quinta-feira, março 31, 2011

15 dias...

... Foi o tempo necessário para o Senhor Presidente confirmar o que todos já sabíamos, praticamente desde que o Senhor Primeiro Ministro decidiu que não precisava de informar os demais partidos políticos, o Parlamento e o próprio Presidente de que tinha negociado um novo PEC com novas medidas restritivas e austeras com os seus colegas europeus.

Pelo meio ficamos a saber que não era conveniente tentarmos apurar com rigor quanto é que é o total da dívida pública que teremos de pagar, se quisermos ser sérios. Aparentemente, não é conveniente nem para "os mercados", esse papão neo-liberal que anda empenhado em nos fazer pagar os erros passados, nem para as "instâncias europeias", esse camarada que nos pode safar do "FMI", com a pequena condição de não assumirmos que os andamos a enganar há anos e, portanto, de não lhes dizermos o que eles já sabem: a dívida é muito maior do que andamos para aí a dizer a nós próprios!

Sinceramente, esta classe política que temos permitido que nos governe não merece a mínima consideração.

Um país sem saída

O título é roubado ao artigo de Nuno Garoupa no Jornal de Negócios. Nele o autor dá exemplos de como outros países resolveram situações de impasse politico em comparação com o nosso. O melhor dos exemplos é o canadiano. E dessa forma percebemos como nunca chegaremos a lado nenhum. Ao dar nota desta comparação o meu interlocutor foi rápido na análise: "é para dar tempo a tirar uns boys e a nomear os outros". Pois deve ser mesmo assim.

Aqui fica um excerto:
"Saída à canadense: o governo minoritário do Canadá caiu depois da aprovação de uma moção de censura na mesma semana que o primeiro-ministro português se demitiu. O Canadá não está no abismo económico em que está Portugal, mas terá eleições a 2 de Maio. Portugal um mês mais tarde. São umas regras constitucionais absurdas, feitas por quem não entende o custo económico e social da incerteza política ao longo de 55 dias, que apenas servem os interesses políticos instalados e que ninguém quer mudar de uma vez por todas."

Cavaco falou e não disse nada

Ou pelo menos não acrescentou nada ao que qualquer repórter tinha dito antes.
A única dúvida era saber se as eleições seriam a 29/5 ou a 5/6.
Optou por esta última data, segundo disse, para dar tempo de preparação!?
Assim se perderá mais uma semana em gestão, agora do tipo pastilha elástica.
Por outras palavras, fez o que teria feito outro presidente qualquer...

Cala-te e come...


Esta fresca notícia sobre o déficit de 2010 revela uma vez mais a qualidade dos nossos governantes. Para ser franco, eu nem sequer neste número de 8,6 % acredito. E acho que tenho pelo menos o direito de desconfiar que a coisa é ainda pior, pois num país cujo Tribunal de Contas se resigna a afirmar que não consegue saber, depois de estudos e esforços, quantas fundações cá pastam, é legítimo e saudável não acreditar numa única palavra das autoridades.

Consta que o ainda líder da oposição se propusera fazer uma auditoria às contas do país a fim de se esclarecer a situação em que estamos. Rapidamente de Bruxelas lhe mandaram o recado de que nem pensar nisso era bom. Ou seja, estes ‘democratas’ de aviário, comam eles milho alfacinha ou couves de bruxelas, acham que a verdade é um luxo indigesto para o povo, apesar de ser este que teria de patrioticamente se esmifrar para lhes pagar as asneiras, as mentiras e as aldrabices.

Quousque tandem...?

Hotel Intercontinental - Porto Palácio das Cardosas


















A convite da Porto de Ideias, o mundo dos blogues teve oportunidade de conhecer hoje um dos segredos mais bem guardados da cidade até ao momento: o interior do Hotel Intercontinental – Porto, Palácio das Cardosas, localizado em plena Avenida dos Aliados e no centro histórico do Porto, num dos quarteirões piloto identificados pela Porto Vivo, SRU. Podemos garantir que, pela amostra do que vimos, não desmerece da imponência da fachada do palácio, nem irá defraudar as expectativas que os portuenses colocam na recuperação de um dos seus mais emblemáticos edifícios. Não vimos tudo, muito ficou reservado para a inauguração, mas o que vimos, e aquilo que lemos no dossier com informação que nos foi entregue, faz-nos estar optimistas e acreditar que o Hotel Intercontinental vai contribuir, e muito, para o desenvolvimento da região e para o renascer da baixa. Gostámos da sala reservada ao Café Astória que irá funcionar integrado no edifício e aberto ao exterior na esquina em frente à estação de S.Bento. Tivemos pena por saber que não foi possível a recuperação do que quer que fosse do antigo palácio por antes ter sido destinado ao comércio e à actividade bancária, o que descaracterizou o seu interior, mas admirámos o traço do seu arquitecto e a decoração de Alex Kravetz, na grandeza da recepção e do bar principal, nos corredores e nos espaços que visitámos, e gostámos muito de saber que todo o trabalho de estuques, de madeiras e artesanal são nossos (além de que nos disseram que o hotel criou 75 postos de trabalho directos o que é sempre boa noticia nestes tempos de crise). A vista dos quartos sobre a Praça, mesmo através da tela de protecção das obras, é soberba, os espaços são fantásticos, e estamos ansiosos por ver este Intercontinental – Porto, Palácio das Cardosas, de portas abertas à cidade e aos seus visitantes. Uma palavra ainda para a gentileza, simpatia e dinamismo da Directora Geral do Hotel, Pilar Monzon, que nos recebeu de uma forma extremamente calorosa, desejando ao “seu-nosso” hotel as maiores felicidades.

P.S. Não sou uma fotografa “pro”. Sou apenas uma fotografa empenhada. Fiz o que pude…:)

quarta-feira, março 30, 2011

SOCORRO, alguém que nos acuda!

Este meu post é um pedido de desculpas, em primeiro lugar.

Acabo de assistir atónito ao "Negócios da semana" na SIC. Estiveram presentes o Juíz jubilado do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, e o auto-demitido Dr. Avelino de Jesus, da Comissão de Análise das Parcerias Público-Privadas. Recomendo vivamente a quem não viu que o procure nas páginas de internet da SIC. E recomendo a quem tem dinheiro que o tire dos bancos portugueses.

O Dr. Avelino de Jesus terminou o programa afirmando, serenamente, que não há qualquer dúvida que Portugal não vai poder pagar toda a sua dívida. Até aqui, de acordo, eu próprio já o tinha afirmado.

O PROBLEMA É QUE ELE AFIRMOU, SERENAMENTE, QUE NÃO PODEREMOS PAGAR ENTRE 30 E 50% DA DÍVIDA ACTUAL.

Perante isto, resta-me pedir desculpas aos meus eventuais leitores. Estive, até àquele momento, a navegar num reino, perdão numa república imaginária que pensava ser a minha. Não é. Com muita pena, perante o que esta nova realidade significa.

Em segundo lugar, quero gritar que o REI VAI NÚ. Perante isto, perante os números que os dois participantes avançaram ou deram a entender que ainda pairam sobre nós, só resta uma conclusão:

TEMOS SIDO GOVERNADOS POR INEPTOS, ALGUNS DELES CERTAMENTE CRIMINOSOS.

Já não há mais nada a salvar. Apenas temos que assumir que fomos enganados, EXIGIR URGENTEMENTE A INVESTIGAÇÃO E EXPOSIÇÃO DOS MONTANTES REAIS DA DÍVIDA, incluindo tudo quanto sejam empresas da orla do Estado.

E pedir, humildemente, SOCORRO, a quem tiver a bondade de, ainda, nos querer socorrer. Sem quaisquer condições. Digam o que querem, como querem, quando querem, que a gente só pode agradecer. Comprem-nos, ocupem-nos, façam o que acharem que deve ser feito. Nós, pelos vistos, não temos capacidade para nos organizarmos.

É possível um Portugal melhor. É. Mas só se houver alguém, fora de Portugal, que queira.

Aquecendo

Apesar da chuva que teima em manter-se por cá, a coisa politica vai aquecendo e promete virar fogueira mesmo. Amanhã teremos um conselho de estado que demorou 1 semana para ser reunido. Espero que numa situação de guerra essa gente consiga reunir-se mais depressa um bocadinho. Mas diga-se em abono da verdade que a demissão de Sócrates só não é um caso de guerra como pelo contrário nos deixa a todos, ou a quase todos, em perfeito delírio. Mas voltemos ao aquecimento gradual que vamos sentindo. Sócrates prepara os canhões todos. Já se percebeu que vai jogar oos trunfos todos que possa ter e usar os torpedeiros todos. Santos Silva sentir-se-á na sua praia e até Jorge Lacão vai parecer um forcado. Por seu lado Passos Coelho continua a disparar umas vezes bem outras nem por isso. E se não calam o Relvas então é que os tiros nos pés aumentam. Paulo Portas tem conseguido manter-se longe do fogo cerrado e dia após dia vemos algumas das propostas do cds serem aprovadas. Ainda ontem foi o acordo feito com as Misericórdias para consultas e cirurgias que era uma velha ambição do CDS. Só que infelizmente a memória das pessoas é curta. E como tal não se vão lembrar do trabalho do CDS nem se vão lembrar das mentiras sucessivas com que o PMinistro nos andou a enganar durante estes anos todos. Pelo contrário ouço comentários de pena pelos inúmeros sacrificios que Sócrates fez pela pátria. E sacrificios que só ele podia ter feito pois era o escolhido, o deus todo poderoso. Não há saco como diria Lula.....mas como também vem com o discuros ensaiado com o seu amigo Pinto de Sousa.... Só falta mesmo o alucinado da Venezuela vir cá de novo para comprar qualquer coisita. Prevejo por isso 36 dias de temperaturas elevadas e jogadas baixas.

Só faltava esta

http://video.ft.com/v/865918178001/Brazil-to-annex-Portugal-

Pagar ou não, eis a questão

Pelos vistos já não sou o único a achar que não devíamos pagar tudo o que o actual regime nos fez ficar a dever - ou prometeu que ficaríamos a dever, como no caso das PPP.

Barry Eichengreen, considerado pelo Economist um dos mais importantes economistas do pós-crise financeira, afirma-o aqui no Público.

Pela minha parte, penso que devíamos começar por renegociar todas as PPP, o que implica explicar aos bancos financiadores das mesmas, e às empresas financiadas, o que é que não vamos pagar, em que novos prazos o vamos fazer e a que novos juros o aceitaremos, depois de termos repartido melhor os riscos envolvidos; é que sem partilha de risco não há PPP verdadeira, como bem tem sublinhado o Tribunal de Contas.

Além disso deveríamos aproveitar o próximo recurso aos fundos europeus (e ao FMI) para reduzir parcialmente a dívida externa junto dos nossos credores.

Finalmente deveríamos criar impostos que discriminassem negativamente (mais impostos) a compra de bens supérfluos, por forma a reduzir drasticamente o consumo de importações, sobretudo automóveis.

Mas tudo isto só fará sentido se nos propusermos a nós próprios um programa de correcção financeira que reequilibre as contas do Estado, em primeiro lugar, e a dívida externa em segundo. Em dois anos.

Ora, para conseguirmos este segundo objectivo será necessário encontrar caminhos de crescimento económico, como o CDS bem tem sublinhado. Quanto a mim proponho já duas áreas que merecem atenção redobrada dos próximos governantes: a floresta e o imobiliário para não residentes.

Estas são áreas de potencial ainda pouco explorado; reúnem capacidade de captação de investimento e perspectivas de aumento das exportações. Se se criar um regime fiscal atractivo, poderão traduzir-se a curto/médio prazo em aumento do emprego. Dizem-me ainda que há grande potencial na exploração das reservas de lítio existentes em Portugal; parece que se andam por aí a cozinhar os negócios do costume para entregar o esquema a alguns, poucos, amigos do regime; sabendo-se que a procura de lítio tende a aumentar e que as nossas reservas são importantes, uma solução óbvia seria liberalizar esse mercado e flexibilizar o licenciamento dos projectos de investimento já existentes e em preparação.

Para já não falar da venda de património do Estado, começando precisamente pelas florestas e prédios. Ao melhor preço e não aos valores de balanço dos institutos. O que interessa é liquidez.

Enfim, há por aí muito que fazer. É preciso e ter vontade. E preparar um programa que permita explicar aos portugueses que um esforço de 2 anos poderá ser recompensado com a retoma de crescimento no terceiro ano, em condições mais saudáveis do que actualmente. Sem défice. E com a dívida externa controlada.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

terça-feira, março 29, 2011

O outro meltdown


A descida do rating dos 5 maiores bancos portugueses, entre os quais a própria Caixa Geral de Depósitos, é um aviso muito sério para o que se prepara. Os testes de resistência que foram feitos há tempos foram feitos com tal profissionalismo e independência que vai haver outra ronda de testes de resistência para tentar evitar mais fugas radioactivas desse cancro financeiro em que a banca nacional se transformou.

Entretanto, vale a pena para os interessados em perceber como se chegou aqui espreitarem este video: http://video.google.fr/videoplay?docid=-2550156453790090544#

segunda-feira, março 28, 2011

Descubram as diferenças


Miguel Lume

EMBUSTE

Há que admirar Sócrates enquanto sempre-em-pé-não importa-o-quê. A espantosa habilidade que demonstra ao encenar ser a solução para o problema que é ele mesmo não é para qualquer um. Notável, sem dúvida, mas nefasto. O sucesso de Sócrates neste teatro é bem revelador das deficiências e fragilidades de Passos Coelho e o tempo parece não correr a favor deste. Não vamos lá. A única esperança que tenho é que exista um resto de decência e de vergonha no PS – sou ingénuo e crédulo, bem sei, mas porventura é o desespero - e que alguém apeie Sócrates e o ajude, tranquila e rapidamente, a ir para casa.

Ainda há boas notícias

O Pritzker 2011 foi atribuído a Eduardo Souto Moura.. Uma boa notícia, nestes dias de céu nublado.

domingo, março 27, 2011

O FMI e Portugal

Confesso que sempre me baralhou esta relutância da nossa classe política em recorrer ao FMI. Não tanto pela relutância em si, mas antes pelo consenso que parece reunir.

De facto, o recurso ao FMI, ou ao Fundo Europeu que é a mesma coisa com ou sem participação do FMI(que, diga-se, é a instituição com mais experiência neste tipo de situações), é uma válvula de escape que se impõe quando os Países chegam a situações de endividamento tal que começa a ser provável que não consigam financiar as suas necessidades monetárias e financeiras. O anormal, portanto, não é o recurso ao FMI; anormal é o percurso anterior que conduz à necessidade de recorrer ao FMI.

No caso português, na minha humilde opinião, é duplamente anormal. Primeiro pelos esquemas de desorçamentação a que recorremos há anos, para "fingir" que temos uma situação orçamental equilibrada ou a caminhar para isso, num processo em tudo semelhante à fraude grega, embora conduzido de forma mais elegante e menos descarada. Muita gente sabe e muita gente fala, há anos sublinhe-se, que as dívidas de CP, Refer, NAL, NAVE, Metro de Lisboa e do Porto, etc. etc, são de facto dívida pública encapotada, porque as receitas são essencialmente transferências do OE. Em segundo lugar, é anormal, por causa do desbaratar de dinheiros públicos em projectos megalómanos que deram cabo da nossa economia e hipotecaram o nosso modelo económico. É verdade que isso se agravou muito nos últimos anos, mas o problema já vem de há muito tempo. A única surpresa, no meio disto tudo, ainda é a resiliência das nossas empresas privadas que, contra tudo e contra todos, continuam a manter uma dose muito razoável de competitividade e a aumentar significativamente as suas exportações - significativamente na medida em que o conseguem a ritmos muito superiores aos do crescimento económico nacional, apesar ou contra as dificuldades de financiamento. Tirando o sector financeiro, obviamente, que engordou a financiar as PPP ao ritmo das ilusões oníricas dos nossos governantes e o consumo dos particulares, bem entendido, ao ritmo da incompetência e incúria dos responsáveis do Banco de Portugal que, aparentemente, não perceberam que mais tarde ou mais cedo os juros subiriam, nem anteciparam as dificuldades ou, ao menos, o risco de dificuldades orçamentais que agora nos afogam, nem muito menos se preocuparam em separar trigo de joio, nem mesmo quando a actividade bancária roçou a mafiosidade e a criminalidade...

Por tudo isto e para pôr um fim a isto tudo é que me parece fundamental que o País recorra rapidamente ao FMI (= Fundo Europeu). Sem despudor e com humildade. Ao menos para nos virem os estrangeiros dizer o que nós não queremos ou não sabemos assumir; como este senhor do banco central austríaco que afirmou sem hipocrisia que "faz sentido económico Portugal recorrer ao FMI" (ver aqui no Sol). Claro, na medida em que o juro a pagar seja menor do que aquele que o Estado possa conseguir nos tão mal afamados "mercados". Infeliz e brevemente o veremos, já em Abril.

Por tudo isto e para pôr um fim a isto tudo, é que não compreendo as movimentações actuais da nossa classe política para tentar "tapar o sol com a peneira" e não falar do verdadeiro buraco português, da sua verdadeira dimensão, ou sequer do desejo de o conhecer. Folhear o Expresso desta semana foi esclarecedor. Não me parece democraticamente correcto, nem formalmente admissível. Democraticamente, porque o Povo, neste caso os contribuintes mais do que os eleitores, têm direito a conhecer a realidade. Formalmente, porque quem ambicione a chegar ao Governo tem o dever de expôr e conhecer a verdadeira situação.

E as autoridades europeias que se lixem; se não quiseram ser exigentes no passado, que aguentem agora com as consequências da respectiva incúria. E até é melhor que o façam já, se querem realmente evitar que a situação venha a contaminar a Espanha - o que duvido que ainda seja possível.

Mais uma vez arriscamos a pagar um preço alto para defender a honra de uns senhores que não a tem. Se tivessem não tinham deixado o País chegar até aqui. Esperemos que alguém tenha coragem para o fazer. Esperemos que seja o CDS, e a breve trecho, porque se não fôr mais ninguém será - à esquerda populista e trauliteira isso não interessa, porque pode implicar mais sacrifícios e mais privatizações; o que, aliás, me parece inevitável. Como dizia a minha Avó, "vendem-se os anéis para salvar os dedos". Neste caso os anéis são, ou deviam ser, todo o património do Estado que não esteja directamente ligado à soberania (e mesmo aí, se calhar ainda há coisas a vender) e a dívida decorrente das PPP que ainda se possam suspender a nenhum ou algum custo (desde que economicamente sustentável, há muitas situações em que mais vale pagar um pouco do que correr para a falência ...). Os dedos, pura e simplesmente, somos nós.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

sexta-feira, março 25, 2011

Cantigas

Os dias DD

Depois do dia D vivemos ontem o primeiro dos dias DD (Dias Depois).
Foi profícuo em declarações eleitoralistas que, espremidas, só me dizem que em Abrantes tudo como dantes.
Creio que parte do governo, à custa de umas viagensinhas à Bélgica (e à Alemanha), já tinha começado a perceber o problema (embora tivesse medo de o explicar).
Creio que a oposição ainda não o digeriu. Uns não o percebem realmente, outros nem sequer o querem perceber.
Curioso é que todos se estejam já a perfilar para, à imagem e semelhança de Sócrates, virem festejar a bondade e a paternidade da solução no dia em que a economia nacional exportar mais 10 caixas de sapatos que em igual mês do ano anterior.
Mas a coisa não é, nem será, de curto prazo e o processo será longo e penoso.
Dizem que as eleições devolvem a voz ao povo. Mas, nas actuais circunstâncias, que voz poderá ter o povo? O problema tem mesmo de ser resolvido e, com a necessidade de uma base alargada de apoio, nem os actores lhe será deixado verdadeiramente escolher.
E agora, Sr. Presidente, quer mesmo eleições? Olhe que estamos nas suas mãos.
Ontem, primeiro dos DD, começou por ouvir o Governador do BdP. E bem.
Hoje será a vez dos partidos. Naturalmente, já sabe que todos pedirão eleições.
Mas a questão é o que lhes vai dizer? Ou propor? Ou, porque não, exigir?
Nos próximos dias, DD também poderá funcionar como uma espécie de rating da presidência, que tanto poderá evoluir para DD+ como para DD-. Tudo dependerá apenas de si próprio.

quinta-feira, março 24, 2011

Pepitas de...latão


Um daqueles portugueses feitos no micro-ondas, sediado em Madrid, aconselha o mister Queiroz a desistir de repôr a sua reputação. Parece que a coisa o intranquiliza: ele lá sabe porquê, ou será outra confusão de bola?

O que aí vem

- campanhas sujas

- desinformação

e um povo que adora vitimas e que olha para José Sócrates como o coitado que foi acossado e que é um herói a lutar pela pátria. Não há pachorra.

O Sr. Coelho

O rapaz está-me cá a sair um falabarato!
Não é que me surpreenda mas, no presente momento, sempre esperava algum comedimento.
Nas palavrinhas, e não só...

Síria


Já se contam mais de cem mortos no país deste convidado do ano passado para o 14 de Julho em Paris: ça alors!

Tintin dans la lune


Pretender, como o diz um dito constitucionalista da Faculdade de Lisboa, que um governo de gestão pode pedir ajuda externa desde que tenha o acordo do Presidente da República, sem precisar de obter uma maioria de apoio na Assembleia da República, é caso para chumbo inapelável na cadeira de Direito Constitucional.

É que não se trata apenas de pedir um cheque, mas de negociar um conjunto de condições que o acompanham em letra pequenina. Chamar a isso um acto de gestão corrente, como se fosse um mero acto de tesouraria, só pode explicar-se, na versão benévola, como a vendetta fria por causa da provedoria falhada.

E agora, Sr. Presidente?

Acabei de ver o jornal da RTP a explicar, tim por tim, e a calendarizar os passos presidenciais que se seguem (audição dos partidos, aceitação da demissão, conselho de estado, dissolução do parlamento, convocação de eleições para 30 de Maio ou 5 de Junho).
E se Cavaco quizer trocar as voltas e dar os seus próprios passos?
Será o Presidente obrigado a aceitar a demissão socratina?
Ou preferirá obrigá-lo a uma moção de confiança?
Ou a forçar uma moção de censura?
Se o pedido de intervenção do fundo europeu estiver mesmo eminente, então não seria porreiro, pá, deixar ser a boca de Sócrates (ainda em funções plenas) a fazer o pedido e fazê-lo sair pela porta dos fundos empurrado ainda pela moção?
E se Cavaco, aceitando a demissão, optar por tentar obter deste parlamento um outro governo com uma base de apoio mais alargada, assim evitando uma vacatura eleitoral de meses (hipótese aqui já avançada pelo JAC)?
Pelo que conheço de Cavaco, ele nunca seguirá os trilhos eanistas dos governos ditos de iniciativa presidencial. Mas se o parlamento apresentar uma proposta...

Vazas sem trunfo


O PS não tem emenda. Tem o Sérginho e um tal de Lello no jogo de apontar o dedo. É só duques. Fantástico!

O Zézinho ao quadro



De repente, percebe-se melhor o que é a União Europeia: o clube da Angela.
A ainda chanceler alemã fez hoje declarações em Bruxelas inadmissíveis, a ralhar aos políticos portugueses, a prometer castigos e a dar palmatuadas.

Bem esteve o Cameron: recusou pronunciar-se sobre os problemas financeiros de um parceiro da União.

Mas o melhor foi o beijo do Berlusconi ao “engenheiro” risonho. Diz-me quem beijas...

...

Lembrei-me de ir ver o Manifesto Eleitoral da AD - Aliança Democrática, de 1980.

Está lá, naturalmente, a Regionalização.
Não sei o que será, mas parece que se respira melhor.

Quem vem lá????

quarta-feira, março 23, 2011

Soluções para a crise

Finalmente, o Governo demitiu-se.

O País pode começar agora a preparar-se para conhecer a verdadeira dimensão do descalabro. Espero que se aproveite bem este tempo de pré-campanha, que já começou, para revelar todas as dividas encapotadas que por aí andam: PPP, CP, REN, Estradas de Portugal, Metros do Porto e de Lisboa, etc., etc.

Creio que chegaremos rapidamente à conclusão de que não teremos condições para pagar tudo. E portanto, das duas uma: ou não pagamos aos nossos credores externos ou renegociamos as PPP. Ou, quiçá, talvez até tenhamos de fazer as duas.

De qualquer dos modos, será rapidamente certo que não vamos lá sem ajuda externa. Não apenas no sentido em que continuaremos a necessitar de empréstimos externos, mas também no sentido em que precisaremos de "conselhos" externos sobre as medidas a aplicar e, sobretudo, de "acompanhamento" externo da execução dessas medidas. Numa palavra, do FMI ou equivalente.

Quaisquer que sejam essas medidas e qualquer que seja o próximo Governo, passaremos tempos de muita dificuldade, provavelmente acompanhados de convulsões sociais.

É minha profunda convicção que só conseguiremos evitar desgraças se se conseguir encontrar uma forma de propor e executar medidas que sejam "justas" e possam, por isso, ser aceitáveis aos olhos dos mais desfavorecidos e dos desempregados. Esperemos que impere o bom-senso e que Passos Coelho consiga ter mão na apetência pelo poder do seu partido.

Resta-me a esperança e a confiança que Paulo Portas tem finalmente uma boa equipa ao seu lado e percebeu a oportunidade única que se lhe apresenta e ao CDS. Estou convicto que o CDS será o garante de que as "correcções" necessárias serão as adequadas. E estou esperançado que o eleitorado o vai perceber e finalmente escolher a mudança.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

A Crise Portuguesa

20h10, Dia 23 de março de 2011. Dia de chumbo do PEC 4. Governo vitimiza-se. A oposição regozija-se.

"Uma irresponsabilidade"

"Um grande dia. Um dia para a história". Ouve-se.

Na BBC World, fala-se da Líbia, Síria e do Iemen. Fala-se do orçamento de Cameron que baixou os impostos.

Sobre Portugal: A oposição não aceitou as novas medidas de austeridade, diz-se.

Espanha refere que a crise portuguesa não a afectará e o Euro desvalorizou.

A crise portuguesa inquieta a Europa.

Miguel Lume

O rosto da mentira



Ao longo da nossa história fomos atribuindo cognomes aos nossos governantes. Fizemo-lo aos Reis e com a chegada da república perdemos esse bom hábito. Mas ainda vamos a tempo de compor a história e pelo menos recuperar esse hábito em relação aos nossos governantes pós-25/4. Assim como assim lembro-me rapidamente de alguns:

Guterres o medroso
Barroso o lambão
Santana o menino guerreiro
Sampaio o destruidor de maiorias
Cavaco o pai do monstro

e claro agora Sócrates o mentiroso.

O nosso ex-PM até no discurso em que anuncia a sua demissão e onde poderia ter um mínimo da dignidade conseguiu mentir, por exemplo ao dizer que nenhum dos partidos da oposição tinha apresentado um PEC alternativo. Deve ter sido por ter abandonado o hemiciclo que não soube que o CDS apresentou uma proposta alternativa. Mas a queda para a mentira é muito grande. Até a comissão europeia já percebeu isso ao pedir informação sobre os números de 2010. Já basta! Já está!

Até que enfim

Foi-se

Uf!...

O calo de caneta

Porque há tão poucos ministros na bancada do governo?
Porque há muitos despachos de última hora a assinar.

Adivinhem quem vem jantar

Despachem-se lá, papagaios de um raio, que o Presidente quer ir jantar.

O programa segue dentro de momentos

A RTP realinhou o telejornal. Por causa dos atrasos, o Queiroz passa à frente do "engenheiro".

Declinações

Hoje esgotou-se a palavra "responsabilidade" em todas as declinações: eles foram prefixos, sufixos, formas verbais, adjectivos, complementos de modo e eu sei lá que mais. Amanhã já não haverá nas prateleiras.

Apelidos

Porque será que este Assis pensa que é um S. Francisco?

Já chega

Se ainda demoram muito mais com o falatório, estragam o timing do "engenheiro": o homem quer ir a Belém e quer abrir a campanha eleitoral dentro de 60 minutos na televisão.

o principio do fim...ou o fim do principio

Na situação em que o País se encontra um PSD com Passos Coelho a PM, sem maioria absoluta, coligado com o CDS de Paulo Portas, é um governo condenado a não chegar ao fim do primeiro mandato.
Com a agravante de que havendo mudança de Governo, naturalmente, que quem lá chegar vai-se deparar com uma realidade financeiro muito pior do que aquela que o actual Governo tem impingido.
Passos Coelho, sendo eleito, não pode mentir para encaputar os desmandos do actual governo.
Para além dos custos com a campanha, da paragem associada a um período eleitoral, das mudanças de cadeiras, das indemnizações a quem sai para entrar outro para a mesma cadeira, dos efeitos nos mercados financeiros, da instabilidade politica de um governo coligado à direita num País subsidiodependente com necessidade de enormes reformas, e do novo Governo ter de revelar as verdadeiras contas públicas...o cenário de eleições e de um novo Governo deixa-me na dúvida
será isto o principio do fim...ou o fim do principio!!!!
a bem da Nação!!!

terça-feira, março 22, 2011

O dia de amanhã

Ao que parece, a malta dos gabinetes já anda a tirar fotocópias. Ninguém sabe, ao certo, como será amanhã. E mais vale prevenir, como outros.
Na verdade estamos todos bastante hesitantes quanto ao que realmente queremos.
De Sócrates parece que já basta. Principalmente pela falta de confiança, porque nunca se sabe se aquilo que é dito é ou não verdade.
A alternativa mais evidente a Sócrates é irmos para eleições. Entretanto, será uma Primavera de agonia. Depois, lá para o Verão se verá (dizemos nós todos com um encolher de ombros). Já há muitos à rasca, mas o País não consegue livrar-se dos marcantónios que abundam, desde o CDS ao PS. É que para se ser responsável partidário é preciso ter estaleca, e muita estrutura. Se não, lá se vai o bem-comum, e o que interessa é ver o que é ou não bom para o partido. É por isso que, indignado mas pacífico, o povo sai à rua.
Aparentemente só Cavaco pode evitar isto. Não me parece impossível encontrar um nome de um independente que reúna o apoio de uma maioria no Parlamento. Tambm não me parece impossível fazer um governo composto pelos melhores dos melhores (das empresas, das universidades...), todos desligados dos partidos. Estarão os partidos interessados, em nome do bem-comum, nesta solução?
Esta maltosa, que já anda a escolher a caneta e a gravata para a tomada de posse, ficava em banho-maria mais uns meses. Será que aceitam? O País aceitava e agradecia.

segunda-feira, março 21, 2011

Um nariz contra dois ouvidos

Tenho dois ouvidos. Que ambos (ainda) ouvem.
Acabaram de ouvir gentes da oposição, no caso representantes do cds, do psd e do pcp. Foi no jornal do Sr. Crespo. E que bem falaram dos défices, das finanças, das trapalhadas socratinas, das declarações de dos Santos, da crise política à vista (ou será à bica?), etc.
Aquilo parecia música para os meus ouvidos. Ali estava o problema. Nu e cru. Ali estaria naturalmente também a solução, pois que quem assim falava por certo saberia da poda e de como implementar as medidas correctivas.

Mas também tenho um nariz (embora com dois buraquinhos, continuo a referir-me a ele no singular). E que cheira. Talvez já não do modo apurado de outrora, mas que, ainda assim, não me costuma deixar ficar mal.
Percebendo-o atento aos convidados do Sr. Crespo, no final perguntei~lhe a opinião. Torceu-se todo e disse-me:
Duvido que esta gente perceba mesmo o que está dizer!
Não obstante, continuo disposto a pagar pela alternãncia.
Mesmo que sem alternativa...

E VÃO TRÊS

Ainda nos vamos arrepender imenso desta trapalhada que a França e a Inglaterra arranjaram no Mediterrâneo.
Não fazer nada tinha imensos custos, claro, a todos os níveis do cardápio (humanitários, morais, políticos, económico-financeiros ou energéticos, o que se quiser).
Todavia, a operação em curso vai ter custos muito maiores e por tempo indeterminado.
Obama, por uma vez, tinha razão - pelo menos era isso que parecia -, ao esforçar-se por evitar que a América fosse arrastada para mais uma guerra com muçulmanos no Médio Oriente. É que os americanos têm consciência de que as guerras não são jogos de vídeo e que quando se entra numa não há forma de evitar que morra gente, civis ou militares, culpados ou inocentes, nem se sabe como ela acaba.

P.S.: Com toda esta sucessão diária de acontecimentos relevantes, cá e no mundo, fiquei perdido nas notícias e tenho uma dúvida: o Ministro da Justiça já se demitiu?

Algures num futuro (pouco) distante...

Foram anunciadas as novas medidas de contenção do défice. Os portugueses cumprem o seu dever com um certo alívio por se anunciar a Primavera.

PEC XXII - Março de 2013





Este pode ser o seu (nosso) futuro. Basta manter a tradição central...

Os mercados é que sabem

A julgar por esta notícia, ver no Público, os mercados também já perceberam que o actual Governo já não tem capacidade para fazer promessas de rigor orçamental...

Não quer isto dizer que os juros não venham a "subir" novamente até às eleições ou sobretudo depois delas, enquanto não se perceber que condições há para fazer novo e diferente governo e qual o programa desse governo. Bem pelo contrário.

O que quer dizer é que a confiança na economia de Portugal e na capacidade de pagar a dívida já não está ligada à sorte deste Governo.

Razão tem Paulo Portas ao perceber que estão reunidas condições únicas para uma verdadeira mudança em Portugal. E que, à Direita, só o CDS reúne potencial para capitalizar essa mudança.

Adivinham-se tempos extraordinários, para o País, para o CDS e para Paulo Portas. Finalmente.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

E o CDS quer.

Ridículo

18 segundos... o tempo que Marcelo demorou a comentar na TVI o Congresso do CDS.

No fundo, todos os jornalistas, televisões, jornais e rádios que didicaram horas a este assunto, não percebem nada.

Ele não sabe, mas já não conta para nada.

Crucifixes allowed in public schools

"European Court of Human Rights: crucifixes in public schools do not violate freedom of religion of atheists".

Isto segundo a European Dignity Watch que "was founded in early 2010 and is a non-governmental and non-profit organization based in Europe’s capital Brussels".

Que acrescenta ainda:

"Today, the European Court of Human Rights (ECHR) Grand Chamber announced its Judgment in the case of Lautsi v. Italy, better known as “the Crucifix case". The Court has reversed, by fifteen votes to two, the Judgment of the Second Section in 2009 where the Court held that the presence of crucifixes in public schools involved a violation of the rights protected by the European Convention of Human Rights.

In its 2009 judgment the Court stated that, by displaying a religious symbol like the crucifix in public schools, the Italian State appeared in the eyes of the students (especially non-believers) closer to religion than to those who did not have religious beliefs, which involved, in the opinion of the Court, a kind of indirect support for religion, and therefore a breach of its duty of neutrality. Consequently, the ECHR observed that the Italian Republic had infringed the rights of the applicant, Ms. Lautsi, to ensure her children an education "according to [her] religious and philosophical convictions" (Article 2 of Protocol no. 1 to the Convention), concerning the right to freedom of thought, conscience and religion (Art. 9 of the Convention).

The Court had reached this conclusion in 2009 with a 7 to 0 vote despite having stated expressly that the crucifix has a cultural significance as well as a religious one, and that it was evident that its display in the Italian classrooms was not an attempt at religious indoctrination by the State.

In 2009 the Court also found that the Italian education system ensured pluralism and avoided indoctrination. It was clear that the Italian system had great respect for the rights of parents to give their children an education according to their own convictions. Similarly, the ECHR found that there are a variety of positions in the 47 Member States of the Council of Europe, as to how they understand the principle of the secular character of the State and its practical implications in order to reach the necessary neutrality".

...

É essencial para a democracia a existência de uma alternativa a cada governo.

Não percebo, por isso, esta ideia de que deve haver um governo PS-PSD-CDS. Deve ser (em versão eufemística) a "suspensão da democracia" de que falava MFL.

Acho que um acordo tão alargado é útil para uma revisão constitucional, mas nunca para formar um governo. É importante - é até fundamental - que em cada momento possa existir alternativa a quem governa. A alternativa (ou a alternância) não pode ficar entregue ao Bloco e ao PC.

domingo, março 20, 2011

Congresso CDS

O CDS está mais forte!

O Congresso que ontem começou e que hoje encerrou foi um encontro muito concorrido, como aliás se esperava.




"Morreram" as directas e saíu reforçada uma alternativa.




Cerca de 20% dos votos no "alternativa e responsabilidade", com o reforço da presença e intervenção dos seus membros em vários órgãos do partido, CN, CPN e CJN, no quadro político actual, é muito significativo!



E agora, pá?
CDS, já!

Um investimento no nosso futuro

Relativamente aos objectivos da UE da redução em 20% das emissões de gases que contribuem para o efeito de estufa até 2020, saiu um estudo (“Acting Now for Better Health” - Health Care Without Harm Europe; Health and Environment Alliance - http://www.env-health.org/a/3585 ) sobre o impacto na saúde que se sentiria na Europa se se aumentasse esse valor para 30%.



Em suma, falam numa redução nos custos da saúde pública anualde entre 10,5 a 30,5 biliões de euros a partir de 2020, que equivale a uma poupança de entre 21 a 60 euros por habitante da EU27 por ano. Note-se que a Comissão Europeia estima que a passagem de 20% para 30% custaria cerca de 46 biliões de euros por ano em 2020. Ou seja, a poupança anual só nos serviços de saúde seria de até dois terços do investimento inicial. Só em serviços de saúde!



Não estamos a ter em conta os empregos nem os negócios gerados pelas novas tecnologias associadas à tentativa de atingir estes objectivos, nem o impulso para o futuro tão desejado na nossa economia moribunda. Fala-se tanto na dívida ridícula no Serviço Nacional de Saúde – de certeza que uma redução destas na procura do SNS (devido à melhoria geral da saúde dos cidadãos) seria mais que bem vinda.



Não será este o ou um dos caminhos para sair da crise? Claro que se está a falar de ainda mais investimento, mas é isso mesmo: um investimento no nosso futuro.
KITO

Sócrates antecipa-se a Coelho

Escrevo pouco depois do anúncio do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos de novas (velhas) medidas de austeridade. Sócrates, o animal feroz, lançou novo PEC, o quarto. Não avisou o Presidente Cavaco. Passos Coelho, este, só foi avisado no último minuto.



Sócrates está pronto para eleições antecipadas. Contra Cavaco, contra a Oposição, contra o FMI... o PS, esvaziado, segue o líder.



Facto da vida real: Portugal é o quinto país, no mundo, com maior probabilidade de cair em bancarrota. À frente só a Grécia, Irlanda, Venezuela e o Paquistão.



Quanto ao PEC... com certeza que não será o último. Depende da Europa.



Miguel Lume

Detalhes

Sanguina de Francesco Guardi - séc. XV

sábado, março 19, 2011

Mais do mesmo


A mudança tem sempre resistência. É assim em todos os sectores da sociedade portuguesa e com mais impacto quando falamos de mudanças governativas. Durante os últimos tempos só ouvia vozes a clamarem por mudança, que era preciso mudar o rumo, que assim não dava, que Sócrates estava a levar Portugal por maus caminhos. Mas estávamos na fase do "agarrem-me se não eu bato-lhe". Agora que se sente no ar a mudança e que passamos à fase de bater mesmo é ouvi-los. Que é perigoso, que quem vier não pode fazer diferente... Mas o que mudou desde então? Estamos pior e acima de tudo sem rumo e sem horizontes risonhos. Claro que além da mudança de caras é preciso mudar politicas e acima de tudo mudar mentalidades, mudar paradigmas; em suma mudar mesmo de vida. Assim como estamos já basta.

sexta-feira, março 18, 2011

O PRINCÍPIO DO FIM OU MAIS UMA CENA?

Terei percebido mal ou ontem António Costa na Quadratura do Círculo posicionou-se finalmente como sucessor de Sócrates? Nunca antes alguém no PS tinha dito o que ele disse, cheio de razão, sobre o querido líder e o seu governo.

Postal de Luanda (2)

Entretanto, um gole de vinagre


É óbvio que Já Basta deste primeiro e deste governo. Em boa verdade, Já Tarda.
Cada dia que passa em que o Estado e o país estão entregues a estas pessoas é um dia irremediavelmente perdido. Pior, é um dia em que tudo se agrava ainda mais.

Desenganem-se, todavia, os arautos do bloco central que insistem em que deveria haver um acordo alargado entre, pelo menos, o PS e o PSD para que o país encontre outro rumo. Importa deixar claro que qualquer governação partilhada com o aparelho socialista está condenada ao fracasso visto que aquela agremiação perdeu toda a respeitabilidade. Estamos onde estamos não só pela incompetência destes governantes mas também pela conivência, silêncio, omissão e acomodação dos que naquele partido foram lavando as mãos no caso.

Essas ditas consciências do tipo Vitorino, taparam o nariz mas não fecharam os olhos. São os aproveitadores do regime, do sistema e do partido. É um clube contaminado até ao tutano.

Por outro lado, os mecanismos e as teias em que se move o PSD não são muito diferentes dos que transformaram o PS na grande drangheta que é hoje. O PSD do consul da Bielorussia, do consul da Rússia, dos negócios dos Angelos, das cunhas do Martins, dos empreiteiros manhosos e de banqueiros como os que nos deixaram o BPN, o BPP e os que mais se verão, não nos dá quaisquer expectativas de real mudança.

Este cenário deprimente em que para não morrermos enforcados corremos o risco de morrer envenenados deve merecer-nos alguma reflexão, pois aponta afinal para a evidência de que o verdadeiro problema é o próprio regime e o seu leque partidário.

Mas vamos por etapas e sacudamos a rataria que para já entrou na dispensa. Se para tanto e entretanto tivermos de beber o cálice, pois que seja, confiando que seja apenas vinagre e não cicuta. E preparemo-nos para criar a verdadeira alternativa. Porque de facto, Já Basta!

quinta-feira, março 17, 2011

Limpem as mãos à parede



Artilharia, tanques, aviões e helicópteros, parte dos quais foram fornecidos pelos ocidentais ao Kadhafi, preparam-se para dentro em breve bombardearem Benghazi, onde vive cerca de um milhão de pessoas.

Entretanto, a ENI, empresa italiana de energia, já pede publicamente que a União Europeia ponha termo às sanções contra o regime do Kadhafi. Outros do género pedem-no em privado.

Há semanas que as democracias ocidentais palram sobre a eventualidade de impôrem uma ‘no-flight zone’ no céu líbio, mas, felizmente para os papagaios, o tsunami japonês afogou essas conversas.

No Barhain, as tropas do al-Kahlifa varreram a tiro os manifestantes da Praça da Pérola, prenderam os líderes da oposição, cercaram o hospital e aplicam a declaração de um estado de emergência em que vale tudo. Para que não lhe falte coragem, o monarca chamou 2 mil sauditas que permanecem em stand-by. Face a tudo isto, a administração Obama perdeu o pio, pois receia perder a base naval. Quanto à União Europeia, nem vale a pena mencioná-la: fantasmas não merecem referência.

A estes detalhes chamo eu “radioactividade”. O Ocidente, mais as suas ladainhas sobre os direitos do Homem, está em vias de ficar contaminado durante décadas por esta vergonha. Há quem respire de alívio em Luanda, em Damasco e em Teerão.

Foi há 50 anos

Ainda a geração à rasca...

- Oh meu neto, com a tua idade eu já trabalhava

- Oh avô, com a tua idade eu ainda vou estar a trabalhar

quarta-feira, março 16, 2011

Incompetência


Ser incompetente e estar no governo não são contraditórios entre si. Muitas das vezes infelizmente são sinónimos. E neste governo é por demais evidente:

- Ministro das Finanças não controla conta nenhuma e engana-se em tudo que são previsões e cálculos

- Ministro da Justiça permite que a sua mulher seja beneficiada e agora manda averiguar

- Ministro da Economia é tão incompetente que nem damos por ele

- Ministro da Agricultura idem

- Ministra da Educação continua a andar aos "s pela rua acima ao som de Lou Reed" mas nada resolve

- Ministro dos Negócios Estrangeiros andou a fazer amigos pelo mundo que agora estão na mó de baixo (tirando o kadhafi que vai fazer estragos no seu país o que infelizmente já era normal mas também nas democracias europeias e Sarkozi foi o primeiro)

os restantes não faço ideia se ainda estão em funções ou se foram de férias mais cedo.....

Não chega para se dizer "Já basta"? numa empresa dava para despedimento com justa causa. E falta o líder supremo....

"Al Shamikha"



A Al-Qaeda lançou uma revista feminina chamada “Al-Shamikha” – em português, "Mulher Majestosa" – considerada a versão jihad da Cosmopolitan. Os conteúdos seguem uma linha editorial bem definida: lembra-se às mulheres que devem casar com combatentes, entrevistam-se candidatos a mártires e viúvas de bombistas suicidas e fornecem-se conselhos de beleza e estética definitivamente muito úteis a quem usa a cara sempre tapada. Penso que não inclui nenhuma coluna sobre direitos humanos, protecção contra vilência doméstica, virtudes da igualdade, ou outros assuntos de menor relevância....

A excepção confirma a regra?

Conheci em tempos um engenheiro que, com o seu sentido prático, sempre começava a ler uma nova lei pelo fim, ou seja, pelas excepções. Como dizia, as leis eram feitas por políticos e estes costumavam guardar no final algumas excepções para si próprios ou seus interesses. Justificavam-se estas com uma máxima que alguém inventara e segundo a qual era a excepção (ou será exceção?) que confirmava a regra.

Porém, em tempos de necessidade de forte redução do défice, fazer excepções na distribuição dos custos/sacrifícios, não é confirmar qualquer regra. É, tão só, matar a regra. E matá-la, desde logo, nos seus fundamentos, criando um sentimento de injustiça social e de revolta.

Com os orçamentados cortes salariais foi um ver se te avias na coisa pública para tentar (e por vezes conseguir) tornear a questão, desde o homenzinho dos Açores até aos meninos da TAP. Todos estes malabarismos só nos dizem que, na gestão da coisa pública, continua a não existir a consciência do problema e a pensar que tudo deve continuar a ser resolvido pelos outros e com a receita do costume (+ impostos, - pensões).

Houve até um Juiz que veio a público declarar que a medida só seria aceitável se igual corte fosse feito nos salários dos privados. O pobre coitado ainda não percebeu que o salário da pública se inscreve do lado da despesa e o da privada do lado da receita.

Com as SCUT a coisa ainda é mais gritante. Primeiro a factura veio só para o Norte. Depois fizeram-se umas excepçõesinhas um função da residência, qual poeira para os olhos dos nortenhos.

Agora foram os transportadores. Bastou um pequeno businão e pimba, mais umas tantas excepções. À custa do nosso dinheiro. Como sempre, pois claro.
A ver vamos o que a oposição hoje dirá!

Onde está o sentido de estado, e de responsabilidade deste governo? Quando os políticos irão começar a ter algum respeito pelo nosso dinheiro e cuja gestão lhe confiamos?
A ver vamos também quem vai pagar o IVA dos pobres golfistas...

terça-feira, março 15, 2011

Mais vítimas do tsunami


Imaginemos que amanhã o « nosso » primeiro, atrapalhado com as manifestações de desagrado, pedia aos espanhóis que mandassem uns tantos batalhões num total de mil soldados entrarem por Vilar Formoso, para o ajudarem a reprimir as tais manifestações.

Foi o que fez o Rei do Bahrain, ao mesmo tempo que declara o estado de emergência por 3 meses, ou seja, proibindo partidos, reuniões, manifestações, e pondo as forças militares a disparar contra o povo, nomeadamente os militares sauditas que chamou. À pala do tsunami japonês, que absorve todas as atenções, há poltrões que julgam passar despercebidos.

Esperamos a reacção europeia, bem como a americana, a este assomo democrático de sua Excelência al-Kahlifa (o figurão do canto).

Crise, disse ele...

Nesta ralhação que por aí vai, PS e PSD acusam-se mutuamente de estarem a abrir uma Crise Política. Sócrates faz o seu quarto apelo ao sentido de responsabilidade e de estado do PSD. Desta feita este arma-se em amigo do Zé e diz-lhe que, por ora, JÁ BASTA!

Mas afinal uma mudança de homens ao leme é uma Crise ou algo que faz parte das regras da democracia? Não é a nossa democrática constituição que prevê moções de censura e de confiança, dissoluções parlamentares e eleições antecipadas? Ou tais mecanismos só quando accionados com presidências socialistas não são apelidados de Crise?

Em crise de política, e de políticos, vivemos nós há muito, de tal modo que talvez já só uma tal "Crise Política" nos permita resolver a Crise Estabelecida.
Ademais, mesmo não se tendo manifestado, este governo, além de à deriva, também de há muito que já anda À Rasca.

Quanto ao sentido de estado e de responsabilidade do PS (se é que lhe poderá ser igualmente pedido), a ver vamos como termina a treta dos transportadores que por aí também anda...

Basta!



Não há nada que este Governo não consiga piorar. Já chega!

Este é o momento

Não gosto de consensos fúteis para enganar tolos. Na política o confronto é essencial a uma vida democrática saudável, por isso não defendo pactos assentes no pragmatismo financeiro.
Creio que o estado a que chegamos, muito se deve a este tipo de acordos muitas das vezes sem qualquer razoabilidade.
Quem é escolhido pelo povo para governar, deve faze-lo com as condições que esse mesmo povo lhe conferiu, com ou sem maioria.
Dito isto, devo dizer que neste momento não vejo alternativa a que todos os partidos que não apoiam o governo se unam na destituição do mesmo.
Deve ser este o momento.
No PS as pessoas de bom-senso deixaram de ter voz.
No PS as pessoas que pensam pela sua cabeça escapuliram-se para não serem associadas a esta gente.
No PS já perceberam que os portugueses não lhes perdoarão estes anos irresponsáveis.

Este é o momento.

O momento certo

Na primeira página do Público on line pode ler-se: Fuga radioactiva aumenta estado de alerta. As explosões na central nuclear de Fukushima deram origem a níveis de radioactividade que poderão afectar a saúde humana, admitem as autoridades japonesas. O espaço aéreo em redor da central de Fukushima foi encerrado. Seguem-se seis links todos eles relacionados com a crise nuclear no Japão causada pelo sismo. São eles:
• Nova explosão na central de Fukushima
• Terceiro reactor de Fukushima com problemas
• Greenpeace critica falta de transparência em crise nuclear
• Projecto nuclear português pode ser reapresentado(http://www.publico.pt/Mundo/projecto-nuclear-portugues-pode-ser-reapresentado_1484747)
• Um sismo destes no Leste europeu seria "catástrofe nuclear mundial”
• Infografia: Alerta nuclear no Japão .
Um destes links parece-me revelar um sentido de oportunidade impressionante. Qual é? Qual é? É o português, pois....Num momento em que estão a ser evacuadas milhares de pessoas das suas casas e em que são detectadas radiações a centenas de quilómetros de distância das centrais em alertas máximos de segurança, é a altura certa para falar das vantagens do nuclear....só cá, mesmo....

Cartaz na manif de Sábado, no Porto

Pec 4 - Povo 0

Grande "comichão"


Já há a primeira demissão. E só à 3 meses foram nomeados. Está bom de ver que não ia funcionar. Será que funciona alguma coisa em Portugal?

O rosto da mentira


Na TVI está a dar um filme "Rosto da mentira" de seu nome. Lembrei-me logo daquele último episódio que passou às 8 horas em todos os canais de televisão e rádios deste país.

Ali ficou claro que Sócrates vai esticar a corda até ela partir e de preferência fazendo o papel de calimero em todo este processo. Os dados estão pois lançados para termos eleições ainda antes de irmos a banhos.

Mas graças ao decreto lei apresentado pelo CDS e já aprovado, que prevê a redução de prazos eleitorais, poderemos voltar de férias com ministros já a trabalhar.

E não vale a pena agora fazer marcha atrás neste processo. Está provada a incapacidade dos socialistas para travar a despesa pública, está provada a incapacidade socialista para gerir a causa pública. Méritos só a organizar pequenos almoços que nos saem muito caros ou a usarem empresas públicas em proveito partidário. E claro manobrar e controlar os media.

Já basta deste pesadelo.

segunda-feira, março 14, 2011

Já Basta (2)


Houve o Freeport e o pequeno-almoço com o Figo, oferecido pelo Taguspark.
Houve a PT a meter-se na TVI, mas só ele não sabia de nada.
Houve o Armando a armar-se em gestor bancário, mais os seus negócios de sucata, uns sacos de linguados e umas telefonadelas ao chefe.
Houve um canudo de uma escola fechada e de uns amigos entretanto bem arrumados.
Houve escrituras que desapareceram, primos que emigraram e tios que se esqueceram.

Houve a mentira de um Tratado que não se quiz referendar, mas que lhe deu um abraço porreiro.
Houve a mentira dos 150.000 postos de trabalho que se iam criar, mas já passamos os 11% de desemprego.
Houve a mentira de um déficit que era um tal mas que uma semana depois já era outro e bastante pior.
Houve a mentira de um PEC que nos ia salvar e era o último e já vamos no quarto.

Houve as Scuts que afinal, a norte, deixaram de o ser.
Houve o Magalhães, mais os fundos de um Fundo e uns ajustes directos que ninguém consegue explicar.
Houve processos contra jornalistas e multas contra jornais que não se conseguiram ainda comprar.

Houve alianças, sorrisos, prendas e jantares com o Chavez, o Kadhafi, o Santos, e outros ‘democratas’ do socialismo da treta e das contas em off-shores.
Foi-se a Cimpor, a Galp vai a caminho, a TAP deixará de o ser, um terço da banca é da Isabel, mas ainda resta uma catrefa de institutos, os CTT, fundações, observatórios e se for preciso criam-se num ápice mais Comissões onde se instalam os colegas ou se calam os incómodos da véspera. E entretanto a EDP espatifa os nossos vales com as retro-escavadoras do amigo Coelho e esmifra o cliente com facturas que não se explicam.
As tuteladas CP, Carris, Metro de Lisboa, Ren, Refer valem lixo mas custam caro ao contribuinte.
Houve o BPN e o BPP, mais umas mentiras de que tudo se resolveria sem despesa e umas palmadinhas nas costas do amigo Constâncio, agraciado pelos serviços prestados ao silenciar o déficit e a dívida.

Ficam-nos 400 mil milhões de dívida pública e privada.
Ficam-nos juros rondando os 8%, a prometer-nos um amanhã sinistro.
Ficam-nos um exército de parados a crescer para os 700.000.
Ficam-nos 40% de precários, de verdes e de aprazados.
Ficam-nos uma resma de impostos mais caros, novas taxas, novos sacrifícios e mais alcavalas.
Ficam-nos milhares de processos judiciais esquecidos em armários ou empilhados em caves.
Ficam-nos a Casa Pia, a operação Furacão, as fraudes, as escutas, os inquéritos, as prescrições, enfim, os berloques e as luminárias de uma Justiça que é uma vergonha e um insulto.

Ficam-nos uma raiva e uma revolta que já não se pode esconder, mas fica-nos sobretudo uma vergonha de termos tardado tanto a levantarmo-nos para gritarmos bem alto:

JÁ BASTA!

Já Basta


Tudo na vida tem um fim. E por norma esse fim chega mais rápido às coisas boas. Só que neste caso o fim deveria ter chegado à muito tempo atrás, ainda andava por cá o enganador Vitor Constâncio. Sim, já nessa altura quando se percebeu as trapalhadas e os conlúios entre Primeiro Ministro e Governador do Banco de Portugal teriamos que ter acordado para o pesadelo que viviamos. Mas não. O povo adormecido pelo encantador serpentes que é José Sócrates deixou-se uma vez mais levar. E o pesadelo foi aumentando de intensidade tendo atingindo o seu climax agora com este PEC IV. Como diz o Inimigo Público, que a brincar vai dizendo as verdades, os remakes nos filmes são sempre maus e então após o III o caos é garantido. Não me serve de consolo nem de desculpa o apontar do dedo sempre para a crise na europa, para os mercados, ou para o fim dos amigos do Dr. Luis Amado. Já basta.

Já basta de tanto malabarismo. Já basta de taticismos politicos. O futuro do país depende da coragem e empenho de todos e não do jogo de xadrez a que alguns dedicam tempo a mais. Já no passado recente o PM foi convidado por Paulo Portas a sair. Podia ter aproveitado o convite delicado que na altura recebeu. Mas não. E o país continuou a sofrer.

Mas o Já Basta que hoje aqui é lançado tem que ter muito mais do que uma simples mudança de caras. Tem que potenciar uma verdadeira reforma do estado, da economia, da justiça, da educação. Já Basta de tanta trapalhada. Eu quero acreditar que é possível melhorar Portugal.

Uma questão de ponto de vista

Guterres demitiu-se:
a) foi um cobarde
b) foi uma atitude de grande responsabilidade pois assumiu responsabilidades politicas

Barroso demitiu-se:
a) foi um sacana
b) foi uma atitude de grande responsabilidade pois o lugar era importante para Portugal

Sócrates não se demite:
a) é um agarrado ao poder
b) é uma atitude de grande responsabilidade pois demonstra ter estofo para aguentar a situação do país



é o chamado preso por ter ou não ter cão.

Way down in the hole...



O PSD prepara-se para novas eleições. Portas força, e muito bem, a votação do plano de austeridade. Portugal está a ser ajudado e fiscalizado. Camionistas ameaçam paralisar sem limite. Pensões altas vão pagar mais impostos...mas golfe pode passar a pagar só 6% de IVA....(percebe-se, como o país está prestes a cair ao "buraco"....)

PEC Postura Espantosa (perante a) Crise

Muito irrita a arrogância. A auto-convicção. A postura do nosso Primeiro Ministro. Primeiro, não havia crise. Depois passou a existir uma pequena crise sob controlo (dele, e do seu Governo, é claro). Depois, as coisas pioraram mas era transitório, coisa de somenos, resolvia-se, lá estava ele para o garantir. Começaram a chover PECs. O um, o dois, o três, e agora quer fazer passar o quatro, lá fora, que cá dentro a coisa parece não estar para graças. Mas para quê se a execução orçamental corre tão bem? Se o seu testamento político é fulgurante sempre em defesa da modernidade e dos jovens, na senda do progresso legislativo e da paridade social? O povo português é conformado. O povo português sabe sacrificar-se quando é preciso. Mas não só não se pode ignorar o limite do que pode ser imposto ao comum dos cidadãos, como bem avisou o Presidente da República, como não se pode tolerar que o sacrifício seja sempre pedido aos mesmos, aos mais necessitados e aos que têm menos voz, sobretudo quando é reconhecido que as medidas agora propostas nem sequer vão ter grande impacto orçamental. Hoje de manhã ouvi na rádio que estão a aumentar os pedidos de empréstimo nas farmácias com a redução das comparticipações dos medicamentos, prova de que não se trata de uma geração á rasca mas de um povo à rasca, que nunca ouviu um pedido de desculpa dos seus governantes ou uma explicação que fosse para a situação em que se encontra. O nosso primeiro Ministro e o nosso Governo estão a precisar de ser convertidos em pensionistas. Depressa. E com menos (muito menos) de 1500 euros por mês para ver o que é bom.

Ainda a Manif - Ida à Manif

Pois bem meus caros para que não se diga que não é verdade:


Uma família, Pais e três filhos menores (todos com mais de 4 anos), dentro do Porto, paga, para ir à baixa e regressar, de autocarro, 10 euros!

UAUUUU!!! Compre já!!!

Assim damos vida à vida, apoiamos as famílias numerosas, ajudamos o ambiente, revitalizamos a baixa e ajudamos os STCP!!!

domingo, março 13, 2011

O problema da precariedade

É ser uma bandeira que esconde mais do que mostra.

Creio que ficou claro, apesar das tentativas de apropriação de uma certa esquerda, que o que unia os manifestantes deste passado sábado não era apenas, ou sobretudo, a questão da precariedade laboral.

Se alguma coisa unia a diversidade de manifestantes, a julgar pelas imagens televisivas - e são essas as que marcam, goste-se ou não, o significado das manifestações -, era o descontentamento com um regime, no sentido de sistema, que lhes defraudou as expectativas.

É este também o meu sentimento, de há muito tempo para cá. Foi por isto que estive tentado a participar. Não o fiz, porque me venceu a sensação de que o essencial seria a reclamação de "empregos seguros"; enganei-me...

De facto as pessoas aproveitaram esta primeira oportunidade genuína, no sentido em que seria extra-partidária, para manifestar o seu desencanto com o rumo do País e, porventura mais ainda, com o estado a que o País chegou.

Estas três décadas e meia de democracia viveram da promessa do "direito ao emprego" e de uma certa tentativa de igualização, no sentido de igualdade sócio-profissional. Pediu-se às famílias para mandarem os filhos para as universidades com a promessa implícita de que encontrariam empregos seguros. Pior ainda, depreendia-se dessa promessa que era indiferente o curso escolhido; qualquer que fosse, logo se encontraria o almejado emprego seguro.

Já todos percebemos que não é assim, nem nunca será, apesar do que possa continuar a pedir uma certa esquerda.

Porém, creio, há uma fonte deste descontentamento generalizado que ainda é mais profunda e que, por isso mesmo, nos une ainda mais. A da imoralidade instalada.

Todos temos consciência de que há uns quantos para quem a coisa continua a melhorar e é cada vez mais fácil; temos consciência de que as diferenças entre uns e outros se têm vindo a agravar e por isso é que a "desigualdade" atinge níveis terceiro mundistas, em Portugal; temos a sensação que o Estado e os nossos impostos são usados para objectivos que não se percebem nem se compreendem; temos a intuição de que enquanto nos pedem sacrifícios, continuam a usar a receita fiscal para insistir nos erros e nas apostas do passado, que nos trouxeram até aqui... etc, etc.

Creio ter sido este o verdadeiro motor da diversidade de participantes nas manifestações. Sabemos que a coisa está mal, não estamos contentes com a falta de oportunidades, e sabemos que a precariedade é apenas um sinal desse mal estar.

Num certo sentido, este foi o momento em que Portugal gritou: Não sabemos por onde vamos, mas sabemos que não vamos por aí!!!

Creio que estão criadas as condições para convencer os portugueses que a solução não pode ser a de continuar a prometer "direitos" - ao emprego, à educação, à saúde, às reformas antecipadas, etc, etc. Creio que está na altura de começar a prometer um caminho.

Sempre acreditei que a democracia-cristã era o caminho: liberdade económica e regulação estatal; separação entre economia e política; reforço das instituições e separação dos "poderes"; apoio aos mais carenciados e recompensa do mérito dos mais capazes.

O congresso do CDS aproxima-se rapidamente. É altura de propor um caminho alternativo, sem hesitações e com clareza. Conscientes da dimensão dos desafios e seguros do valor das nossas soluções.

É possível um Portugal melhor. Basta querer!

Força!



Várias circunstâncias impediram-me de vir aqui expressar préviamente a minha compreensão e apoio ao grito de revolta da auto-denominada “geração à rasca”. Vir agora acrescentar o que quer que seja a esse grito das centenas de milhar que saíram à rua poderá ser visto como mais um adesivo oportunista e tardio, mas corro o risco sem embaraço.

Considero extremamente positivo que tenha finalmente havido uma movimentação de massas para dizer o seu mal-estar e frustração face a um regime que lhes não merece nem respeito nem confiança. Haverá agendas escondidas de alguns, ter-se-ão ouvido aqui ou ali palavras de ordem equívocas e lia-se um ou outro cartaz talvez despropositado, mas o essencial a meu ver foi e é esse sentimento que se espalha de que esta classe política que nos governa é, no geral, um bando de videirinhos, entre os quais se misturam aldrabões encartados que merecem ser escorraçados sem apelo nem agravo.

Uma certa intelectualidade pedante, de esquerda e de direita, balbuciou nas vésperas do dia 12 umas análises muito sábias a menosprezarem uns meninos mimados que quereriam o conforto dos pais e a segurança de outros tempos. Foi confrangedor ler essas diatribes do Sousa Tavares, de uma D. Isabel, de um Pacheco Pereira, do ex-presidente Soares, etc. etc. Tudo gente bem instalada na vida e no regime, com acesso às televisões e aos jornais, e cujas descendências, se as têm ou se as tivessem, não sabem nem saberiam o que é a precaridade e sobretudo a falta de prespectivas para o futuro.

Não faço ideia de como esta energia que desaguou nas praças portuguesas vai evoluir e amadurecer, mas é em si um dado novo que traz uma esperança inédita: a de que a nossa gente está a acordar e quer reagir. Força!

Também temos um


Ouvir o Ministro Santos Silva é recuar no tempo e no espaço e cair de queixos no iraque de alguns anos atrás. Não há maneira de se varrer esta tralha toda?

sábado, março 12, 2011

A Revolução Facebook

Das imagens que os meios de comunicação transmitem das manifestações da alegada “Geração à Rasca”, vêm-se novos, velhos, pessoas de meia idade, uns com bandeiras negras, outros com bandeiras nacionais, outros com cartazes. Mas também noto os cravos, rubros. Acolitam o desfile Garcia Pereira, o presidenciável Coelho, a Joana Amaral Dias, o jornalista Joaquim Letria e servem –lhes de coro os agora famosos “Homens da luta”. Haverá, com certeza outros. Os motivos que unem toda esta gente são diversos. Há uma clara influência das forças radicais de esquerda, mas não é só. Bastantes insurgem-se contra a dita precariedade laboral, outros contra as promiscuidades entre política e finança, há quem vergasteie no Governo. É, sem dúvida – utilizando o jargão de esquerda – uma séria jornada de luta. Luta contra tudo o que é status quo, contra o sistema que temos. É a jornada da desilusão.
De facto, muito embora o manifesto desta Geração seja muito, mas muito discutível, o facto é que há um sentimento comum que une todos quantos a ela se agregam…a causa da desesperança. Numa palavra: é a falta de futuro que saiu à rua…e é por isso que a rua vai ter futuro...
No fundo se há precariedade que tudo isto revela é a da coesão social, é a falência de um sistema que alimentou o alegado sucesso dos baby boomers. Ou melhor, a exposição da incapacidade da revolta de Abril em fornecer as respostas a um país em que quase vinte por cento da sua população é de extrema esquerda.
Portugal cresceu em Democracia e alimentou um sonho aos filhos e netos de Abril: o de que todos, todos sem excepção, cumprindo um percurso académico, adquiriam o direito a um emprego. Para a vida. É o portuguese way of life.
Tal percepção - alimentada interesseiramente, por todas as forças políticas do arco constitucional - nunca foi posta em causa. Por mera conveniência eleitoral. A pedagogia da verdade, do empenho, do mérito, jamais foi proferida. Por desnecessária. Haveria como que uma mão invisível do mercado e do Estado que tudo corregiria e a todos garantiria emprego e reforma. E a culpa de nada disto acontecer é, dizem, do sistema. E, realmente, o sistema não é boa companhia.
É por isso que esta manifestação não é um começo. É o princípio do fim de uma sociedade assente em valores que não são compatíveis com uma economia globalizada, livre e individualista. A rua é um sintoma, mas não vai ser a cura da doença. Empregabilidade, ou melhor, trabalho não se conjuga com vínculo.
Ora, como acorde de tudo isto está o hino desta geração que gosta de trautear as colcheias dos Homens da luta com os clamores de um emprego para a vida. Nos cartazes, nas palavras de ordem, na atitude, no próprio nome com que o movimento se auto designa há um misto de vulgaridade tingida de reivindicação. E esta identificação não se recomenda…e não é um bom sinal.

Manif de hoje

Os Portuenses saíram à rua. E foi bonito!

As palmas, o eco nas ruas da baixa do Porto, as varandas que passaram a ter gente (isto nas casas que ainda não estão em ruína), as frases como:

" - Liberdade não é precaridade" !!!; " Queremos trabalhar, mas não ser escravos"!!!

Valeu a pena!

As caras, não eram as do costume, eram mesmo rostos novos e isso faz falta!

Acho que isto, que só agora começou, já é história!