófilas e encobrimentos cúmplices a pretexto de se evitar escândalo.

É revoltante.
Este pus fétido tem de ser extraído onde quer que esteja. E ainda há muito.

As eleições do PSD em Lisboa

Anda aí uma peixeirada do camandro à volta das eleições para a distrital de Lisboa do PSD.

Considero isto uma óptima notícia. Devemos encorajá-los a contarem tudo, a revelarem os truques de uns e de outros, a desmascararem os joguinhos mesquinhos em que se têm perdido nos últimos anos.

Para além de tudo isso ser muito instrutivo sobre como funcionam ou têm funcionado estes partidos do regime, não deixa também de ser a condição necessária para que as coisas mudem. Embora já tenha poucas esperanças que mude o que quer que seja.
Mas ao menos vamo-nos divertindo.
Sim, sim, deitem o lixo todo cá para fora, arranhem-se e insultem-se, por favor. Isso vale mil vezes mais que o situacionismo podre na distrital do Porto do PSD.

Eleições no cds Porto

Foram ontem e UPS, capote. Paciência. Fico com a consciência tranquila. Agora volto para a toca e os que ganharam, a quem dou os parabéns, que trabalhem.

Nota: os assuntos internos ficam para debate interno.