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quarta-feira, outubro 16, 2013

O regresso à marmita


Há dias ouvi o ministro da Economia explicar que seria institucionalmente solidário com a decisão que o governo viesse a tomar relativamente ao IVA na restauração. Há tempos ouvira o mesmo Sr. Pires de Lima defender quão importante seria baixar a respectiva taxa nesse sector de 23% para 13%. Bem como assisti ao discurso ‘animador’ de que a sua entrada no governo representava um novo ciclo, assente no relançamento da economia.

Esta coisa de ter um discurso fora e ter um discurso dentro que não se compatibilizam deixa-me perplexo. Das duas uma: ou há quem opina sem conhecer os factos ou há quem mude de camisa em função da cadeira. Não sei se ficar minoritário num Conselho de Ministros é razão suficiente para se demitir, nomeadamente num caso como este, mas apesar da ‘elegância’ da justificação de há dias, com a invocação da dita solidariedade institucional, não compro essa treta de ânimo leve e passo obviamente a desconfiar da conversa dessa gente.

Quando se fala em restauração, há quem imagine repastos em estabelecimentos de várias estrelas, bem regados e servidos. Mas a realidade é que a esmagadora maioria das tascas, casas de pasto, snacks, cafés, pizzarias, hamburgarias, pastelarias e outros restaurantes que servem refeições servem-nas a clientes remediados que fizeram contas e concluiram que não lhes compensa ir a casa à hora de almoço aquecer uma sopa ou cozer um arroz. Ora os nossos governantes entendem que comer fora de casa é um luxo e que se justifica pôr o fisco ao balcão a cobrar um dos quatro rissóis que o indígena encomende: levasse marmita ou enganasse a fome numa feira erótica (onde o IVA é de 13%).

Dito isto, concluo que o Sr. Pires de Lima integrou-se bem neste governo. Imagino que se sente ao lado do Sr. Machete. Por solidariedade institucional? Não! Por solidariedade de colegas.