terça-feira, março 31, 2009

Para quando a paz?

Há um novo governo em Israel.
Este governo integra 30 ministros e 7 vice-primeiros de 5 partidos, entre os quais o Trabalhista (membro da Internacional Socialista) e o Yisrael Beitenu (extrema-direita, russófila).
Vários ministros não têm pasta. Há um ministro para as ameaças estratégicas e um outro ministro para as ameaças tácticas. O ministro das finanças (a crise económica em Israel é profunda) é um filósofo.
Tudo isto seria uma anedota se não fosse profundamente trágico.
As posições políticas de vários dos participantes, a começar desde logo pelas desse proto-fascista e declarado provocador que dá pelo nome de Avigdor Lieberman, são um susto.

Isto mete medo!

A Selecção

Não há como um empate da Selecção para se deixar de falar do SLB (Senhor Lucílio Baptista)

Parabéns à ESMAE


A Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto (ESMAE) tem razões para se sentir orgulhosa da sua participação no projecto Variazoni.
Este site é do melhor que há para os amadores e criadores de música e tem uma versão em português.
Bravo!

Justiça do telefone


Olga Kudeshkina era juíza num tribunal criminal russo.
Enojada com a chamada "justiça do telefone", nome que ali se dá às interferências dos políticos e poderosos no trabalho dos juízes russos, denunciou publicamente o sistema judicial russo como um bazar legal de compra e venda de sentenças.

Foi despedida. Interpôs em 2005 uma acção contra o Estado Russo no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (Estrasburgo). O Tribunal deu-lhe razão na sentença de 26 de Fevereiro de 2009; ver aqui).

A Rússia faz parte deste Tribunal desde 1990. Em finais de 2008, as queixas entradas no Tribunal contra a Rússia ascendiam a 27.250, ou seja, 28% do total das queixas de cidadãos dos 47 Estados-Membros.

É por isso que a Rússia bloqueia o projecto de reforma que desde 2004 procura agilizar estes procedimentos judiciais. Para tanto, é preciso unanimidade, mas a Rússia é o único que não ratificou ainda esse Protocolo 14.

Brevemente, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidirá dois recursos interpostos a seu tempo pelo mais famoso prisioneiro russo, Mikhail Khodorkosvky (ex-patrão da Yukos). Se essas sentenças condenarem, como é provável, a Rússia, o julgamento de Khodorkosvky pelos tribunais russos será anulado. Espertalhaços, os russos acabam de iniciar um novo processo contra o homem, baseado em novas alegações criminais, de forma a mantê-lo na cadeia.

A Rússia de Putin também é isto.
Alguém o quer copiar?

Freeport

Mario Crespo é um jornalista de mão cheia e ultimamente tem brindado os leitores do JN com magnificos artigos de opinião como é o caso deste que não resisto a transcrever aqui no Nortadas

"Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport? Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi? Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido? Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação? Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro? Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado? Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa? Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos? Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no caso Freeport? A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir? Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional? Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido? Haverá duas justiças? Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado? Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport? O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal? O que é que dirão da justiça em Portugal? O que é que estarão a dizer de Portugal? Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país? Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa? Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora? E cá dentro também? Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses? Quanto é que nos vai custar o caso Freeport? Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou? Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo? Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport? Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar? E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada? E o que é que vai fazer agora que o registo é público? Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto? Nem convoca o Conselho de Estado? Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho? Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?"(Mário Crespo)

É caso para perguntar que se o PM fosse Santana Lopes, Durão Barroso, Ferreira Leite, Rui Rio, Paulo Portas...onde é que já estaria??? Certamente que na rua que é de onde este nunca devia ter saido tal como o "bando" que o sustenta.

...a bem da Nação!!!!!

PARABÉNS e OBRIGADO GIL

Frederico Gil já tinha entrado para a história do Ténis português ao alcançar o melhor ranking de sempre (74 ATP) mas ontem demonstrou a quem ainda duvidava o porquê dessa classificação. Que jogão...contra Nadal...por momentos julguei que o improvável ia acontecer.Frederico Gil bateu-se de igual para igual com Nadal mostrando todas as suas qualidades tenisticas. F. Gil honrou Portugal e os portugueses e por isso aqui fica o meu agradecimento.
a bem da Nação!!!


A mudança da hora

Quando mudam a hora deveriam mudar também os horários. Assim tudo isto seria menos penoso...

segunda-feira, março 30, 2009

Canalhocracia?

O Nuno Gouveia do 31 da Armada chama a atenção para algo de extraordinàrio: aqui.
Digam-me que é mentira.

Falta de chá


A ideia de que 'tomar chá' é uma instituição inglesa baseia-se numa meia-verdade: a de que foram os ingleses que universalizaram o hábito do chá das 5.

A metade verdadeira dessa história advém do facto de uma tal Ana Maria, casada com o sétimo duque de Bedford, se ter lembrado, nos anos de 1840, de começar a reunir as suas amigas à volta de uma 'cup of tea' a meio da tarde. Fazer do chá um evento social numa época de intensa campanha contra o alcoolismo que nesses tempos minava o Reino Unido, e mais a mais na 'upper class', causou surpresa e excitação e rapidamente se transformou numa moda .

A metade mentirosa da história vem do facto de não ter sido essa tal Ana Maria que lançou a moda do chá. Há muito tempo que a aristocracia britânica conhecia o chá e o bebia regularmente, no que era imitada pela classe média e por todos os outros que o pudessem pagar. Assim como, aliás, em muitos outros países. Ou seja, 'tomar chá' não tem nada de genuinamente inglês.

A verdade verdadeira é que foi, nos anos de 1660, uma portuguesa que levou para Inglaterra o chá e ensinou aos ingleses o hábito de o beber. Não era uma portuguesa qualquer: tratava-se da nossa princesa Catarina de Bragança que para lá partiu para casar com o Rei Carlos II. Na corte portuguesa de então já se bebia chá, sobretudo desde que em 1557 se abrira um entreposto em Macau donde este vinha directamente para as mesas lusitanas.

Depois de uma viagem por mar muito acidentada, a primeira coisa que a Catarina pediu quando pôs o seu pézinho algures na Cornualha foi uma malga de chá bem quente. Deram-lhe outra coisa mas ela não desistiu e exigiu que abrissem logo ali os baús que levava nos porões e que lhe preparassem um bom chá, isto para espanto dos broncos locais e estranheza dos lordes que a foram esperar. Escusado será dizer que pouco tempo depois toda a corte inglesa bebia chá e que tal hábito se estendeu ao conjunto da aristocracia inglesa e a todas as outras classes. Se a rainha bebia chá, então todos passaram a procurá-lo e a querer 'tomar chá'.

É caso para dizer que se alguém 'tinha falta de chá' eram os próprios ingleses e que foi a portuguesa que lhes ensinou essas "boas maneiras".

Rui Moreira, CDS e a Europa

Li no Expresso que Paulo Portas (PP) gostaria de ver Rui Moreira (RM) como cabeça de lista ao Parlamento Europeu e que o teria sondado. RM questionado terá dito que não havia resposta porque não havia convite. E a noticia terminava que esta era uma aposta de PP para não ter que recorrer ao seu circulo mais próximo Nuno Melo e Teresa Caeiro.
Esta parece uma das noticias encomendadas. Só não sei a quem interessa esta noticia: A Paulo Portas não me parece. A Rui Moreira também não. E então?

Avelino Ferreira Torres

Isto de andar por fora tem destas coisas. Só agora descobri que Avelino Ferreira Torres foi ilibado de mais um processo. Lindo menino. Agora é que as coisas vão aquecer para os lados do Marco de Canaveses. E será que o CDS vai apoiar AFT ou terá a coragem de apresentar um candidato próprio? É que uma coisa é ser ilibado na justiça, mas outra é a causa política. E convém saber fazer a distinção.

Para uma semana feliz nada melhor do que Cid



José Cid é seguramente um dos maiores e mais profícuos músicos Portugueses. Depois de uma época mais apagada eis que voltou em cheio. Como ele próprio afirmou “o Rui Velosos é o pai do Rock a mãe sou eu”. Boa semana.

domingo, março 29, 2009

Agenda estruturante

Dezenas de milhares de pessoas participaram, hoje, num protesto convocado pela Igreja Católica e por várias organizações civis, em Madrid, contra a proposta reforma da lei do aborto em Espanha, segundo a Lusa.

Em Portugal deviamos também "sair à Rua".

Concordo, aliás, com Ribeiro e Castro que defendeu esta sexta-feira um novo debate sobre a família e a defesa da vida para travar a tendência de «legislar contra valores», em casos como o casamento homossexual ou o aborto.(http://www.tvi24.iol.pt/alertas---sociedade/eurodeputado-espanha-ribeiro-e-castro-homossexualidade-aborto-tvi24/1052731-3210.html).


Afirmando não se querer pronunciar sobre a situação em Espanha, JRC, manifestou a sua contestação ao casamento homossexual.

«Quando aqui em Espanha se tira do código civil as palavras «pai» e «mãe» e «marido» e «mulher», estamos perante a instrumentalização do direito, para impor concepções de vida contrárias ao que justificou a própria formação do direito. Mostra o absurdo da manipulação jurídico», disse.

«O casamento é uma união entre um homem e uma mulher. Não estou de acordo com a lei espanhola. Sou fortemente contra o modelo que se seguiu em Espanha e considero muito negativo que o líder do PS queira implementar em Portugal o mesmo modelo», afirmou.
«Tem-se legislado contra valores e isso é mau. O que era desejável era que as leis promovam valores ou que, pelo menos, não os destruam. A lei deve servir valores», sustentou.

E eu acrescento chegou o tempo de voltarmos a combater o flagelo da droga com outras medidas, designadamente, ajudando efectivamente os dependentes e penalizando o consumo das "menos ou mais leves".

O sofrimento dos consumidores que todos fingem não ver, o estado a que chegamos (http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?a=2006&m=10&d=05&uid=&sid=11129), não nos deixa ter dúvidas quanto a essas urgentes medidas.

Porto, 29 de Março de 1809 cf

Pela estrada de Valongo, pela da Foz, passam milhares de fugitivos, levando muitos consigo os objectos de valor que puderam salvar. Mas a maior parte da população, doida, de pavor, dirige-se principalmente para o rio esperando transpô-lo pela ponte ou em barcos. Na Ribeira e ruas convergentes a confusão é indescritível. De repente reboa “nos ares um brado horrendo”: - a ponte abriu-se ao meio (ou abriram-na) despenhando no rio dezenas de pessoas. Os desgraçados que estão mais perto do perigo pretendem conter a onda que detrás os empurra para o abismo, mas, com a pressão, um dos parapeitos abate. “E a multidão, sem perceber o que se passava, desvairada pelo terror, impelindo-se a si mesma, atropelada pela cavalaria portuguesa, que, fugindo, abria caminho à cutilada, ia incessantemente sumir-se na escancarada voragem”. Não se sabe quanto tempo durou a hecatombe. Uma versão inverosímel diz que se formou tal montanha de cadáveres entre os dois troços da ponte que, por cima dela se passava de um lado para o outro. Os gritos, os brados de horror, não cessam. Barcos cheios de gente, sossobram. E, como se tudo isto não bastasse, quando na Ribeira aparecem os primeiros soldados inimigos, a artelharia da Serra do Pilar, querendo alvejá-los, começa a metralhar o povo. Mas os franceses não respondem ao ataque…É que acostumados embora ao espectáculo das batalhas, familiarizados com a chacina, nunca tinham, talvez, presenciado nada que se comparasse com o que viam. E, não podendo reprimir um movimento humano de compaixão, alguns soldados tratam de socorrer os infelizes que se debatem no rio contra a morte. Conta-se, porém, que certa rapariga retirada da água por um francês, ao ver quem a tinha salvo, exclamara: - “Não quero dever a vida a monstros que dilaceram a minha Pátria”- e se arremessa de novo à corrente.
Artur de Magalhães Basto – “1809 O Pôrto sob a segunda invasão Francesa”

Douro, desculpa mas esta versão é do meu avô.

PORTO, 29 de Março de 1809

« A ponte era a única via de fuga face às investidas das tropas francesas que irrompiam pela cidade ; uma massa de gente aterrorizada, de mistura com soldadesca em fuga, comprimia-se à entrada da ponte... Mais de quatro mil pessoas, velhos e jovens, de ambos os sexos empurravam-se num tumulto selvagem; muitos já na ponte, outros lutando para entrar nela, todos num grande frenesim e em pânico. Eis quando uma trupe da cavalaria portuguesa em fuga, descendo furiosamente uma das ruas, e sem remorso dos seus medos, aponta a galope desenfreado para o meio daquela multidão miserável e indefesa, abrindo com a força dos cascos um caminho de sangue na direcção do rio. De repente, as barcaças mais próximas cederam ao peso e afundaram-se e os desgraçados da frente começaram a cair ao rio, empurrados pelos que vinham atrás...”

The Hon. Henry N. Shore, in "Three Pleasant Springs in Portugal"
(tradução da minha responsabilidade)