1. A ponte que populares construiram sobre um riacho em
Forjães, Esposende, perante a inércia da autarquia e das outras entidades
responsáveis, é bem o sinal dos tempos que vivemos neste país de farrapos
institucionais. Apesar dos impostos que pagam e da obra que não é feita por
quem deve, os cidadãos meteram do seu e ergueram uma alternativa provisória. A
Câmara já deve ter mandado os fiscais e a GNR já deve ter feito o relatório a
dizer que faltam as autorizações e que é preciso multar A, B e/ou C por tamanho
despautério, pois nessas coisas são muito eficazes e tiram logo o rabo da
cadeira, mas, claro, nenhum deles fala em encontrar uma solução que sirva as
populações.
2. Todos os partidos da Assembleia da
República concordaram que é melhor deixar a lei da limitação dos mandatos tal
como está, ou seja, a permitir duas leituras. O curioso é que uns entendem que
a lei é clara a autorizar os ‘menezes’ (PSD, CDS, PS) enquanto outros dizem o
contrário (PC e BE) mas todos os 5 decidiram que é melhor deixar estar a confusão
tal como está.
3. Tudo indica que esses mesmos 5 partidos vão
rejeitar a petição de milhares de cidadãos para que sejam autorizadas
candidaturas à Assembleia da República que não provenham dos próprios partidos.
Vai ser curioso ouvi-los brevemente defender no parlamento o monopólio da
representação e perceber até que ponto vão imaginar argumentos para nos
proteger de nós próprios e velar pela democracia deles. Consta que o deputado
Ribeiro e Castro vai desalinhar-se dessa manada e pugnar pela possibilidade de
candidaturas extra-partidárias às legislativas. Felizmente ainda aparece de vez
em quando um justo em nome do qual se pode pedir que Sodoma não seja destruida.
Mas começo a recear que já não escapem
ao destino final de Nínive.
