terça-feira, junho 30, 2009

Pina Bausch 1940-2009



Qualquer coisa que se possa dizer da morte de alguém aproxima-se quase sempre da banalidade, mas a falta de memória e de lembrança das pessoas e da sua obra também é seguramente imperdoável. Com a morte de Pina Bausch é mais um grande talento que se perde. Apetece-me citar o Valter Hugo Mãe no casa de osso: "A Pina Bausch, caramba, a Pina Bausch"!

A norte há que resistir, lutar e desafiar a morte

Rui Rio denunciou há dias que, no fundo, há verbas "europeias" que constam contabilisticamente como aplicadas a Norte, mas são destinadas a obras mais para Sul.

Nada mais grave para Portugal.

Portugal tende a ser como um barco em que quase todos fogem da Ré (Norte). Estamos mesmo a ver que o barco assim vai ao fundo. Assim é inevitável!

Daí que insista com a proposta de união de Municípios e de criação das Regiões Administrativas. Só assim ganhamos mais força.

Com as promessas recorrentes de desconcentração, aliás nunca concretizada, já não vamos lá.

Cidade Velha - Património Mundial da Humanidade

Foto de Filipe Morato Gomes, em www.almadeviajante.com
No passado dia 27 de Junho foi decidido pela Unesco a elevação da Cidade Velha (na ilha de Santiago, em Cabo Verde) a Património Mundial da Humanidade.
Foi finalmente reconhecido o papel que Ribeira Grande de Santiago teve na História e o mérito do esforço dos portugueses que ali fundaram e fizeram prosperar a primeira cidade edificada por europeus nos trópicos.
Na Cidade Velha iniciou-se a aventura de Cabo Verde e dos cabo-verdianos de "inventarem" a sua identidade e o seu destino. Na Cidade Velha começou, igualmente, o mundo crioulo que o português criou, o "Portugal sem fronteiras".
A decisão da Unesco reconhece a teia de afectos e cumplicidades luso-caboverdianas, que foi e é importante manter e alimentar.

Está explicado...

Afinal não somos mentirosos. Somos ... quentes!


Está explicado porque é que somos tão felizes. Bem hajam!

Madoff e Portugal... há lições ou não???

Claro que sim.

Madoff era um vigarista. Como todos os vigaristas, tinha ar de gente séria (senão, não enganavam ninguém), tinha amigos que pareciam sérios e movimentava-se com seriedade nos ambientes adequados para fazer as suas vigarices.

Se não tivesse todas essas aparências, Madoff teria sido fiscalizado como qualquer dos outros mortais. Mas como tinha... ninguém desconfiou, nem mesmo quem era pago para desconfiar. Nem mesmo quando houve suspeitas, houve a coragem de as perseguir até ao fim. É claro que o ambiente da época ajudava. Mas isso não invalida o principal: foi por cortesia, por falso pudor entre amigos, que Madoff não foi investigado.

Se em vez de Madoff estivessemos a falar de Oliveira e Costa, a história não vos pareceria familiar?

É esta a grande lição do caso Madoff para Portugal. Os supervisores falham, e falham mais quando estão em causa, chamê-mos-lhes assim, "colegas". E, no caso português, esse conhecimento até foi avançado como desculpa pelo próprio responsável máximo da supervisão...

Esta, para mim, é a principal lição. Serve de lembrete. A minha avó sempre me lembrou que os privilégios em que nasci eram, acima de tudo o mais, uma fonte de responsabilidade. Infelizmente, a minha avó não foi avó de muitos dos privilegiados do regime...

Há outras lições nesta história. As mais importantes prendem-se com a eficácia dos sistemas judiciais. Mas isso era outra conversa.

segunda-feira, junho 29, 2009

Frases possíveis

a) A crise aproxima-se do fim

b) O Pai Natal existe

c) A SAD do Boavista não devia nada quando deixei a presidência

d) Não é na próxima semana que vou comprar um Porche

Para estas frases há 4 autores possíveis:

1) ministro Teixeira dos Santos
2) uma das minhas filhas
3) João Loureiro
4) Eu próprio

penso que é fácil de descobrir que apenas uma é verdadeira. Qual será?

Será que somos todos felizes... ou mentirosos!?

A apresentação do "tal" estudo sobre a situação sócio-não sei que mais dos portugueses, isto é: de nós todos, enche-me de expectativa.

Hoje ficaremos a saber porque é que a maioria de nós não gosta do País em que vive, mas ainda assim se sente particularmente feliz; mais até do que a média nos países considerados no estudo.



Pode ser que seja por causa do Sol.

Ou então, é mais uma daquelas marcas simpáticas que nos tornam singulares. Do mesmo modo que o contacto com a nossa diáspora nos ensina que somos invejosos (eu sei muito bem como é que ele conseguiu...), temos pouca capacidade de trabalhar em equipa (se era isso que ele queria, não era assim que se fazia; deviam ter vindo falar comigo...), características que se juntam àquelas que nos marcam diariamente: ladramos mas não mordemos (se fosse comigo...; havia de ser comigo...), desconfiamos de tudo, sobretudo o que parece bem ou bom (sei muito bem o que é que eles querem; eles comem tudo; é só para enganar o pagode; são todos iguais) e, sobretudo, somos passivos (não votamos, não manifestamos, não nos indignamos, não nos irritamos... nunca nada é connosco - porque, "se fosse comigo...").

Nunca ou muito raramente reagimos. E até temos uma boa desculpa para isso: não vale a pena (isto já é assim desde o tempo da maria caxuxa...).

Pois bem, se calhar, em cima de tudo isto vamos ficar a conhecer mais uma marca da portugalidade. Somos mentirosos. Dizemos mal de tudo, porque isso nos dá prazer. Portanto, é tudo uma merda, mas a de lá de casa até é bem quentinha... (quer dizer, está tudo mal, mas eu cá me vou safando).

Do mal o menos, ainda há espírito para dizermos aos outros que nos sentimos bem.

Pobres mas felizes!!!
Tristes mas felizes!!!
Mal-governados mas felizes!!!

Provavelmente, é por tudo isto que nos arriscamos a ver o PSD ganhar as próximas legislativas. Para a malta poder gritar que "mudou alguma coisa, para que tudo fique na mesma"... Onde é que eu já vi este filme!?

domingo, junho 28, 2009

Rui Rio no JN

Foi com entusiasmo que comprei o JN de hoje. Tinha uma entrevista de Rui Rio. Momento de jornalismo e de democracia pluralista, pois sabemos como os dois têm andado de costas voltadas. A entrevista é boa, serena e com sinais positivos para o futuro. O meu destaque vai claramente para esta pergunta/resposta:


A região pode ter uma voz política forte sem regionalização?
O Norte tem mais peso político do que aquilo que se diz nos discursos e no combate partidário. Sempre disse que era fundamental que o presidente da Câmara tivesse prestígio no país e não apenas no Porto para reforçar o peso político da cidade. Contudo, não é só o presidente que cria esse peso político, mas um conjunto de pessoas e de circunstâncias. Já esteve pior do que está hoje.


Gostava que ela fosse sentida por todos. Estou farto de ver velhos do restelo a dizerem mal da cidade, de aves agoirentas à espera de um deslize para criticar sem nunca antes terem construído nada que se visse.

Mas se esse conjunto de pessoas existe, porque existe, tem que saber trabalhar em conjunto e esquecer capelinhas de privilégios efémeros.

ALX no i

A entrevista de António Lobo Xavier no i é reconfortante. Reconfortante não tanto pelo título que lhe deram, ficamos sem saber quando apesar de ser mais cedo do que se pensa, mas essencialmente por perceber que ALX mantêm o seu pensamento livre e atento como lhe compete e é reconhecido.
Sem entrar na politica pura e dura, mantendo o seu papel de comentador:
-indicou o caminho que o CDS tem que fazer nos próximos tempos: não entrar em euforia com os resultados das Europeias.
- relembrou o mal que fizeram os governos Durão e Santana não só ao país mas à direita
- deixou a preocupação da "lembrança" que Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas podem trazer aos Portugueses por causa desses e outros governos.
-


mas acima de tudo gostei de saber que existe quem olhe a politica com prazer e diga abertamente que esta lhe dá gozo e que não foi com sacrifício que por lá andou e que para lá voltará.

sábado, junho 27, 2009

Ninguém se demite?

Em Portugal a pouca vergonha é desporto nacional. É praticada por muitos e nada lhes acontece.
Vejamos alguns dos exemplos dos últimos dias:

a) Sócrates diz que o ministro da Agricultura já aceitou a demissão de mais um "boy" socialista envolvido em histórias mal contadas. O dito ministro, que não estava a ouvir o "chefe", afirmava que ainda não tinha falado com o tal "boy" e que o iria fazer brevemente. Como todos se recordarão entre estes dois momentos apenas existia uma parede e escassos minutos de diferença. Alguém mentia em toda a linha. Mas não há problema.

b) Sócrates garante que nada sabe sobre o negócio da PT com a TVI. Que são negócios privados, blá, blá. Pela noite mandou o líder da PT mentir na RTP 1. O tal canal estatal. Na manhã seguinte o Governo deu ordem para que o negócio não se fizesse. Afinal deixou de ser um negócio de privados. Alguém mentiu em toda a linha. Mas não há problema.~

Como se pode verificar o autor das mentiras é sempre o mesmo. Os outros apenas são peões das suas manias ditadoriais. Tristes sinais de final de ciclo.

Eleições marcadas

Finalmente terminou mais um tabú da vida politica portuguesa: estão marcadas as eleições.

Legislativas a 27 de Setembro

Autárquicas a 11 de Outubro

A partir de agora afinam-se as estratégias partidárias e muita gente começa a fazer contas à vida. É que o espectro do desemprego começa a pairar para alguns e a possibilidade de arranjarem um emprego para outros.

Cheira-me que o pelotão rosa vai engrossar o primeiro e os laranjinhas começam a prometer emprego a muitos. Falta saber se vão ter que partilhar com os azuis e amarelos. Isto para os cargos nacionais claro, pois as autárquicas pouco mudarão de cor.

Como num instante tudo muda:

Vão ser os candidatos a autarca do PSD a beneficiar do chamado efeito "vitória" do resultado das legislativas.

sexta-feira, junho 26, 2009

MAYDAY MAYDAY

O Governo e Sócrates levaram demasiadamente longe a operação de mudança de imagem pós eleições europeias e entraram em total desatino. A banda já tocava mal, é certo, mas ao menos tocava certinho, todos no mesmo tom. Agora, definitivamente não tocam todos a mesma música. O Ministro da Agricultura não sabe o que diz Sócrates e desdiz-se, revelando não ter autoridade nenhuma sobre os seus funcionários. O Ministro das Obras Públicas já não sabe o que há-de dizer, só sabe que nunca mais dirá nunca. Sócrates, o homem do leme que, aparentemente, tinha um rumo, bom ou mau, está completamente desorientado. Houve tempos em que se chamava a isto “trapalhadas”. O caso do negócio com a Prisa é esplendoroso. O Governo à 5ª feira não conhecia a sua existência e afirmava que não se devia intrometer nos negócios de empresas privadas. Na mesma 5ª feira havia quem insistisse em que não havia negócio nenhum em perspectiva. Surpreendentemente, ou talvez não, na 6ª feira o Governo veta autenticamente o tal negócio que não existia e relativamente ao qual considerava, na véspera, que não era tido nem achado.
Eu se estivesse no lugar de Sócrates teria certamente vergonha desta confusão e um enorme receio do futuro. Tendo gerado uma enorme antipatia nos portugueses, a única possibilidade de Sócrates ganhar as legislativas era manter-nos convencidos de que não havia alternativa à sua liderança. Este filme já acabou: em pouco mais de duas semanas já toda a gente viu que o rei vai nu. Sócrates ainda vai conseguir fazer de Manuela Ferreira Leite, contra todas as probabilidades, a segunda Primeiro-ministro de Portugal. É obra.

Michael Jackson

quinta-feira, junho 25, 2009

Esta devia ter sido nossa...

Que é como quem diz, do CDS.

Mas foi da Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome. No Expresso.

Seja como for, é uma ideia que é bemvinda ao debate. Particularmente quando a esquerda mais radical, a tal defensora dos direitos para todos, ganha quota...

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

quarta-feira, junho 24, 2009

Um é loiro o outro é moreno

A vida interna do PSD é rica. Os seus actores são muitos e sempre em busca de palco. Luis Filipe Menezes e Pedro Passos Coelho são uma espécie de Dupont e Dupond da história da Manuela Ferreira Leite. Menezes agora defende eleições separadas mas já defendeu na mesma data. Passos Coelho aparece sempre a defender o contrário do que MFL tenha acabado de defender. Um e outro procuram marcar terreno para um pós-qualquer coisa. Menezes tem a vantagem de ganhar eleições autárquicas, mas Passos Coelho ainda não teve oportunidade de mostrar o que vale. Mas tantas eleições podem permitir tirar a prova dos nove. Basta que MFL o convide a encabeçar uma candidatura autárquica. Aguardemos pois.

(link para RTP graças a Delito de Opinião)

A PT, a Prisa e os paspalhos que somos nós

A simples possibilidade da PT comprar 30% da Media Capital suscita uma série de questões. Diogo Feyo hoje questionou o Primeiro Ministro para saber se o Governo tinha conhecimento desta operação, e quem diz conhecimento diz autorização, Sócrates disfarçou mas negou.

Só que as explicações de Ricardo Costa na Sic Noticias sobre todo este enredo é esclarecedor. A Prisa está mal financeiriamente, o governo espanhol (socialista) "ordenou" a constituição de um sindicato bancário para ajudar a re-financiar a divida e eis que os "tugas" entram em jogo para ajudar.

O filme visto assim é assustador e demonstra bem a importância que os socialistas dão ao domínio da Comunicação Social, nomeadamente de um canal de televisão.

A pressão tende a aumentar com a aproximação das eleições e percebe-se agora que os socialistas sentem que o "jogo está aberto". ´

terça-feira, junho 23, 2009

Publicidade

Foi um amigo que me alertou para isto.

Não se percebe bem o que vendem, mas acho que é de comprar.

TGV e conceito estratégico nacional

Num dos pontos deste artigo de Rui Moreira, n'o Público de ontem, afirma-se que Portugal não tem um conceito estratégico nacional e que isso prejudica a definição das prioridades nacionais, neste caso em matéria de política de transportes.

Peço licença para discordar. Portugal tem um conceito estratégico nacional, que o centrão, à direita ou à esquerda, sempre promoveu quando está no Poder. É um conceito que se aproxima desta ideia simples: imaginemos um pai de cinco filhos; este pai consegue dar um curso a cada filho; ou então, um doutoramento ao mais velho. Este pai pensa, reflecte e decide que fica melhor se der o doutoramento ao mais velho, os outros que se desenrasquem que o mais velho há-de lhes vir dar uma mãozinha.

No nacional-deslumbramento, este conceito, moralizador como se há-de perceber, consiste em dar prioridade à capital, na ilusão de que esta há-de "puxar" pelo resto do País...

As asneiras a que este conceito deu origem estão à vista de toda a gente. A começar por Lisboa, que perdeu qualidade de vida, cidadãos e sustentabilidade económica. Para não falar na bomba relógio (social) que são muitos dos arredores da capital.

É este conceito irresponsável que permite que se tenha conferido prioridade à ligação luxuosa de Lisboa a Madrid, em prejuízo da promoção de uma rede ferroviária moderna que contribuísse para alavancar a capacidade exportadora das nossas empresas, libertar o país de parte da sua dependência energética (e petrolífera em especial) e afirmar os nossos portos atlânticos no contexto ibérico - senão mesmo no contexto europeu.

É de tal forma gritante este desconchavo, que o próprio concurso para a linha Poceirão-Caia, primeiro troço da rede de alta-velocidade em bitola europeia, prevê uma terceira linha, paralela e em grande parte do seu percurso, em bitola ibérica tradicional - supostamente para ligar Sines e Setúbal ao Caia. Mas para quê, se a tal linha Poceirão-Caia é mista? O que quer dizer que é pensada para passageiros (o luxo) e mercadorias (a necessidade)...

Por uma razão simples: porque a modernização da rede ferroviária nacional não foi pensada, os investimentos feitos não a tiveram em conta e, por causa disso, é necessário manter as duas redes em paralelo.

Eles, os tais irresponsáveis que Rui Moreira denuncia, e bem, pensavam que assim enganavam os pacóvios (os tais irmãos, na minha parábola) e conseguiam tornar irreversível quer a ligação a Madrid, quer a terceira travessia do Tejo, quer o próprio aeroporto de Alcochete. E os meus filhos que as pagassem...

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

segunda-feira, junho 22, 2009

O Boavista queima mesmo


Agora foi Nuno Cardoso que foi atingido pelo furacão Boavista. Com efeito estes ventos fortes continuam a fazer estragos. Apetece perguntar onde andam os outros.

Pois claro

Mas já conseguiu identificar o que correu mal nessa campanha? Foi um problema de comunicação ou um problema do candidato Vital Moreira?
Não acompanhei a campanha. Não me interesso especialmente pela actividade política e estive parte do tempo fora do País. Tenho dificuldade em proceder a uma análise séria sobre o que ocorreu. Mas faço parte do grupo daqueles que, tendo sempre achado que as eleições seriam difíceis para o PS, ficaram, mesmo assim, surpreendidos com o dramático abstencionismo entre o eleitorado do PS. E não sei o que seria se o próprio Eng. José Sócrates não se tivesse envolvido, como se envolveu, na parte final da campanha.

Interessante esta resposta de Luis Paixão Martins em entrevista ao i. Estou em crer que, ao contrário do que afirma LPM, estas eleições se vão desenrolar muito com base no Marketing e na Comunicação. Não serão de todo o factor decisivo mas serão com toda a certeza um dos factores. Agora não pensem que as agências de comunicação são a salvação para todos os males.

Mas também não vale a pena pensar que o povo Português acredita que um animal feroz de repente se tornou um cordeirinho e que não terá recaídas.

Regionalização a sério II

Em Julho, e a Norte, vamos ter um semanário disposto a assumir a regionalização como bandeira.

As coisas vão acabar por mudar...

São João


Ambições políticas

A propósito de uns posts que andam por aqui, mais abaixo, venho penitenciar-me de não ter escrito à mais tempo o que agora aqui vou tentar deixar.


Creio que a aceitação por Ribeiro e Castro, de encabeçar a lista do CDS no Porto, constitui um facto histórico do maior significado, para a Direita e para a Democracia-cristã. E tem dois protagonistas, o próprio Ribeiro e Castro e, evidentemente, Paulo Portas.

É do maior significado, pois constitui a primeira ocasião em que dois líderes do CDS, desavindos publicamente, assumem uma reconciliação política: o inimigo comum é mais importante do que os desentendimentos próprios. Como sempre devia ter sido.

Mas nem sempre foi. Pelo contrário, se há marca do partido no passado é a da incompatibilização dos ex-líderes com os seus sucessores e, por causa disso, com o Partido. De que é exemplo o comportamento político recente de Maria José Nogueira Pinto.

O problema destas inúmeras incompatibilidades pessoais é precisamente o facto de demonstrarem a falta de ambição do partido, dos seus dirigentes e dos seus apoiantes.

Num partido ambicioso, naturalmente haverá pessoas com diferentes interpretações da melhor estratégia para a promoção dos valores que o partido representa e de que é repositório. Soubesse o CDS ter tido essa imagem, e provavelmente muitas das pessoas que hoje integram o MEP estariam connosco.

Num partido descrente, os grupelhos organizam-se para se desacreditarem uns aos outros. Nomeadamente, e até principalmente, atacando e descredibilizando o líder na ocasião. Como muitos dos colegas de blog se tem esforçado por fazer - certamente pelas melhores razões, mas é esta a consequência principal.

Pela minha parte, consola-me verificar que não sou o único a desejar um CDS mais ambicioso. E presto aqui a minha homenagem e agradecimento aos líderes Ribeiro e Castro e Paulo Portas: bem hajam!!!

E grito, esperançado: é possível um Portugal melhor. Basta querer.

Regionalização a sério



Uma das medidas por que valeria a pena lutar era a transferência da Ana Lourenço para o Porto Canal. Talvez assim eu tivesse mais hipóteses de a conhecer...

domingo, junho 21, 2009

Campelo e a regionalização

Daniel Campelo anunciou hoje o que já se falava a voz baixa: Não se recandidata a Presidente da Camara de Ponte de Lima. E uma das razões apontada, para além de o ter dito há quatro anos e assim cumprir o que disse o que se sabe é raro na politica, é querer dedicar-se a uma grande batalha: a regionalização. Vamos a isso Daniel. Eu engrosso o pelotão.

Declaração de interesses

Uma das regras elementares do jornalismo, da assessoria de imprensa e de escribas em blogues é fazer declaração de interesses. Fica sempre mais claro mesmo que aquilo que escrevam seja o mais justo e a mais verdadeira das "coisas". Só assim se cria credibilidade das funções. Toda a gente sabe que sou do CDS e do Boavista. Já o disse mais do que uma vez e é sabido por quem nos visita. Tendo uma agência de comunicação nunca aqui escrevi sobre qualquer um dos meus clientes. Quando o fizer farei a respectiva declaração de interesses. É assim que vejo as coisas.

sexta-feira, junho 19, 2009

CDS o momento

FVF escreve que:

JR Castro fez mal em aceitar o lugar de deputado que lhe foi proposto. Penso exactamente o contrário. Fez bem. Fez bem pelo partido dando um sinal interessante. Fez bem por ele. Pois vai para onde lhe faltou estar há 2 anos atrás. E como um verdadeiro democrata cristão perdoou. Que não significa esquecer. São coisas diferentes.

Que Paulo Portas eliminou um adversário dando-lhe uma esmola. Não concordo. Ser cabeça de lista pelo Porto não é, nem nunca foi uma esmola. E depois não eliminou. Quando muito mantêm por perto para melhor controlar. Mas Portas sabe que tem que enriquecer o grupo parlamentar, quer com gente com experiência, Ribeiro e Castro, e com sangue novo como Assunção Cristas.



AJBarros escreve que:
Será que a atitude de Portas em convidar Ribeiro e Castro e do segundo em aceitar a disposição do primeiro não comprova o quanto se precipitaram e estavam errados os militantes que saíram no final do ano passado? Nunca concordei com as desfiliações mas este pode ser uma prova de que, ao contrário de outros, não havia uma guerrilha com líder assumido. Muito gostava que o nosso JAC se voltasse a filiar.

Lembro que distrito do Porto foi dos principais opositores à presidência de Ribeiro e Castro no partido. Não concordo. Ou pelo menos diria que do distrito do Porto partiram também dos mais importantes apoios a JRCastro, ou não foi assim?


Acima de tudo continuo com a secreta esperança que o CDS possa ser um local respeitável e frequentável.

Acredito que este sinal de Portas terá obrigado alguns a engolir uns sapos e que eventualmente será de cabeça meia baixa que cumprimentarão Ribeiro e Castro nos próximos tempos. E JRC poderá manter a cabeça sempre levantada. Trabalhou pelo Partido e para o Partido.

Peace and love...

Até já estou mesmo a ver (em nome da conciliação partidária) o Alvaro Castelo Branco e o Manuel Sampaio Pimentel a fazerem campanha no Porto para a eleição de Ribeiro e Castro e depois até combinam ir juntos almoçar à Tia Alice em Fátima.

...a bem da palhaçada!!!

quinta-feira, junho 18, 2009

É justo !

"O velejador Bento Amaral recebeu no passado dia 10 de Junho, das mãos do Presidente da República, Cavaco Silva, o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A distinção aconteceu no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Santarém".

Ganda Bento!

Grande Presidente

Digam o que lhes vai na alma

òleo "Freedom of Speech" de Norman Rockwell - 1943

Tendo lido o post imediato do FVF, achei interessante recordar este quadro de um pintor americano.

SERÁ QUE....

A propósito do post "Lição para a vida" do meu caro amigo AJBARROS e do facto de Ribeiro e Castro encabeçar a lista das legislativas para o Porto.

Ponto Um - O texto de AJBARROS está na linha do PP de aparecer agora sob as vestes do cordeirinho.

No fundo, a atitude é smilar à do Engº José Sócrates de se tentar agora (que lhe convém) travestir para parecer aquilo que não é.

Paulo Portas convém-lhe agora aparecer travestido como o messiânico apaziguador e conciliador do partido.

Mas na verdade, não tem essa verdadeira vontade e motivação e só o faz porque lhe convém.

Na verdade PP não tem consideração nem aprecia Ribeiro e Castro

Na verdade Ribeiro e Castro e o que ele representa continua a ser desprezado e gozado por PP e pelos seus.

Só quem for muito inocente é que pode acreditar no contrário.

Alguém se acredita que Nuno Melo no seu dicurso de vitória quando se refere aos eurodeputados do CDS não o faz ironicamente e por gozo?

Dos senhores que AJBARROS refere no seu post julgo que dificilmente alguém pode tirar boas lições para a vida.

Ponto Dois - AJBARROS esquece-se do passado recente do CDS/PP e esquece-se das razões porque MJ Nogueira Pinto saiu e de todos os episódios de insidia palaciana que colminarem nas cenas tristes que todos sabemos.

Escrever o que escreve é não querer perceber que há pessoas que não pactuam com uma forma de estar na politica que já se percebeu que não tem qualquer futuro.

Escrever o que escreve é não perceber que há quem tenha um coluna vertebral e que há limites e principios que são para essas pessoas intransponíveis.

Ponto Três - Na sequência do que vem acima referido não me parece que Ribeiro e Castro possa aceitar a esmola de PP.

RCastro Perdeu credibilidade e confundiu-se com os demais...

Depois do que PP lhe fez e do que dele disseram e fizeram importava outra atitude.

Ribeiro e Castro desiludiu...

Paulo Portas não desiludiu, antes pelo contrario, esteve igual a sim mesmo, jogou uma cartada, vendeu ser um bom samaritano, eliminou um adversário dando-lhe uma esmola

e assim anda o mundo do CDS/PP

por essas e por outra Portugal é único país da Europa em que a Direita e o Centro Direita é a 5ª força politica

e a esquerda radical a 3ª força politica e o PCP a 4ª força politica,

e o mais espantoso é que apesar disto estão todos muito satisfeitos.

...para mal da Nação!!!!

A passagem do Rubicão


Ribeiro e Casto: Um deputado pelo Porto

Relativamente à escolha do Porto para encabeçar a lista, também aqui foi um claro sinal de Paulo Portas ao partido de que para crescermos temos de superar as divergências internas e por o CDS em primeiro lugar.

Lembro que distrito do Porto foi dos principais opositores à presidência de Ribeiro e Castro no partido, pelo que esta candidatura obrigará a uma cooperação institucional grande entre o candidato e as estruturas, que certamente Portas e Ribeiro e Castro muito bem promoverão.

Também não acredito que as estruturas partidárias do porto serão forças de bloqueio, bem pelo contrário, vão querer certamente responder à altura da atitude que presidente do partido demonstrou.

Lição para a vida

Será que a atitude de Portas em convidar Ribeiro e Castro e do segundo em aceitar a disposição do primeiro não comprova o quanto se precipitaram e estavam errados os militantes que saíram no final do ano passado?

Será que a demissão no último Conselho Nacional de Martim Borges de Freitas, secretário-geral de Ribeiro e Castro, com o intuito de captar a atenção negativa da Comunicação Social para o CDS, teve a grandeza e a atitude de pacificação e de união como agora comprovaram Portas e Ribeiro e Castro?

Será que a atitude de José Paulo Carvalho, quando se desfiliou do CDS mas manteve o lugar de deputado, foi perante os recentes acontecimentos a correcta?

Será que Maria José Nogueira Pinto não deve voltar ao “seu” partido, em vez de andar a apoiar o António Costa (PS) que em campanha a nomeia para a Baixa-Chiado e depois de ser eleito a exonera? Ou a dizer bem da Ferreira Leite (PSD) que a ignora e incentivou à queda da coligação na Câmara de Lisboa com Carmona Rodrigues?

Será que Manuel Monteiro ganhou alguma coisa em ter saído do partido, depois de ter perdido um congresso e ser convidado para encabeçar uma lista à Legislativas no círculo eleitoral que quisesse?

Será que os que saíram não deveriam sentir-se rendidos pelas evidências, darem meia volta e voltarem, porque todos são precisos para construir um partido maior?

Será que Paulo Portas e Ribeiro e Castro ontem não terão dado uma lição a muita gente e ao país? Certamente que sim!

CDS - Um bom sinal

A escolha de Ribeiro e Castro para cabeça de lista pelo Porto é um excelente sinal que o CDS transmite. Fico contente. Espero que este sinal de união não se fique pelos cabeças de lista e todo o CDS seja chamado à luta.

Conselho Nacional do CDS

O Conselho Nacional de ontem foi uma prova de maturidade política e responsabilidade partidária dada pelo CDS e, nomeadamente, por Paulo Portas.

Foi um sinal de união interna e de força para o exterior, que com toda a certeza agradou a quem se situa na área política do CDS.

Foi para uns um “chamamento de Cristo” e para outros um sinal de abertura e reconciliação interna de todo o partido à volta do seu líder.

Enfim, todos os partidos democráticos - excluo deste grupo o BE (comprovado, por exemplo, com Joana Amaral Dias) e o PCP (comprovado, por exemplo, Luísa Mesquita, entre muitos outros) – falam de liberdade de opinião e posição, mas foi no CDS que mais uma vez houve uma clara atitude de aceitar as divergências e posições, tal como já tinha acontecido com o convite a Manuel Monteiro para ser cabeça de lista após ter perdido o seu último Congresso no CDS.

Depois das sondagens, esta é a altura de alguns comentadores políticos de paixão pela esquerda voltarem a meter a “viola no saco”…

Parabéns ao CDS

Diogo Feio termina, por estes dias, o seu mandato à frente do grupo parlamentar do CDS: em grande.

Desde logo, o CDS, também por mérito dele, consegue um bom resultado nas eleições europeias, afastando o espectro do táxi - que, entre nós, tem um peso específico.

Depois, a moção de censura hoje debatida foi particularmente oportuna, não só para mostrar que as eleições europeias tiveram significado, mas sobretudo para demonstrar que, à direita, a única oposição tem sido o CDS - pese embora os méritos, e são muitos, de Paulo Rangel que, todavia, não são suficientes para esconder as debilidades do actual PSD. Isto mesmo se vê na vitória conseguida com o adiamento das decisões sobre o TGV; o Governo recuou, o PSD como é contra não sabe de que é que é a favor, só o CDS começa a apresentar as alternativas que se justificam e impõem em matéria de rede ferroviária moderna.

Sobretudo pelo novo estilo de fazer oposição que o CDS protagonizou, em grande parte através do Diogo; sempre apresentando alternativas. Esta oposição construtiva há-de dar resultados. Mais cedo ou mais tarde.

Ainda de referir a coincidência deste final de etapa com a "reconciliação" de Ribeiro e Castro com o partido. Já se sabe que foi convidado por Paulo Portas para encabeçar uma das listas do partido. Espera-se para breve o anúncio da sua aceitação. Oxalá. Por ele, Ribeiro e Castro, que merece um futuro político. Pelo partido, que merece, finalmente, ultrapassar esse espectro das incompatibilidades pessoais que tanto mal fizeram à democracia cristã em Portugal. Pelo País, que merece uma verdadeira alternativa à direita, que mobilize todos os seus valores e ideias.

Resta-me desejar ao Diogo Feio uma boa experiência no Parlamento Europeu. Que seja mais uma etapa do seu crescimento político. Que lhe corra bem, política, profissional e pessoalmente.

Aqui se prova que ainda há boas razões para gritar:

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

quarta-feira, junho 17, 2009

terça-feira, junho 16, 2009

Fundação Luso-Americana


A Fundação Luso-Americana é uma fundação privada, mas foi totalmente alimentada com dinheiros públicos, repartidos em partes iguais entre contribuições do governo dos Estados Unidos e dinheiros públicos fornecidos pelo Estado português. Até 1998, o governo português entregara à Fundação perto de 85 milhões de euros.

Apesar de já estarmos no segundo semestre de 2009, o último relatório e contas disponível no site da fundação refere-se a 2007. Fazendo fé em tal relatório, o activo monta a 134 milhões de euros ao qual se deve somar o valor das luxuosas instalações em Lisboa, então avaliadas em 12 milhões de euros. Ao que parece, gere uma carteira de títulos que só em 2007 terá rendido perto de 5 milhões de euros.

Tem um Conselho Directivo de 9 membros, integralmente nomeado pelo primeiro-ministro.
Tem um Conselho Executivo de 3 membros, cujo presidente é nomeado pelo primeiro-ministro. Pelo menos estes 3 são remunerados e, ao que parece, principescamente.
Tem um Conselho Consultivo de 10 membros.
Tem 5 ou 8 Directores e um Secretário-Geral.
Diz ter um total de 34 colaboradores, ou seja, um ratio de quase um empregado por gestor.
Gastou em 2007 pelo menos 2.250.000 euros em despesas com pessoal e pagou serviços ao exterior no valor de 685.000 euros.

Tem uma colecção de arte de cerca de 900 peças, 2/3 das quais são coisas em papel, e chamo-lhe 'coisas' porque na minha desajeitada opinião e à luz do que mostram no site, eu não queria nenhuma delas em minha casa nem dada, mas eu sou um bruto e um ignorante, portanto, adiante.

Mas o que me faz mais confusão é tentar perceber porque é que com tanto dinheiro e tanta gente à cabeceira deste palácio e desta generosa obra foi preciso suspender este ano:

a) O Programa de bolsas C&T papers para apresentação de Comunicações em Conferências no Estrangeiro;
b) O Programa de bolsas para desenvolvimento de redes de investigação Portugal - Estados Unidos;
c) O Programa de atribuição de bolsas para estágios e investigação com mais de 2 meses.

Se dispensassem alguns dos membros dos Conselhos ou alguns directores talvez poupassem qualquer coisa e mantivessem a razão de ser. Quais são afinal as prioridades desta fundação?

Uma mulher do futebol

Porto: Uma vivência cosmopolita

segunda-feira, junho 15, 2009

Gelatinas

Ora aqui està um homem com espinha, daquela que não parte...porque se dobra.

Os vices


Talvez vá sendo tempo de aparecer, mesmo que chova.

Polónia

Um milhão e duzentos mil postos de trabalho perdidos na zona euro.
Entretanto, tudo indica que a Polónia será o único país da União a ver crescer a sua economia em 2009; a Polónia não pertence à zona euro.

Irão


TGV, porquê e para quê

Sempre fui céptico das opções nacionais sobre o TGV (como aliás, pelas mesmas razões, do NAL e da TTT; razões que, para resumir, se reconduzem aos interesses do centrão).

No entanto, à medida que se vai recolhendo informação sobre o que está em causa, começa a perceber-se que a transferência da actual bitola ibérica nacional, para a futura bitola europeia é uma questão da maior urgência. E importância, pelos valores em causa.

É urgente, por uma razão simples. Toda a Europa está a migrar, quem disso necessita, para a bitola europeia. Esta vai ser a bitola que permitirá a melhor e mais rápida circulação de mercadorias dentro da União Europeia. E, já agora, a bitola usada nas linhas de Alta Velocidade.

A Espanha percebeu isso, há já alguns anos, e tem estado a implementar um plano de modernização da sua rede ferroviária, que estará completo em 2020, com a migração praticamente total da sua rede para a dita bitola ibérica. Pelo caminho, modernizou muitas das suas principais linhas e criou a maior rede europeia de AV. O tal TGV de que tanto se fala, é um dos beneficiários.

Em Portugal, pelo contrário, estas questões não são sequer equacionadas. Pode parecer o contrário, mas a verdade é que só alguns carolas continuam a questionar este problema de fundo que é o da bitola da rede ferroviária. É aqui, nesta questão, que se joga a produtividade dos investimentos que se fizerem.

O Governo, aparentemente, tem um plano. Quer fazer duas (ou três, se quisermos ser generosos), linhas em bitola europeia. Lisboa-Madrid e Lisboa-Vigo (embora esta última se desdobre em duas, a primeira em AV, entre Lisboa e o Porto, a segunda em Velocidade Elevada - VE). Estas duas, ou três, linhas, por muito generoso que se queira ser, não são, nem serão nunca, uma rede ferroviária moderna. Mas podem (podiam é mais correcto) ser uma parte importante de uma futura rede, em bitola europeia. Sem essa rede, Portugal ficará de facto isolado da rede europeia de transportes.

O problema explica-se de forma simples. A construção de linhas ferroviárias custa, grosso modo, o quadrado da velocidade para que a linha é programada. O que quer dizer, que a progressão é geométrica. Assim, por exemplo, 100km para andar a 100km/h, custariam 1 milhão; os mesmos 100km para andar a 200km/h custariam 4 milhões e se fosse para andar a 300km/h custariam 9 milhões. Números estes que são meramente demonstrativos, visto que os números reais dependem ainda das diversas dificuldades construtivas que podem ser acrescentadas (orográficas, expropriações, etc.).

Em Portugal, existe uma RAVE que tem por única e exclusiva preocupação a programação das linhas de AV ou VE, para passageiros. E aqui reside o busílis da questão. Fazer uma rede ferroviária esquecendo as mercadorias, que é como quem diz, as empresas exportadoras e os seus produtos, é hipotecar a via mais provável, se não mesmo a única, de rentabilização destes investimentos. Numa palavra, é criminoso. Mais ainda, agora que a actual crise económico-financeira veio demonstrar a falência do modelo económico português e ameaçar seriamente as possibilidades do nosso futuro colectivo.

Não debater estas questões é uma questão de cegueira colectiva. Estamos a hipotecar-nos e aos nossos filhos, para aproveitar (mal, sublinhe-se) umas percentagens relativamente baixas (comparando, por exemplo, com as que a Espanha obteve, a seu tempo) de apoios europeus.

Pior ainda, as decisões que agora se tomem sobre estas matérias, condicionam muita da viabilidade de outros investimentos conexos; por exemplo esse erro monumental que parece ser o da colocação da TTT no Barreiro - agravada ainda pela função dupla de ferrovia e autovia; ou o NAL, sobretudo se for em Alcochete; ou ainda a questão seriíssima da passagem da linha Porto-Vigo pelo Aeroporto Sá Carneiro; ou a imbecil construção de uma terceira via em bitola ibérica, ao lado da via Poceirão-Caia em AV, para manter os portos de Setúbal e Sines de fora da rede peninsular de mercadorias, apesar desse simulacro de ligação à fronteira; ou essa cretinice do aeroporto internacional de Beja, desconexo da rede ferroviária...

Normalmente, as decisões deste tipo são feitas pelo bloco do centrão. Neste momento, o Governo do PS tem um mau projecto que está a querer fazer andar a toda a força, porque não teve dinheiro para o fazer andar calmamente nos anos anteriores do mandato. Pelo contrário, o PSD está anquilosado nas visões orçamentalistas da sua líder, que apenas sabe ver o perigo do actual modelo, sem apresentar qualquer alternativa. E da guerrilha política que lhe vem atrás, neste período de aquecimento para as legislativas.

Esta é, parece-me, uma oportunidade única para alguém falar em nome do futuro do País. Separar bem as águas, defender os investimentos que fazem sentido e inviabilizar os outros. Pensar a necessidade e urgência de uma rede moderna de ferrovia, promover a maximização do retorno dos investimentos (modernizando onde é possível, construíndo onde é necessário) e defender a imprescindibilidade da rede servir o transporte de mercadorias, para maximizar o aproveitamento do potencial dos nossos portos.

Que bom que era que o CDS estivesse atento.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

domingo, junho 14, 2009

As mini-férias de Junho

A semana que hoje termina deve ter sido a menos produtividade neste ano de 2009, quer no que já passou quer no que ainda falta. Com 3 dias de férias metade do país tirou uma semana. A outra metade que ficou a trabalhar não conseguiu resolver metade dos assuntos que tinha a tratar. E a somar a tudo isso as máquinas partidárias ficaram a recuperar horas de sono e só o PSD e o MEP deram mostras de estarem vivos. Ainda bem que amanha já volta tudo ao normal. Porque definitivamente não é desta forma que lutamos contra a crise.

Alma até Almeida

Às vezes apetece escrevinhar uns textos íntimos, a desabafar uma pieguisse qualquer, como que a pendurar ao sol a roupa interior, ou a corar as peúgas brancas depois do ginásio. Felizmente, esses impulsos estiolam depressa, para bem do recato.

Mas esta manhã encontrei um cartãozinho junto ao café, uma letra pequenina em feltro azul a lembrar-me o pai que sou. Já não precisei de pôr açúcar na xícara. E lembrei-me do meu, com quem já não posso conversar. Era uma pessoa incrível e ainda hoje sinto os seus abraços e a sua frase preferida: “Alma até Almeida”. Obrigado pai!

sábado, junho 13, 2009

O Homem-das-ideias-extravagantes

« Você já assistiu, sem sombra de dúvida, a alguma conferência entre portugueses, quando se discute um plano de acção, uma proposta, uma ideia...E que notou?
Espere. Não diga nada. Eu vou dizer-lhe o que você notou. Um minuto depois de ter pedido a palavra, o primeiro orador já contava uma história. Um episódio qualquer da sua própria vida, uma anedota, uma brincadeira, um caso,- eu sei lá! Uma história: está dito tudo. E daí em diante, -esse, e outro orador, e outro, e outro, e outro, e outro, e o presidente, e o secretário, e o subsecretário, e o contínuo, e o porteiro, e o bichano, e toda a assistência que constituía a assembleia- ouvia, contava e comentava histórias. É isto uma conferência de cidadãos portugueses, sempre que se trata de negócios graves. Posso jurar-lho. Sem excepção. Não importa a espécie,-percebeu você? Conferência de comerciantes, de industriais, de padeiros, de dentistas, de sacerdotes, de mestres de dança, de estudantes, de oficiais, de notários... do diabo que os leve, e seja o que for. Olhe: ponha na lista os guarda-nocturnos que são como os mais. Contar histórias, e ouvir histórias: eis o ideal do cidadão lusitano. Você notou isso: nem notou outra coisa! E depois? Como lhe parece que se explica o fenómeno? Eu queria ouvi-lo sobre este assunto...”

in ‘Notas de política’ (O Homem-das-ideias-extravagantes), António Sérgio 1929

Apanhar ar

"Sailing the catboat" - aguarela de Winslow Homer 1875

sexta-feira, junho 12, 2009

É obra, sim senhor!

241 milhões de euros em derrapagens financeiras no últimos anos em apenas 5 Obras Públicas é obra. Até foi preciso prolongar os prazos, pois claro, mas é obra, cinco vezes obra.

A próxima missa


Nas vésperas do Conselho Europeu de 18 e 19 de Junho, aquela coisa em que os dirigentes da União fazem uma enésima foto e saúdam algum novato ou se despedem de um apeado, manobra-se à tripa forra por causa dos lugares e dos poderes.

É evidente que vão preparar uns parágrafos a dar ideia que se ocuparam muito de questões ambientais ou que se debruçaram sobre a regulação dos mercados financeiros, mas tudo isso será para entreter o pagode com o blá-blá do costume.

Desgraçadamente, não acredito que façam sequer uma discussão séria e honesta sobre os resultados das eleições europeias, até porque esta gente o que quer é que nos esqueçamos o mais depressa possível que quase 60% dos cidadãos lhes virou as costas e deixou de acreditar neles.

As verdadeiras manobras centrar-se-ão em dois aspectos: o primeiro, que "garantias" oferecer à Irlanda para que esta organize o tal segundo referendo (voltar a uma Comissão com um nacional por Estado-Membro? renunciar a qualquer pretensão de harmonização fiscal? pôr travões à imigração?). Mas o busílis da coisa está na forma, pois não é líquido que um tal compromisso seja juridicamente válido por mera resolução de um Conselho Europeu e, por outro lado, avançar com um novo Protocolo pode obrigar a reiniciar em vários países os processos nacionais de ratificação do tratado de Lisboa.

O segundo osso a roer tem a ver com a designação do próximo presidente da Comissão e dos outros putativos postos, caso "Lisboa" veja a luz do dia. Contrariamente ao que diz a generalidade da imprensa portuguesa e os papagaios a soldo, os argutos perceberam que seria um erro político grave designarem já formalmente o Barroso (que seria assim chamado a submeter-se a um voto do Parlamento Europeu onde as negociatas ainda não terminaram) e a formar um colégio de apenas 18 comissários à luz das regras em vigor (tratado de Nice 'oblige'). Ora isso calha mal, pode irritar uns tantos e contradizer a tal promessa aos irlandeses.

Vai daí, esta pérola do apoio "sem ambiguidades" ao nosso artista, mas só de boca, nada de papel assinado, e com este recado: "vai ali conversar com o parlamento e volta com um programa escrito (que te vamos ditar)".

É a União Europeia, está bem?
O que não é, aliás, nenhuma novidade para o Durão, pois ele sabe bem que atrás de um claro apoio a um Vitorino se pode esconder um Zé Manel. Certo? Certo!

quinta-feira, junho 11, 2009

A propósito dos exemplos

Que o sol os ilumine

"Morning Sun" , óleo de Edward Hopper - 1952
clik na imagem para a aumentar

Embaixada em Madrid


Porque razão o texto sobre a situação macro-económica de Portugal que consta deste site da Embaixada de Portugal em Madrid, e que está completamente desactualizado (remonta a 2004 e fala nas expectativas para 2005), não é revisto ou pura e simplesmente retirado?

Não temos necessidade de parecermos, junto dos espanhóis, mais ridículos do que somos.

A Pandemia

A 10 de Junho, a Organização Mundial da Saúde (ver aqui) contava 27 737 casos da gripe A(H1N1) em 74 países, dos quais 141 tinham provocado a morte do doente.
À hora a que escrevo estas linhas ainda não sei se a OMS já declarou ou não formalmente a situação de pandemia, mas é óbvio que se trata de uma pandemia, ou seja, uma epidemia ao nível mundial.
Tudo indica que lá para Outubro ou Novembro esta doença regresse em força ao hemisfério norte, transformando o nosso próximo Inverno num período muito complicado.

Portugal tem sido até agora relativamente poupado por este vírus. Meia dúzia de casos suspeitos, com apenas 2 confirmados, não chega para testar a preparação das nossas estruturas de saúde. Ainda não percebi qual é o plano concreto que as autoridades terão em mente para o caso de virmos a estar confrontados com milhares de doentes e receio que as doces palavras da actual ministra da Saúde sejam um curto conforto para um cenário mais pessimista.

Quantas doses de antivirais do tipo Tamiflu existem em stock em Portugal?
Quantas doses estão encomendadas para entrega em finais de Setembro?
Quantas máscaras estarão disponíveis para distribuição pelos cidadãos?
Que planos de contingência existem nos serviços do Estado, nas empresas de fornecimento de bens ou serviços essenciais, públicas ou privadas?
Que edifícios serão requisicionados para transformação em grandes enfermarias?
Etc., etc.

Não percebo o que se passa relativamente à encomenda ou não da vacina. Quais são as dúvidas? Razões técnicas? Económicas? Clínicas?

Concordo que é de evitar falsos alarmismos e que seria desastroso se somássemos à desgraça um pânico trapalhão. Mas o cidadão português tem o direito de fazer perguntas. E não nos esqueçamos de que nada garante que o 'regresso' do vírus não nos traga uma estirpe muito mais maligna do que a actual.

quarta-feira, junho 10, 2009

Vinho Rosé

Afinal, o bom-senso prevaleceu. O "Nortadas" bem avisara aqui.
A Comissão Europeia retirou a sua proposta de admitir a comercialização, sob a denominação "rosé", de umas mistelas tinto/branco.
Leia aqui

10 de Junho: a justa homenagem


Natureza morta (2)

"Strada bianca"

O futuro não está para rosas

A situação económico-financeira da zona euro é ainda muito muito preclitante e são prováveis novas falências de bancos. "Talvez tenhamos chegado ao vale, mas ainda é preciso atravessar esse vale" (diz Yves Mersch no Wall Street Journal). Ler aqui

Entretanto, por cá, a Moody's baixou o rating da EDP (de A2 para A3), por considerar que esta está a acumular uma dívida a longo prazo desproporcionada.

terça-feira, junho 09, 2009

Banco Privado Português (2)

O Pùblico noticia que a administração do Banco Privado Português concorda com a solução do governo.
Provavelmente escapa-me qualquer coisa, mas à primeira vista e se bem percebo, a administração do BPP concorda que o governo não concorde com o plano que essa administração lhe apresentou.

Proselitismo islâmico

Sò hoje me dei conta, por pura distracção e uma deficiência neurològica que me perturba os azuis, que este Nortadas, tem ali ao lado um link (permanente?) que nos conduz supostamente a saber como nos convertermos aos ensinamentos do Corão.
A minha dùvida é: esta minha distracção também é vossa?

Banco Privado Português

Tanto o ministro das Finanças como o "engenheiro" disseram hoje que houve actos criminosos na gestão do Banco Privado Português.
Se assim é e se ambos jà sabem essas coisas e até as publicitam, a minha pergunta é a seguinte:
não hà um arguido, mesmo pequenino que seja, para a gente conhecer?

Casa Pia

Catalina Pestana disse a 22 de Maio ao Correio da Manhã:

-"Se eu fosse ministra encerrava a Casa Pia”.

Pois não ouvi reacções e considero o que se está a passar, aliás o que não se está a passar, grave.

Como dizia Friedrich Hebbel:

-" Eu mantenho a minha ideia: O sol brilha uma só vez para o Homem,
na infância e no início da juventude.

Se o aquece,
nunca mais será totalmente frio,
e o que tem dentro dele,
florescerá e dará frutos".

Que escuridão está a ser "proporcionada" às crianças e jovens da casa Pia?

Ironias

O Boavista mantém-se na Liga de Honra por causa da corrupção ( Vizela e do Gondomar foram desclassificados...)

Riscos calculados




Se bem percebi, o Nuno Melo e o Diogo Feyo não tencionam integrar o novo grupo parlamentar europeu em gestação, formado pelos conservadores britânicos e outros eleitos polacos, checos e lituanos.


Eu compreendo-os. Acham que vale a pena correr o risco e a insegurança a que se refere a Paula Faria e ficarem mesmo no PPE, agrupamento em que se participarão estas eleitas.

Ainda sobre a abstenção

Este texto do Manuel António Pina, no Jornal de Notícias de hoje, merece visita.

A prioridade nacional


Depois de o Presidente da República ter considerado que a prioridade nacional imediata seria a recondução de Barroso na Comissão Europeia, eu, modesto pião destes tabuleiros, humilde cidadão lusitano, ingénuo crente num projecto europeu de união fraternal dos povos, anuncio urbe et orbi o meu apoio à improvável mas bem urgente candidatura de MARIO MONTI, pela simples e desactualizada razão de pensar que a prioridade nacional é o combate ao desemprego, a defesa da democracia e dos princípios de transparência e igualdade entre os Estados.

Estava visto

que Cavaco ia vetar a Lei de Financiamento dos Partidos. Estavam mesmo a pedi-las...

Sondagens

Não tenho de dar palpites a ninguém, mas acho que a publicação de sondagens na campanha só ajuda o CDS. Principalmente ajuda a aproveitar o efeito político dos resultados. Proibir sondagens nas campanhas só vai criar dificuldades. Mas prontos...

Assente a poeira

Parece que já é possível ir tirando umas conclusões

Vou dar de barato os bons resultados do Bloco e também da CDU (apesar de tudo).

Sem querer fazer graçolas fáceis, o PS não vai ser como até aqui. A principal razão é esta: já não vai ter o Vital...

O Rangel teve um grande resultado, embora o PSD deva moderar o optimismo. Os 33% não são grande coisa, objectivamente. O que foi bom foi deixar o PS a 5%, e isso foi obra do Rangel.

O CDS conseguiu uma verdadeira vitória. Além de 8,4% conseguiu eleger 2 deputados (um especial abraço ao nosso Nortadas, Diogo!). Se estas eleições fossem legislativas, o CDS estaria agora com 15 ou 16 deputados. É um excelente resultado!

Se estas eleições fossem legislativas o MEP teria eleito um deputado. É um bom resultado para quem começa.

E se estas eleições fossem legislativas estávamos com um grande problema. A maioria no Parlamento só era possível com um Bloco Central, ou com uma coligação PS/BE/CDU.

Miss Fotogenia Socialista




Pois é, terminada a campanha e a sua eleição como Eurodeputada, Elisa Ferreira não pára.
Depois de número dois no cartaz de Vital Moreira, agora dá a cara como cabeça de lista para a Câmara do Porto. Depois de eleita para o Parlamento Europeu, agora vai tentar a sua eleição para a Câmara do Porto. Depois de estar em dois cartazes ao mesmo tempo, agora a miss fotogenia socialista passará a estar só num.

Os remendos do processo


Não vai sendo tempo de se saber em que modas pára o processo disciplinar ao presidente do Eurojust? Estes prazos são elásticos? Ou ainda andam às voltas com o tafetá da anca? Não lhe ponham muita renda. Um crochet simples, numa lãzinha ligeira, coisa de prevenir resfriados.

Abstenção?

A abstenção foi elevada e penalizou todos os partidos, uns mais do que outros certamente. E dizia-se que a data era má pois estava no início de uma semana de férias. Apesar da crise. Mas descobri uma coisa deveras curiosa. Na freguesia de Nevogilde, habitualmente considerada das mais ricas da cidade do porto, a taxa de abstenção foi apenas de 45,89%. O que demonstra que os ricos não foram de férias. O PSD/PP em 2004 obtiveram 67,42% e agora a soma de 69%. O bloco de esquera também subiu a sua percentagem 4,73 para 5,62. Mas o mais impressionante é que isso significa mesmo um aumento de número de votos. Verdadeiro fenómeno foi o MEP que conquistou 201 votos e foi a quarta força mais votada. Curiosidades pós-eleitorais.

Segurança laboral

Ontem estava optimista com os resultados eleitorais. Hoje, nem tanto. Ou melhor, estou preocupada. Quem será que garante a segurança dos nossos eurodeputados quando tiverem que trabalhar ao lado da Elena Basescu a quem chamam a "Paris Hilton romena", e da Barbara Matera, que já foi Miss Italia, e que dizem que é "refrescadoramente inexperiente" em assuntos políticos? Não consegui juntar fotos para comprovar os meus receios, mas parecem-me justos...:-)))

segunda-feira, junho 08, 2009

Não me demito, não me demito, não me demito

Outro que se agarra à poltrona.
Não hà quem o defenestre?
Faro Fino - Aqui

Eleições de Ontem - Porque gostei e o que nos deve preocupar

Antes de mais, gostei da vitória do PSD. E gostei que o CDS mantivesse os 2 deputados (um dos quais o nosso companheiro de blog amigo, Diogo Feio). Gostei que a soma dos votos do CDS com o PSD ficasse nos 40%. Gostei do que significa para as legislativa - a construção de uma alternativa ao PS. Isto foram os meus sentimentos positivos.
Agora um sentimento menos nobre que é o gosto pela derrota dos outros. Gostei que o PS perdesse por muitos, em especial pelo que significa para a sua máquina de propaganda. Até ontem acreditávamos que o Sócrtes e invencível. Ontem vimos que não. Ontem vimos que não vale tudo e que uma máquina de propaganda bem montada mas enganadora não resolve quando vivemos em democracia (graças a Deus!). Espero que o PS passe a falar verdade e que a maioria dos orgãos de informação não se deixem enganar.
Por fim o que preocupa são os 21% de votos em partidos comunistas. Partidos que não acreditam nesta democracia, que gostavam que vivessemos num regime próximo do Cubano ou Norte Coreano. Preocupa porque se for repetido nas legislativas teremos um país ingovernável. O que significa um país cada vez mais pobre.
Que estas eleições sirvam também para abrir os olhos a quem acha que é "fixe votar Bloco".

Estes são checos. São ministros

Foi em Maio de 2006. Mas pode repetir-se. Confirme aqui, onde explicam pormenores

E agora?

Vai demorar tempo a assentar a poeira.
Há muitos números, muitas coisas que se passaram e isto ainda não terminou. Aguardo, por exemplo, para ver o que vai acontecer nos próximos dias ou horas no Reino Unido.

Mas houve dois tiros de canhão que é impossível desvalorizar:

O primeiro, que nos diz directamente respeito, foi o afundamento do "engenheiro". Que boa notícia! Isso foi possível porque, entre outras razões, apareceu uma alternativa credível e séria dos lados do PSD e é inegável que o Paulo Rangel foi o protagonista dessa esperança nova. Mas há ainda muito trabalho pela frente.

O outro tem a ver com a abstenção a nível europeu: 57%.
É impressionante. Tanto mais que prolonga uma tendência de há anos. Dir-se-ia que por cada novo tratado e respectivo foguetório, são umas centenas de milhares de cidadãos que viram as costas aos discursantes apoteóticos de uma Europa desenhada algures por uns "arquitectos-peritos". E não é por acaso que quase por todo o lado surgem os primeiros eleitos de partidos esquisitos que claramente exploram um ultra-nacionalismo perigoso. São filhos bastardos dos tais "arquitectos", por muito que estes lhes recusem a perfilhação.

Não mais é possível construir uma Europa dos povos à custa destes. Por favor, aprendam a lição.

Coincidências

Felizmente tudo se cumpriu. A regra já aqui exposta mais uma vez se verificou. Paulo Rangel e Diogo Feio serão dois distintos representantes da Direita e de Portugal, no Parlamento Europeu. Estão, pois, ambos de parabéns. Esta foi, realmente, uma noite feliz...!

Nada mau .-)

Estou eleitoralmente satisfeita. Dois deputados com “folga” para o PP, dois cabeças de lista do Norte, cenário negro para Sócrates nas próximas legislativas, vitória do PSD e do Paulo Rangel que conseguiu derrotar o PS e mostrar o que vale sem golpes baixos e sem insinuações torpes ou malévolas. Vai fazer muita falta ao PSD e à política nacional agora que vai partir para Estrasburgo.
E, eu sei que é feio, mas não resisto: quem precisa agora de maisena, quem é, quem é??

Discurso de vitória


O discurso de Paulo Rangel foi um grande discurso. Sereno, seguro, inspirou confiança. E, sobretudo, revelou a presença e a clarividência de, no momento da vitória, alertar para o essencial: o combate ao despesismo e às políticas socialistas de afronta dos interesses nacionais. É realmente um tempo novo que se adivinha.

Entretanto...

...é hora de recolher.
(òleo de Andrew Wyeth 1917-2009)

domingo, junho 07, 2009

Votos nulos

Em Portugal, chegam a 2%, ou seja, 71100 votos.

E os votos em branco?

Se bem percebo, dos votos expressos em Portugal, portanto não incluidos no nùmero da abstenção, cerca de 5% são votos em branco.
Serà interessante acompanhar também este nùmero.

PERPLEXIDADES...

Não pode haver motivo de regozijo da direita e do centro de direita quando a esquerda radical passou a 3ª força politica ocupando o lugar que tradicionalmente era do CDS.

É para mim evidente que a direita e o centro de direita só podem sossegar e regozijar quando voltarem a ser, pelo menos, a 3ª força politica

até lá...

trabalhar, trabalhar, trabalhar

...a bem da Nação!!!!

"Revolução"

Paulo Rangel conseguiu, a suas próprias expensas, um resultado absolutamente excepcional, brilhante, mesmo. O score eleitoral é-lhe devido, em absoluto. Com méritos para Manuela Ferreira Leite que teve a audácia de escolher um cabeça de lista vencedor - surpreendendo tudo e todos. Como já o havia referido aqui e aqui, a líder social-democrata tem pensamento estratégico, traça rumos e cumpre objectivos. Com esta aposta colocou Paulo Rangel de líder parlamentar a putativo líder do partido. Não foi, como muitos alvitraram, uma fuga para Bruxelas, foi o empurrão definitivo para votar ao ostracismo Passos Coelhos e quejandos.
Com o partido pacificado, com um projecto de liderança legitimada nas próprias urnas, MFL arrumou, em definitivo, a casa.
É por isso que esta vitória é, como referiu, Paulo Rangel, não só uma nova Esperança para o país, como para o próprio PSD. Os ventos mudaram... um novo ciclo começou.

A abstenção europeia (2)

57% : um record.
Mais recente actualização aqui.
Ver também as fontes : aqui

Sondagens II

Como disse António Barreto: "É uma sondagem, mas já está desactualizada..."

Sondagens

Será que não chega de sondagens infelizes e falaciosas, para a SIC ter apresentado uma nesta noite sobre as Legislativas! Alguem pode acreditar "nisto"?

A senhora chorou

É indiscutível a grande vencedora. Arruma com Pedro Passos Coelho e todos os que a queriam derrotar. E parte com animo redobrado. E eu vi que ela chora. Assim mais humana fica. Temos mulher.

Novas energias

Jà hà sangue novo a brotar.Aqui

A falha dos comentadores

O CDS meteu o seu segundo Eurodeputado, Diogo Feio, como 19º eleito dos 22 a eleger. A folga afinal foi grande, ao contrário do que as sondagens e muitos dos comentadores diziam.
No entanto, se as sondagens acertam no dia das eleições e falham durante a campanha, já os comentadores políticos deveriam por ao serviço das pessoas que os ouvem os seus conhecimentos.

Aqueles comentadores diziam que o CDS já nem era o partido do taxi mas o "partido do smart", é verdade, metemos dois deputados. Devem agora ter a humildade de confirmarem esta realidade mas pelo lado positivo e não pejorativo, como o fizeram. Incomoda mas a Direita é convicta, ao contrário da Esquerda!

Fico aguardar, porque esse é o seu dever...

CDS - 2 mandatos

Está confirmado que Diogo Feio está eleito. O CDS consegue assim eleger 2 deputados. Num cenário global em que são eleitos menos 2 deputados esta eleição tem ainda mais significado. Agora começa um novo caminho. As tais primárias das legislativas correram bem para o CDS.

Allegretto ou presto con leggierezza

O Nuno Melo tem razões para isso.
E ficou-lhe bem lembrar os dois anteriores eurodeputados do CDS.

Cantabile espressivo ou allegro appassionato

As palavras do Rangel.
Força!

Sondagens - resumo




Devem tirar-se lições. Eu cá não percebo nada de sondagens mas alguém deve saber.

Sócrates e jornalistas

"espero que estejam organizados"; dizia Sócrates para os jornalistas. É um hábito está bem de ver. Ter os jornalistas bem organizados. O que nem por sempre se consegue é organizar os eleitores.

Requiem socialista

O ambiente de funeral das palavras de Sòcrates , em lento assai, é um bàlsamo e uma esperança para o paìs.
O vento vai crescer ainda mais.
Parabéns à Manuela Ferreira Leite e ao Paulo Rangel.
Caçar as velas e orçar, orçar.

A lista Vital

...desmorona-se? A Jamila Madeira não vai là, mas estas coisas nunca se sabem ao certo pois a vaselina vai estar em venda livre.

Finlândia

O partido 'True Finns", nacionalista, sobe de 0,5% em 2004 para 10% em 2009.

Zapatero perde as eleições e 2 eurodeputados

Desconfia-se que o "engenheiro" foi là ajudar para isto.

Os piratas suecos elegem um eurodeputado, mas parece que não é zarolho

A verdade vence a mentira...

Pois é, porque será que as sondagens de hoje são acertivas e dos ultimos dias não?
Só quem não andou na campanha e esteve junto das pessoas é que se pode admirar dos resultados...
Há muito comentador que devia fazer mea culpa...

CDS - o seu a seu dono

A confirmar-se que o CDS mantem 2 deputados o resultado não é mau.
Parece-me um bom resultado atenta a abstenção e as sondagens.
E se há méritos a atribuir parece-me que são de atribuir a Nuno Melo que esteve incansável mas também obviamente a Paulo Portas que apostou em Nuno Melo e deu a cara por ele.
Não obstante o CDS desce a 5ª força politica atrás do Bloco de Esquerda e da CDU

...a mal da Nação!!!!

As eleições no Reino Unido


Confirma-se a derrota esmagadora do Partido Trabalhista no Reino Unido: apenas 16%.

Brown agarra-se à poltrona, mas é capaz de vir a ser defenestrado sentado nela.

Ver aqui.


2 bilhetes para Bruxelas por favor

O efeito Maizena

Parece que o menino Maizena se fez grande. A seguir nos próximos tempos.

ELEIÇÕES

De acordo com as projecções:

Os grandes vitoriosos são

Paulo Rangel
Miguel Portas
Nuno Melo

...e os Portugueses que foram votar.

Os grandes derrotados

Vital Moreira e José Sócrates.

Desde já os meu parabéns ao Paulo Rangel e ao Nuno Melo pelos resultados que premeiam o esforço e trabalho que fizeram.

Acessoriamente Ferreira Leite está de parabéns e terá que ir disputar as legislativas.

Quem deve estar triste são Passos Coelho, Rui Rio e Aguiar Branco que vão ter que aguardar mais uns meses para o assalto à liderança.

...a bem da Nação!!!

Onde anda o Passos?

parece que o Passos Coelho vai poder manter-se como Presidente da Assembleia de Vila Real.

Estou assustado

Só de pensar que o BE é o terceiro partido mais votado. É assustador. Será que começo a fazer as malas?

Os grandes derrotados

As sondagens que repetidamente davam vitórias ao PS e resultados catastróficos ao CDS. Mas para as próximas eleições voltarão a ser tema de discussão.

20H00

A acreditar na sondagem da TVI temos 3 vencedores:
- Paulo Rangel
- Bloco de Esquerda
- CDS

A abstenção europeia

Áustria 58%
Eslováquia 81%
Eslovénia 73%
França 60%
Dinamarca 38%
Malta 21% ( o voto é obrigatòrio)
Chipre 40%
Holanda 63%
Portugal 64%
Alemanha 58%
Grécia 40%
Republica Checa 75%
Eslovénia 76%
Bulgária 63%
Finlândia 60%
Roménia 73%
Espanha 55%
Polònia 72%
Bélgica 9% (o voto é obrigatòrio)
Itália 57%
Reino Unido 65%
Irlanda 45%
Suécia 65%
Hungria 64%
Estónia 57%
Luxemburgo 9% (o voto é obrigatòrio)
Lituânia 80%
Letónia 47%

Abstenção global: 57%

Selecção de futebol

Mal, muito mal. Uma vitória sofrida num jogo muito mal jogado. Queirós continua a apostar em Pepe no meio campo, resolveu chamar Boa Morte que foi uma verdadeira nulidade, e apostou também em Edinho sem se perceber porquê. Temo muito pelo futuro. Nitidamente falta um patrão naquela equipa. Fora e dentro do campo. Agora vamos de férias e esperar que em Setembro tudo melhore.

Já "deitei" o voto


Como de costume votei a meio da tarde. Gosto de poder perceber o andamento da votação. 30% de votantes por volta das 16h30 foi a resposta que obtive nos zelosos membros da mesa. Gente do PS que sorridentemente reparam que a minha mão direita está ligada. Pouco, muito pouco. E não se espera que haja uma enchente com o regresso das praias. O tempo está cinzento.

Esperar sentado

òleo de Philip Pearlstein 1973

sábado, junho 06, 2009

De Táxi para o Cairo



Nada melhor do que reflectir sobre o futuro do que regressar ao passado. Foi o que acabei de fazer num Coliseu entusiastico a reviver os Táxis.

sexta-feira, junho 05, 2009

Dia de reflexão

(òleo de Gustave Caillebotte 1884)

Hoje, Sábado, é o chamado dia de reflexão.

Para uma grande parte, já está tudo reflectido: pegaram na família, no gato e no piriquito e, ala que se faz tarde, rumaram para casa dos sogros, para o quintal da cunhada ou para a roulotte do Zeferino, o tipo do bilhar, que os desafiou a beber umas super bock na outra banda, em frente ao écran do Portugal-Albânia. “Os pequenos precisam de apanhar sol”.

Há uns milhares que estão a reflectir, mas é sentados em frente a uma sebenta de macro-economia ou a decifrar uns apontamentos sobre resistência de materiais, que a segunda chamada está perto e os pais já ameaçaram cortar na mesada se continuarem a patinar. “Isso do voto logo se vê. Hoje faço uma directa”.

Outros reservaram o fim-de-semana para corrigir as provas de português, a ver se esticam as médias daqueles estouvados que confundem os tempos e os géneros e que de Camões sabem pouco mais de que era zarolho e devia ser primo do Eça Maias. “Votar? Onde? É longe? Demora muito? Esquece. E amanhã quem corrige aquela resma dali do fundo? Ainda se me garantissem que dava para mudar de ministra, mas vá, não me distraias”.

Há os que trabalham, os que não têm fim-de-semana, passam-no ao volante ou em turnos, não reflectem nem hoje nem amanhã, ou antes, há meses que reflectem todos os dias, desde que o “...tipo do sindicato falou em leiófes ou lá o que é, mas deve ser coisa ruim, pois o Aníbal andou nisso e duas semanas depois estava na rua. E isso do voto dá-me pontos no Pingo Doce?”.

Sim, há sempre uma razão ou até uma razão para não a ter. “Querem todos poleiro, é o que é. A mim não me dão nenhum, que me esfalfo desde as seis e meia da manhã e tenho as crianças, mas eles vão ganhar sete e tal mil por mês, ouviu? Eu mais o meu marido é quase um ano para chegar a coisa parecida e temos de pagar a ama. A Europa que vá pr’ò caralho, ouviu?”.

O João Maria vai votar. Vive em Lisboa mas está recenseado no Porto. Vai fazer 300km para cima e outros tantos para baixo. É a primeira vez. Acha que o seu voto conta e que é preciso dar uma lição ao Sócrates e ao PS. Explicou-me as suas razões e eu fiquei espantado com o que disse e como o disse. É meu filho. A gente também aprende com eles. Ainda bem.

DIREITA MELHOR

Apesar do esforço de Paulo Rangel e Nuno Melo, as sondagens parecem mostrar que se agrava o desequilíbrio entre direita e esquerda em Portugal. Não são boas notícias para Portugal e aconselham uma séria reflexão. Seja como for, é importante para qualquer tipo de regeneração da direita que se venha a fazer que o CDS se mantenha como um partido relevante e não residual. Espero, por isso, em benefício do país, que o PSD tenha mais votos do que o PS e que o CDS segure os seus dois deputados.

PASSOS ATRÁS

Uma das consequências desta campanha, que eu me atrevo a considerar positiva, foi o fim político de Pedro Passos Coelho. De facto, se compararmos Pedro Passos Coelho com Paulo Rangel, inevitavelmente chegamos à conclusão de que as diferenças são enormes e de modo nenhum favoráveis ao primeiro. Não chega ter um ar jovem e desembaraçado e boa imagem para cartazes para se poder ser líder do maior partido da oposição. Rangel pôs a nu as deficiências de Passos Coelho: falta de densidade política, intelectual e cultural, para além de ausência de combatividade e coragem. Pode não se querer Paulo Rangel para chefiar o PSD, mas está à vista que Passos Coelho não tem o suficiente. O facto de eu ser amigo de Paulo Rangel não me tolda a lucidez da análise pois os dados são públicos e notórios mesmo para quem, como eu, não é militante ou simpatizante do PSD. Paulo Rangel fez uma excelente campanha e pode até não ganhar as eleições mas representou uma importantíssima mais valia para o PSD.