Linha do Tua: Sim ou Sim?
Cumprimentos a todos os bloggers do “Nortadas”.
Chamo-me Pedro Figueiredo, sou Arquitecto, 34 anos, e estive presente com bastante agrado no debate organizado pelo “Nortadas” no Museu da Régua.
Não houve tempo para eu intervir no final do debate, daí eu me dar ao “trabalho” de pedir a publicação desta opinião no “Nortadas”. Reparei entretanto que vocês poderiam ter um link para o blog onde costumo escrever, o “A baixa do Porto” e que normalmente tem intervenções que considero de alguma qualidade, sobretudo qualidade polémica.
Linha do Tua: Sim ou Sim? A minha resposta será sim. Tenho raízes familiares na zona do Tua, o meu pai produz vinho e azeite na zona de Foz Tua e o anúncio de uma barragem para aquela zona há cerca de dois anos (?) foi não só um murro no estômago dos Altodurienses do Tua, como de muitas pessoas – à esquerda e à direita – de bom senso, razão e inteligência “regional”. Aliás, caros bloggers, a minha primeira reacção foi mesmo não acreditar, de todo, por impossível, ilógico, irracional, etc...etc...
E no entanto, alguém, num gabinete fechado, a mais de 500 Km de distância deu-se ao “trabalho” de projectar uma barragem que produzirá apenas 0,3 % da energia eléctrica nacional, por cima de uma linha de caminho de ferro histórica, por cima de uma paisagem abrupta e milenar, agora e para sempre inacessível, já que o único ponto de vista humano sobre os magníficos canyons do rio Tua, é precisamente a linha. A linha do Tua faz parte da paisagem e a paisagem não faz sentido sem a linha do Tua, pois que sem esta não mais algum ser humano verá (e sentirá) os desfiladeiros “brutais” pelos quais irrompeu no nosso magnifico séc. XIX, essa brilhante obra de engenharia. Ao nível da engenharia qualquer uma destas barragens é um retrocesso técnico se comparada com a Linha do Tua. O futuro já foi há 200 anos. Agora, de facto, só andamos para trás...
É por isto que muitos turistas – gente culta e informada ao contrário dos nossos políticos do governo e da oposição - têm chegado aos milhares àquela zona – Italianos, Ingleses, Americanos – e têm tomado o comboio até Mirandela, “só” para apreciar uma paisagem única. Sei do que falo, porque falo do coração que já fez a viagem Tua – Mirandela, duas dezenas de vezes. E não cansa. Sempre diferente. Sempre deslumbrante.
É por isto que aquela Linha tem um potencial turístico, e portanto económico e local, enorme.
Com o advento das viagens de barco da Douro Azul, a chegada massiva de “estrangeiros” (...no mundo, ninguém é estrangeiro) ao aeroporto do Porto de milhares de vôos Low-Cost, é absolutamente realista e normal, haver - mesmo em plena crise, ou por causa dela - pelo menos meia-dúzia de empreendedores interessados em reabilitar com a CP ou apesar da CP, as viagens Tua – Mirandela, instalando hotéis, recuperando casas Rurais, fixando emprego local, etc...etc...
É por isso que me custou, e magoou mesmo, ter sabido de uma votação recente na Assembleia da República em que foi reprovada a “Classificação como Património” da Linha do Tua.
Ao que se soube, irracionalmente, com os votos acríticos da bancada do PS. Embora, infelizmente, com o nível médio de cultura das bancadas na AR outra coisa não fosse de esperar.
Não é novidade, que o PCP / Verdes e o BE tivessem votado pela classificação da Linha do Tua.
A grande novidade, e perplexidade para mim, é que as bancadas do PSD e CDS se tivessem “abstido” na votação... Não compreendo. Foi por ignorância. Foi por sectarismo, só para não votarem com a Extrema – esquerda. Terá sido por tacticismo, ou seja, por se acharem na esperança de também serem governo proximamente, e portanto, supostamente acharem que uma vez governo não quereriam ou “poderiam” deixar – afinal – cair o tal Plano nacional de barragens?
Ou a direita Portuguesa discorda do plano quando está na oposição e concorda com ele, uma vez no poder?
É que, bem vistos, não classificar a Linha do Tua é mais de meio caminho andado para aceitar a barragem como inevitável. É evidente, à luz de qualquer pessoa minimamente “normal”...
É por esta perplexidade que escrevo neste blogue. Se eu fosse de direita também não quereria deixar cair este cavalo de batalha com o governo (PS). Mais uma “divergência”...
Imagino que alguns dos nomes de bloggers estarão ligados de alguma forma à Direita Portuguesa. E como eu não estou, pelo contrário me assumo militante da esquerda mais extrema, actualmente BE, lanço aqui esta “polémica” (será polémica?) para alguém de direita ou de lado nenhum me tentar responder ou continuar em tom polémico o debate se quiser.
Obrigado pela vossa atenção. E respeito mútuo.
E agradeço o debate. São sempre esclarecedores. Ainda não perdi a esperança de ver a Linha novamente a funcionar, para viajar com os meus filhos, quando os tiver.
Cumprimentos aqui deste lado do hemisfério Político.
Pedro Figueiredo, arquitecto
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segunda-feira, julho 19, 2010
sábado, julho 17, 2010
Rescaldo do debate
Após as intervenções dos artistas convidados, acrescidas dos cá da casa Douro e JAC, entrou-se num período de perguntas-respostas. Destaca 3 delas: um empresário, um politico e um lutador da linha do tua. O primeiro apoiava a barragem pois está convencido da sua bondade e das enormes promessas que lhe estão associadas. E que os que vinham de fora são turistas....O politico queria perceber que vantagens haveria para a região se não houvesse a barragem. Contrapartidas.....e o sonhador que procura recuperar a linha e por isso não quer barragem, mais a mais que as promessas que existem parecem música para embalar meninos. (Fica a promessa de aqui trazer uns panfletos que estão a ser distribuídos pelos municipios banhados pelo TUA. O seu autor é a EDP. Mas parecem do Inimigo Público).
Pena foi que a EDP não se tivesse feito representar. Era importante o contraditório pois só assim conseguiriamos ter uma visão mais abrangente.
Claro que do bonito museu do Douro não saiu nenhuma conclusão, mas quem ali esteve saiu mais rico.
Se arriscar conclusões, pessoais, diria que:
- as barragens em questão não fazem sentido nenhum
- que deveriamos discutir seriamente a questão do nuclear
- que andamos a colocar umas ventoinhas a custos disparatados (económicos e paisagisticos)
- que não existe uma verdadeira politica energética e que a verdadeira aposta passa pela poupança de energia
- que as barragens existentes devem ser mais exploradas e nalguns casos implementados os sistemas de sucção de água
Para além destas arriscadas conclusões, eu continuava a arriscar e diria que este tema não sai tão cedo da agenda do nortadas. Por isso aqueles que se sentem incomodados por se discutir as barragens no Tua e no Sabor, tremei de medo BUU.
Por fim cabe-nos agradecer a todos os que se deslocaram à Régua quer para dissertar quer para ouvir. Fica a promessa de voltarmos.
Pena foi que a EDP não se tivesse feito representar. Era importante o contraditório pois só assim conseguiriamos ter uma visão mais abrangente.
Claro que do bonito museu do Douro não saiu nenhuma conclusão, mas quem ali esteve saiu mais rico.
Se arriscar conclusões, pessoais, diria que:
- as barragens em questão não fazem sentido nenhum
- que deveriamos discutir seriamente a questão do nuclear
- que andamos a colocar umas ventoinhas a custos disparatados (económicos e paisagisticos)
- que não existe uma verdadeira politica energética e que a verdadeira aposta passa pela poupança de energia
- que as barragens existentes devem ser mais exploradas e nalguns casos implementados os sistemas de sucção de água
Para além destas arriscadas conclusões, eu continuava a arriscar e diria que este tema não sai tão cedo da agenda do nortadas. Por isso aqueles que se sentem incomodados por se discutir as barragens no Tua e no Sabor, tremei de medo BUU.
Por fim cabe-nos agradecer a todos os que se deslocaram à Régua quer para dissertar quer para ouvir. Fica a promessa de voltarmos.
RUI CORTES
Professor doutor na UTAD ficou claro o seu enorme conhecimento sobre as barragens e acima de tudo os terrenos que elas pisam. Fez comparações entre as várias fontes naturais de energia.
A eólica tem uma produção muito irregular. Porque tudo depende dos ventos, e não permite o armazenamento da energia criada e como tal é necessário o armazenamento nas barragens
A eólica tem que andar de braço dado com as hidroelétricas
As barragens são criadoras de efeitos de erosão por via de um efeito de maré com a subida e descidas de cotas de água
As barragens devem ser pensadas e construídas para fins múltiplos.
João Joanaz de Melo
Professor na universidade de Lisboa e Presidente do GEOTA começou por explicar que os ambientalistas não são contra nada, mas sim sempre a favor de alguma coisa.
O clima está a mudar. E nós somos os agentes da mudança. Os fenómenos que temos vindo a assistir, com por exemplo o sucedido na madeira, são fenómenos que vamos ver com maior frequência.
O segundo problema grave é a destruição da biodiversidade. A destruição em massa que estamos a assistir equivale à destruição dos dinossauros.
Quem ganha são as grandes empresas de energia, as grandes construtoras e que são negócios de risco zero para as empresas como a edp, iberdrola.
Possibilidade de instalar sistema de bombagem em barragens que já existem mas não tem este sistema a funcionar
O que não faz sentido é construir estas barragens, que vão ser feitas nos piores sítios e que não tem qualquer peso na produção de energia, cerca de 1%
´
A politica energética deve ser fruto de um mix, no futuro vamos destruir as de carvão e deve ser substituídas por outra fonte.
Um albufeira é uma escolha turística de quinta categoria.
Politica energética
- melhorar a eficiência energética
- reduzir o consumo de electricidade em 30%
- reduzir os picos de potência
Substituir as fontes
. renováveis de baixo impacto: solar e dentro de certos limites a biomassa, eólica e geotérmica
Novas energias
- investigação cientifica e novas teccnologias
- novos conceitos: micro-geração, hidrogénio
- solar foto voltaico baixa de preço em cada 5 anos
quinta-feira, julho 15, 2010
Nortadas no Douro já no dia 17
O interesse do debate que promovemos no próximo sábado é já para nós um sentimento de dever cumprido. Muitas têm sido os emails e os estudos que nos chegam vindos de gente que agora são como amigos. Mas claro que são as gentes durienses quem mais vive este problema e como tal são eles que mais se manifestam.
http://alinhaetua.blogspot.com/2010/07/sim-ou-nao-as-barragens-do-tua-e-sabor.html
o a Linha é Tua, brilhante duplo sentido, tem desenvolvido um trabalho aturado de difusão da bonita região e do que a linha representa para eles.
mas também o maquinistas alerta e desmistifica os números do governo.
Como diz um amigo cá da casa, estamos juntos. Até ao Museu da Régua.
http://alinhaetua.blogspot.com/2010/07/sim-ou-nao-as-barragens-do-tua-e-sabor.html
o a Linha é Tua, brilhante duplo sentido, tem desenvolvido um trabalho aturado de difusão da bonita região e do que a linha representa para eles.
mas também o maquinistas alerta e desmistifica os números do governo.
Como diz um amigo cá da casa, estamos juntos. Até ao Museu da Régua.
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