Quinta-feira, Abril 07, 2011

Quem é o 'Bartolomeu'? (1)

Trá-lo uma boa nortada.
Estejamos atentos.

Ainda há boa esperança? Há!

Dobrar os cabos


Vêm aí novidades no Nortadas.
Estejamos atentos

Espanha aqui ao lado

De espanha nem bom vento nem bom casamento,mas de quando em vez dar uma olhadela ao que por lá se passa é obrigatório. E assim num forum sobre politica e comunicação dei de caras com este comentário de um profissional da comunicação. Nada de mais.

"El panorama político español, refleja el pésimo nivel político existente, fiel reflejo del desajuste del propio sistema español, un senado inoperante y 17 mini-estados fagotizando al estado central."

O fim do dirigismo

O pedido de ajuda que o governo agora decidiu apresentar à Europa (tanto faz se foi aos amigos europeus ou à Comissão) significa várias coisas.

Uma das menos dispiciendas é o fim do dirigismo. Ao contrário do que clama uma certa esquerda militantemente protestante, a política tem dominado a economia nas últimas décadas portuguesas. De facto, sobretudo neste último governo, acreditou-se e viveu-se numa realidade em que os governantes se empenhavam em "inventar" negócios que propunham aos "privados", oferecendo-lhes "crédito" barato por parte da banca - obviamente mediante fartas contrapartidas que agora se acumulam para desenhar a verdadeira dimensão da nossa dívida pública.

Isto para não falar desse dirigismo mais directo que se aplicava às empresas públicas ou detidas pelo Estado, a quem se impunham objectivos de investimento e operação (por exemplo às transportadoras), facilitando-lhes a acumulação de dívida com a convicção de que não teriam de ser pagas ou seriam quando o crescimento económico o permitisse.

Obviamente, este modelo esgotou-se. E mesmo que a nossa classe política não o tenha percebido, aí virão os fiscais dos fundos que nos emprestem para o lembrar sempre que for necessário.

Isso é bom. É mesmo muito bom, porque a economia deve ser regida por critérios de criação de riqueza e, salvo raras e justificadas excepções, de maximização dos lucros actuais e futuros de quem investe. Nem sempre esses critérios e objectivos estarão alinhados com as prioridades políticas do País, seja de política social, como agora está na moda, redistributiva, ou qualquer outra. E essa é a principal função da política na "condução da economia": fixar o enquadramento das decisões dos agentes económicos. Com estabilidade, porque se as prioridades se alterarem ao sabor dos momentos, obviamente ninguém pode tomar decisões económicas sãs.

Por conseguinte, este recurso aos credores de último recurso acarreta também a grande vantagem de matar esse mito de que os governantes sabem melhor do que os gestores o que é bom para a economia. Talvez por confiarem nesse mito é que tantos governantes acreditaram que seriam bons gestores e/ou confiaram nos seus colegas políticos para gestores. Pagarão agora o preço que merecem.

Só não se compreende como é que tantos gestores se deixaram levar na conversa. E se se compreende é por suspeitarmos de razões pouco apresentáveis. O que também é bom que acabe.

Em todos os desafios há oportunidades. Oxalá sejamos capazes de aproveitar os actuais.

Ainda as SCUT

Aquando da transformação das SCUT do Norte em CCUT, ficou o compromisso que as demais SCUT também virariam CCUT a partir de 15 Abri 2011. Com isto, o Norte acabou por se calar.

Não se tratou pois de promessa socratina em plena campanha, mas sim de decisão do Governo.

Entretanto, com eleições à porta, anunciou agora este mesmo governo que já assim não seria, com a esfarrapada explicação que fazê-lo agora seria inconstitucional, por se encontrar em gestão, o que assim rezaria um parecer feito por ... ele próprio.

Ora, como todos bem sabemos, iniciar a cobrança das demais SCUT (centro e sul) em 15 de Abril, é medida de pura gestão, pois que se trata tão só de implementar uma decisão anterior, e não de uma nova medida política

Efectivamente, lê-se na Resolução do Conselho de Ministros 75/2010:

Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Adoptar o princípio da universalidade na implementação do regime de cobrança de taxas de portagem em todas as auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT).
2 — Introduzir um regime efectivo de cobrança de taxas de portagens nas auto-estradas SCUT Norte Litoral, Grande Porto e Costa da Prata a partir de 15 de Outubro de 2010, em conformidade com o disposto no Decreto-Lei n.º 67-A/2010, de 14 de Junho
3 — Introduzir um regime efectivo de cobrança de taxas de portagem nas restantes auto-estradas SCUT, designadas por SCUT Interior Norte, Beiras Litoral e Alta, Beira Interior e Algarve, até 15 de Abril de 2011, nos termos de diploma legal a aprovar.

Esta é pois uma pura medida eleitoralista socratina. Porém, fere fundo o citado princípio da universalidade do dito regime de implementação de cobrança, abrindo (agora sim) a porta das providências cautelares aos nortenhos.

Aqui deixo, pois, o meu businão, na expectativa que outros se lhe juntem.

Prontos, eles aí vêm!

Pela 3.ª vez após o vintecincobarraquatro que o FMI nos visitará, com um saco de dinheiro numa mão e um lápis vermelho na outra.

Desta feita, porém, virá de braço dado com o FEEF, que trará um saco de dinheiro duas vezes maior que o seu, mas o lápis continuará a ser o dele.

Admito que FEEF traga ainda consigo um pouco de azeite para, por vezes, poder diluir algumas gotas no vinagre que sempre acompanha o FMI.
Naturalmente, desde que isso convenha ao credor huno...

Desta feita, ainda, encontrará por cá, já não o velho e$cudo, mas sim o novel €uro, pelo que, não podendo usar a sua também habitual receita da desvalorização da moeda, necessitará de mais riscos vermelhos.
E talvez mesmo de prolongar a sua estadia...

A grande questão será agora: E depois? Ou melhor quanto tempo ficarão estes fundos sem voltar a ver no visor dos seus telefones o indicativo 351?

É que, do que me é dado observar, ao primeiríssimo sinal de alívio, as insaciáveis clientelas partidárias não perderão tempo para se reposicionarem de boca bem aberta perante as novas lideranças.

Orgulho é coisa de luxo

Como todos nós, também tenho os meus pequenos orgulhos, mas desde cedo comecei a perceber que nem sempre estes são bons conselheiros e que podiam mesmo sair caros.
Continuo a tê-los. Acho mesmo que são parte de mim e que sempre me acompanharão. Aprendi, porém, a não deixar que se sobrepusessem à razão.

Sempre me fez uma enorme confusão todo este exacerbado orgulho socratino que, sobrepondo-se à lógica de qualquer razão, se transformou em verdadeira obsessão, impedindo-o de pedir a ajuda que múltiplas razões de há muito aconselhavam. Foi preciso todo este lamentável jogo, nacional e internacional, a que nos obrigaram a assistir impotentes, para que, encostando-o totalmente à parede mais ao fundo, ele sentisse que já não lhe restava qualquer outra escapatória senão a de pronunciar a mágica palavra.

Mas o orgulho é um luxo e toda esta obstinação socratina nos saiu bem cara. Aliás ainda estou para ver como conseguiremos pagar todas as altíssimas taxa de juro a que o seu orgulho doentio nos comprometeu.

Sócrates

Não se pode chamar de "valor" assassinar seus cidadãos, trair seus amigos, faltar a palavra dada, ser desapiedado, não ter religião. Essas atitudes podem levar à conquista de um império, mas não à glória
Maquiavel


Sócrates não morreu, e está bem longe disso. E a sucessão dos acontecimentos continua a respeitar um calendário que foi por ele desenhado. Senão vejamos:

Março
chumbo do PEC IV que ele tudo fez para que o PSD não o aprovasse
demite-se do governo
eleito em directas com 97% dos votos.
(consegue ser visto como um desgraçado que está a ser atacado. É impressionante a quantidade de gente que não sendo socialista assim o vê. dessa forma está explicado porque merecemos nós os governantes que vamos tendo)

Abril
anuncia o pedido de ajuda internacional explicando que não foi ele que o quis e chuta para Cavaco a responsabilidade de alcançar o consenso partidário
(aqui até a cena macaca de ver se fica bem virado mais à direita ou esquerda está a ser capitalizada a seu favor pois os jornalistas aparecem como os maus da fita que sabem que aquilo se passa sempre e desta vez mostraram)
congresso do partido este fim de semana no porto onde todos os seus camaradas irão louvar e cantar ode sair de lá em gloriosa campanha contra os maus
decorrerão as negociações e ele vai poder andar a dizer que está a fazer o seu melhor para minorar as draconianas condições e se mais não faz é porque é um governo de gestão e por culpa dos maus e traidores da pátria

Maio
sentiremos as primeiras medidas do FMI
Sócrates aparece como aquele que sempre quis evitar estas situações de aperto impostas pelo FMI


Junho
vamos a votos com um cheirinho das decisões do FMI
o povo sempre choraminga, vota no calimero


e eu fujo......

A primeira tranche


O amigo Vitor já conseguiu mandar a primeira tranche da ajuda: o aumento da taxa do juro de referência do Banco Central Europeu: porreiro pá!

...

Não chamem o FMI, chamem o FBI

Dar arejo ao cão


“Oh Luís, vê se eu fico melhor a olhar assim... ou assim”.
Alguém imagina o Churchill a fazer uma pergunta destas antes de discursar, por exemplo, no parlamento britânico a anunciar a declaração de guerra à Alemanha. Ou o Mandela ao dar a sua primeira entrevista depois de ser libertado. Ou o Kennedy antes de subir ao palanque junto ao muro de Berlim para dizer ‘ich bin ein Berliner’?

Aquele diálogo com o tal Luís marca a distância entre o seu autor e os outros: algo parecido com o infinito, algo que é muito comprido, pois, como dizia um outro, perto do fim ainda há um outro tanto.

Hoje nem queria falar destas coisas. Jejuar é saudável e levantei-me a pensar que ia dar arejo ao cão e olhar o mar. Li que os físicos de Chicago publicaram na Physical Review Letters uns trabalhos que demonstram estarem à beira de descobrirem uma nova força universal, a tal que faltava para compor o leque formado pelas nuclear forte e fraca, electromagnética e da gravidade. A confirmar-se, será um passo de gigante no conhecimento humano. O género de notícia que é tão importante que parece incrível que passe despercebida. A não ser que essa tal força seja a força da estupidez e da cretinice: chamem o Luís.

ENGANA-ME QUE EU GOSTO

E pronto, está (mal) resolvido. Sócrates é impagável. Diz ele que tentou tudo. Tentou sim senhor, tentou tudo mal. Vamos ter de pedir e negociar ajuda nas piores condições possíveis, qual náufrago prestes a afogar-se. O mesmo Sócrates que andou anos a enganar e a iludir, a dizer que estava tudo bem e que não era preciso ajuda nenhuma nem mudar nada, deixa o país exangue, sem soberania e sem perspectivas.

Não há luz, nem fundo, nem sequer túnel para onde possamos olhar.

E diz ele que está preocupado com o prestígio de Portugal. Depois de tudo ainda goza connosco. Não temos desculpa, porque nós sabíamos que só podia dar nisto. Há meses, senão anos, que se estava a ver que a gestão socrática nos iria levar ao que levou e não era preciso ouvir Medina Carreira para tirar essa conclusão. Bastava ouvir as palavras do próprio Teixeira dos Santos ao longo dos tempos para uma pessoa deitar as mãos à cabeça.

Preferimos ser enganados por Sócrates, à espera de um qualquer milagre, a assumir o problema e resolvê-lo. A culpa não é, pois, só de Sócrates e da sua incompetência - para não usar qualificativos mais duros embora merecidos -, é também de quem permitiu que uma pessoa destas fosse primeiro ministro de Portugal durante os últimos seis anos, dirigindo um governo, como um amigo me dizia há tempos, em que uns são totalmente incapazes e os outros capazes de tudo.

Vem aí o Fundo

Seja lá qual for, europeu ou mundial, o fundo vem aí.
Finalmente.

Vem com uma única preocupação: garantir que os credores são reembolsados. Oferece taxas de juro mais atraentes.
Normal.

Traz com ele fiscais, que vão "supervisionar" - ou qualquer outra fórmula equivalente que lhe queiram chamar - a actuação e sobretudo os gastos do governo; sobretudo do próximo, do que resultar das eleições.
Ainda bem.

Não sejamos ingénuos, iremos pagar um preço alto. Não tanto pela "ajuda", que será bem mais barata do que o que pagaríamos aos "mercados", se ainda os houvesse. Mas sobretudo pelas inevitáveis correcções aos erros do passado.

Será necessário fazer escolhas e escolhas difíceis.
Pela minha parte sugiro já duas.

Primeiro: devíamos apurar a totalidade da dívida pública ou dependente do estado (empresas públicas de transportes, etc), e depois pedir o máximo possível agora, calculado por cima de preferência, e por um prazo razoável para dar tempo de reorganizarmos toda esta bagunça numa base mais sustentável. Devíamos concentrar a negociação precisamente nos prazos e nas taxas. Se é para ajudar, que seja com taxas generosas. O que quer dizer que devíamos sobretudo negociar o 'spread' (ou divergência) com a taxa a que se financiam os nossos credores (desde logo a Alemanha...). E claro, se necessário (e penso que sim), não esquecer de negociar quanto é que não pagaremos da actual dívida; de facto, mais vale fazê-lo já, por quantias razoáveis (ou seja, pequenas), mas de uma forma realista, do que vir a fazê-lo mais tarde, quando eventualmente percebermos que sem crescimento nem com esta ajuda vamos lá (como parece já estar a acontecer na Grécia e na Irlanda).

Segundo: devíamos desenvolver planos para consolidar a dívida pública e eliminar o défice no prazo mais curto possível. Dois anos, parece-me razoável. Ou seja, em 2013 teríamos um orçamento equilibrado.

Se conseguirmos fazer estas duas coisas, teremos criado condições para voltar a crescer saudavelmente (gastando apenas o que temos para gastar) a partir de 2013.

O que implica que os planos prevejam desde já as medidas que iremos tomar a partir de 2013 para promover e estimular o crescimento, depois do reajustamento. E nessa altura começar a pagar os juros e a reembolsar dívida até chegarmos a valores sustentáveis.

Até lá, meus amigos, é tempo de cortar com os vícios, para salvar as virtudes.

Quarta-feira, Abril 06, 2011

Vai tocar a todos

5,902

(and counting...)

Novos números. De hoje. Aqui no Público. E isto apesar de se ter sabido, pelos jornais obviamente, que a Segurança Social portuguesa (através do seu Fundo de longo prazo) terá sido um dos maiores compradores...

Pergunto, apenas: É ESTE O PREÇO DO PRESTÍGIO?

Não só pagamos um preço altíssimo, como ainda arriscamos a segurança das nossas pensões futuras para preservar o "prestígio" de quem nos governa e governou nos últimos anos/décadas?

Não há nada que as nossas instituições, Parlamento/Presidência/???, possam fazer para por cobro a esta desgraça?

Não seria possível nomear uma comissão qualquer, por exemplo constituída pelos ex-ministros das Finanças, que negociasse em nome do País, sob a alçada conjunta da Presidência, do Parlamento e do Governo, condições mínimas para recorrer ao dito FEEF ou ao FMI (pouca diferença faz, o que interessa é que as condições sejam as melhores possíveis)? E porque não um governo de emergência e iniciativa presidencial, com apoio do maior número possível dos partidos representados no actual parlamento, para assumir essa negociação e a gestão dos negócios públicos até às eleições?

É que 1% de diferença nos juros a um ano, para um empréstimo de 1000 milhões, significa 10 milhões de euros que teremos de pagar a mais no final do tal ano. E como o Estado não tem outras receitas para além dos nossos impostos, isso significa, grosso modo, que cada um de nós terá de pagar mais um euro por cada 1% de juros a mais!!!!

Cada um sabe de si, mas a mim incomoda-me pagar estes 2, 3 ou 4 euros a mais.

Terça-feira, Abril 05, 2011

Vai, não vai, vai indo?

Alguém me consegue explicar o que se está por aí a passar?
Uns opinam que temos necessidade de ajuda financeira externa. Outros acham que não. Outros que não para já. Outros que até já é tarde. Outros ainda que por ora só intercalar.
Os comentadores, patatá para aqui, patati para acolá, lá se dividem do mesmo modo.
A coisa até já tem sondagens, com 50% para cá e 50% para lá.
Sócrates e dos Santos, com toda a credibilidade que lhes é reconhecida, continuam a garantir que tudo farão para evitar pedi-la. Mas nada os vejo fazer para tal.
As oposições divertem-se com eleições e a discutir se ela pode ser pedida por um governo em gestão ou até pelo presidente. De toda esta discussão, com pedrinha para lá e pedrinha cá, apenas se entende que todos a querem, mas nenhum ficar com o ónus de a ter pedido.
Cavaco diz que não é nada com ele.
Entretanto, com os ratings de rastos, os banqueiros, e os bancários com funções de banqueiros, põem-se todos de acordo em que será bom para nós o que para eles vislumbram como última tábua de salvação, pressionando-a.
Mas será tudo isto uma questão de opinião? Não deveria ser antes o resultado de uma análise séria dos números e da ponderação dos seus prós e seus contras? Pelo menos cá em casa assim é.
Entretanto o barco segue à deriva e sem que ninguém lhe ampare o leme.
E nós, passageiros resignados, lá vamos, cantando e rindo, continuando a pagar as sucessivas facturas que vão chegando às pinguinhas. Mesmo sem ver a mínima luz ao fim do túnel.
Bom, todos todos talvez não, pois que alguns já começam a olhar com alguma curiosidade para os lados da Islândia…

Ainda há um lúcido na baiúca

Cadê os peixes?


Esta foto vem hoje no JN on-line.
Uma perguntinha: o senhor de papel na mão está a falar para quem?(ou para quê? ou porquê?)

Uma nova república


Há uma notícia boa : o primeiro-ministro encomendou um reforço de tinta para as fotocopiadoras do seu gabinete, para que não lhe aconteça o que se passa nos tribunais, onde as impressoras secaram por falta de pagamento aos fornecedores. Esse afã significa que o próprio se convenceu de que não volta lá depois do 5 de Junho e vai daí pôs as secretárias a reunir seguros de vida pois sempre é melhor levar umas apólices, quais moedas de troca nos freeports que eventualmente ressuscitem.

Aquela votação norte-coreana de 90 e tal por cento que o incensou há dias como sucessor de si próprio à frente da carneirada do PS arrisca-se portanto a ter parido um rato, a não ser que tenha sido uma melga, daquelas que resistem mesmo quando enxotadas. A missa ou congresso vai ser divertida: “apoio ou demarco-me?”, “dou parte de doente ou apareço só ao princípio?”, “entro com o Seguro ou com o Costa?”, “será ele que vai substituir o Marcos nos CTT?”, “achas que a D. Constança aparece?”.

Tudo isto seria uma comédia se não fosse uma tragédia. Porque o busílis é que o país está falido, os bancos em bancarrota disfarçada, e a gente olha em volta e só vê cadáveres ambulantes a discutirem se se pede ajuda ou não, enquanto os abutres domésticos já voam baixo e de penca afiada para o despacho que lhes assegure o tal contrato antes do encerramento do botequim.

Neste deve e haver que os nossos governantes se preparam para deixar aos nossos bisnetos há um bem imaterial que desaparece nas entrelinhas (ou devo dizer nos quadradinhos?) do excell: o regime. Há quem lhe chame o ‘sistema’, ou ‘modus angelo’, ou ‘ser deputado e consul é fixe’, ou...ou...etc. Desaparecer é uma força de expressão: na verdade permanece, mas arrastando-se, a largar a baba da lesma até secar. Ora isso é uma maçada pois, como se sabe, há ainda uma parte dos nossos conterrâneos que julga que algo que ainda se mexe, vive.
“Então não ouviste o discurso do Presidente?”

Quanto tempo vamos ter de velar para podermos enterrar o regime? É que o calor já começa a apertar e seria conveniente, por razões de pura higiene e salubridade pública, incinerar o de cujus. E é urgente encontrar-lhe herdeiro, um outro regime, uma nova Constituição, uma democracia verdadeira, um sistema eleitoral decente, um país regionalizado, liberto da opressão centralista e arrangista. Gente que saiba dizer, se e quando for preciso, “Não pago!”. Gente que ponha a funcionar os tribunais para que os aldrabões que nos arquitectaram o funeral batam com os costados nas celas dos violadores. Não violaram a verdade, a decência e a nossa dignidade? Irra!

Zézinho, veste este colete

História interminável

O menino Zézinho fez-se convidado para brincar lá em casa. Ninguém gosta muito do Zézinho, dizem que é mal disposto e um bocado arrogante, tem a mania que só ele é que sabe. Acha que os outros meninos têm inveja dele por ser o único da turma que consegue fazer testes ao Domingo.
Ninguém sabe bem como, mas lá apareceu o rapazinho que é conhecido por fazer umas casas de Lego horrorosas.

A verdade é que a brincadeira não correu bem. A Manelinha, que todos consideram uma chata, fartou-se de avisar que o quarto estava a ficar tão desarrumado que mais tarde ou mais cedo os adultos iam chamá-los à razão.
-Não há problema, comigo as brincadeiras só podem correr bem.
Diz o Zézinho.
-Mas só podem correr bem porquê?
Dizem os outros todos em uníssono.
-Porque ainda está para nascer um rapaz como eu, que veste calções comprados nas melhores lojas.

A brincadeira prossegue até o quarto estar completamente irreconhecível, chegando ao ponto de se sufocar lá dentro.
Vai daí o menino Paulinho avisa:
-Por que não te vais embora? Deixa-nos tentar arrumar isto.
-Nem pensar, ainda falta abrir aquele armário cheio de carrinhos.
Diz o Zézinho.
-Se abrires aquele armário depois não o vamos conseguir fechar e então não há mesmo maneira de pormos o quarto em condições.
Lá foi dizendo o Aníbalzinho muito circunspecto, sentado na cama de cima do beliche.

A verdade é que lá para o fim de tarde apareceram mesmo os adultos. Ficaram horrorizados com o que viram:
Os brinquedos espalhados pelo chão.
Tudo aos berros, ninguém se entendia.
A semanada gasta em gelados.
A mesada derretida em guloseimas.
O porquinho mealheiro partido para comprar bolas de Berlin.
O pânico...


(desafio os meus amigos a continuarem a história)

O preço que interessa:

Alguém sabe quanto vale o "prestígio do País"?

É que se soubéssemos o valor, talvez pudéssemos calcular se vale a pena pagá-lo...

Aliás, depois de nos "imporem" revisões de défices do Estado para vários anos, depois de comentarem as opções do nosso Parlamento nos termos em que o fizeram, depois de nos condicionarem o discurso político, exigindo que não exijamos o apuramento da verdadeira dimensão do buraco, depois de tudo isto e do mais que fica por dizer, alguém sabe quanto "prestígio" ainda nos resta?

Será que o que nos resta de "prestígio" ainda merece um preço?

Como dizia a minha avozinha, "não se brinca com coisas sérias". "E o burro sou eu", dizia o outro...

Empresas de transportes

Quando penso, e não só eu, em custos e desperdícios logo saltam o Metro, a CP e a TAP. Ok, podíamos continuar e incluir a RTP e depois os institutos para os tachos. Mas o ponto mesmo é os transportes e a relação custo/benefício. Não consigo calcular, nem sei se alguém consegue, mas penso que nestes custos todos tem que existir um valor que não deve ser considerado custo, mas sim investimento ou custo social. O serviço prestado e acima de tudo a sua mega importância para o dia a dia de um país ou de uma cidade têm que ter a sua importância. E já alguém imaginou o que é amanha deixarmos de ter a funcionar o metro do porto ou de lisboa? A CP não sei se sentiria tanto a diferença pois como andam sempre em greves os portugueses já encontraram as alternativas.

E se a esquerda se organizasse?

É possível, mas muito pouco provável. Mas vale a pena especular sobre o assunto. E se o PCP e o Bloco se entendessem sobre uma verdadeira alternativa de esquerda?

Naturalmente isso teria de passar por um qualquer entendimento pré-eleitoral, digam os seus responsáveis o que disserem. Esse entendimento teria de passar por "uma política", como eles próprios gostam de dizer, diferente. Por política entenda-se um conjunto de medidas a propor ao eleitorado que verdadeiramente representem uma alternativa aos projectos de centro e de direita.

Os tempos são excepcionais, como bem ilustram as notícias de hoje sobre as dificuldades de financiamento das empresas de transporte. Para quem ainda não tinha percebido o que significa o País não ter dinheiro, estas notícias devem ter sido resposta suficiente.

Elas revelam dois dados essenciais.

Primeiro, que a "fuga para a frente" em que andávamos a viver, pedindo crédito que não se sabia como seria pago, chegou ao fim. Este modelo de irresponsabilidade institucional esgotou-se; desde logo porque o Estado não tem meios para socorrer os aflitos, mesmo que o quisesse fazer, e depois porque veio a lume a dimensão e amplitude do "esquema" em que fingíamos que tudo era possível.

Em segundo lugar, estas notícias revelam a gravidade do que todos sabíamos: os bancos nacionais não têm dinheiro para emprestar a quem necessita, muito menos neste tipo de projecto mal pensado, pior estruturado e irresponsavelmente financiado.

Não têm dinheiro e têm boas razões para não emprestar.

Desde logo porque provavelmente já deviam ter parado de financiar este tipo de "devaneios governativos" à muito tempo, justamente porque persistir nesses erros oníricos só agravou as dificuldades do País e dos próprios bancos. Além disso, o crescimento insustentado dos bancos nos últimos anos, baseado num modelo de financiamento interbancário que desapareceu com a crise financeira de há três anos e numa utopia de propriedade universal já globalmente desmentida, coloca-os agora numa situação particularmente delicada de terem de obrigatoriamente reequilibrar os balanços, com urgência, sob pena de caírem numa situação de falência sistémica num momento em que o Estado não tem condições para os segurar.

Perante tudo isto, e o muito mais que o enquadra, seria muito útil ao País que a esquerda do protesto militante percebesse a gravidade da situação e nos apresentasse as suas próprias propostas e opções alternativas. Ficaríamos assim, finalmente, a saber o que pretenderiam fazer se um dia chegassem ao Poder. Tornariam claro que soluções julgam que têm.

Simultaneamente, contribuiriam para a desmistificação das opções do Governo e do PS de José Sócrates. Pela esquerda.

Permitiriam um melhor e mais saudável confronto com as propostas e opções da Direita, seja ela o PSD, para quem ainda acredite nisso, ou o CDS, cada vez mais credívelmente.

Era bom demais para ser verdade, não era?!? Infelizmente também o creio. Mas como os tempos são excepcionais...

Andamos a brincar II?

Ler que a multa para o apagão de ontem no estádio da Luz é de 250 a 2500 euros é o sinal claro do estado do futebol português e da justiça. Mas claro que o futebol português está como está porque interessa aos seus agentes.

1 - Quando os dirigentes dos principais clubes (Benfica e FCPorto) fazem as acusações que fazem acabam ou não por incendiar e incentivar ao ódio e à violência?

2 - Quando um seleccionador nacional é despedido com base em informação falsa e por intromissão de um governante é ou não descredibilizar as organizações? E ninguém se demite quando tudo isto é conhecido?

3 - Quando se tomam decisões em reuniões que são consideradas inválidas, mas ainda assim tudo se mantém como se fossem válidas com prejuízos enormes para um clube, neste caso o Boavista, e nada acontece que ilações podemos tirar?

4 - Quando uma federação vive sem estatutos aprovados e fora da lei e nada se passa que moral existe para castigar uma pessoa que rouba para comer?

Mas os mesmos figurões que mandam no futebol há anos e anos sem fim vão continuar a mandar porque os tótós que somos nós nada fazemos.

Andamos a brincar?

Este jogo de ping-pong em que se transformou a politica portuguesa é de arrancar todos os cabelos e da forma mais dolorosa possível. Não há ninguém que ponha ordem nesta terra? Já sabemos que Sócrates acha que não pode (não quer) e para todos os efeitos sobra o presidente Cavaco, que acha que o outro pode e que ainda por cima o obriga (cavaco continua a lavar as mãos). O certo é que sentimos que avançamos para um caos e que está tudo a jogar poker e a ver quem desiste primeiro.

Como se pode ver os sinais de alerta são vários. E até Santos Ferreira presidente do BCP disse esta noite na TVI que era preciso pedir ajuda intermédia.

Amanhã(hoje terça) será a vez de Ricardo Salgado. E quase aposto que vai dizer o mesmo.

E parece que vão mais cedo ou mais tarde obrigar os políticos a tomar decisões, pois já vão em reuniões semi-secretas ao banco de portugal.

Até quando viveremos este drama?

Segunda-feira, Abril 04, 2011

Escapatórias


Aviso ao Sr. Padre Louçã : distribua picaretas pelos seus candidatos quando eles explicarem a vossa teoria de saída para a crise. Vai ver que não há bloco que resista.

Acompanha-se com sangria


Aviso ao Comité Central : apareceu um produto novo e barato que pode ser útil para os vossos barbecues no Seixal. Mas requer lume brando e pouca pimenta. Se encomendarem à dúzia, os chineses fazem preço camarada.

Sejam chiques


Aviso aos organizadores dos comícios do Dr. Portas: sejam chiques e não se esqueçam de pôr um letreiro destes na zona dos sanitários.

Não desesperem


Aviso aos futuros ex-assessores do PS : caso não consigam encaixar-se numa empresa pública, esta rede de restaurantes de comida mexicana recruta controladores de qualidade da clientela.

Ponham foto na candidatura


Aviso às estruturas distritais do PSD : o Kazaquistão, dirigido com punho de ferro, à matraca e a tiro pelo Nazarbayev ( à esquerda, na foto), que acaba de ser “re-eleito” com 95,5% dos votos, procura um cônsul no Porto.

Os novos reis magos



Tudo indica que na próxima Quinta-feira o Banco Central Europeu irá subir a taxa de juro de 1 para 1,25, sob o pretexto que a inflação em Março foi de 2,6% na zona euro, depois de ter sido de 2,4% em Fevereiro. Consta que em Julho o BCE voltará a aumentar a principal taxa directora e que até ao fim do ano novos aumentos ocorrerão.

Se esta medida pode confortar a economia alemã, onde a recuperação tende a criar moderadas tensões inflaccionistas, constitui todavia uma machadada mortal para as economias de outros Estados-membros que, como a portuguesa, enfrentam recessões dolorosas e prolongadas.

Não se trata apenas de encarecer dramaticamente o crédito, com as terríveis consequências que tal implica para as empresas e as famílias, para já nem falar no agravamento suplementar da dívida soberana. Esta medida do BCE provocará igualmente uma subida do euro face ao dólar (esta manhã o euro valia 1,4269 $), diminuindo assim a competitividade das nossas exportações.

Esta esquizofrenia em que se movimenta o sistema monetário europeu é assassina para os países periféricos. De nada vale tentar curar os doentes se ao mesmo tempo lhes retiram o soro. Os entusiastas do Tratado de Lisboa, que entregaram sem dar contas a ninguém os interesses nacionais aos aparatchiks de Bruxelas e de Frankfurt, podem vir agora carpir lágrimas de crocodilo mas não se livrarão da irresponsabilidade de nos terem conduzido a este penhasco. E um "grande obrigadinho" aos figurões da foto, em especial ao há tempos incensado por "tão bem" defender as cores lusas.

É urgente reequacionar o caminho que andamos a trilhar, sob pena de não mais nos levantarmos da fossa.

A beleza é eterna


Porque hoje é 2ª feira. E 'tá difícil.

PS. Foto retirada do Público Online.

Domingo, Abril 03, 2011

Sábado, Abril 02, 2011

Porque hoje é Sábado

Óleo de Rubens "A adoração dos Reis Magos" - 1624

Portugal, o que queremos que seja amanhã?


Ler Campos e Cunha no Público de hoje é rever 6 anos de Sócrates e do desvario que isto foi. Mas o que me causa mais irritação é olhar e ver uma série de gente que é responsável pelo estado das nossas contas públicas e constatar que estão todos bem na vida. Ou são gestores das PPP que criaram eles próprios criaram, ou são gestores das empresas dos sectores que tutelaram, ou são gestores de empresas estatais que dão prejuízo que chegue e não são serviço público mas sim tachos privados, ou então são presidentes de umas obscuras fundações que para nada servem a não ser para servir as mordomias partidárias. E com a cereja de um Presidente que nada diz, nada decide, nada faz. E tudo isso porque mais não é do que o pai de todo um crescendo de despesa pública. E claro que no final deste rosário temos uma justiça que tarda e que a todos interessa que assim seja. Temos uma policia sem meios, investigadores que pouco investigam e que quando o fazem são torpediados e as provas desmerecidas ou destruídas. Que país é este? Não é sequer um projecto de país. É um amontoado de capelinhas e reinados. Assim não dá. Conseguiremos dar a volta ou vamos mesmo andar para trás como o caranguejo?

Sexta-feira, Abril 01, 2011

Postal de Luanda (3)

5,793

Fixar este número. Foi a taxa de juro a um ano, conseguida hoje pelo Estado para colocar dívida pública. Não é tão mau como os "mercados" tem indicado, mas é já a valores insustentáveis. A única dúvida é saber quem comprou; amigos nossos ou os nossos bancos?

No primeiro caso, eles lá sabem. No segundo, estão a lixar-nos duas vezes. Enfim...