Segundo o Expresso online: Estão criadas todas as condições
para que a flexibilização dos prazos e metas da troika ocorram”,
afirmou o Presidente do Tribunal de Contas em entrevista à Antena 1,
reconhecendo, no entanto, que "não é oportuno falar já disso".
Se não o considera oportuno, porque falou então?
Em boa verdade Oliveira Martins é apenas mais um que junta a
sua voz ao coro dos que clamam pelo prolongamento da depressão colectiva que
por aí grassa, uns na expectativa de que o seu arrastamento até às próximas
eleições lhes possa tapar a nudez, outros apenas por mera resistência à
mudança.
Infelizmente tive já de lidar com alguns processos de
reorganização, nos quais sempre me guiei por critérios de rapidez. Quanto mais
curto o processo, mais depressa a vida voltava a sorrir.
Nunca hei de compreender porque razão surgem estes apelos em
tudo quanto é sítio noticioso. Se o que está a ser feito tem mesmo de o ser, e é depressivo, então a lógica será encurtar-lhe a duração, para também mais rápido se poder respirar.
Sobretudo nunca hei de entender a fobia da comunicação
social em dar-lhes desmesurado eco, a ponto de já me parecer estranho sair de
casa depois de ver os noticiários e sentir que a vida afinal ainda mexe.
Algumas destas vozes continuam, como habitualmente, apenas a
defender os interesses dos seus próprios umbigos, em prejuízo do colectivo
nacional. Muitas outras se lhes juntam simplesmente por não perceberem, ou se
recusarem a perceber, o problema. Outras ainda porque já começam a sentir que
algo que fazia parte do seu pequeno mundo está mesmo a mudar.
Neste particular não deixa de ser curioso constatar como
inúmeros comentadores dos três partidos chamados do “arco da governação” se
juntam agora e alinham os seus comentários em claro saudosismo de um certo
passado que sentem a fugir debaixo dos pés, mas lhes dava a ilusão duma
importância e estatuto social que julgavam ter, e que afinal só nos conduz ao
problema.
A solução unicamente advirá duma real mudança de atitudes.
Pretender que a coisa não passa de mera dificuldade temporária e que depois
tudo voltará ao seu “normal” é querer perpetuar o problema para poder continuar
a viver à sombra dos outros, como sucedeu já na sequência dos dois anteriores
pedidos de ajuda ao FMI.