Na Holanda, "les jeux sont fait".
Os resultados que a Comissão não queria que se divulgassem antes de Domingo:
CDA, o partido do primeiro-ministro Balkenende, democrata-cristão: cerca de 20%
PvdA, o partido trabalhista que partilha o governo: 13%
PVV, o partido de extrema-direita: provavelmente 15%
Abstenção: 60%
quinta-feira, junho 04, 2009
Off-side

Apareceram recentemente uns apelos ao voto fundamentados na "magna" questão de se saber se se reconduz Barroso na Comissão Europeia ou não.
Não me parece que esta fulanização, sem programa, do voto de Domingo traga bons resultados, desde logo porque, aprecie-se ou não a personagem, Barroso é dos políticos mais impopulares não só em Portugal como também na Europa. Na verdade, está off-side.
Não é aliás por acaso que na lista do PS surgem umas vozes, em aparente discordância com o "engenheiro", a distanciarem-se de Durão. Eles sabem que com isso ganham votos. E não é também por acaso que as listas que o dizem apoiar, titubeiam uns motivos parecidos com aqueles com que nos pediam que votássemos na cançoneta nacional ao concurso da Eurovisão.
Numa conferência de imprensa de há uns tempos, perguntaram ao Barroso porque razão, se era assim tão ambientalista, tinha um todo-o-terreno Volkwagen Touareg de alta potência, cuja emissão de poluentes é muito alta. A sua resposta foi esclarecedora: "Esse carro não é meu, é da minha mulher".
É certo que quando aparecem pessoas como o Schroeder ou o Soares a pedirem que se substitua o presidente da Comissão, apetece logo sair em defesa do homem. Mas há também discursos a seu favor que provocam o efeito contrário, de tão bajuladores ou ignorantes. Um tipo lê o "Jornal de Notícias" e fica com náuseas e torna-se muito difícil não pegar logo na fisga e num calhau.
O que verdadeiramente importa é o balanço da sua Comissão. Se é certo que alguns comissários mostraram serviço, sou dos que consideram que o projecto europeu, tal como foi imaginado pelos seus fundadores, sofreu muito nos últimos anos. A forma como esta Comissão geriu o fiasco da Constituição, o falhanço de uma verdadeira política de energia, o desnorte em matéria de concorrência, o nevoeiro sobre as regras relativas aos deficits orçamentais, a consolidação de uma gestão por um directório de Estados, a tardia e trapalhona intervenção na crise económico-financeira, o 'flop' em que se traduz esse slogan "Better regulation", enfim, a inexistência de um rumo claro ou de uma ideia, são um fardo pesado que nenhuma hagiografia poderá esconder.
Com esta agravante: em vez de se assumir as responsabilidades e corrigir o tiro, vem sempre a mesma resposta – "o carro é da minha mulher".
Não me parece que esta fulanização, sem programa, do voto de Domingo traga bons resultados, desde logo porque, aprecie-se ou não a personagem, Barroso é dos políticos mais impopulares não só em Portugal como também na Europa. Na verdade, está off-side.
Não é aliás por acaso que na lista do PS surgem umas vozes, em aparente discordância com o "engenheiro", a distanciarem-se de Durão. Eles sabem que com isso ganham votos. E não é também por acaso que as listas que o dizem apoiar, titubeiam uns motivos parecidos com aqueles com que nos pediam que votássemos na cançoneta nacional ao concurso da Eurovisão.
Numa conferência de imprensa de há uns tempos, perguntaram ao Barroso porque razão, se era assim tão ambientalista, tinha um todo-o-terreno Volkwagen Touareg de alta potência, cuja emissão de poluentes é muito alta. A sua resposta foi esclarecedora: "Esse carro não é meu, é da minha mulher".
É certo que quando aparecem pessoas como o Schroeder ou o Soares a pedirem que se substitua o presidente da Comissão, apetece logo sair em defesa do homem. Mas há também discursos a seu favor que provocam o efeito contrário, de tão bajuladores ou ignorantes. Um tipo lê o "Jornal de Notícias" e fica com náuseas e torna-se muito difícil não pegar logo na fisga e num calhau.
O que verdadeiramente importa é o balanço da sua Comissão. Se é certo que alguns comissários mostraram serviço, sou dos que consideram que o projecto europeu, tal como foi imaginado pelos seus fundadores, sofreu muito nos últimos anos. A forma como esta Comissão geriu o fiasco da Constituição, o falhanço de uma verdadeira política de energia, o desnorte em matéria de concorrência, o nevoeiro sobre as regras relativas aos deficits orçamentais, a consolidação de uma gestão por um directório de Estados, a tardia e trapalhona intervenção na crise económico-financeira, o 'flop' em que se traduz esse slogan "Better regulation", enfim, a inexistência de um rumo claro ou de uma ideia, são um fardo pesado que nenhuma hagiografia poderá esconder.
Com esta agravante: em vez de se assumir as responsabilidades e corrigir o tiro, vem sempre a mesma resposta – "o carro é da minha mulher".
Já se vota
Já se vota; aqui
E logo à noite, os holandeses anunciarão os resultados (não oficiais).
A Comissão queria que todos os resultados só fossem conhecidos no Domingo à noite, mas Haia diz: "a nossa legislação estabelece outra maneira de proceder". Ainda bem.
E logo à noite, os holandeses anunciarão os resultados (não oficiais).
A Comissão queria que todos os resultados só fossem conhecidos no Domingo à noite, mas Haia diz: "a nossa legislação estabelece outra maneira de proceder". Ainda bem.
quarta-feira, junho 03, 2009
Bye-bye

Esta notícia (aqui e aqui) pode transformar-se, ainda antes de Domingo, num terramoto político a nível europeu. Amanhã, 4 de Junho, os britânicos votam para o Parlamento Europeu e o mais tardar no fim-de-semana conhecer-se-ão esses resultados.
Brown, empurrado ou por antecipação, pode estar fora do baralho em poucos dias.
Se houver a decência de convocar eleições gerais, é certo que o novo governo conservador recolocará em questão a ratificação do tratado de Lisboa.
Isto está catita.
Brown, empurrado ou por antecipação, pode estar fora do baralho em poucos dias.
Se houver a decência de convocar eleições gerais, é certo que o novo governo conservador recolocará em questão a ratificação do tratado de Lisboa.
Isto está catita.
Sair do casulo
Outra vez o tabaco
Não sei porquê, mas hoje a TSF voltou à história do tabaco para perguntar se a lei serviu para alguma coisa. Não sei se serviu ou não. Mas eu - que sou fumador e não conto deixar de ser - proponho uma medida que vai agradar aos proibicionistas e outros pascácios do costume: a Tabaqueira deve, por ordem do governo, passar a adicionar em um de cada dez mil maços de tabaco que produza um alcaloide letal que mate o desafortunado que por acaso compre o pacote infectado. Aí sim, esta coisa do fumo deixa definitivamente de incomodar os desgraçadinhos que, apesar de todas as proibições, ainda são uns coitadinhos que têm que levar com o fumo dos outros. Pobrezinhos, o que eles sofrem.
Onde está o avião?
Como se poderia explicar que um país que é capaz de encontrar petróleo a 6.000 metros de profundidade, não seja capaz de encontrar um avião a 4.000 metros?
Petrobras na berlinda

O Senado brasileiro decidiu iniciar um inquérito parlamentar sobre as práticas da Petrobras, Petróleos do Brasil, a fim de esclarecer se esta empresa cumpre correctamente as suas obrigações fiscais e as normas legais relativas a concursos públicos.
O abuso de adjudicações sem concurso, por ajuste directo, fumos de corrupção e certas medidas "estranhas", serão examinados à lupa. Ontem, a empresa publicou este comunicado.
A Galp que se cuide.
O abuso de adjudicações sem concurso, por ajuste directo, fumos de corrupção e certas medidas "estranhas", serão examinados à lupa. Ontem, a empresa publicou este comunicado.
A Galp que se cuide.
Bater o pé!
Aos que nos querem vender gato por lebre, aos que nos propõem um imposto europeu, aos que nos querem enfiar um tratado pelas traseiras,
VAMOS BATER O PÉ!
VAMOS BATER O PÉ!
terça-feira, junho 02, 2009
Despenhanços
É uma tragédia, este despenhanço do Airbus da Air France.
Para quem já teve necessidade de fazer voos intercontinentais, como é o meu caso, é mesmo assustador.
Talvez seja cedo, mas a verdade é que ninguém fala disso; que raio de tempestade é esta que faz um avião desaparecer do mapa desta forma? Que raio de aviões são estes, que desaparecem desta forma? Que se passa? Será que são apenas as alterações climáticas, ou haverá mais qualquer coisa?
Já não há pudor?
Mão amiga trouxe-me o 'Jornal de Notícias' do dia 30.
Há muito tempo que deixei de comprar este diário pois, apesar de ter alguns articulistas de valor, suporto mal aqueles bilhetes melífluos do seu director, sempre a piscarem o olho ao poder seja ele qual for. Tiques antigos.
Desta feita, traz uma reportagem sobre o Durão Barroso, com uma entrevista em anexo, que são um pratinho. E o mais curioso é que até achei um piadão a certas afirmações do presidente da Comissão. Dou 5 estrelas à seguinte: "Mostrem-me alguém que tenha feito mais no mundo". Quase ex-aequo, mas talvez seja melhor dar-lhe 4 estrelas, a frase seguinte: "Nós lançámos as bases no que toca a energia". Enfim, com 3 estrelas, mas também podia ser a primeira: "Nós estamos na vanguarda da resposta à crise".
Fiquei bem disposto.
Há muito tempo que deixei de comprar este diário pois, apesar de ter alguns articulistas de valor, suporto mal aqueles bilhetes melífluos do seu director, sempre a piscarem o olho ao poder seja ele qual for. Tiques antigos.
Desta feita, traz uma reportagem sobre o Durão Barroso, com uma entrevista em anexo, que são um pratinho. E o mais curioso é que até achei um piadão a certas afirmações do presidente da Comissão. Dou 5 estrelas à seguinte: "Mostrem-me alguém que tenha feito mais no mundo". Quase ex-aequo, mas talvez seja melhor dar-lhe 4 estrelas, a frase seguinte: "Nós lançámos as bases no que toca a energia". Enfim, com 3 estrelas, mas também podia ser a primeira: "Nós estamos na vanguarda da resposta à crise".
Fiquei bem disposto.
Aqui d'el rei
A forma como este senhor e o governo têm deixado apodrecer o dossier Banco Privado roça o insuportável. Já mete polícia. Aqui
Bastonadas vergonhosas
O último Prós e Contras foi de truz. Primeiro nenhum dos intervenientes foi esclarecedor. Não se discutiu um único ponto com carácter sério e sobretudo, de forma transparente. Quer Marinho e Pinto quer os seus opositores falam uma gíria própria, levantam labéus e suspeitas recíprocas, em claro circuito fechado. Todos se afirmam e fazem reproduzir os seus argumentos no palco mediático, auto-alimentando as suas próprias polémicas, numa inconsequente e clara autofagia.
No entanto, o Sr. Bastonário ultrapassou os limites.
No entanto, o Sr. Bastonário ultrapassou os limites.
Há muito que se lhe adivinha a sua sede de protagonismo. Há muito que se lhe reconhece uma incomensurável lata e o uso e abuso no recurso aos mais larvares argumentos populistas.
Todavia, ontem, foi longe de mais. Quando questionado sobre a polémica da renúncia ao atendimento preferencial (e não prioritário) dos advogados junto das repartições públicas o Bastonário, tirando a toga e apondo a veste de bom cristão, disse que ficava chocado quando via advogados passarem à frente de grávidas e velhinhas (sic). Ora, o Sr. Bastonário usou um expediente desonesto porque falso, uma mentira retinta. Como bem sabe a regra é que nos serviços públicos:
Todavia, ontem, foi longe de mais. Quando questionado sobre a polémica da renúncia ao atendimento preferencial (e não prioritário) dos advogados junto das repartições públicas o Bastonário, tirando a toga e apondo a veste de bom cristão, disse que ficava chocado quando via advogados passarem à frente de grávidas e velhinhas (sic). Ora, o Sr. Bastonário usou um expediente desonesto porque falso, uma mentira retinta. Como bem sabe a regra é que nos serviços públicos:
Deve ser dada prioridade ao atendimento de "idosos, doentes, grávidas, pessoas com deficiência ou acompanhadas de crianças de colo e outros casos específicos com necessidades de atendimento prioritário.” e também que os “ portadores de convocatórias têm prioridade no atendimento junto do respectivo serviço que as emitiu.” (Conforme com o disposto no artigo 9° do Decreto-Lei nº 135/99, de 22 de Abril).;
b. "Os advogados, quando no exercício da sua profissão, têm preferência para ser atendidos por quaisquer funcionários a quem devam dirigir-se e têm direito de ingresso nas secretarias judiciais.” (Conforme com o disposto no artigo 63°, nº 2, do Estatuto da Ordem dos Advogados, aprovado pelo Decreto-Lei nº 84/84, de 16 de Março).
c. Têm também os solicitadores ”preferência no atendimento e direito de ingresso nas secretarias judiciais e outros serviços públicos.” (Conforme com o disposto no artigo 100°, nº 4, do Estatuto da Câmara dos Solicitadores, aprovado pelo Decreto-Lei nº 88/2003, de 26 de Abril).
Daqui decorre que, nos invocados casos de grávidas e velhinhas o atendimento não é preferencial, é prioritário o que quer dizer que existe uma discriminação positiva relativamente a quaisquer outros cidadãos, sejam eles o próprio Bastonário da Ordem dos Advogados.
É, pois, legítimo deduzir que Marinho e Pinto não estava a falar para Advogados, estava a falar para o que ele julga ser o seu público: uma audiência muito mais alargada, que é, desta forma, manipulada, por uma mentira - o público em geral. Marinho Pinto não quer ser o Bastonário dos Advogados, quer, isso, sim, usar o cargo, servir-se dele como caixa de ressonância. Se dúvidas houvesse, ontem dissiparam-se em absoluto. Foi dos exercícios de maior oportunismo político a que pude assistir, só comparável com as guerras cirúrgicas contra as classes profissionais a que este Governo tão bem nos habituou. Et pour cause...!
O voto preferencial
O eleitor diligente quererá conhecer as linhas políticas gerais de cada lista e procurará também inteirar-se sobre quem são e o que já fizeram aquelas pessoas de sorriso pepsodente que lhe pedem o voto.
O problema é que escutamos sobretudo os cabeças de lista mas é raríssimo ouvirmos o que quer que seja dos outros membros, com excepção talvez da lista do PS onde há por ali umas pluri-candidatas que volta-e-meia dizem umas coisas a aumentar a confusão dessa lista.
Já alguém ouviu uma palavra que fosse da n° 3 da lista Rangel?
Já alguém ouviu um som do n° 2 da lista da Ilda?
E por aí adiante e etc.
Ora, o nosso sistema eleitoral faz que o apelo ao voto dos cabeças de lista seja afinal o apelo ao voto para que elejamos o n° y, segundo as correspondentes expectativas, da lista A, B ou Z. Isto incomoda-me.
No fundo, o que me estão a pedir é para escolher no Domingo entre, por exemplo, a Sra. Caeiro do CDS, o Sr. Joaquim Biancard da Cruz do PSD, o Quartin Graça do Partido da Terra, a Sra. Laurinda do MEP, o Carlos Gomes do MMS e a Jamila Madeira do PS.
Convenhamos que isto é um desconsolo.
O meu voto numa lista é um voto em 22 pessoas que se eu pudesse apreciar à lupa me levaria a rejeitar se calhar mais de metade. É por isso que devia ser possível contabilizar votos preferenciais, ou seja, dar a possibilidade ao eleitor de marcar a sua cruzinha à frente de cada nome e assim distribuir um voto à Laurinda, outro ao Rangel, outro ao Quartin e por aí fora.
Pedirem ao eleitor para votar na Sra. Maria da Graça Carvalho ou no Biancard, na Sra. Caeiro ou na Sra. Jamila, é superior às forças de qualquer um.
Esqueçam essa idioteira do voto obrigatório e comecem mas é a pensar no voto preferencial.
Ajudavam-nos a saber como é que havemos de descalçar esta bota.
O problema é que escutamos sobretudo os cabeças de lista mas é raríssimo ouvirmos o que quer que seja dos outros membros, com excepção talvez da lista do PS onde há por ali umas pluri-candidatas que volta-e-meia dizem umas coisas a aumentar a confusão dessa lista.
Já alguém ouviu uma palavra que fosse da n° 3 da lista Rangel?
Já alguém ouviu um som do n° 2 da lista da Ilda?
E por aí adiante e etc.
Ora, o nosso sistema eleitoral faz que o apelo ao voto dos cabeças de lista seja afinal o apelo ao voto para que elejamos o n° y, segundo as correspondentes expectativas, da lista A, B ou Z. Isto incomoda-me.
No fundo, o que me estão a pedir é para escolher no Domingo entre, por exemplo, a Sra. Caeiro do CDS, o Sr. Joaquim Biancard da Cruz do PSD, o Quartin Graça do Partido da Terra, a Sra. Laurinda do MEP, o Carlos Gomes do MMS e a Jamila Madeira do PS.
Convenhamos que isto é um desconsolo.
O meu voto numa lista é um voto em 22 pessoas que se eu pudesse apreciar à lupa me levaria a rejeitar se calhar mais de metade. É por isso que devia ser possível contabilizar votos preferenciais, ou seja, dar a possibilidade ao eleitor de marcar a sua cruzinha à frente de cada nome e assim distribuir um voto à Laurinda, outro ao Rangel, outro ao Quartin e por aí fora.
Pedirem ao eleitor para votar na Sra. Maria da Graça Carvalho ou no Biancard, na Sra. Caeiro ou na Sra. Jamila, é superior às forças de qualquer um.
Esqueçam essa idioteira do voto obrigatório e comecem mas é a pensar no voto preferencial.
Ajudavam-nos a saber como é que havemos de descalçar esta bota.
segunda-feira, junho 01, 2009
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