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sexta-feira, julho 20, 2012

Guilherme de Oliveira Martins


Segundo o Expresso online: Estão criadas todas as condições para que a flexibilização dos prazos e metas da troika ocorram”, afirmou o Presidente do Tribunal de Contas em entrevista à Antena 1, reconhecendo, no entanto, que "não é oportuno falar já disso".

Se não o considera oportuno, porque falou então?

Em boa verdade Oliveira Martins é apenas mais um que junta a sua voz ao coro dos que clamam pelo prolongamento da depressão colectiva que por aí grassa, uns na expectativa de que o seu arrastamento até às próximas eleições lhes possa tapar a nudez, outros apenas por mera resistência à mudança.

Infelizmente tive já de lidar com alguns processos de reorganização, nos quais sempre me guiei por critérios de rapidez. Quanto mais curto o processo, mais depressa a vida voltava a sorrir.

Nunca hei de compreender porque razão surgem estes apelos em tudo quanto é sítio noticioso. Se o que está a ser feito tem mesmo de o ser, e é depressivo, então a lógica será encurtar-lhe a duração, para também mais rápido se poder respirar.

Sobretudo nunca hei de entender a fobia da comunicação social em dar-lhes desmesurado eco, a ponto de já me parecer estranho sair de casa depois de ver os noticiários e sentir que a vida afinal ainda mexe.

Algumas destas vozes continuam, como habitualmente, apenas a defender os interesses dos seus próprios umbigos, em prejuízo do colectivo nacional. Muitas outras se lhes juntam simplesmente por não perceberem, ou se recusarem a perceber, o problema. Outras ainda porque já começam a sentir que algo que fazia parte do seu pequeno mundo está mesmo a mudar.

Neste particular não deixa de ser curioso constatar como inúmeros comentadores dos três partidos chamados do “arco da governação” se juntam agora e alinham os seus comentários em claro saudosismo de um certo passado que sentem a fugir debaixo dos pés, mas lhes dava a ilusão duma importância e estatuto social que julgavam ter, e que afinal só nos conduz ao problema.

A solução unicamente advirá duma real mudança de atitudes. Pretender que a coisa não passa de mera dificuldade temporária e que depois tudo voltará ao seu “normal” é querer perpetuar o problema para poder continuar a viver à sombra dos outros, como sucedeu já na sequência dos dois anteriores pedidos de ajuda ao FMI.